Sociedade Meio Ambiente 220 hectares de floresta desaparecem por ano no país

220 hectares de floresta desaparecem por ano no país

Moçambique está com um nível de desmatamento de 0,58 cento, o que corresponde a uma perda de 220 hectares de florestas por ano.
220 hectares de floresta desaparecem por ano no país

Estes dados foram revelados ao “Notícias” por Joaquim Macuácua, do Ministério da Agricultura, no fim de um encontro da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), em Doha, Qatar, visando avaliar a implementação do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+) na sua componente de Monitoria, Relatório e Verificação (MRV).

A SADC participa na XVIII Conferência da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que encerra sexta-feira.

Dois factores concorrem para o desmatamento em Moçambique, sendo de destacar a acção dos lenhadores, carvoeiros e a dos madeireiros, que actuam sem procederem à reposição de árvores nas áreas onde desenvolvem as suas actividades.

Joaquim Macuácua, chefe do Departamento de Inventários de Recursos Naturais naquele organismo governamental, explicou que o grande Maputo, com maior área suburbana, depende da biomassa lenhosa, sendo a província de Gaza a que sustenta, neste momento, a capital do país. E Gaza tem um ecossistema florestal Mopani, que é basicamente o mais usado para a produção lenhosa.

A província de Cabo Delgado, segundo Joaquim Macuácua, é uma das que tem potencial para a produção madeireira, abastecendo, por isso, várias regiões do país, de África e do mundo.

“E o que nós queremos é conciliar este tipo de iniciativas em relação à produção de lenha, carvão e madeira para vermos em que níveis é que Moçambique está no que diz respeito ao desmatamento e degradação florestal, de modo a podermos ver actividades possíveis de serem desenvolvidas para protegermos essas áreas no sentido de revertermos a situação actual”, disse Macuácua, sublinhando que, não obstante os níveis de desmatamento, a situação actual de Moçambique ainda não é alarmante, quando comparada com a realidade dos outros países, tanto da região Austral como do resto do Continente Africano.

Contudo, diz a nossa fonte, as autoridades governamentais podem relaxar, ficando simplesmente na linha de pensamento de que o desmatamento em Moçambique ainda não é tão crítico.

“Temos sempre de lutar para melhorarmos a nossa situação, reduzindo cada vez mais os níveis de desmatamento, o que passa por encontrarmos meios energéticos alternativos, aplicar métodos sustentáveis na prática da nossa agricultura, sensibilizando as comunidades para que optem por uma agricultura de conservação e, por outro lado, a apostarem na utilização de produtos como fogões poupa-lenha e poupa-carvão, ao mesmo tempo que incutimos a importância de utilização de outras fontes energéticas”, explicou, chamando atenção para a necessidade de se olhar a floresta como um recurso esgotável e de difícil renovação.

“As pessoas pensam que o recurso florestal não acaba, mas se compararmos aquilo que é o seu incremento com a nossa vida, chegamos à conclusão de que este recurso pode desaparecer mais rápido do que a nossa vida. Mesmo sendo muito maior, se só dependermos dele, obviamente que este recurso não vai resistir. Então teremos de fazer esforços positivos no sentido de reduzirmos o desmatamento olhando para as técnicas de conservação e, entre outros, a biodiversidade dos ecossistemas que possam existir”, anotou.

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