Por estas alturas e quando se esta há sensivelmente 48 horas para o pontapé de saída do Moçambique-Guiné-Conacry, a palavra de ordem é ganhar.
Técnico e jogadores deixaram transparecer este sentimento na conferência de imprensa de ontem com objectivo de fazer o lançamento da partida que poderá decidir se os “Mambas” continuarão a sonhar ou não com o Mundial-2014.
Sem qualquer tipo de reservas, Gert Engels assegurou, de viva voz, que a Selecção Nacional jogará ao ataque, considerando que só desta forma será possível alcançar a vitória.
Pelo mesmo diapasão alinharam os jogadores Dominguez, Momed Hagi e Jumisse que sublinharam a importância de que se reveste o embate com a Guiné-Conacry não só porque a vitória permitirá sonhar com o “Mundial”, mas porque significará o regresso à boa convivência entre os “Mambas” e os seus adeptos que ainda se recordam, como se fosse ontem, a pesada derrota (4-0) com Marrocos.
No sentido de ter uma equipa competitiva contra a turma guineense, Gert Engels orienta hoje mais uma sessão de treino. Por sinal será o último ensaio táctico-técnico a ter lugar no Estádio Nacional do Zimpeto. No final do treino, o seleccionador alemão anunciará a convocatória final. O técnico levará para o jogo 22 jogadores e neste momento trabalha com 23.
A selecção Nacional de Judo parte hoje para Lisboa, Portugal, onde irá efectuar um estágio de sensivelmente duas semanas, tendo em vista a sua preparação para o campeonato africano da modalidade que decorrerá na cidade, de Maputo de 15 a 20 do próximo mês.
A equipa moçambicana é composta por sete judocas, a saber: Enio Jesus (-60 kg), Neuso Sigauque (-60 kg), Neil Mala (-66 kg), Bruno Luzia (-66 kg), Edson Madeira (-73 kg), Leopoldo Tanque (-81 kg) e Nilton Munjovo (-81 kg). Segue com os atletas o treinador Sérgio Zibane e em Portugal irá juntar-se ao técnico português Celso Martins.
Em terras lusas, os judocas moçambicanas vão observar a última etapa de preparação, depois de estarem a trabalhar cerca de dois meses em Maputo. O estágio compreende a participação num torneio e treinos mais técnicos de modo a conferir-lhes maior ritmo competitivo.
As esperanças de a equipa moçambicana conseguir bons resultados no “Africano” são enormes. Aliás, o objectivo passa pela conquista de medalhas, até porque os judocas nacionais estão confiantes depois de nos Jogos Africanos terem combatido com os melhores do continente, facto que lhes conferiu mais experiência.
E para assinalar a efeméride, o Governo realiza hoje um encontro de reflexão que terá lugar na Direcção Nacional de Águas e contará com a presença do Ministro das Obras Públicas e Habitação, Cadmiel Muthemba. Na ocasião, Patrício José, Reitor do Instituto Superior de Relações Internacionais e Diplomacia, falará sobre o lema escolhido para assinalar a efeméride, e Sérgio Sitoe proferirá uma palestra subordinada ao tema “Cooperação em gestão dos recursos hídricos na região da SADC”, e Hélio Banze irá abordar o tema “Evolução da cooperação entre Moçambique e os países com quem partilha bacias hidrográficas. Já Dinis Juízo foi convidado para fazer uma reflexão em torno do tema “Água como elemento essencial para o desenvolvimento”.
Entretanto, Moçambique continua a enfrentar inúmeros desafios no abastecimento de água e saneamento do meio devido a sua complexidade, um facto exacerbado por outros factores tais como baixo nível de financiamento público, tal como constataram vários especialistas do ramo e representantes da sociedade civil num debate nacional sobre a matéria, intitulado “Diálogo Nacional – Água e Saneamento como um Direito Humano”.
O evento tinha por objectivo aumentar a consciência dos participantes e de toda a sociedade moçambicana sobre a importância da água e saneamento do meio no processo de desenvolvimento do país e reforçar a coordenação e a participação da sociedade civil e o governo na abordagem deste assunto.
No encontro, a coordenadora do Fórum Mulher, Graça Samo, explicou que a pobreza, o impacto das mudanças climáticas e a instabilidade política no país tornam ainda mais fortes os efeitos da falta de acesso a água potável e ao saneamento melhorado.
“O acesso a água potável e saneamento continua a ser um dos maiores desafios no país pois cerca de 90 por cento das mortes são devido a doenças diarreicas provocadas pelo consumo de água imprópria e apenas 19 por cento dos agregados familiares tem acesso ao saneamento seguro, o que quer dizer que cerca de 16 milhões de moçambicanos não usam latrinas seguras”, explicou, citada pela Agência de Informação de Moçambique.
Por seu turno, a representante da Organização não Governamental “Water Aid”, Rosaria Mabica, disse que a água segura e o saneamento são direitos humanos básicos e a falta de acesso a estes serviços tem um impacto crítico no desenvolvimento humano afectando de modo desproporcionado as oportunidades de vida dos moçambicanos.
Para a Water Aid, o acesso a água e saneamento não são apenas um direito humano fundamental, mas também essencial para melhorar a saúde, educação e nutrição.
Infelizmente, afirma aquela ONG, o progresso na provisão destes serviços ainda continua a ser muito lento, razão pela qual a disponibilidade de latrinas seguras não tem vindo a acompanhar o crescimento populacional.
Como consequência “hoje em dia há mais pessoas sem acesso ao saneamento melhorado″, afirma a Water Aid.
O evento, que se pretende-se que seja realizado pelo menos uma vez por ano, tem como finalidade promover a criação de uma plataforma através da qual a sociedade civil moçambicana contribui activamente para que todos tenham acesso a água potável e saneamento.
A Water Aid é uma Organização-não-Governamental que se dedica a ajudar pessoas a escapar à pobreza e a doenças associadas com a falta de água potável e saneamento.
