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Sábado, Abril 11, 2026
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Terminal Internacional da Baixa: Prevista normalização da crise dos transportes

O conflito que opõe os operadores de transporte internacional de passageiros que operam na Terminal da Baixa poderá ser ultrapassado com a intervenção do Ministério dos Transportes e Comunicações.
Terminal Internacional da Baixa: Prevista normalização da crise dos transportes

A garantia foi dada ontem pelo Director Nacional de Transportes e Logística (DNTL), Pedro Mureriwa, que afirmou que já estavam em curso conversações com as quatro associações que operam na Terminal da Baixa para se chegar a um consenso.

“Já conhecemos as causas dos desentendimentos e é nossa intenção que o problema seja ultrapassado para que todos os operadores licenciados façam o seu trabalho sem nenhuma interferência”, disse Mureriwa.

Afirmou ainda que é realmente necessário que todos os transportadores façam parcerias com operadores de transporte sul-africanos para que sejam criadas facilidades de trabalho em ambos países.

Mureriwa referiu que o mesmo procedimento deve ser seguido pelos operadores sul-africanos porque esse procedimento está previsto nos acordos bilaterais que regem o sector dos transportes.

“O problema já está identificado e estamos a trabalhar com as associações nacionais, as sul-africanas e com a Federação Moçambicana de Transportes Rodoviários (FEMATRO) como a entidade que tutela os transportadores no país”, explicou.

Acrescentou que aquela instituição está igualmente a dialogar com o Concelho Municipal de Maputo, proprietário da terminal, para que se mantenha a ordem naquele local e a actividade seja exercida por todos os operadores licenciados.

Segundo Mureriwa não são todas as rotas que têm este tipo de problema, mas que o conflito envolve operadores que pretendem viajar para as cidades de Joanesburgo, Nelspruit e Rustenberg, na África do Sul.

A crise não é nova, mas recentemente algumas associações trocaram acusações de uma estar a impedir as outras de embarcar passageiros para aquele país vizinho. A contenda opõe as associações Mosata, a primeira a ser criada, a “Lhuvukane”, “Kindlimukane” e “Tuva”, que surgiram como resultado de desentendimento entre os transportadores.

É que, no âmbito dos acordos bilaterais, no quadro da implementação do protocolo da SADC, Moçambique e África do Sul assinaram um acordo que rege a actividade de transporte entre os dois países. Esse acordo exige, de entre outras, a constituição de parcerias entre associações de transportadores locais, para permitir que em ambos países sejam apadrinhados e, por via disso, conseguirem carregar noutras praças internacionais.

“José Macamo” fortifica-se contra o roubo de bebés

Vigilância às pediatrias durante a hora da visita e a confrontação dos dados do bebé com os da mãe na altura da alta são as mais recentes medidas tomadas pela direcção do Hospital Geral José Macamo (HGJM) para evitar casos de roubo recém nascidos.
“José Macamo” fortifica-se contra o roubo de bebés

A direcção do hospital também mandou instalar grades nas janelas das pediatrias e maternidade, numa medida que visa reduzir, igualmente, o fenómeno que concorria para a descredibilização da unidade sanitária.

Glória Vicente, directora Clínica do HGJM disse que, este ano, não houve registo de nenhum caso de roubo de bebés mas o fenómeno continua como preocupação para a sua direcção uma vez que estes actos transmitem uma má imagem a unidade sanitária.

“Colocamos funcionários em todas as pediatrias em horas de visita para vigiarem os familiares dos pacientes e confrontamos os dados do bebé com os da mãe na altura de alta para evitar casos de roubos de recém nascidos”, disse Glória Vicente, acrescentado que tudo está a ser feito no sentido de tornar o hospital mais seguro.

Ainda este ano, o hospital introduziu o serviço de traumatologia que atende os doentes com traumas, acidentados, agredidos fisicamente entre outros que procuram tratamentos naquela unidade sanitária.

“Os serviços de traumatologia atendem cerca de 300 doentes por dia que procuram aquele tipo de serviços”, disse acrescentando que esta é uma mais-valia porque o hospital está a satisfazer os utentes que procuram aqueles serviços.

Entretanto, a nossa fonte indicou que grande parte dos medicamentos estão disponíveis na farmácia do hospital e este está a funcionar, normalmente, sem problemas. “A nossa farmácia têm medicamentos básicos para os utentes e nós estamos a trabalhar sem muitas dificuldades”, disse Gloria Vicente acrescentado que aquela unidade sanitária pela sua localização atende muitos doentes alguns dos quais da província de Maputo.

No tocante ao HIV/SIDA, Vicente referiu que o hospital descentralizou os serviços para as unidades sanitárias da província de Maputo e para os da cidade de Maputo, sob a jurisdição do “José Macamo”.

“Chapas” da linha Acordos de Lusaka paralisam actividades

Os “Chapas” que operam na rota Xiquelene/Baixa, via Praça dos Heróis, paralisaram ontem por um período, alegadamente em protesto contra as cobranças ilícitas efectuadas por alguns agentes da Polícia Municipal.

“Chapas” da linha Acordos de Lusaka paralisam actividades
Os motoristas e cobradores em número não especificado decidiram, a meio da manhã, parar com a sua actividade e justificam que o facto de muitas viaturas que operam naquela rota não estarem licenciadas ou apresentarem algumas deficiências constitui uma oportunidade nobres para sofrerem chantagens por parte de agentes desonestos que lhes cobram muito dinheiro para poderem operar.

