Uma jovem de 26 anos de idade, de nome N. Morgado, foi raptada na manhã de ontem nas imediações da Escola Portuguesa de Maputo, por dois indivíduos munidos de uma arma do tipo AKM, que se faziam transportar numa viatura de marca Mazda sem chapa de matrícula.
Este é o segundo rapto a ser registado em menos de 24 horas na capital do pais. O outro ocorreu na noite de segunda-feira e informações colhidas junto à Policia indicam que a vítima foi o filho do proprietário do grupo Nautilus.
O rapto da manhã de ontem ocorreu pouco depois das 8 horas depois de a vítima deixar uma criança, que se supõe seja seu filho, naquele estabelecimento de ensino e se preparava para entrar na sua viatura e abandonar aquele local, quando foi abordada pelos raptores.
Testemunhas no local contaram que a cena foi tão rápida e quando a jovem foi abordada por um dos raptores ainda tentou resistir, gritando por socorro, mas a intervenção do outro criminoso, que empunhava a metralhadora tirou forças à vítima que, sem alternativa, deixou-se levar.
Os familiares da vítima informaram à Polícia sobre o sucedido e esta se dirigiu ao local para buscar mais detalhes como forma de iniciar uma investigação com vista a esclarecer mais este caso de rapto, o quarto em menos de 45 dias.
Uma empresária que responde pelo nome de P.E. Chivale de 37 anos de idade residente na vila da Massinga, teria mandado há dias matar o pai do seu marido alegadamente por ser responsável de constantes quebras na sua actividade empresarial.
Dona de dois autocarros que exploram as rotas Massinga/Beira e Massinga/Maputo, a indiciada teria se cansado de se queixar ao seu marido mineiro da alegada feitiçaria do sogro, um curandeiro famoso algures na vila da Massinga, tendo contratado dois homens para o executar.
Consta que, na última semana do mês passado, os dois homens teriam raptado o curandeiro e seu ajudante para o interior de Mapinhane, no distrito vizinho de Vilankulo, onde foram executar as suas vítimas deixando os seus corpos pendurados numa árvore recebendo em troca 128 mil meticais dos 135 mil acordados com a suposta mandante do crime.
Detida na semana passada, a indiciada teria confirmado às autoridades a contratação dos executores do crime justificando que tomou aquela decisão alegadamente porque estava cansada com as atitudes do seu sogro curandeiro.
P.D. Chichongue, um dos executores do crime também nas mãos das autoridades policiais também teria confirmado o seu envolvimento e manifestou arrependimento enquanto o segundo envolvido continua a monte sendo que a polícia continua no seu encalço.
O ajudante do sogro curandeiro, António Senda Chissico teria sido morto pelos dois homens alegadamente na tentativa de silenciar o crime.
O comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Massinga, Jonas Feliciano, disse em contacto com a nossa fonte que a descoberta do crime foi possível com a colaboração da corporação do distrito vizinho de Vilankulo que identificou as vítimas como sendo do primeiro ponto já que no local onde foram descobertos os seus corpos foram também encontrados documentos da sua identificação.
Afonso Dhlakama, líder do maior partido de oposição em Moçambique, Renamo, exige o fim da “perseguição militar” de que é alegadamente alvo para retomar as negociações com o Governo de Maputo, segundo o académico Lourenço do Rosário, que falava no final de um encontro com alguns dirigentes da “Perdiz”, na capital do país.
Em declarações à Imprensa, Lourenço do Rosário, que tem intermediado o processo negocial entre o principal partido da oposição e o Governo, disse que “durante estas duas horas em que estivemos reunidos com a delegação da Renamo, pediram-nos para transmitir ao Presidente (de Moçambique) a vontade de dialogar, mas há questões que se modificaram. Gostariam de ver do lado do governo alguns sinais de desanuviamento para permitir que o presidente da Renamo possa reaparecer, porque neste momento, para todos os efeitos, está a ser militarmente perseguido”.
De acordo com a Agência Lusa, Lourenço do Rosário afirmou que Afonso Dhlakama, em parte incerta desde o suposto ataque à sua base em Santhundjira, disse aos quadros do seu partido que estão em Maputo que mantém o compromisso com a paz, mas está impedido de dirigir o processo de diálogo com o Governo pela acção militar em curso.
“Ele reafirma que não quer voltar à guerra e a delegação da Renamo pediu para transmitir ao Presidente da República essa vontade”, sublinhou Lourenço do Rosário. O mediador lamentou o facto de ambas as partes emitirem sinais contraditórios relativamente ao modo como pretendem resolver a actual crise política, admitindo haver setores que defendem “uma solução final” para o diferendo.