O Dia Mundial da Água é comemorado anualmente a 22 de Março como meio para chamar a atenção sobre a importância da água doce e defender a gestão sustentável dos recursos hídricos.
A data foi recomendada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) e a Assembleia das Nações Unidas respondeu ao apelo designando o dia 22 de Março de 1993 como o primeiro Dia Mundial da Água.
Em Dezembro de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou 2013 o Ano Internacional das Nações Unidas da Cooperação pela Água. O tema é inédito, o que ressalta a sua importância primordial e confere particular relevância a este 20º Dia Mundial da Água.
O Ano Internacional da Cooperação pela Água encoraja partes interessadas nos níveis internacional, regional, nacional e local a agir em prol da Cooperação pela Água. Haverá por todo o mundo esforços de consciencialização quanto ao potencial e aos desafios da cooperação pela água que facilitarão o diálogo entre atores e promoverão soluções inovadoras para a manutenção da cooperação pela água.
Trata-se dum encontro que igualmente vai debater os relatórios da Comissão Política, do Secretariado do Comité Central, da entidade de ligação, do Comité de Verificação, eleger os membros da Comissão de Eleições e debater a proposta do plano quinquenal do partido.
A ser dirigida pelo Presidente do partido, Armando Guebuza, a II Sessão Ordinária do Comité Central vai ainda debruçar-se sobre o plano de actividades e orçamento do partido para o presente ano, o desempenho da bancada parlamentar, do Governo e debater a informação da Comissão dos Assuntos Económicos e Sociais do secretariado do órgão.
No último dia dos trabalhos, os membros do Comité Central do partido Frelimo deverão eleger o secretário para administração e finanças e os membros do Comité de Verificação.
Falando ontem à imprensa sobre o evento, o secretário do Comité Central para a Mobilização e Propaganda, Damião José, disse que a presente sessão tem lugar num ano particularmente especial para o país e para o povo moçambicano, pois a 20 de Novembro próximo deverão realizar-se as quartas eleições autárquicas.
“A Frelimo apela aos militantes e simpatizantes do partido e aos moçambicanos para que participem activamente em todo o processo de preparação da realização das eleições”, disse Damião José.
Questionado se a sessão deverá debater o perfil ou mesmo indicar os candidatos do partido às eleições autárquicas, o secretário do Comité Central do partido no poder para a Mobilização e Propaganda afirmou que o apuramento dos candidatos a candidatos passa por um processo de eleições internas para a selecção de candidatos a membros das assembleias municipais e a presidentes de municípios, que deverão ser anunciadas oportunamente.
Esclareceu que a II Sessão Ordinária do Comité Central não se vai debruçar sobre o candidato do partido para as eleições presidenciais de 2004. Entretanto, solicitado a se pronunciar sobre o relatório de desenvolvimento humano das Nações Unidas, que considera que o índice do país tende a diminuir, Damião José disse que a melhoria das condições de vida dos moçambicanos é um desafio constante, acrescentando que o Governo tudo tem feito para, de forma gradual, criar as necessárias condições para essa melhoria.
“Respeitamos a avaliação feita pelas Nações Unidas”, disse.
O etanol é um álcool derivado de cereais e vegetais e que serve também de combustível. O prémio foi entregue pelo embaixador dos EUA em Maputo, Douglas Griffiths, numa cerimónia que contou com a presença de empresárias moçambicanas, gestoras bancárias e outras mulheres influentes em vários sectores de actividade, de salientar a Presidente do Conselho de Administração do Barclays, Luísa Diogo. Trata-se de um álbum de fotografias dos EUA.
Formada em Ciências de Administração de Empresas em Washington, Thelma Venichand disse em entrevista ao Noticias que os fogões com base em etanol estão a ajudar não só a mulher, mas contribuem para o meio ambiente. “As mulheres, sobretudo as das cidades estão cansadas dos altos preços com que adquirem o carvão e com os danos que este combustível provoca ao ser humano e ao meio ambiente”, disse a vencedora.
Segundo Thelma Venichand um dos ganhos deste projecto é que as mulheres estão dispostas a comprar um aparelho de cozinha moderno, produzido localmente, que usa combustível limpo e acima de tudo económico.
A CleanStar, baseada no distrito de Dondo, em Sofala, pretende aumentar a sua produção para 2 milhões de litros de etanol por ano, um combustível produzido na base de extractos de mandioca.
Em toda a África, mais de 80%2525 das famílias urbanas utilizam carvão para confeccionar alimentos. Segundo a Organização Mundial de Saúde, inalar fumaça de carvão vegetal tem o impacto negativo na saúde, cujos efeitos negativos chegam a comparar-se com quem fuma dois maços de cigarros por dia. Esta organização estima que a poluição do ar interior do uso de combustíveis sólidos, incluindo o carvão, é responsável por 2 milhões de mortes por ano.
O Embaixador dos EUA em Moçambique, Douglas Griffiths, considerou a vencedora do prémio, uma visionária e heroína. “Ela teve que hipotecar a sua própria casa para erguer a empresa. No entanto, através da sua visão e trabalho árduo durante mais de dez anos, a empresa cresceu, os seus produtos atingem muitas famílias em todo o país, até que constituiu sociedade com a CleanStar Moçambique em 2011. Em Maio de 2012, a empresa inaugurou a primeira fábrica em Moçambique de combustíveis de cozinha sustentáveis”, salientou.
Segundo Douglas Griffiths, actualmente, mais de mil pequenos agricultores, na sua maioria mulheres, ganham altas receitas cultivando a mandioca
O prémio “Mulher de Coragem” já foi ganho pela Presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabota e também por Ana Maria Muhai, que trabalha em prol do combate ao HIV e SIDA, em 2011 e 2012, respectivamente.