Os amotinados só decidiram voltar ao trabalho por volta das 17 horas e durante o período de paralisação a ligação era assegurada pelas carrinhas de caixa aberta que já estão a ganhar terreno no transporte de passageiros do centro da cidade para diversos bairros.

Por outro lado, os “chapeiros”alegam que o aperto do cerco em relação aos encurtamentos traz consigo grandes prejuízos porque o valor cobrado não compensa para conseguirem fazer a receita pretendida pelos patrões e não chega mesmo para atender às reparações das avarias que são constantes devido ao péssimo estado da maior parte das vias.

Entretanto, a Polícia Municipal justifica que a intensificação das acções de fiscalização nas estreadas visa combater o fenómeno dos encurtamentos de rota e proteger os interesses dos passageiros que, vezes sem contam, são obrigados a pagar o dobro ou o triplo do valor para poderem chegar os seus destinos devido a estas práticas.

Indiciado de rapto nas mãos da Polícia

M. LUÍSA, de 40 anos de idade, que semana passada foi indiciada, de ter raptado umA CRIANçA, de  7 anos de idade, na  cidade da Beira, já está nas mãos das autoridades policiais.
Indiciado de rapto nas mãos da Polícia

Falando ontem a  jornalistas ela defendeu-se afirmando que a mãe da criança, Natércia Gabriel, quis vender-lhe o recém-nascido por 14 mil meticais, o que foi rejeitado pela progenitora que  voltou a apresentar a versão  já  tornada publica, segundo a qual M. Luísa  primeiramente deu-lhe boleia tendo depois lhe  oferecido dinheiro para a compra de  leite para  o bebé.  M. Luísa  teria depois fugido com o bebé quando a mãe dirigindo-se a loja a deixou a  seu cuidado no carro, porque estava a chover.  

Desabamento em igreja causa 29 feridos em Manica

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Pelo menos 29 pessoas ficaram feridas, seis das quais com gravidade, quando uma parede da igreja Zion CC, em Manica, centro de Moçambique, desabou em plena missa, na sequência de um vendaval, disse hoje à Lusa fonte oficial.

“Os crentes foram surpreendidos com a tempestade durante a missa no domingo quando desabou a parede e feriu 29 pessoas, mas seis tiveram que ser transferidos para o hospital provincial devido à gravidade do ferimento”, disse à Lusa Mariazinha Niquisse, administradora distrital de Sussundenga.

A algumas das vítimas tiveram de ser amputados membros, disse à Lusa uma fonte hospitalar.

O vendaval, segundo a administradora, também destruiu 20 casas convencionais e 25 de construção precária ficaram parcial ou totalmente destruídas, além de duas salas de aula que ficaram sem tecto.

“O vendaval e a chuva forte duraram uns 30 minutos, mas fizeram muitos estragos. Por isso temos vindo a apelar para quando ocorrem situações desta natureza as pessoas corram para lugares seguros, sobretudo nesta época de calamidades”, afirmou Mariazinha Niquisse.

Ainda segundo a fonte, o distrito já activou os comités de gestão de calamidades, que atracou pequenas embarcações em rios problemáticos e regiões ciclicamente afectadas por cheias, além de estar a realizar acções de sensibilização para que as pessoas abandonem as zonas ribeirinhas para lugares seguros.

Morreu pintor moçambicano Samate Mulungo

Morreu pintor moçambicano Samate Mulungo
O pintor moçambicano Samate Mulungu, um dos mais consagrados do país nas artes plásticas, morreu hoje (segunda-feira), em Maputo, vítima de doença, disse à Lusa o pintor e amigo Ídasse Tembe.

Samate Mulungu, 73 anos, teve contacto com a pintura desde muito novo, relacionando-se com outros vultos das artes plásticas moçambicanas, incluindo com o pintor mais conhecido de Moçambique, Malangatana Valente Ngwenha, falecido no ano passado.

Samate Mulungo estudou pintura em Moscovo, em 1982, e em Lisboa, em 1989, tendo participado em várias mostras individuais e coletivas, dentro e fora do país.

“Não era apenas um artista moçambicano, era um artista do mundo. Foi uma grande perda para a arte bem feita”, declarou à Lusa Ídasse Tembe sobre o pintor.

Por ser muçulmano, Samate foi enterrado ainda hoje no sector islâmico do Cemitério da Lhanguene, em Maputo.

Governo e Renamo divergem no primeiro encontro para discutir tensão política

Governo e Renamo divergem no primeiro encontro para discutir tensão política
O Governo moçambicano e a Renamo, principal partido da oposição, divergiram hoje (segunda-feira) no primeiro encontro destinado a ultrapassar a tensão que o país vive desde que o presidente do movimento, Afonso Dhlakama, regressou à sua antiga base central, noticia a LUSA.  

A reunião de hoje, que decorreu numa estância turística em Maputo, surge após a Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), ter pedido uma audiência para discutir com o Governo preocupações relacionadas com a alegada violação do Acordo Geral de Paz (AGP) pelo Governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Consta também como preocupação da RENAMO, a partidarização do Estado, falta de igualdade no acesso às oportunidades económicas existentes no país e supostas fraudes eleitorais.