A chanceler alemã, Angela Merkel, ligou ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para saber se o seu telemóvel foi alvo de escutas por parte de agências secretas norte-americanas.
“O governo federal obteve informações segundo as quais o telemóvel da chanceler pode ter sido alvo de escutas pelos serviços americanos», revelou o porta-voz do Governo alemão Steffen Seibert, em comunicado: «Entre amigos próximos e países parceiros, como é o caso da República Federal da Alemanha e dos Estados Unidos há décadas, a espionagem de um chefe de governo não pode existir. Seria um forte golpe na confiança. Tais práticas devem cessar imediatamente.”
O diálogo entre os líderes foi confirmado pela Casa Branca, que negou ter espiado as conversas telefónicas de Merkel, na voz do porta-voz da presidência norte-americana, Jay Carney: “O presidente assegurou à chanceler que os Estados Unidos não espionam e não vão espionar as comunicações da chanceler.”
A possibilidade das escutas serem uma realidade é vista pelo Governo como muito séria, avança a revista Der Spiegel.
Pelo menos 80 mil crianças, menores de cinco anos de idade, morrem, anualmente, devido à desnutrição crónica em Moçambique, uma situação que está a preocupar a Save the Children, uma organização não-governamental que trabalha em prol do bem-estar das crianças.
O gestor de programas da área de saúde daquela organização, Arsénio Xavier, afirmou que a situação tende a registar uma redução nos últimos anos, mercê do empenho do Ministério da Saúde. Entretanto, a Save the Children continua a levar acabo acções de sensibilização para que a população tenha uma alimentação variada, controlada e adequada.
Arsénio Xavier, que falava esta quarta-feira (23), num seminário sobre a nutrição e sobrevivência infantil, organizado em parceria com a Universidade Lúrio (UniLúrio), disse que as entidades governamentais deviam priorizar actividades conjuntas com as comunidades no sentido de estancar o problema da desnutrição crónica. As mães precisam de uma alimentação nutrida durante os primeiros mil dias após o parto.
Por seu turno, Garcia Sevene, responsável pela área de nutrição na Direcção Provincial de Saúde de Nampula, disse, sem entrar em detalhes, que os distritos de Malema, Ribáuè, Nacala-Porto e Nacala-a-Velha apresentam um número elevado de crianças com problemas de desnutrição aguda, mais de 55 porcento.
O Governo, reunido ontem em sessão ordinária, decidiu extinguir as Empresas de Construção e Manutenção de Estradas e Pontes (ECMEP) e Empresas de Aluguer de Equipamento (EAE).
Segundo o porta-voz do Conselho de Ministros, Alberto Nkutumula, a extinção da empresa tem que ver com “a mão-de-obra excedentária e dívidas no valor de 700 milhões de meticais.”
Acresce-se a isso, segundo o porta-voz, o facto da criação no País de novas empresas de construção com maquinarias sofisticadas, o que tornou insustentável o negócio das empresas ora falidas.
As empresas têm um prazo de um ano para fecharem o dossier e liquidar as dívidas.
O repúdio aos ataques governamentais contra a base da Renamo em Sadjundjira continua a vir de todos os quadrantes. Em comunicado de Imprensa emitido nesta terça-feira, o Parlamento Juvenil (PJ) diz-se preocupado com o actual cenário de “intolerância política, decadência dos valores democráticos, arrogância e degradação do diálogo político e social” que, na sua opinião, limitam a capacidade de reconciliação nacional e regaste do prestígio de Moçambique como exemplo internacional de paz.
Como consequência disso o PJ diz que “vivemos uma paz sem confiança, precária e armada”. Para o PJ, a paz em Moçambique é um evento e não uma prática, e os últimos acontecimentos de Sadjundjira e arredores são exemplos negativamente eloquentes.
O Parlamento Juvenil defende, peremptoriamente, que haja um diálogo obrigatório e urgente entre o Governo de Moçambique, na pessoa do Presidente da República, Armando Guebuza, e do líder da Renamo, Afonso Dhlakama. “Defendemos que haja um diálogo sem cinismo, sem radicalismos gratuitos das partes, pois chegamos aos níveis actuais de tensão devido à crise de um diálogo construtivo, envolvente e sério”, refere o comunicado.
