Moçambique registou em 2020 o número mais baixo de fatalidades nas estradas dos últimos 10 anos (855 óbitos), um dado associado às restrições impostas pela covid-19, avançou na quarta-feira (05) à Lusa a Associação Moçambicana para Vítimas de Acidentes de Viação.

Esta é a primeira vez nos últimos 10 anos que Moçambique regista um número de óbitos abaixo de mil”, explicou Alexandre Nhampossa, presidente da Associação Moçambicana para Vítimas de Acidentes de Viação (Amviro).

Para Alexandre Nhamposa, no contexto das restrições impostas pela covid-19, a redução da mobilidade e o encerramento de estabelecimentos para o consumo de bebidas durante a noite contribuíram para a redução dos números de acidentes de viação nas estradas moçambicanas.

“Os nossos dados indicam que a maior parte dos acidentes fatais ocorriam entre 15:00 e 21:00, envolvendo, principalmente, jovens, em certos casos alcoolizados. Portanto, com as restrições no contexto da covid-19, os números baixaram. Pode-se dizer que este é um dos únicos aspetos bons que a pandemia trouxe”, acrescentou.

Embora estes números sejam encorajadores, a situação da sinistralidade rodoviária continua dramática em Moçambique, que ocupa a sexta posição da lista de países com maior índice de sinistralidade na África Austral.

“O problema de Moçambique não chega a ser o número de acidentes, mas sim a perigosidade dos mesmos. Há zonas em que se a pessoa sofre um acidente grave a probabilidade de morrer ronda os 60%, por exemplo a Estrada Nacional N.º 1”, alertou Alexandre Nhampossa.

Entre as estratégias de resposta para fazer face às fatalidades nas estradas moçambicanas, a Amviro destaca o plano de um fundo nacional para as vítimas de acidentes de viação, uma verba que também podia ser usada para apoiar a manutenção das rodovias.

O mecanismo seria importante também para apoiar quem não tem cobertura de seguro, por várias razões, e já está a ser adotado em alguns países vizinhos, como é o caso da África do Sul.

“Este mecanismo permite também que os vários intervenientes da sociedade possam dar o seu contributo para a melhoria da segurança rodoviária”, concluiu Alexandre Nhampossa, acrescentando que a associação que dirige vai continuar a envidar esforços para que projeto seja concretizado.