 A exigência de negociações com o Governo segue-se ao regresso, em Outubro deste ano, do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, à Serra da Gorongosa, província de Sofala, centro do país, onde funcionou a principal base da guerrilha que o movimento levou a cabo durante 16 anos, até à assinatura do AGP em 1992.

Em conferência de imprensa que se seguiu à reunião, o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, afirmou que o seu partido exigiu que o Governo respeite o Acordo Geral de Paz, suspendendo o programa de passagem compulsiva à reserva de membros da antiga guerrilha e desmantelando a Força de Intervenção Rápida (FIR), ou, em alternativa, integrando membros da Renamo nesta unidade.

A Renamo transmitiu igualmente a sua preocupação em relação à partidarização do Estado e à exclusão no acesso às oportunidades económicas, principalmente na distribuição dos rendimentos provenientes dos recursos naturais, afirmou Manuel Bissopo.

O secretário-geral da RENAMO disse ainda que o seu partido quer que a futura lei eleitoral dê garantias de que os próximos pleitos eleitorais sejam livres, transparentes e justos.

“O Governo da FRELIMO é o mesmo, não muda. Não reconheceu legitimidade aos pontos apresentados pela RENAMO, nem nos transmitiu a confiança de que os vai resolver. Amamos a paz, mas estamos preparados para a guerra”, disse Manuel Bissopo, reiterando a ameaça de um regresso à guerra, mais de 20 anos, após o termo do conflito armado que durou 16 anos.

Por seu turno, o ministro da Agricultura, José Pacheco, que chefiou o Governo nas negociações com a RENAMO, disse que “o Governo registou as preocupações da RENAMO e pediu que no próximo dia 10 de Dezembro apresente aspectos mais específicos das suas reivindicações”.

José Pacheco rejeitou as acusações da RENAMO, assinalando que o ingresso ao aparelho do Estado e às oportunidades económicas estão acessíveis a todos os moçambicanos, dentro da lei.
 
Por outro lado, observou o ministro da Agricultura, as eleições no país têm sido consideradas livres e justas pelos observadores nacionais e internacionais.

“Se a Renamo diz que há partidarização do Estado pela FRELIMO, deve dizer em que ministério isso acontece, se diz que há exclusão no acesso aos benefícios económicos, deve indicar quem foi excluído”, frisou José Pacheco.

Plenária da AR interrompe para facilitar participação dos deputados do MDM no seu Congresso

A VI sessão da Assembleia da República iniciou relativamente tarde devido à realização do X Congresso da Frelimo, em Setembro último.

Plenária da AR interrompe para facilitar participação dos deputados do MDM no seu Congresso
A sessão plenária da Assembleia da República (AR) vai interromper as suas actividades, esta semana, de modo a permitir a participação efectiva dos deputados do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) no I Congresso do seu partido.

Num gesto de tolerância política, a direcção da Assembleia da República decidiu, com apoio da maioria parlamentar da Frelimo, interromper os trabalhos da sessão plenária de 3 a 8 de Dezembro, como forma de não obstruir a realização do I Congresso daquele partido.

Porém, esta medida pode ter sido forçada pelo facto de a abertura desta sessão parlamentar, a VI nesta VII Legislatura, se ter condicionado à realização do X Congresso da Frelimo.

Assim, a Frelimo esteve reunida, na última sexta-feira, para preparar o seu posicionamento nas comissões especializadas, que deverão reunir-se esta semana.

`Fizemos o balanço da semana e organizamo-nos para dar nossa contribuição nas reuniões das comissões de trabalho, que se vão reunir, tendo em conta que esta semana não teremos sessão plenária devido à realização do Congresso de um dos partidos com bancada na Assembleia´, confirmou Galiza Matos Júnior, porta-voz da Frelimo.

Para compensar, na semana de 10 a 14 de Dezembro, a plenária volta com sessões, desta feita de segunda a sexta-feira, sem interrupção, duas das quais reservadas ao debate do Orçamento do Estado e Plano Económico e Social para o próximo ano.

Até ao final do ano: Pesquisa de minerais consome 7 biliões USD

O investimento na prospecção de recursos naturais em Moçambique, particularmente hidrocarbonetos e carvão, poderá atingir cerca de sete biliões de dólares norte-americanos até ao final deste ano.
Até ao final do ano: Pesquisa de minerais consome 7 biliões USD

Para os anos seguintes, de acordo com o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, está previsto um investimento médio anual estimado em torno de 6,8 biliões de dólares destinados ao sector de extracção mineira.

Estima-se que as empresas mineiras vão atingir a sua capacidade máxima de produção e escoamento do carvão a partir de 2020, perspectivando-se, a partir dessa altura, receitas anuais de exportação acima de 10 biliões de dólares.

Falando recentemente em Lisboa, no decurso da reunião dos governadores dos bancos centrais dos países de língua portuguesa, Ernesto Gove disse acreditar que com o aumento de receitas provenientes da exportação dos recursos naturais, se vislumbra a possibilidade de ocorrerem mudanças na composição da despesa agregada, com destaque para o consumo das famílias e despesas do governo.

Para o governador do banco central, as receitas dos recursos naturais constituem uma oportunidade ímpar para o país, pois poderão contribuir significativamente nos esforços do desenvolvimento sócio-económico com destaque para o combate à pobreza actualmente em curso no país, sendo de esperar uma maior participação das despesas públicas nas despesas totais.

