Internacional Zelensky quebra confidencialidade e gera crise diplomática com a Coreia do Sul

Zelensky quebra confidencialidade e gera crise diplomática com a Coreia do Sul


Na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky anunciou que a Ucrânia havia enviado cidadãos norte-coreanos capturados na linha da frente para a Coreia do Sul.

Esta revelação provocou uma forte reacção do Governo sul-coreano, que acusou Zelensky de tornar público um acordo secreto referente a esta transferência de prisioneiros de guerra.

A administração sul-coreana convocou o embaixador ucraniano em Seul, exigindo um pedido de desculpas formal. O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, expressou a sua perplexidade relativamente à decisão da Ucrânia de romper o acordo de confidencialidade, manifestando o seu descontentamento: “Estamos muito desapontados”.

Em resposta, Seong Ghi-hong, secretário para as relações públicas da presidência sul-coreana, qualificou a divulgação unilateral da informação por parte de Kiev como “um facto muito grave” que mina a confiança entre os dois países. Na manhã seguinte, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Coreia do Sul, Park Yoon-joo, convocou o embaixador Andrii Vieshkin, que exprimiu o “profundo pesar” pela quebra do sigilo do acordo.

Por seu lado, a Ucrânia defendeu-se, afirmando que a confidencialidade não fazia parte do acordo. Dmytro Lytvyn, director de Comunicações da presidência ucraniana, salientou que a entrega dos soldados em segredo seria inusitada. “Relatamos apenas o facto: que foram enviados para a República da Coreia”, afirmou.

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Seong Ghi-hong mais tarde rejeitou as alegações ucranianas, afirmando que a desinformação prejudica gravemente as relações amistosas entre os dois países. Em consequência do sucedido, a Coreia do Sul exige uma explicação e um pedido de desculpas formal. A presidência sul-coreana também está a avaliar “medidas adicionais” que possam ser necessárias.

Apesar de ter demonstrado solidariedade com a Ucrânia face à invasão russa, a Coreia do Sul tem mantido uma postura cautelosa, não fornecendo armamento letal em virtude da sua política de neutralidade. No entanto, o Governo sul-coreano enviou um pacote de apoio financeiro de cem milhões de dólares, limitado a equipamentos não letais.

A Ucrânia esperava um maior assertivismo diplomático da parte da Coreia do Sul, sobretudo devido à aliança militar entre a Coreia do Norte e a Rússia, que complicou os esforços de guerra ucranianos. Estima-se que Pyongyang tenha enviado desde outubro de 2024 cerca de 15 mil soldados e mais de seis mil engenheiros para apoiar as tropas russas, enquanto Kiev indica que cerca de 8.500 militares norte-coreanos ainda estão destacados em território russo, predominantemente na região fronteiriça de Kursk.

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