Britânicos “fugiram” para Moçambique durante eleições no Zimbabwe
Centenas de pessoas, sobretudo britânicas, abandonaram, em “avalanche”, o Zimbabwe durante o período eleitoral, por receio de violência, disse hoje fonte dos serviços de migração de Moçambique citada pela agência Lusa.
José Marizane, chefe do posto de Machipanda, a principal fronteira terrestre entre Moçambique e Zimbabwe, disse que um número “invulgar” de pessoas saiu daquele país vizinho, nos dois dias que antecederam as eleições do Zimbabwe, e após a votação, a 31 de Julho.
“Nos dois antes das eleições, um número assinalável de turistas, a maioria britânicos, saíram do Zimbabwe para Moçambique. O mesmo movimento invulgar registámos dois dias depois das eleições”, disse José Marizane, sem fornecer números.
As eleições presidenciais e legislativas de 31 de julho deram a vitória ao histórico Presidente Robert Mugabe e à sua União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (ZANU-PF, em inglês), mas o seu rival político, o primeiro-ministro cessante, Morgan Tsvangirai, líder do Movimento da Mudança Democrática (MDC), contesta o resultado.
Tsavangirai diz que se tratou de “uma farsa” e afirmou que vai “recorrer” dos resultados.
Dados da Comissão Eleitoral do Zimbabwe (ZEC no original) indicam que Robert Mugabe foi eleito com 61.09 por cento contra 33,94 de Morgan Tsvangirai. Os outros 3.42 ficaram divididos entre a facção do MDC (MDC-T) e a ZAPU.
Os 210 lugares na Assembleia nacional serão assim distribuídos: 159 (Zanu-PF), 50 (MDC) e um para os independentes.
Robert Mugabe, poderá tomar posse como Presidente do Zimbabwe, a 12 de agosto, no dia dos Heróis nacionais, acabando com o governo de coabitação, formado sob pressão internacional para evitar uma guerra civil, depois da violência que marcou as presidenciais de 2008, que causaram a morte de mais de 200 pessoas.
“Penso que estas saídas estejam ligadas ao processo eleitoral no Zimbabwe”, precisou José Marizane, assegurando que nunca antes aquele posto fronteiriço tinha registado um movimento tão desusado.
A polícia zimbabweana anunciou que não vai tolerar qualquer manifestação que incite a violência naquele país, após a divulgação dos resultados eleitorais.
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