“Em face do horizonte promissor de influxo de divisas ao país, o Banco de Moçambique entende ser oportuno avaliar as consequências macroeconómicas, no geral, o que coloca novos desafios para a política monetária, em particular”, referiu.

Ernesto Gove prevê alguns impactos resultantes do aumento do fluxo de divisas no país, com implicações consideráveis sobre a gestão macroeconómica e sobre o crescimento económico.

Segundo a sua explicação, o primeiro impacto deriva das pressões inflacionárias em resultado do aumento da procura agregada, com destaque para o aumento do consumo das famílias e despesas do Estado, que não encontra resposta, pelo menos no curto prazo, do lado da oferta agregada de bens e serviços a nível doméstico.

“Por outras palavras, no curto prazo, a economia pode não ter capacidade de absorção destas receitas, com implicações na pressão inflacionária e agravamento do défice corrente da balança de pagamentos”, referiu numa apresentação baseada intitulado “Os Desafios da Política Monetária no Contexto da Exploração de Recursos Naturais: O Caso de Moçambique”.

Para o governador do banco central, a segunda consequência da entrada massiva de receitas de exportação de recursos naturais é a possibilidade de aumento do endividamento público, associado à forte demanda de infra-estruturas no País.

“Em períodos de alta de preços dos recursos naturais, os países que exportam estas matérias-primas obtêm vantagens de preços nos mercados internacionais. Porém, no ciclo inverso, quando os preços são negativamente afectados, estes países são confrontados com pressões para amortizarem as dívidas contraídas e o seu acesso aos mercados de capitais complica-se”.

220 hectares de floresta desaparecem por ano no país

Moçambique está com um nível de desmatamento de 0,58 cento, o que corresponde a uma perda de 220 hectares de florestas por ano.
220 hectares de floresta desaparecem por ano no país

Estes dados foram revelados ao “Notícias” por Joaquim Macuácua, do Ministério da Agricultura, no fim de um encontro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), em Doha, Qatar, visando avaliar a implementação do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) na sua componente de Monitoria, Relatório e Verificação (MRV).

A SADC participa na XVIII Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que encerra sexta-feira.

Dois factores concorrem para o desmatamento em Moçambique, sendo de destacar a acção dos lenhadores, carvoeiros e a dos madeireiros, que actuam sem procederem à reposição de árvores nas áreas onde desenvolvem as suas actividades.

Joaquim Macuácua, chefe do Departamento de Inventários de Recursos Naturais naquele organismo governamental, explicou que o grande Maputo, com maior área suburbana, depende da biomassa lenhosa, sendo a província de Gaza a que sustenta, neste momento, a capital do país. E Gaza tem um ecossistema florestal Mopani, que é basicamente o mais usado para a produção lenhosa.

A província de Cabo Delgado, segundo Joaquim Macuácua, é uma das que tem potencial para a produção madeireira, abastecendo, por isso, várias regiões do país, de África e do mundo.

“E o que nós queremos é conciliar este tipo de iniciativas em relação à produção de lenha, carvão e madeira para vermos em que níveis é que Moçambique está no que diz respeito ao desmatamento e degradação florestal, de modo a podermos ver actividades possíveis de serem desenvolvidas para protegermos essas áreas no sentido de revertermos a situação actual”, disse Macuácua, sublinhando que, não obstante os níveis de desmatamento, a situação actual de Moçambique ainda não é alarmante, quando comparada com a realidade dos outros países, tanto da região Austral como do resto do Continente Africano.

Contudo, diz a nossa fonte, as autoridades governamentais podem relaxar, ficando simplesmente na linha de pensamento de que o desmatamento em Moçambique ainda não é tão crítico.

“Temos sempre de lutar para melhorarmos a nossa situação, reduzindo cada vez mais os níveis de desmatamento, o que passa por encontrarmos meios energéticos alternativos, aplicar métodos sustentáveis na prática da nossa agricultura, sensibilizando as comunidades para que optem por uma agricultura de conservação e, por outro lado, a apostarem na utilização de produtos como fogões poupa-lenha e poupa-carvão, ao mesmo tempo que incutimos a importância de utilização de outras fontes energéticas”, explicou, chamando atenção para a necessidade de se olhar a floresta como um recurso esgotável e de difícil renovação.

“As pessoas pensam que o recurso florestal não acaba, mas se compararmos aquilo que é o seu incremento com a nossa vida, chegamos à conclusão de que este recurso pode desaparecer mais rápido do que a nossa vida. Mesmo sendo muito maior, se só dependermos dele, obviamente que este recurso não vai resistir. Então teremos de fazer esforços positivos no sentido de reduzirmos o desmatamento olhando para as técnicas de conservação e, entre outros, a biodiversidade dos ecossistemas que possam existir”, anotou.

Reaberta estrada Mecubúri/Muecate

A estrada regional que estabelece a ligação entre os distritos interiores de Mecubúri e Muecate, na província de Nampula, foi já reaberta, depois de ter ficado durante um longo período de paralisação devido ao seu acentuado estado de degradação, mercê da execução de importantes obras de reabilitação da via, segundo deu a conhecer ontem à nossa Reportagem Virgílio Antenane, porta- voz do Governo Distrital de Mecubúri.
Reaberta estrada Mecubúri/Muecate

Aquele porta-voz salientou que, dada a importância que a rodovia tem, em termos de circulação de pessoas e bens, sobretudo para o escoamento de excedentes agrícolas dos camponeses, as autoridades governamentais viram-se obrigadas a empreender esforços com vista à conclusão dessas obras.

