Internacional França enfrenta escassez de combustíveis e preços recordes em alta

França enfrenta escassez de combustíveis e preços recordes em alta


A França está a lidar com uma crise de escassez de combustíveis em diversas estações de serviço. A situação agrava-se numa semana em que os preços da gasolina e do gasóleo atingiram valores recorde na Europa.

Aproximadamente 20% dos postos de abastecimento no país esgotaram o stock de pelo menos um tipo de combustível rodoviário, levando o Governo francês a introduzir medidas para mitigar o risco de falta de produto.

Entre as soluções apresentadas, o gasóleo de verão poderá continuar a ser comercializado até Novembro, em vez de ser substituído pelo gasóleo de inverno, que é adaptado a temperaturas mais baixas. O presidente Emmanuel Macron enviou uma missiva à Comissão Europeia, solicitando um alívio nas normas regulamentares que regem a indústria refinadora, grande parte das quais se baseia em objectivos ambientais.

A escassez de combustíveis em França tende a ocorrer sempre que se anunciam aumentos expressivos de preços, motivando os condutores a correrem às bombas para abastecer os seus veículos antes que os custos subam ainda mais. Nesta semana, o preço do gasóleo atingiu 2,4 euros por litro, enquanto a gasolina custa aproximadamente 2,22 euros por litro. No entanto, a petrolífera Total está a oferecer preços mais competitivos, fixando o gasóleo em 2,25 euros e a gasolina a menos de 2 euros por litro, numa tentativa de atrair clientes de outras gasolineiras.

Esta política comercial tem atraído muitos consumidores, especialmente aqueles que habitualmente abasteciam em grandes cadeias de supermercados. Apesar de a Total ter estimado um custo da ordem dos 250 a 300 milhões de euros com esta estratégia, a empresa argumenta que o foco deve estar em evitar a aprovação de uma taxa extraordinária sobre os lucros, como aconteceu em Portugal.

O ministro da Economia, Roland Lescure, indicou que, na manhã de segunda-feira, 17% das mais de 9.000 estações de serviço do país enfrentavam ruptura em pelo menos um combustível, com 91% das estações afectadas a pertencerem à Total. Surpreendentemente, mesmo com a maior pressão sobre os preços do gasóleo, a gasolina é o combustível que mais falta nas estações de serviço em França.

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Adicionalmente, a França depende de importações para abastecer as suas necessidades de combustíveis, especialmente gasóleo, e a escassez de água em vários rios tem impactado o transporte fluvial destes produtos. Roland Lescure minimizou os receios de uma crise de abastecimento no país, assegurando que os stocks estratégicos estão adequados e que as refinarias operam em pleno, garantindo a continuação do fornecimento nos próximos dois meses. Contudo, o prolongamento da instabilidade no Médio Oriente poderá aumentar a insegurança no aprovisionamento do mercado.

No que toca às importações, a Galp afirmou que a sua refinaria de Sines está a ajustar a produção de jet fuel e diesel conforme as necessidades do mercado nacional. A empresa assegurou que as importações estão garantidas até ao final de outubro, em conformidade com as necessidades do mercado, também durante a paragem programada para manutenção de uma das suas unidades.

A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, comentou a situação, destacando a segurança das reservas de combustível para aviação, que estão a níveis superiores aos do ano anterior.

No entanto, frisou a importância de uma utilização consciente dos combustíveis, visto que o seu consumo aumentou este ano, malgrado o acentuado aumento dos preços. Dados recentes indicam que o consumo de gasolina subiu 4% e o de gasóleo 1% em comparação com o mesmo período do ano passado, refletindo um aumento de procura mesmo com os preços em alta.

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