A proposta, de iniciativa do Conselho de Ministros, refere que a criação destas novas unidades territoriais visa ajustar a actual divisão às exigências da presente fase de desenvolvimento económico, social e cultural mocambicano.
Assim, foram criados os distritos da Ilha de Moçambique, Larde e Liúpo, na província de Nampula; Quelimane, Luabo, Mulevala, Mocubela, Derre e Molumbo, na Zambézia; Marara e Doa, em Tete, e Macate e Vandúzi, na província de Manica.
Paralelamente, o Governo propõe a alteração dos nomes do distrito de Pemba-Metuge, em Cabo Delgado, que passa a designar-se Metuge; do distrito de Nampula-Rapale, em Nampula, que passa a chamar-se Rapale, e do distrito de Lichinga, na província do Niassa, que passa a designar-se distrito de Chimbonila.
Com a aprovação desta proposta, o país passa a ter 141 distritos contra os actuais 128, continuando a província de Nampula com o maior número de distritos – 24 – contra os actuais 21, seguida da Zambézia que passa de 16 para 22 distritos. As províncias de Cabo Delgado e Niassa continuam com 17 e 16 distritos, respectivamente, enquanto Manica passa de dez a doze distritos, e Tete subirá dos actuais treze para quinze distritos.
As restantes províncias vão manter o actual número de distritos, sendo treze em Sofala; catorze, em Inhambane; onze, em Gaza e oito na província de Maputo.
Esta decisão prevê encargos anuais acima de um bilião de meticais, nomeadamente, com despesas de construção e reabilitação de infra-estruturas, fundo de desenvolvimento distrital, bens e serviços, salários e remunerações, investimento e outras despesas com o pessoal.
Falando na apresentação do documento, a Ministra da Administração Estatal, Carmelita Namashulua, disse que a proposta do Governo pretende consolidar o distrito como unidade principal de organização e funcionamento da administração local do Estado; consolidar novos pólos de desenvolvimento com vista ao combate à pobreza e aproximar os centros de decisão política, administrativa e económica junto da população.
Segundo Godinho Alves, director-adjunto do Centro de Promoção de Investimento (CPI), neste momento, Moçambique é apetecível ao investimento estrangeiro, apresentando oportunidades em diversas áreas económicas como desenvolvimento da rede de infra-estruturas, agricultura, recursos minerais e sector imobiliário.
Godinho Alves, que falava no decurso do IX Conselho Coordenador do Ministério da Planificação e Desenvolvimento, ontem terminado, em Nacala, explicou que presentemente, Moçambique é destino privilegiado do investimento estrangeiro face ao cenário de crise que afecta o mundo, sobretudo a Zona Euro.
Para Godinho Alves, há uma grande apetência pelo país, fundamentalmente devido às suas características naturais, por um lado e, por outro, pelo esforço do Governo para a melhoria do ambiente de negócios.
Uma das razões que contribuem para que Moçambique não esteja muito exposto à crise internacional é a diversificação das suas fontes de investimento, quer em termos de países e continentes, quer no que diz respeito a sectores de actividade para onde o dinheiro é destinado.
Com efeito, para além da Europa, Moçambique recebe investimento estrangeiro dos países da região, à exemplo da África do Sul, da China, do Brasil ou e Emirados Árabes Unidos, país, que em 2012 foi o maior investidor, com um projecto denominado corredor logístico integrado do Norte, orçado em 800 milhões de dólares.
“A tendência actual de investimento tem sido positiva e o nosso país apresenta várias oportunidades nos diversos sectores de actividade económica. Isso nos faz acreditar que o volume de investimento nos próximos três anos vai ser bastante acentuado”, disse Godinho Alves, num briefing com os jornalistas que cobrem o conselho coordenador.
Em 2012, as estatísticas cumulativas do CPI, Gabinete de Zonas Económicas de Desenvolvimento Acelerado (GAZEDA) e do Ministério dos Recursos Minerais, apontam para a aprovação de 384 projectos de investimento, o correspondente a cinco biliões de dólares e um potencial para a criação de 32 mil empregos.
Ainda de acordo com Godinho Alves, de 2007 a esta parte Moçambique aprovou 1450 projectos avaliados em 24 biliões de dólares, representando oportunidades de emprego na ordem de 160 mil.
“Temos feito alguma monitoria dos projectos e existe a indicação de que 60 por cento dos investimentos estão em implementação”, referiu.
Trata-se de Elsa Lameira, 37 anos, bióloga, a trabalhar na área de investigação no Instituto do Coração (ICOR), em Maputo. Com o objectivo claro para sua ida aos EUA, esta mulher passou por vários exames teóricos e práticos para convencer ao jurado para lhe conceder uma bolsa de Estudos para o Programa Fulbright. Elsa faz parte de um grupo de seis pessoas seleccionadas, entre mais de 200 concorrentes.
“Se eu for aos EUA e estar num ambiente de investigação com alta tecnologia vou enriquecer os meus conhecimentos e sobretudo descobrir a causa da Fibrose endomiocárdica, uma doença cardiovascular que constitui um dos motivos de internamento de crianças no ICOR”, explica Elsa, que parte amanhã para aquele país.
Esta terça-feira, a Embaixada dos Estados Unidos da América saudou Elsa Rameira e Isabel Assona, duas mulheres que mereceram a bolsa de estudo daquele país, pelo seu empenho para o efeito. Isabel conseguiu bolsa para o Programa Humphrey. Ela vai estudar na área de reciclagem de resíduos sólidos.
Anualmente, o governo americano disponibiliza bolas de estudos para os Programas Fulbright e Humphrev para diversos países, incluindo Moçambique. Para concorrer às bolsas, no território nacional, os participantes devem ter nacionalidade moçambicana, domínio da língua inglesa, licenciatura e passar nos testes a ser submetido.