Em várias ocasiões, particularmente durante as visitas de membros do Governo provincial, tanto a população de Mecubúri como a de Muecate sempre se queixaram da intransitabilidade das vias de acesso, como algo que dificultava a circulação de produtos agrícolas dos campos de produção para o mercado.

“Neste momento, o sentimento é de grande alegria, não só da parte do Governo, como também da população dos dois distritos, porquanto já estão criadas as condições para que a partir da vila-sede dos distrito de Mecubúri, passando pelo posto administrativo de Muite até à Imala, no distrito de Muecate, possam-se movimentar produtos para a comercialização”, referiu o porta-voz do Governo Distrital de Mecubúri.

A estrada Mecubúri/Muecate foi uma via alternativa de passagem de colunas que transportavam as pessoas com aparente segurança durante a guerra.

Imprensa deve se comprometer com o desenvolvimento do pais

A Vice-Ministra dos Transportes e Comunicações, Manuela Rebelo, disse, em Maputo, que Moçambique precisa duma comunicação social cada vez mais comprometida com a causa e desenvolvimento nacionais.
Imprensa deve se comprometer com o desenvolvimento do pais
Rebelo lançou este desafio falando, sexta-feira, na abertura do III Conselho Consultivo do Gabinete de Informação (GABINFO), um órgão responsável pelo registo de órgãos de informação e que presta assessoria de imprensa ao governo. A reunião, de um dia, decorreu sob o lema “enfrentando os desafios da comunicação social na actual era da digitalização”.

No seu discurso de abertura do encontro, Rebelo disse que a comunicação social deve consciencializar a população sobre a necessidade de defender as riquezas por forma a serem exploradas de forma responsável, respeitando a preservação do meio ambiente e permitindo o seu uso sustentável.

“A acção da comunicação social deverá, igualmente, se estender ao campo da promoção dos valores da democracia, da promoção da paz e estabilidade social, do progresso, permitindo que mais concidadãos nossos desenvolvam as suas actividades, criando assim mais oportunidades reais de vencer a luta contra a pobreza no nosso país”, disse a vice-Ministra.

Ribeiro indicou que a reunião do GABINFO constitui um momento oportuno para a preparação do processo de migração tecnológica do sistema analógico ao digital, que deverá ter lugar em 2015.

“Neste quadro, reiteramos a nossa esperança e a nossa convicção de que o governo continuará a empreender todos os esforços ao seu alcance de modo a tornar possível o processo da digitalização em Moçambique”, disse Manuela Rebelo.

Por seu turno, o director do GABINFO, Ezequiel Mavota, disse que a preocupação da sua instituição com a comunicação surge do reconhecimento natural do seu estatuto, enquanto instrumento imprescindível que estabelece a ponte entre os governantes e o povo.

Por isso mesmo, Mavota disse ser necessário mobilizar e reorganizar o sector em torno de uma agenda comum, para além da criação de mecanismos para o seu funcionamento, através de políticas apropriadas que tornem as instituições de comunicação social do sector público mais interventivas, mais acutilantes e cada vez mais comprometidas com o desenvolvimento sócio-económico do país, promoção da paz e estabilidade social a todos níveis.

O encontro juntou representantes de todas instituições subordinadas ou tuteladas pelo GABINFO, incluindo empresas estatais e públicas de comunicação social, como são os casos da Agência de Informação de Moçambique (AIM), Instituto de Comunicação Social (ICS), a Rádio Moçambique (RM) e a Televisão de Moçambique (TVM).

Governo presta auxilio a vítimas de fome em Machanga

Um total de 379.260 toneladas de diversos produtos alimentares constituídos por cereais (milho), feijão e óleo alimentar começam a ser distribuídos esta semana ao universo de 14.700 famílias camponesas, o equivalente a 73.500 pessoas, que enfrentam uma situação de fome aguda no distrito de Machanga, em Sofala.
Governo presta auxilio a vítimas de fome em Machanga
Com esta ajuda de emergência canalizada através do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), conforme revelou o governador daquela província, Félix Paulo, espera-se que a assistência alimentar ao grupo-alvo seja garantida para um período de dois meses.

A comida vai ser distribuída aos beneficiários na base do esquema “Comida pelo Trabalho”, concretamente na construção de infra-estruturas públicas como abertura das valas de drenagem de águas pluviais, limpeza e corte de capim nas estradas, entre outras actividades.

Para o timoneiro de Sofala, acredita-se que com esta ajuda seja evitado o pior, pois, no seu dizer, de facto, a situação de fome em Machanga exige uma intervenção pontual do Governo, cuja resposta foi concretizada num período de curto espaço de tempo.

Tal crise alimentar que assola maior parte dos habitantes de Machanga deve-se, fundamentalmente, ao fraco rendimento da última produção agrícola por factores combinados de inundações e seca.

Tradicionalmente, por se localizar na zona costeira ao longo do Banco de Sofala, os habitantes de Machanga sobrevivem-se das actividades piscatórias e extracção de sal cujas potencialidades se localizam nos postos administrativos de Divinhe e Chiloane.

