Um webinar em celebração do Dia Mundial do Mosquito sublinhou a urgência de implementar uma abordagem integrada no combate aos mosquitos, que abarque vigilância entomológica, novas tecnologias, gestão de criadouros, melhorias habitacionais e investigação científica.
O director do Programa Nacional de Controlo da Malária, Stélio Tembe, abriu a sessão destacando a necessidade de actualizar constantemente as estratégias de controlo de vectores, tendo em conta as mudanças no comportamento dos mosquitos, a resistência aos insecticidas, as alterações climáticas, a urbanização e as transformações ambientais.
A importância de intervenções como redes mosquiteiras tratadas com insecticida e a pulverização intradomiciliária foi reafirmada, ao mesmo tempo que se defendeu um aumento da vigilância entomológica e o investimento em novas ferramentas. “O futuro do controlo vectorial não se vincula a uma única solução, mas sim à destreza de conjugar intervenções, inovar, incrementar a vigilância e utilizar evidências científicas,” acentuou Tembe.
Uma nota informativa do Centro de Investigação em Saúde da Manhiça (CISM), na província de Maputo, enfatizou a relevância de um conhecimento mais profundo sobre os mosquitos para orientar as intervenções. Durante o webinar, a doutoranda Dulcisária Marrenjo, da Faculdade de Medicina da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), apresentou uma análise do comportamento dos mosquitos e suas implicações para o combate à malária.
Com base em dados de vigilância entomológica, a investigadora revelou que vários dos principais vectores de malária em Moçambique são activos tanto no interior como no exterior das habitações, com períodos críticos de picadas entre as 18h00 e 19h00 e ao amanhecer, entre as 05h00 e 06h00. Marrenjo alertou para a necessidade de repensar as estratégias de prevenção, que tradicionalmente focam na protecção dentro das casas.
Na sequência, Henis Sitoe, representante do Departamento de Doenças Negligenciadas do Ministério da Saúde, abordou a situação da filaríase linfática, conhecida como elefantíase, e as perspectivas para a sua eliminação como problema de saúde pública. Sitoe destacou a existência de lacunas significativas de conhecimento sobre os vectores da doença em Moçambique, enfatizando a necessidade de gerar evidências locais que possibilitem uma melhor compreensão desta problemática.
Este conhecimento é especialmente relevante, uma vez que Moçambique estabeleceu a meta de eliminar a filaríase linfática como problema de saúde pública até 2030. O webinar, organizado pelo CISM em colaboração com o Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM) e a Associação Pan-Africana de Controlo de Mosquitos (PAMCA Moçambique), reuniu investigadores, profissionais de saúde, estudantes e outros intervenientes, que discutiram novas abordagens no controlo de vectores e das doenças que estes transmitem.
