A bolsa para o Programa Fulbright é destinada a pessoas que queiram fazer mestrado ou doutoramento e, é de dois anos, enquanto que a Humphrey tem a duração de um ano. Esta última não oferece diploma académico no fim do curso. É direccionada a profissionais que queiram realizar estudos académicos e pesquisas com peritos americanos em áreas específicas.
“Não há um número exacto de bolsas destinadas a Moçambique. As bolsas são altamente competitivas. Não se discrimina a condição física, género ou outra qualquer. O importante é conseguir boas notas para ser apurado”, explica Ann Perrelli, adida adjunta para imprensa e cultura da Embaixada dos EUA.
São alunos que estudam nos bairros Lale 1, Janga 2 e Mahelene que se situam na zona meio ruralizada da urbe que abandonam as aulas para procurarem água potável para o consumo, que escasseia naquelas regiões ou então, os pais os forçam a se dedicarem à pesca ou extracção da pedra para a construção.
A nossa reportagem em Nacala-Porto constatou este cenário preocupante durante a escala que efectuou ao bairro de Lile 1 que se localiza a 13 quilómetros de distância do centro urbano daquela autarquia que, pese embora tenha uma escola construída de raiz com material convencional, com as respectivas salas equipadas com carteiras e uma cisterna para o acondicionamento do precioso líquido, os professores afirmam que entre os meses de Julho e Agosto, a presença de alunos nas salas de aulas reduz de forma drástica.
“Antes lamentávamos a falta de uma escola construída com material convencional, mas já temos e até equipada com uma cisterna. Mas a falta de água tem dificultado o nosso processo de ensino, porque alguns alunos, na sua maioria do sexo feminino, abandonam as salas de aulas à procura de água, enquanto os rapazes são forçados pelos seus pais a se dedicarem à pesca ou actividade de extracção da pedra”, informou o professor Lancha Lázaro.
Para este professor, por forma a inverter o actual cenário de abandono das aulas, a direcção daquele estabelecimento de ensino que no presente ano lectivo matriculou 220 discentes da primeira a quintas classes, tem realizado palestras junto das estruturas do bairro de modo a que estes sensibilizem os pais e encarregados de educação a saberem dividir as tarefas dos seus educandos, consoante o período de leccionação.
Já na Escola Primária de Mahelene, que dista a 21 quilómetros da cidade de Nacala, com 589 alunos matriculados da 1ª à 7ª classes, leccionados por 12 professores, a situação é absolutamente idêntica. A direcção do estabelecimento a queixa-se dos mesmos problemas: abandono das aulas por causa da falta de água na região e para a realização de actividades de rendimento.
Cristina Daniel, que lecciona há dois anos nesta escola primária, apontou a falta de água na zona como sendo um dos potenciais factores que contribuem para o abandono das aulas e acrescenta ainda que, mesmo aquelas que participam nas aulas, têm registado atrasos sistemáticos o que, em larga medida, contribui para o fraco aproveitamento e desempenho pedagógico.
“As crianças aqui têm de acordar muito cedo para procurar água para a sua higiene pessoal e colectiva e como este líquido apenas se consegue muito longe daqui, atrasam sistematicamente à escola, perdendo duas a três aulas. Nalgumas vezes somos obrigados a fazer “busca e captura” nas residências”para voltarem às aulas, anotou Cristina Daniel.
Apesar disso, a nossa entrevistada observou que fruto de um trabalho realizado junto dos pais e encarregados de educação dos educandos, é a redução do número elevado de desistências, principalmente da rapariga e de rapazes.
Situação idêntica vivem os gestores e professores que leccionam na escola primária de Janga 2, a sensivelmente 18 quilómetros da estrada da cidade de Nacala, onde para o presente ano lectivo foram inscritos da primeira à quinta classe 349 alunos, com seis docentes.
Aqui, encontramos uma situação diferente das duas anteriores escolas. Para além dos alunos receberem aulas em salas construídas com material precário, os professores substituíram as carteiras por bancos de paus, para que as crianças não se sentem no chão para não sujarem a roupa.
Entretanto, sobre o assunto, o director da educação na cidade de Nacala-Porto, Paulo Bernardo, disse que apesar de reconhecer as dificuldades que aqueles estabelecimentos de ensino atravessam, presentemente a solução está aquém das capacidades da sua instituição, havendo a necessidade da conjugação de esforços que deve envolver outras instituições e parceiros de cooperação.
Os referidos tanques, a serem construídos com o apoio técnico e financeiro do Instituto Nacional de Aquacultura, pertencem à Associação O Calor do Inovador no Mundo da Tecnologia da Zambézia, que numa primeira fase abriu um tanque a título experimental, cujos resultados são bastante animadores, porquanto houve uma grande reprodução da tilápia.
O presidente daquela associação juvenil, Talbe Namureia, disse há dias em entrevista à nossa Reportagem que no ano passado foram adquiridos 1500 alvinos para a reprodução e os resultados foram surpreendentes esperando-se, depois da primeira venda, que sejam abertos outros tanques. Neste momento o tanque está repleto de peixe e a primeira venda será feita em Maio próximo, podendo ser comercializado a pessoas individuais ou estabelecimentos comerciantes.
Segundo o nosso entrevistado, com os rendimentos provenientes da primeira venda serão abertos mais cinco tanques. O trabalho de abertura de tanques irá decorrer com a monitoria do Instituto Nacional de Aquacultura para questões técnicas, como a profundidade e a distribuição da ração para os animais.
Actualmente aquela associação juvenil conta com 20 membros, dos quais 15 homens e cinco mulheres, e prevê ainda a integração de mais jovens voluntários. Os membros pretendem mostrar aos outros que há várias formas de combater a pobreza, porquanto a actividade está a gerar postos de auto-emprego.
O secretário provincial daquela organização sindical na Zambézia, Teófilo Moronha, disse há dias em Quelimane que a ideia surgiu na sequência de vários encontros que têm sido promovidos para discutir os preparativos de mais um aniversário que se comemora a 11 de Abril próximo e a participação no desfile do 1º de Maio.