Por outro lado, o governador de Sofala anunciou a existência ainda de alguma bolsa de fome no distrito de Chibabava que fustiga perto de 40 mil pessoas, tendo aconselhado aos camponeses a apostar seriamente na produção e produtividade, numa altura em que decorre as primeiras sementeiras acompanhadas com chuvas em toda a província.

Falando a jornalistas na passada sexta-feira, na vila de Chemba, no final de uma visita de trabalho aos distritos de Chibabava, Gorongosa e Chemba, o governador de Sofala referiu, no entanto, haver bons indicadores económicos nas regiões que acaba de escalar, havendo mesmo solidariedade entre a população em todos os aspectos e com maior realce na ajuda alimentar.

Xai-Xai prepara-se para quadra festiva

A capital provincial de Gaza, Xai-Xai, mesmo faltando cerca de um mês para as grandes festas do Natal e do Fim de Ano, está a conhecer um movimento desusado particularmente de estudantes e outros trabalhadores em pleno gozo de férias, bem como de vários turistas estrangeiros, especialmente oriundos da vizinha África do Sul.
Xai-Xai prepara-se para quadra festiva
A Avenida Samora Machel, que atravessa a Estrada Nacional N.º Um, ligando o país do sul a norte, muito cedo se apresenta incapaz de fazer face à demanda, devido à grande pressão que tem estado a sofrer nos últimos tempos, na sequência da subida galopante do parque de viaturas que usam aquela importante rodovia.

As casas de pasto, o Mercado Limpopo, um dos maiores centros de negócios na região sul do país, e actualmente um local que tem sido usado como um importante pólo turístico, começam a registar uma cada vez maior aglomeração de pessoas, ávidas em tirar o melhor proveito possível os seus momentos de lazer durante este período festivo.

Atentos a este movimento estão as autoridades policiais, que por estas ocasiões decidiram colocar no terreno uma maior presença policial, através de intervenções rotineiras de patrulhamento, particularmente nas zonas de maior afluência de pessoas, designadamente mercados, terminais dos transportes semi-colectivos de passageiros e em missões conjuntas com a Administração Marítima de Gaza, a corporação reforçou a sua presença física nas principais praias da província.

De acordo com Jeremias Langa, porta-voz da Polícia da República de Moçambique em Gaza, em entrevista ao nosso Jornal, deu a conhecer que a sua corporação tem estado empenhado em garantir um final de ano tranquilo, tendo organizado uma série de encontros com as comunidades locais de forma a sensibilizá-las a colaborar no sentido de denunciarem prontamente qualquer situação anómala, que eventualmente possa concorrer para a alteração da ordem pública.

“Gostaria de dizer ainda que no quadro dos esforços visando a criação de um ambiente são para estas festividades, decidimos igualmente envolver as Igrejas, para que estas possam usar da sua influência para fazer a passagem de mensagens visando uma cada vez moralização da sociedade, e respeito pelo próximo. Felizmente temos estado a receber respostas bastante encorajadoras que nos permitem afirmar com toda a segurança, que mais uma vez, os cidadãos em Gaza, irão pautar por uma conduta à altura da grande festa do Natal e do Fim de Ano”, disse Langa.

Por seu turno, Manuel Ngwenha, director provincial da Indústria e Comércio de Gaza, garantiu estarem a ser criadas as melhores condições possíveis de aprovisionamento de produtos para a quadra festiva, tendo para o efeito a sua instituição se reunido com os agentes económicos locais, para os sensibilizar no sentido de tudo fazer para que, à semelhança do que aconteceu no ano passado, não haja rotura de stocks.

“Estamos a monitorar a situação e para além de termos trabalhado com os comerciantes, estamos em contacto com os agricultores para que colaborem no sentido não só garantirem o nosso mercado, como também ao do Grande Maputo. Há uma total abertura e acreditamos que mais uma vez lograremos sucessos”, disse Ngwenha.

Enquanto isso, equipas multi-sectoriais ligadas à inspecção desdobram-se por todos os distritos de Gaza, tendo em vista a neutralização de eventuais situações de casos de especulação de preços e de venda de produtos que eventualmente possam estar fora do prazo.

Abastecimento de água: Vêm aí melhores dias para Quelimane

A água bombeada a partir da estação de Licuar, no distrito de Nicoadala, não chega a todos os bairros da capital provincial da Zambézia, Quelimane. Concebida para três mil habitantes, a rede está alimentar 15 mil actualmente, ou seja, cinco vezes acima da sua capacidade.
Abastecimento de água: Vêm aí melhores dias para Quelimane

Aliado a esse factor está a seca prolongada e a vandalização da conduta principal que transporta o precioso líquido de Licuar a Quelimane, numa extensão de quarenta quilómetros, por parte dos produtores de arroz das regiões de Mucelo e Cerâmica, também em Nicoadala. Bairros há na capital provincial da Zambézia que desde que a rede foi expandida nunca viram água a jorrar nas suas torneira e outros ainda ficam meses para ter água durante por apenas cinco minutos. No entanto, a factura, essa, sempre vem, o que provoca algum descontentamento por parte dos consumidores. Em entrevista ao nosso jornal, a directora do Fundo de Investimento do Património de Água (FIPAG), Katia Zacarias, afirmou que há um projecto que poderá resolver o problema dentro de um ano, nomeadamente a abertura de mais dois furos em Licuar, construção do centro distribuidor de Sampene e a expansão em vinte e cinco quilómetros da rede, num investimento público cujo valor global não foi avançado. A nossa entrevistada afirmou que parte desse projecto está em curso, encontrando-se actualmente num bom estágio de execução, tal é o caso do novo centro distribuidor de Sampene, avaliado em mais de oitenta milhões de meticais.

