O facto foi defendido esta terça-feira pelos participantes do seminário de divulgação do processo de migração da radiodifusão analógica para digital, evento que teve lugar em Chimoio e que contou com a presença naquele ponto do país, do vice-presidente da Comissão Nacional de Migração Digital, Simão Anguilaze, e de outros membros daquele fórum.

Falando no encontro cuja abertura foi presidida pela governadora de Manica, Ana Comoane, os participantes disseram ser necessário intensificar e massificar a divulgação do processo ate ao nível mais periférico, no sentido de evitar que tal constitua surpresa em 2015, ano limite da tecnologia analógica e da entrada em funcionamento da tecnologia digital.

A preocupação resulta do facto de, segundo disseram, o país continuar a importar em massa receptores analógicos, tanto de radiodifusão como de televisão, os quais poderão entrar em desuso por serem incompatíveis com a nova tecnologia a entrar em vigor daqui a sensivelmente dois anos.

Para eles, o governo deveria travar a entrada e venda massiva de televisores e rádios analógicos e iniciar a importação de receptores modernos equipados de tecnologia digital. Na dinâmica em que o processo ocorre hoje, os receptores de rádio e televisão à venda massivamente e a preços concorrenciais pode vir a parecer um presente envenenado e isto constituir motivo de convulsão social.

Com efeito e para Juvenaldo Amós, director provincial da Saúde de Manica, devem ser criadas condições para que a transição da tecnologia analógica para digital seja o menos polémico possível.

Disse que os comerciantes, que são os principais importadores dos aparelhos, devem ser melhor preparados no sentido de não continuarem a trazer ao país, produtos que daqui a pouco podem virar lixo.

“Os comerciantes ainda não estão preparados e sensibilizados para atender este processo de migração digital” – diria, por seu turno, Tomás Gimo, chefe do departamento de produção do ICS, que sublinhou haver necessidade de explicação a estes, dos imperativos da tecnologia digital.

Respondendo a estas e outras preocupações, Victor Mbeve, administrador da Empresa Pública Televisão de Moçambique, afirmou estar em vista a introdução de sectoboxis, aparelhos que vão proceder a conversão de alguns dos actuais televisores, desde que sejam compatíveis, para receberem o sinal e transmitir através da tecnologia digital.

GOVERNO PODERÁ SUBSIDIAR MIGRAÇÃO

Enquanto isto, Simão Anguilaze disse não ser correcto que seja interdita a importação e venda de televisores não digitais, uma vez que não só porque alguns deles podem funcionar com a tecnologia digital bastando estarem conectados a sectoboxis, como também porque do ponto de vista estratégico, não é correcto eliminar o que hoje está em uso, esperando até que seja terminado o processo de migração em 2015.

Afirmou que o governo poderá subsidiar em 70 por cento a aquisição destes sectoboxis as populações de baixa renda, acto que poderá passar por um processo de registo com vista a identificar quantas famílias nesta situação existem a nível do país e que podem se beneficiar deste apoio social.

Por seu turno, Carlos Quive, Administrador Técnico da Rádio Moçambique, afirmou que o processo de migração não será radical como o que vai acontecer em relação a televisão, mas explicou que os actuais receptores de rádios cairão em desuso, devendo os ouvintes adquirirem novos equipados de tecnologia digital.

O processo de migração da tecnologia analógica para digital em Moçambique está em orçado em mais de 90 milhões de dólares norte-americanos, montante que entre outras actividades, vai ser aplicado na construção de um centro de convergência digital, local que funcionará como uma espécie de central de transmissões digitais para rádio e televisão no país.

Nesta altura, segundo Victor Mbeve, todo o espectro radioeléctrico será digitalizado, daí que todas as rádios e televisões actualmente implantadas no país, deverão migrar e aderir a esta nova tecnologia.

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