Referiu que nos referidos debates os membros chegaram a acordo que era preciso promover um evento de grande envergadura para angariação de fundos de forma a suprir as dificuldades financeiras e materiais com que a organização se debate, desde a falta de instalações para o funcionamento e pagamento de despesas das actividades de geração de rendimentos.
A gala, que terá lugar em finais de Setembro próximo, consistirá na promoção de um jantar no qual se espera a participação de mais de 100 individualidades, entre governantes, políticos, empresários, académicos, produtores da indústria cultural, entre outras personalidades.
Para o efeito, acaba de ser criada uma subcomissão que está a desenhar um cronograma de actividades que serão monitoradas e avaliadas todos os fins-de-semana para que as falhas sejam imediatamente corrigidas.
Teófilo Moronha disse na ocasião que a organização conta actualmente com mais de 70 membros, mas apenas 15 é que pagam quotas, maioritariamente do Notícias, Rádio Moçambique e Televisão de Moçambique. No entanto, os que trabalham nas rádios comunitárias e jornais privados, que são a maioria dos profissionais do sector, pelo facto de não terem salários ou subsídios com regularidade, não têm capacidade de quotização.
Segundo ainda Teófilo Moronha, a falta de cumprimento no pagamento de quotas tem reflexos negativos na prossecução das actividades da agremiação, o que sistematicamente incorre para o incumprimento de planos concebidos e aprovados pelos membros. É nesta perspectiva, segundo o nosso entrevistado, que se decidiu partir para outras alternativas, nomeadamente a promoção de uma gala para angariar fundos de forma a suprir as dificuldades financeiras como uma experiência piloto. Referiu que se os resultados forem satisfatórios os membros terão de se reunir uma vez mais para desenhar um outro plano.
Informações em nosso poder indicam que durante a gala serão leiloados alguns artigos com inscrições ou dizeres sobre os 35 anos do Sindicato Nacional de Jornalistas. Esta será uma outra forma de angariar mais fundos para os objectivos pré-determinados.
Cada um dos mais de 100 convidados irá pagar um bilhete que corresponde a um valor para jantar numa das instâncias hoteleiras. “O bilhete foi calculado a partir de uma análise feita de um jantar bem regalado num dos hotéis mais caros da urbe. Nós, o sindicato, pensamos que todos os que aderirem irão sair satisfeitos”, disse Teófilo Moronha, para quem os membros do sindicato que pretendem participar terão de pagar o mesmo valor, incluindo os que estão na organização.
Alfredo Tivane, de 31 anos de idade, condutor de “chapa”na rota Museu-T3, encontrou a morte cerca da 1.00 hora, quando, no fim de mais uma jornada, ia parquear a viatura, de marca Toyota Hiace, na 7.ª esquadra da Polícia, e foi interpelado por três agentes da corporação.
Segundo Vânia David, cunhada do malogrado, os agentes, que na altura se faziam transportar numa viatura pertencente àquela subunidade policial, bloquearam a sua viatura e o acusaram de promover ralis, tendo-o exigido três mil meticais para não o deter.
“Ele tentou negociar mas os polícias não aceitaram o valor que ele propôs. Ele engrenou a retaguarda, mas quando ia arrancar um dos agentes alvejou-o a tiro na cabeça. Já ferido, o carro que conduzia foi embater numa pequena mercearia e a Polícia levou-lhe debaixo do assento do seu carro”, conta a cunhada.
Na altura, Alfredo fazia-se acompanhar pela namorada, cuja identidade não nos foi facultada, que deu a conhecer o facto à família do Alfredo Tivane.
Na manhã de quarta-feira, familiares e amigos marcharam para a 7.ª esquadra, para exigir justiça, situação que gerou uma autêntica confusão. Populares quase invadiam a esquadra à procura dos agentes da lei e ordem que protagonizaram o que consideram de acção de agentes sem escrúpulos.
“Eu cheguei aqui pela manhã e vi a parte frontal da minha barraca destruída (após o embate provocado pela viatura já descontrolada). Quando me contaram do sucedido, não acreditei que a nossa Polícia fosse cometer um crime tão hediondo. Além disso, eles vieram aqui mas ninguém se responsabilizou pelos damos”, lamentou Castigo Macuácua, proprietário da barraca a que se embateu o “chapa”.
Os restos mortais do jovem vão hoje a enterrar no Cemitério da Lhanguene. Paralelamente à detenção do agente, um processo disciplinar foi instaurado contra outros agentes que vão responder por uso indevido de força e mau manuseamento da arma, segundo o porta-voz da Polícia no Comando Provincial em Maputo, João Machava.
“A comissão de inquérito apurou que houve má actuação dos agentes que recorreram à violência e mostraram dificuldades no manuseamento da arma. Os bens já foram devolvidos à família do malogrado e a corporação está a fornecer todo apoio necessário aos enlutados”, explicou Machava.
Este apelo foi lançado há dias por Faustino Amino, director provincial adjunto da Educação e Cultura da Zambézia, por ocasião de reinício das aulas nas regiões que tinham sido afectadas pelas enxurradas.
Na circunstância, aquele responsável exortou, igualmente, para a necessidade de multiplicar esforços por parte do corpo docente e alunos para a recuperação das aulas perdidas devido às calamidades.
Segundo Amimo, as dificuldades decorrentes da situação das calamidades deve ser transformada em novas oportunidades de investigar e experimentar novos métodos de ensino para que a aprendizagem se realize com eficácia e eficiência.
Aquele responsável reconhece que o corpo docente foi severamente afectado pelas calamidades mas o Executivo está a tentar reabilitar a capacidade didáctica, disponibilizando mais livros e materiais do ensino para os alunos e professores suprirem as suas dificuldades, principalmente nos distritos de Nicoadala e Namacurra.