Invasão a residências atormenta Albasine

Uma nova forma de actuação de criminosos, caracterizada por invasão a residências por indivíduos à mão armada à calada da noite, está a tirar sossego ao bairro de Albazine, na cidade de Maputo.
Invasão a residências atormenta Albasine

Não há muitos casos reportados, mas os moradores, principalmente do quarteirão nove, localizado entre as avenidas Sebastião Marcos Mabote e Dom Alexandre, uma das áreas afectadas, temem que as incursões dos larápios se intensifiquem na zona e no bairro, em geral.
Até há algum tempo, a acção dos malfeitores era na via pública, onde assaltavam as suas vítimas à noite.  
Mas desde os meados de Outubro que as coisas mudaram naquele bairro. Os amigos do alheio emitiram o primeiro sinal de mudança de estratégia ao arrombar os portões de uma residência do quarteirão nove e retiraram bens tais como dinheiro, electrodomésticos e aparelhagens de som. Ao que soubemos na zona, houve ainda ameaças de violação sexual, mas que não se efectivaram.
Há duas semanas, mais ou menos um mês depois do primeiro caso, um grupo de bandidos que se fazia transportar numa viatura não identificada invadiu uma outra casa, localizada não muito distante da das primeiras vítimas. O casal Chemane, proprietário da residência, foi ferido por balas disparadas por gatunos, que saíram em debandada devido ao som dos apitos dado pelos vizinhos que se aperceberam da tentativa de assalto. No dia seguinte, as vítimas abandonaram casa, encontrando-se neste momento a viver num outro bairro da cidade. 
Mesmo assim, num acto muito pouco comum na actuação de malfeitores na capital e não só, na semana passada indivíduos desconhecidos, possivelmente criminosos, terão despejado junto ao portão da residência do casal Chemane um líquido, descrito pelos moradores como sangue, facto que criou pânico entre os vizinhos.

Arranca segunda época dos exames

Arranca segunda época dos exames
Ao todo o Ministério da Educação está a examinar pouco mais de um milhão e 400 mil alunos da 5ª, 7ª, 10ª e 12ª classe. Para esta fase serão ainda contemplados candidatos que não frequentavam qualquer escola, isto é, na qualidade de externos.

Governo e Renamo iniciam negociações

Governo e Renamo iniciam negociações

O Governo moçambicano e o principal partido da oposição do país, Renamo, vão reunir-se segunda-feira, disse hoje (sábado) uma fonte governamental não identificada, citada pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), noticia a LUSA.

A reunião tinha sido pedida pela Renamo, que alega que não estão a ser cumpridos os acordos de paz que assinou em 1992 com o Governo de Maputo e que puseram termo a 16 anos de guerra civil.

Na sequência dessa posição, o líder do partido, Afonso Dhlakama, retirou-se há cerca de um mês para uma antiga base militar do movimento na Serra da Gorongosa, no centro de Moçambique.

Para as conversações, o Governo moçambicano nomeou uma comissão chefiada pelo ministro da Agricultura, José Pacheco, e que também integra os vice-ministros da Função Pública e das Pescas, respectivamente, Abdurremane Lino de Almeida e Gabriel Muthisse, entre outros quadros.

A delegação da Renamo será constituída por Manuel Bissopo, Eduardo Namburete, Meque Brás e Abdul Magid Ibraimo.

Mambas goleiam Seycheles em partida do CAN-Interno

Mambas goleiam Seycheles em partida do CAN-Interno
A selecção nacional de futebol de Moçambique goleou por 4-0 este domingo a sua congénere das Ilhas Seychelles em jogo a contar para a primeira eliminatória da fase de acesso para o Campeonato Africanos das Nações, destinados ao jogadores que actuam no continente, prova também designada CAN-Interno.

A partida marcou o regresso dos Mambas à competição após a humilhante derrota por 4-0 diante do Marrocos e que custou o afastamento da selecção moçambicana do CAN 2013 que terá lugar em Janeiro próximo na vizinha África do Sul.

Na partida decorrida no Estádio Nacional do Zimpeto, a selecção moçambicana foi a todos níveis superior que o seu adversário que não ofereceu resistência para contrariar a estratégia traçada pelo treinador alemão, Gert Engels.

A vitória dos Mambas começou a ser desenhada aos 33 minutos por Diogo, que voltou a brilhar quando estavam decorridos 46 minutos da partida, tendo o médio do Ferroviário sido a unidade mais produtiva da partida, não só pelos golos, mas também pela exibição.

O terceiro golo da equipa da casa não tardou a surgiu e foi apontado por Kito quando estavam jogados 53 minutos de jogo.

Coube ao jovem jogador do Desportivo Maputo, Lanito, encerrar a contagem colocando o resultado final em 4-0, abrindo assim boas probabilidades de qualificação de Moçambique para a fase seguinte deste apuramento para o CAN-Interno.

