A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) reafirmou a continuidade da greve no sector da saúde, que se iniciou em 16 de Janeiro.
A paralisação é justificada pela persistente escassez de condições de trabalho nas unidades sanitárias do país, um cenário que, segundo a classe, compromete a dignidade do atendimento ao cidadão.
Em declarações públicas, o presidente da APSUSM, Anselmo Muchave, descreveu um panorama desolador que caracteriza o quotidiano de muitos profissionais de saúde. O dirigente destacou a falta crítica de material de protecção individual e consumíveis hospitalares básicos, como luvas, máscaras, vestuário adequado e blocos de receita.
Os profissionais de saúde têm relatado que o atendimento é frequentemente realizado à luz de lanternas, e que sacos plásticos estão a ser utilizados como alternativa improvisada às luvas durante a realização de partos, o que revela as gravíssimas condições em que operam. Muchave enfatizou que esta precariedade configura um “crime contra a saúde pública”, sublinhando que os profissionais estão a trabalhar sem a segurança mínima necessária para exercerem as suas funções de forma adequada.
A tensão no Sistema Nacional de Saúde (SNS) é ainda exacerbada por problemas salariais. Na última semana, a situação culminou em protestos na capital, onde médicos estagiários da Universidade Zambézia, na cidade da Beira, acamparam junto ao Ministério da Saúde em Maputo. O grupo exige o pagamento de salários que, segundo afirmam, estão em atraso há 10 meses.
Apesar das denúncias da APSUSM e da pressão crescente dos profissionais de saúde, o Executivo moçambicano mantém uma postura de tranquilidade. Recentemente, em intervenções no Parlamento, representantes do Governo garantiram que o funcionamento do SNS está normalizado e que os processos de pagamento dos salários em atraso estão a decorrer de forma regular.
A crise na saúde pública em Moçambique continua a ser uma preocupação importante, com os profissionais a exigirem medidas urgentes para garantir condições adequadas de trabalho e atendimento à população. A situação permanece sob vigilância, à medida que o descontentamento cresce entre os trabalhadores da saúde.