Este ano o sector da Educação e Cultura na Zambézia, através dos vários institutos e escolas de formação de professores, graduou mais de 1600 docentes que foram absorvidos pelo sistema mas estes confrontaram-se com as cheias e inundações que representaram um duro golpe às suas aspirações profissionais e emocionais.
Maior parte desses professores trabalham em regiões propensas às cheias e inundações, por isso o sector tem vindo a mobilizá-los para que as dificuldades sejam transformadas em desafios na componente da Educação.
Aquele dirigente do pelouro da Educação e Cultura exortou aos professores para, na sua acção docente, para além do processo de ensino e aprendizagem, apostarem igualmente na actualização permanente nas Tecnologias de Informação e Comunicação, pelo facto delas evoluírem constantemente, podendo ser um pressuposto fundamental para pesquisa e experimentação de novos métodos de ensino para melhorar a qualidade de educação a partir dos níveis iniciais de escolarização.
Amimo apelou ainda aos docentes para combaterem qualquer forma ou tentativa de abuso sexual da rapariga na escola porque, segundo justificou, essas práticas contribuem para a não permanência das meninas nas escolas depois de um grande número de ingresso no princípio de cada ano escolar.
“É nosso desejo que os professores na sua acção docente possam incluir, igualmente, a mudança não só dos educandos como também das comunidades onde irão trabalhar no que tange à problemática do HIV/SIDA; temos de privilegiar uma educação para a mudança”, disse Faustino Amimo.
O malogrado, que em vida respondia pelo nome de Fernando Nhantumbo, de 36 anos de idade, encontrou a morte quando se encontrava a trabalhar, não tendo conseguido sair das instalações, dada a intensidade do fogo que em tão pouco tempo se alastrou dentro da fábrica.
A nossa Reportagem soube que o fogo, cujas causas ainda não são conhecidas, para além da vítima humana, danificaram parte da infra-estrutura, três viaturas uma das quais pesada, diverso material de escritório, entre outros bens valiosos.
Segundo o representante desta empresa multinacional, Diru Pravinchandra, quando se aperceberam do incêndio, os trabalhadores mobilizaram-se e, com a colaboração de pessoas que moram nas imediações da companhia, tentaram debelar as chamas, mas não foram a tempo de salvar o malogrado.
Pravinchandra referiu que os bombeiros, chamados logo após o início do incêndio, chegaram tarde ao local, onde o fogo estava praticamente extinto.
“Estamos bastante abalados com a morte do nosso colega. Tentamos fazer de tudo para salvá-lo, mas não foi fácil porque o fogo era intenso e acabou morrendo carbonizado”, disse o representante da firma.
Na altura em que o “Notícias” passou pelo local, uma equipa da Polícia de Investigação Criminal (PIC) encontrava-se a fazer o trabalho de perícia e a remoção do corpo do malogrado.
Datada de 9 de Março do ano em curso, a procuração foi assinada em Maputo durante as cerimónias fúnebres do taxista, na qual o seu pai, Jossefa Macia, autoriza que seja o escritório de advogados Jurgens Bekker Attorney a representar a família em todos os fóruns judiciais e civis na África do Sul.
Por essa razão, os advogados da Jurgens Bekker Attorney, entidade que elaborou e mandou Jossefa Macia assinar a procuração, reclama agora o afastamento do advogado José Nascimento, indicado pelo Governo moçambicano para assistir a família do malogrado taxista.
“Peço encarecidamente ao Governo que me ajude a anular estes papéis todos que assinei. Fi-lo sem explicação clara do que estava a assinar. Nenhuma das pessoas explicou-me sobre o que eu estava a assinar. Tudo decorreu no funeral do meu filho e eu não estava em consciência nem discernimento para decidir algo com responsabilidade. Todos os documentos vinham em Inglês e não pude perceber de nada. Disseram-me apenas que era para assinar como forma de me ajudarem, sem no entanto clarificar o tipo de ajuda. Ninguém me disse que era para serem meus advogados, coisa que não teria aceite, porque o Governo já me tinha dado assistência” – disse Macia.
Enquanto isso, o Ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Oldemiro Balói, assegurou esta semana que o Governo vai continuar a prestar todo o tipo de apoio que for necessário à família Macia, desmentindo categoricamente informações postas a circular, segundo as quais o Executivo estaria a pressionar a família a retirar queixa contra as autoridades sul-africanas para resolver a questão fora dos tribunais.
Numa das suas passagens o documento assinando pelo pai do taxista a que o “Notícias” teve acesso indica que os advogados estão credenciados para, entre vários aspectos, intentar uma acção judicial contra o Governo sul-africano e o ministro da Polícia, para que paguem as correspondentes indemnizações pela morte de Mido Macia.
“Confirmamos que todas as despesas para a execução destes mandatos em todos os fóruns serão da conta – despesa – da família Macia. A firma de advogados Jurgens Bekker Attorney vai cobrar os custos e indemnizações ao Governo sul-africano e ao ministro da Polícia” – indica parte da procuração.
Mais adiante, a mesma documentação refere o seguinte: “confirmo que estou de acordo com os termos e condições do mandato, onde a família confere todos poderes à firma JBA a agir com plenos direitos e poderes na defesa dos nossos interesses. Os advogados da firma são os únicos mandatários da família Macia”.
Segundo apurámos de fontes seguras, este escritório de advogados teria sido contactado por uma cidadã sul-africana, pessoa que durante a vida do finado cedeu parte do seu quintal para que este instalasse a casa onde vivia. Por essa razão ela se julga no direito de assumir parte das responsabilidades da família sem que tivesse recebido alguma indicação nesse sentido.
Estes dados foram colhidos no decurso do IX Conselho Coordenador do Ministério da Planificação e Desenvolvimento realizado esta semana em Nacala, Nampula.