O jogo da segunda mão está marcado para dentro de 15 dias nas Ilhas Seychelles  esperando-se que o grupo de trabalho continue concentrado, tendo em conta que a época desportiva ao nível do futebol moçambicano já encerrou.

Moçambique: Pesquisa de minerais consome 7 biliões USD até ao fim do ano

Moçambique: Pesquisa de minerais consome 7 biliões USD até ao fim do ano
O investimento na prospecção de recursos naturais em Moçambique, particularmente hidrocarbonetos e carvão, poderá atingir cerca de sete biliões de dólares norte-americanos até ao final deste ano.
Para os anos seguintes, de acordo com o governador do Banco de Moçambique, Ernesto Gove, está previsto um investimento médio anual estimado em torno de 6,8 biliões de dólares destinados ao sector de extracção mineira.

Estima-se que as empresas mineiras vão atingir a sua capacidade máxima de produção e escoamento do carvão a partir de 2020, perspectivando-se, a partir dessa altura, receitas anuais de exportação acima de 10 biliões de dólares.

Falando recentemente em Lisboa, no decurso da reunião dos governadores dos bancos centrais dos países de língua portuguesa, Ernesto Gove disse acreditar que com o aumento de receitas provenientes da exportação dos recursos naturais, se vislumbra a possibilidade de ocorrerem mudanças na composição da despesa agregada, com destaque para o consumo das famílias e despesas do governo.

Para o governador do banco central, as receitas dos recursos naturais constituem uma oportunidade ímpar para o país, pois poderão contribuir significativamente nos esforços do desenvolvimento sócio-económico com destaque para o combate à pobreza actualmente em curso no país, sendo de esperar uma maior participação das despesas públicas nas despesas totais.

“Em face do horizonte promissor de influxo de divisas ao país, o Banco de Moçambique entende ser oportuno avaliar as consequências macroeconómicas, no geral, o que coloca novos desafios para a política monetária, em particular”, referiu.

Ernesto Gove prevê alguns impactos resultantes do aumento do fluxo de divisas no país, com implicações consideráveis sobre a gestão macroeconómica e sobre o crescimento económico.

Segundo a sua explicação, o primeiro impacto deriva das pressões inflacionárias em resultado do aumento da procura agregada, com destaque para o aumento do consumo das famílias e despesas do Estado, que não encontra resposta, pelo menos no curto prazo, do lado da oferta agregada de bens e serviços a nível doméstico.

“Por outras palavras, no curto prazo, a economia pode não ter capacidade de absorção destas receitas, com implicações na pressão inflacionária e agravamento do défice corrente da balança de pagamentos”, referiu numa apresentação baseada intitulado “Os Desafios da Política Monetária no Contexto da Exploração de Recursos Naturais: O Caso de Moçambique”.

Para o governador do banco central, a segunda consequência da entrada massiva de receitas de exportação de recursos naturais é a possibilidade de aumento do endividamento público, associado à forte demanda de infra-estruturas no País.

“Em períodos de alta de preços dos recursos naturais, os países que exportam estas matérias-primas obtêm vantagens de preços nos mercados internacionais. Porém, no ciclo inverso, quando os preços são negativamente afectados, estes países são confrontados com pressões para amortizarem as dívidas contraídas e o seu acesso aos mercados de capitais complica-se”.
Exploração de recursos desafia política económica

O Governador do Banco de Moçambique Gove, considera que o advento da exploração do carvão e de outros recursos minerais não renováveis coloca novos desafios à gestão macroeconómica e às políticas do Banco Central.
A entrada de capitais provocada pela exportação dos recursos minerais tem de ser acompanhada, como referiu o governador, de cautelas relativamente aos efeitos adversos da abundância de recursos naturais, também conhecido por “doença holandesa”.

A propósito da chamada “doença holandesa”, Ernesto Gove citou estratos da literatura económica nos quais se mostra que as economias que começam por um rácio elevado de exportações de recursos naturais sobre o PIB tendem a crescer de forma lenta nos anos seguintes, quando comparados aos países menos dependentes de exportações de recursos naturais.

Ainda assim e tecendo observações em relação ao caso de Moçambique, o governador acredita que o investimento na extracção dos recursos naturais vai gerar retornos positivos, especialmente no actual contexto da crise global. O que se torna necessário, asseverou, é acautelar medidas de política económica complementares para contornar os malefícios da chamada “doença holandesa”.

Moçambique apresenta um grande potencial de recursos naturais, com destaque para o gás (com reservas estimadas acima de 160 triliões de pés cúbicos), carvão (identificadas até ao momento cerca de 20 biliões de toneladas métricas) e energia eléctrica (com uma capacidade instalada de 2.075 MW). No que concerne à energia eléctrica, está projectado o aumento da capacidade de produção em mais de 6850MW.

No documento, a cuja cópia o “notícias” teve acesso, Ernesto Gove refere ainda que o investimento directo estrangeiro na indústria extractiva representou em 2011 um valor aproximado a 17%252525 do PIB moçambicano, comparado com os cerca de 5%252525 entre 2000 e 2008.

Durante o encontro de Lisboa, Ernesto Gouveia Gove passou de relance o contexto macroeconómico moçambicano, perspectivas, impactos e desafios.

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