A Globo decidiu não realizar o debate eleitoral inicialmente agendado, uma decisão que não surpreendeu o candidato Jair Bolsonaro.
Em declarações publicadas nas suas redes sociais, o ex-Presidente apontou rapidamente os juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) como responsáveis pela situação, afirmando: “A toga está sendo usada por alguém que parece carrasco”. Bolsonaro criticou também o seu rival, Lula da Silva, acusando os ministros do STF de tomarem decisões que favorecem o ex-Presidente.
Por outro lado, Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, adicionou outros pontos à controversa do debate. Ele referiu a decisão do TSE, na qual a juíza Estela Aranha proibiu a Globo de transmitir imagens do púlpito vazio de Lula e de permitir que os outros candidatos lhe dirigissem questões. Flávio descreveu a situação como “muito triste e revoltante”, salientando que Lula não compareceria ao debate e utilizava “os seus amigos no judiciário para impor a censura”.
Lula, embora não tenha comentado directamente sobre as decisões judiciais, expressou o seu desagrado em relação à escolha da Globo de exibir um púlpito vazio em vez de um debate com a sua presença. No Flow Podcast, o ex-Presidente referiu que esta decisão contrasta com a forma como a Globo tratou outros ex-Presidentes, citando o caso de Fernando Henrique Cardoso, que também se ausentou de debates em campanhas passadas. “Colocou ao Lulinha, porque o preconceito é muito grande”, criticou.
O ex-Presidente justificou ainda a sua ausência, afirmando que os debates de primeira volta têm-se tornado infrutíferos e apenas geram situações de humor e brincadeiras, desconsiderando a seriedade do debate presidencial. Segundo ele, existem candidatos de “série A” e “série B”, reflexo da sua opinião sobre a qualidade das propostas apresentadas.
No contexto das eleições, a legislação eleitoral brasileira estabelece que candidatos de partidos com pelo menos cinco deputados no Congresso Nacional devem ser convidados para os debates. Assim, a Globo convidou quatro candidatos para o debate: Flávio Bolsonaro (Partido Liberal), Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores), Augusto Curry (Avante) e Ronaldo Caiado (PSD).
A ausência de diálogo formal em estúdios da Globo fez com que ambos os candidatos encontrassem alternativas para transmitir as suas mensagens aos eleitores, mas a polémica em torno do debate e das decisões judiciais continua a dominar o cenário eleitoral brasileiro.