Com efeito, depois da concertação que está a ocorrer actualmente a nível das províncias, o plano estratégico vai ser apresentado numa reunião intersectorial e regional em Maio. O compacto global do projecto “Pólos de Crescimento do Vale do Zambeze” é orçado em 40 milhões de dólares norte-americanos, financiamento do Governo e parceiros de cooperação.
Os pólos de desenvolvimento consistem na criação de condições básicas, pelo Estado, em termos de infra-estruturas, para o florescimento das pequenas e médias empresas, as quais terão a missão de produzir, comercializar, processar e exportação de produtos agrícolas.
Roberto Albino, director-geral da Agência de Desenvolvimento do Zambeze, explicou que a aparente demora do arranque dos trabalhos no terreno resulta do facto de que a instituição não pode trabalhar fora do plano estabelecido pelo Governo, quer a nível central, quer local. Para isso é preciso que estas entidades sejam consultadas.
Falando a jornalistas em Nacala, Roberto Albino disse que dos 40 milhões destinados ao estabelecimento dos pólos de crescimento no vale do Zambeze cerca de 24 milhões serão investidos no sector de estradas, com o objectivo de viabilizar o processo de comercialização agrícola.
Entre as artérias que vão beneficiar de trabalhos de melhoramento figura a estrada Phulo-Tsangano-Angónia-Macanga, na província de Tete, numa extensão de aproximadamente 220 quilómetros. A estrada é normalmente intransitável na época chuvosa, por causa do deficiente sistema de drenagem, tendo em conta que a rodovia se estende por uma zona extremamente acidentada.
“Conseguimos colocar no pacote das negociações com o Banco Mundial uma grande estrada que vai, de facto, mudar a actividade económica no planalto de Angónia. É uma estrada muito importante para o escoamento da produção”, frisou, recordando que quando do lançamento da produção de trigo em Angónia e Tsangano as vias de acesso foram apontadas como sendo um grande constrangimento.
O vale do Zambeze é uma região com grande potencial para a prática da agricultura comercial, com um potencial para alimentar todo país e a região, tendo em conta a disponibilidade de terras férteis e água para a irrigação, para além da grande oferta de mão-de-obra.
Aliás, no seu discurso de encerramento do conselho coordenador, o Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, referiu que o grande desafio que se coloca ao pessoal técnico é a transformação do potencial do vale do Zambeze em riqueza.
“Neste sentido, recomendamos a aceleração da conclusão da estratégia de desenvolvimento integrado do vale do Zambeze, cujo impacto económico e social é significativo não só para a região como para todo o país”, disse o governante.
A região em causa compreende uma extensão de 225 mil quilómetros, ou seja, 27,8 porcento do território nacional, e abrange todos os 12 distritos da província central de Tete, nove distritos da Zambézia, sete em Sofala e quatro em Manica (todas no centro), contando com cerca de cinco milhões de habitantes, isto é, um quarto da população do país.
O consumo de energia disparou em alta nos últimos tempos devido ao surgimento de grandes projectos de investimento nos países que compõem a SADC, especialmente na principal economia da região a África do Sul. Em Moçambique, o crescimento do consumo de energia foi de 16 por cento o ano passado, estando agora nos 706 MW, abastecendo 1.2 milhões de clientes, incluindo os vários mega projectos existentes no país. Isto faz com que haja um défice energético muito grande.
“O crescimento do consumo a nível da região, situado em três por cento ao ano, requer o desenvolvimento de novas capacidades na ordem de 20.000 MW nos próximos cinco anos. Este é um desafio a que ninguém deve ficar indiferente, mas para o qual, as empresas (de energia) deverão estar na linha da frente”, destacou o Vice-Ministro da Energia, Jaime Himede, falando ontem na abertura da 34ª Reunião da Southern Africa Power Pool (SAPP), que teve lugar ontem em Maputo.
Himede salientou que “o défice de energia que teima em ameaçar o crescimento das economias da África Austral deve merecer dos membros da SAPP, a atenção necessária e a conjugação de esforços, para que se possam escolher as melhores opções e os projectos prioritários para que sejam implementados em tempo útil”.
Outro desafio para suprir o défice de energia na SADC, segundo disse o Vice-Ministro da Energia, está relacionado com a necessidade de se desenvolverem as interligações, através do reforço das existentes e implementação de novas linhas entre países ainda não interligados.
“Os actuais constrangimentos da capacidade de transferência de energia entre países actualmente interligados, esta a limitar o desenvolvimento do mercado regional de energia e consequentemente a privar os países do acesso a energia dos demais países vizinhos”, destacou.
Para tal, é urgente a implementação dos projectos de transmissão tais como a espinha dorsal de transmissão regional (Tete-Maputo), a interligação Zimbabwe, Zâmbia e Botswana (Zizabona) e central de transmissão do Zimbabwe, entre outros projectos.
O Vice-Ministro destacou ainda que o número de programas de eficiência energética em curso na região, mormente a implementação massiva de lâmpadas de baixo consumo, instalação de equipamento térmico solar e foto-voltaico, vai permitir uma poupança de 2300 Megawatts, o que por si só constituirá um grande sucesso para a região dado que isso corresponde ao dobro da capacidade instalada ao longo de 2012, que foi de 1030 Megawatts. Até ao final do corrente ano espera-se atingir a produção de 2000 Megawatts.
Os países membros do SAPP, representados pelas suas empresas de electricidade, estiveram reunidos em Maputo para produzir deliberações que concorram para a implementação de maior número de infra-estruturas e programas de investimentos, o que poderá resultar em maior disponibilidade de energia com menos investimentos financeiros, criando assim as condições para atrair investimentos industriais de uso intensivo de energia na região.
Trata-se dos deputados Carlos Moreira Vasco, Fátima Madeira, António José Amélia e Danilo Ragú, todos da bancada parlamentar da Frelimo, e Geraldo de Carvalho, do grupo parlamentar do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).
