O excesso de peso das viaturas e erosão dos solos estão a acelerar a degradação das estradas do distrito de Morrumbala, na Zambézia, cuja reabilitação custa, anualmente, vinte milhões de meticais.

Morrumbala é um distrito com enorme potencial agrícola, cujo escoamento passa pela existência de estradas que facilitem o transporte de pessoas e a transacção de excedentes agrícolas dos principais pólos de produção para os mercados consumidores.

No pico da comercialização, entram e saem de Morrumbala mais de cem camiões de grande tonelagem, por dia, transportando cereais e outras culturas. As estradas também são usadas para o escoamento de inertes usados na construção civil, toros de madeira, entre outras mercadorias.

Apesar do investimento na sua manutenção, as estradas degradam-se em pouco tempo, devido ao excesso de peso das viaturas que nela transitam e a degradação a que estão sujeitas, particularmente quando chove.

O director distrital de Infra-estruturas e Planeamento de Morrumbala, Rui Semo, disse que, aliada aos efeitos combinados de peso e erosão dos solos, está a falta de seriedade da fiscalização das obras de manutenção.

Segundo ele, há empresas contratadas para fazer a fiscalização, porém, anualmente são feitas intervenções nos mesmos locais. Semo afirmou ainda que as estradas do distrito precisam de manutenção periódica e não de rotina como tem vindo a acontecer nos últimos dez anos.

Para o director distrital, há necessidade de elevação da cota da plataforma, recarga de solos e aplicação de técnicas mais adequadas para travar a erosão em locais críticos. Neste momento, disse, dos 695 quilómetros da rede viária do distrito, 500 estão transitáveis, face ao trabalho feito no período de emergência na região Centro.

Entretanto, nos 500 quilómetros transitáveis, há pontos críticos nos troços que ligam a vila-sede de Morrumbala aos postos administrativos de Chire, Megaza e Pinda, potencialmente ricos em agricultura, pecuária, pesca e turismo.

Entretanto, o Banco Mundial vai financiar a reabilitação de 134 quilómetros de estradas terraplenadas no distrito de Morrumbala. Trata-se das vias Morrumbala-sede-Megaza e Morrumbala-sede-Zero.

Os trabalhos, avaliados em 570 milhões de meticais, consistirão na elevação da cota da plataforma, construção de pontes com 12 metros e melhoramentos nos pontos críticos com passagens molhadas e aumento da largura para 2,5 metros.

O director distrital de Infra-estruturas e Planeamento de Morrumbala disse que os trabalhos poderão arrancar no final do período chuvoso.

Semo diz haver ganhos no programa de estradas rurais, financiado pelo Banco Mundial, uma vez que o empreiteiro tem um ano e meio para construir e dois e meio para fazer a manutenção.

Acredita que com o nível de intervenção pretendido, Morrumbala poderá ter estes troços transitáveis por mais de 15 anos, o que permitirá a integração de mercados rurais.

Semo apontou, por outro lado, que o Governo distrital de Morrumbala precisa de 35 milhões de meticais para reabilitar e expandir o sistema de abastecimento de água da vila-sede distrital.

O estudo de viabilidade económica e respectivo projecto executivo já foram concluídos, faltando a mobilização de fundos para a sua realização.

Indicou que a intervenção já foi aprovada no ano passado, esperando-se que, uma vez concluída, sirva a seis mil pessoas.

O actual sistema foi construído no período colonial, tendo em vista50ligações,mas neste momento têm150 e funciona com muitas limitações, havendo bairros que não têm acesso à água do sistema, principalmente, na zona comercial, recorrendo aos poços tradicionais para suprir as necessidades diárias.