Destaque Arcebispo da RDCongo diz que repressão contra Kabila é “barbárie”

Arcebispo da RDCongo diz que repressão contra Kabila é “barbárie”

O arcebispo de Kinshasa, Laurent Monsengwo Pasinya, qualificou de “barbárie” a repressão das forças de segurança na “marcha não-violenta e pacífica” de católicos contra a permanência em funções do Presidente da República Democrática do Congo (RDCongo), Joseph Kabila.

As forças de segurança da RDCongo reprimiram grupos de pessoas nas igrejas com uso de gás lacrimogéneo e impediram marchas proibidas no domingo, depois de um apelo de um coletivo católico para uma manifestação contra Kabila.

De acordo com as Nações Unidas, a repressão causou a morte de “pelo menos cinco pessoas” e fez “vários feridos”, número contrariado pela polícia da RDCongo, que não registou “qualquer morto” durante a realização das marchas.

Como poderemos nós confiar nestes dirigentes incapazes de proteger a população, garantir a paz, a Justiça, o amor do povo?“, questionou Monsengwo, uma figura proeminente na história da RDCongo de 1990.

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Monsengwo assinalou que “é tempo de a verdade prevalecer sobre mentiras sistémicas, soltadas por medíocres que rejeitam a paz, a Justiça no RDCongo“, disse.

O arcebispo de Kinshasa referiu que a repressão das manifestações foi “uma instrumentalização da liberdade religiosa, para esconder os interesses ocultos, como, por exemplo, o açambarcamento de recursos, da riqueza, a manutenção do poder por métodos anticonstitucionais.

“A marcha pacífica e não violenta”, organizada pelo colectivo católico tinha como objectivo reivindicar a aplicação de um acordo poder-oposição, assinado em 31 de Dezembro de 2016, “deliberadamente violado”.

Esse acordo, celebrado sob os auspícios do Episcopado da RDCongo, preconizava o fim em 2017 da Presidência de Kabila, no poder desde 2001 e cujo último mandato terminou em Dezembro de 2016.

Uma série de escrutínios para eleger o sucessor presidencial está prevista para 23 de Dezembro de 2018, uma data rejeitada pela oposição e pela sociedade civil, que exigem a aplicação do acordo de 31 de Dezembro de 2016 e uma “transição sem Kabila”.

Na RDCongo, o clima político é caracterizado por “um ambiente de medo e enervamento, de incerteza, de pânico”, afirmou o arcebispo.

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