A Renamo não indicou nenhum deputado para integrar o grupo, alegando coerência entre o discurso e as suas acções em torno do processo eleitoral. Esta posição resulta do facto de a sua bancada ter afirmado que não vai participar em pleitos eleitorais enquanto não se rever a legislação eleitoral de modo a aprová-la por consenso.
“Não existem condições para nós (Renamo) participarmos nas eleições no país, uma vez que a Lei Eleitoral foi aprovada pela Frelimo com uma pequena ajuda do MDM. Para nós esta legislação não garante a isenção, transparência, nem a plena liberdade dos cidadãos e partidos políticos concorrentes”, explico o porta-voz desta bancada, Arnaldo Chalaua.
Refira-se que a CNE é constituída por treze elementos, dos quais oito propostos pelos partidos políticos com assento parlamentar de acordo com os critérios de representação proporcional, o que significa cinco da Frelimo, dois da Renamo e um do MDM; dois magistrados (sendo um da Magistratura Judicial e outro do Ministério Público) e três representantes de organizações da sociedade civil legalmente registadas.
Ainda ontem o Parlamento elegeu Dalmázia Helena de Castenheira e Cossa para ocupar a vaga existente no Conselho de Magistratura Judicial, na sequência da morte de Mónica Filipe Waty.
Na composição deste órgão , cinco dos dez lugares existentes são preenchidos por personalidades eleitas pela Assembleia da República.
Durante os trabalhos do dia de ontem, o Parlamento adoptou alterações da sua Lei Orgânica, com a qual se introduz, entre outros aspectos, alterações das competências do Conselho de Administração da AR e as relações laborais que se estabelecem entre o pessoal que preenche a estrutura das bancadas parlamentares.
Hoje o Parlamento vai debater a proposta de lei de Criação de novos distritos, por província, submetido pelo Governo.
A constatação foi ontem feita em Maputo por Oldemiro Baloi, ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, após a cerimónia de recepção do presidente da República, Armando Guebuza, que nos últimos dias escalou aqueles dois pontos do globo, acrescentando que foram tiradas importantes lições naquele sentido.
Falando concretamente dos EAU, o chefe da diplomacia moçambicana referiu que há 45 ou 50 anos não existiam como país desenvolvido, mas meio século depois são uma nação de referência no mundo.
Baloi apontou que a Austrália também teve o mesmo percurso e resultados, embora num horizonte temporal mais longo.
As duas nações chegaram ao pico de desenvolvimento socioeconómico e consequentes altos níveis de vida dos seus povos graças a excelente exploração e uso dos seus recursos naturais, principalmente o carvão no caso da Austrália.
Olhando para o país e das lições tiradas na recente visita de Estado de Armando Guebuza à Austrália e de trabalho aos EAU, o ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação acredita que Moçambique tem tudo para dar a volta a pobreza que flagela o seu povo se fizer um uso racional dos rendimentos da exploração do seu vasto leque de recursos naturais, como o gás natural, carvão, areias pesadas e outros que se vão descobrindo a cada dia.
De acordo com o ministro, Moçambique mantêm, há anos, relações de natureza empresarial com os Emiratos Árabes Unidos, mas faltava um enquadramento político, dai a deslocação de trabalho que Guebuza efectuou aquele ponto da região do Golfo Pérsico entre sábado e terça-feira.
O PR chegou aos Emiratos Árabes ido da Austrália onde estivera em visita de Estado entre os dias 11 e 15 do corrente mês.
À sua chegada, pouco depois das 10 horas, no Aeroporto Internacional de Maputo, Guebuza foi recebido com honras de Estado, numa cerimónia que contou com a presença de membros do Governo e dos principais órgãos de soberania.
Este sentimento foi expresso em conferência de imprensa, no término de uma visita efectuada à vila da Manhiça, que foi antecedida por uma digressão pelos municípios da Matola e Namaacha.
“A Matola cresceu em pouco tempo, actualmente conta com 800.000 habitantes. Este crescimento contribuiu para que não se pudesse concretizar certos pontos”, disse Paúnde, citando como exemplos o fornecimento de energia eléctrica, pelo facto de o número de novas ligações ter superado de longe as estimativas da empresa pública Electricidade de Moçambique (EDM).
“O município da Matola tem mais necessidade em termos de água, energia, manutenção de vias da cidade”, disse.
Relativamente aos outros municípios visitados na província de Maputo, Paúnde faz uma avaliação positiva.
“Os municípios da Manhiça e Namaacha estão bons, cumpriram muito bem com as suas tarefas. É possível ver, hoje, na Manhiça estradas asfaltadas, a vila está limpa, entre outros aspectos positivos que constatámos”, referiu.
O secretário-geral fez um balanço positivo da visita realizada aos três municípios, porque “é visível o espírito de combate contra a pobreza, fruto do trabalho de mobilização realizado pelo partido Frelimo”.
Segundo Paúnde, também foi cumprido o Plano Económico Social (PES). Como exemplo, Paúnde cita o acesso à água potável para mais de 70 por cento de pessoas, aumento da rede escolar e do número de carteiras nas salas de aula.
Para Paúnde, também constitui motivo de satisfação o actual estágio das obras de construção do Hospital Provincial de Maputo (HPM), cujas obras se encontram muito avançadas.
Durante o comício, Paúnde instou a população da Manhiça a continuar com o espírito de trabalho, pois só assim será possível combater a pobreza.
Para o efeito, Paúnde reiterou a necessidade de cimentar a unidade nacional.
“Precisamos de estar unidos, todos somos moçambicanos. Actualmente, é normal um filho nosso ir viver noutra província do país. Por isso, devemos tratar todos da mesma maneira, mesmo os que não são naturais de Maputo”, disse.
A população da Manhiça, por seu turno, demonstrou a sua satisfação com o cumprimento integral do manifesto eleitoral a nível daquele município.
Entre as principais realizações destaca-se a construção do mercado, acesso à energia eléctrica e água.
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