O Programa Alimentar Mundial pode não conseguir, já em março, continuar, a prestar a assistência básica às populações deslocada devido à onda de violência armada em Cabo Delgado, Moçambique.

Mundial (PAM) a interromper em março a assistência básica às populações deslocadas devido à violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, alertou esta quarta-feira, a agência das Nações Unidas.

“Caso prevaleça a atual escassez de financiamento e o PAM tenha de usar os seus recursos até ao limite, a assistência alimentar vital fornecida às pessoas afetadas pelo conflito em Cabo Delgado, Nampula e Niassa será interrompida em março de 2021”, refere uma nota de imprensa do PAM.

Segundo a agência, o défice orçamental é de 108 milhões de dólares (89 milhões de euros), num momento em que o número de deslocados tem aumentado devido à violência armada em distritos mais a norte daquela província.

Até março, caso a situação prevaleça, o PAM “terá esgotado as suas reservas alimentares e fundos para esta resposta humanitária”, alerta, acrescentando: “O que não só levanta preocupações em torno da segurança alimentar e riscos à saúde resultantes da desnutrição, mas também é alarmante do ponto de vista da proteção”.

Apesar das limitações, a agência das Nações Unidas avançou que decidiu manter a cesta básica atual de “assistência alimentar crítica”, abrangendo 400 mil pessoas das mais de 560 mil deslocadas, segundo as autoridades.

“O PAM fornece uma cesta alimentar familiar mensal em espécie: de 50 kg de cereais, 5 litros de óleo e 10 kg de feijões secos e lentilhas. O PAM também fornece assistência baseada em dinheiro onde os mercados locais funcionam, permitindo que as famílias escolham a sua própria cesta básica (alimentos e kits de higiene), em troca de senhas”, refere o PAM.

Além dos desafios ligados à alimentação, a agência alerta para o aumento da violência doméstica e casos de casamentos prematuros, bem como de exploração infantil.

“Há indícios de aumento da violência doméstica e de casamento precoce, com a falta de recursos e as dinâmicas de poder desiguais a potenciarem situações de sexo para sobrevivência, que trazem riscos maiores de HIV e outras doenças sexualmente transmissíveis, bem como de gravidez precoce”, acrescenta.

A ONU anunciou, no mês passado, que precisa de um total de 254 milhões de dólares (206 milhões de euros, no câmbio atual) para o plano de assistência humanitária às populações deslocadas, incluindo as que se refugiaram nas províncias de Niassa e Nampula, vizinhas de Cabo Delgado.

A segurança alimentar e o abrigo estão entre os principais pontos de destaque no plano de assistência da ONU, com uma verba de 136 milhões de dólares (111 milhões de euros) e 28 milhões de dólares (23 milhões de euros), respetivamente, do total de 254 milhões de dólares necessários.

A violência armada em Cabo Delgado começou há três anos e está a provocar uma crise humanitária com mais de duas mil mortes e 560 mil deslocados, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

Algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo jihadista Estado Islâmico desde 2019.