O consumo de energia disparou em alta nos últimos tempos devido ao surgimento de grandes projectos de investimento nos países que compõem a SADC, especialmente na principal economia da região a África do Sul. Em Moçambique, o crescimento do consumo de energia foi de 16 por cento o ano passado, estando agora nos 706 MW, abastecendo 1.2 milhões de clientes, incluindo os vários mega projectos existentes no país. Isto faz com que haja um défice energético muito grande.

“O crescimento do consumo a nível da região, situado em três por cento ao ano, requer o desenvolvimento de novas capacidades na ordem de 20.000 MW nos próximos cinco anos. Este é um desafio a que ninguém deve ficar indiferente, mas para o qual, as empresas (de energia) deverão estar na linha da frente”, destacou o Vice-Ministro da Energia, Jaime Himede, falando ontem na abertura da 34ª Reunião da Southern Africa Power Pool (SAPP), que teve lugar ontem em Maputo.

Himede salientou que “o défice de energia que teima em ameaçar o crescimento das economias da África Austral deve merecer dos membros da SAPP, a atenção necessária e a conjugação de esforços, para que se possam escolher as melhores opções e os projectos prioritários para que sejam implementados em tempo útil”.

Para suprir défice energético: SADC deve produzir 20.000 MW até 2017

Outro desafio para suprir o défice de energia na SADC, segundo disse o Vice-Ministro da Energia, está relacionado com a necessidade de se desenvolverem as interligações, através do reforço das existentes e implementação de novas linhas entre países ainda não interligados.

“Os actuais constrangimentos da capacidade de transferência de energia entre países actualmente interligados, esta a limitar o desenvolvimento do mercado regional de energia e consequentemente a privar os países do acesso a energia dos demais países vizinhos”, destacou.

Para tal, é urgente a implementação dos projectos de transmissão tais como a espinha dorsal de transmissão regional (Tete-Maputo), a interligação Zimbabwe, Zâmbia e Botswana (Zizabona) e central de transmissão do Zimbabwe, entre outros projectos.

O Vice-Ministro destacou ainda que o número de programas de eficiência energética em curso na região, mormente a implementação massiva de lâmpadas de baixo consumo, instalação de equipamento térmico solar e foto-voltaico, vai permitir uma poupança de 2300 Megawatts, o que por si só constituirá um grande sucesso para a região dado que isso corresponde ao dobro da capacidade instalada ao longo de 2012, que foi de 1030 Megawatts. Até ao final do corrente ano espera-se atingir a produção de 2000 Megawatts.

Os países membros do SAPP, representados pelas suas empresas de electricidade, estiveram reunidos em Maputo para produzir deliberações que concorram para a implementação de maior número de infra-estruturas e programas de investimentos, o que poderá resultar em maior disponibilidade de energia com menos investimentos financeiros, criando assim as condições para atrair investimentos industriais de uso intensivo de energia na região.