A Liga Moçambicana dos Direitos Humanos (LDH) diz encarar com “profunda preocupação e inquietação” a situação política e militar do País. Para a “Liga”, não faz sentido que o presidente da República, Armando Guebuza, faça apelos à paz e ao mesmo tempo ordene as Forças Armadas para atacarem, com armamento pesado, a base do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, em Sadjundjira.
Numa nota de Imprensa divulgada na tarde desta terça-feira, a LDH refere que “ os moçambicanos são uma vez mais confrontados com sinais claros de retorno à guerra declarada, em vésperas das eleições autárquicas deste ano e gerais do próximo”. “A prepotência e arrogância que sempre caracterizou este Governo e o clima de força que este semeia quando se trata de negociar, em nada ajuda no delineamento de um diálogo franco efectivo e a busca de caminhos e consensos que conduzam a um estabelecimento de uma paz efectiva no País”.
No entender da “Liga”, sejam quais forem os diferendos que existem entre a Renamo e a Frelimo, partido no poder, “nada justifica o restabelecimento da guerra pois esta em nenhum momento mostrou-se como solução, sendo que o diálogo, feito na base de equilíbrio, abertura, boa fé, compromisso e tolerância, é o único meio privilegiado para se alcançar a concórdia para o bem de todos os moçambicanos num contexto democrático”.
Diz a “Liga” que o clima de força criado pelo Governo em Gorongosa e que culminou com o assalto a Sadjundjira veio dar azo às desconfianças da sociedade sobre a seriedade da vontade do presidente Guebuza em desenvolver um diálogo frutuoso com a Renamo. “Torna-se sintoma de estranha coincidência que a tomada de Sadjundjira aconteça numa altura em que inicia a visita presidencial à Sofala, província onde se situa a base, onde ultimamente se localizava a sede estratégica da Renamo e do seu líder. É caso para questionar a finalidade dessas negociações, quando se sabe que a aposta está na força das armas”.
Segundo a Liga dos Direitos Humanos, “o comprometimento do chefe de Estado na manutenção da paz deve ir para além do discurso populista de basta dizer para ter feito. É que não faz sentido que o Presidente da República multiplique os seus slogans sobre a necessidade de diálogo para a paz, na mesma altura em que autoriza as tropas a recorrer à força das armas para impor autoridade sobre os homens da Renamo que se saiba confinavam-se apenas em Sadjundjira”.
A instituição dirigida por Alice Mabota recorda que foram necessários 16 anos de extremo sofrimento com mais de um milhão de mortos, destruições e deslocados, mais que no fim tudo foi resolvido à mesa, num cenário em que os moçambicanos não foram ressarcidos dos danos causados pela guerra. “Esta situação é de todo incompreensível quando fomentada e alimentada pelos mesmos protagonistas que há 21 anos negociaram e alcançaram a paz, hoje ameaçada”.
A “Liga” questiona também a “estranheza e o silêncio cúmplice” dos órgãos de soberania e outros organismos responsáveis pela gestão da estabilidade do País, nomeadamente, o Presidente da República, Parlamento e a Procuradoria-Geral da Geral. É uma atitude que inquieta organizações da sociedade civil como a “Liga” que almejam um Moçambique de paz, prosperidade e sossego para todos.
Dezenas de pescadores, entre marinheiros e patrões, serão retiradas das suas casas para dar lugar à construção da Estrada Circular de Maputo. Só que até este momento o Governo ainda não informou às famílias, que dependem exclusivamente da pesca, para onde serão reassentadas, o que quer dizer que vão ter que arranjar outros meios de sobrevivência.
“Sou pescador, nasci e cresci numa família de pescadores, não sei fazer nada senão pescar”, conta Alfredo Pacule.
Sebastião Luís Pereira aprendeu a pescar com o pai e nunca antes teve experiência diferente da pesca: “Não sei o que será da minha vida se me tirarem daqui.”
Estes e mais pescadores serão reassentados, mas não sabem onde. “Ainda não se aprovou o local de reassentamento”, disse o secretário do bairro, Benjamim Panguana.
Panguana garante que os pescadores não deverão ser reassentados longe da praia. No entanto, um dos locais identificados é a zona do Chiango a cerca de 9 Km do bairro dos Pescadores. A distância pode dificultar o transporte de motores e redes de casa para a praia e vice-versa.
As obras…
A “circular” decorre a ritmo acelerado em direcção às casas marcadas de “X” vermelho como sinal de que serão demolidas, o que está a aumentar a preocupação dos visados.
As obras estão a cargo da construtora chinesa Road and Bridge Corporation (CRB). A estrada tem 72 km, quatro faixas, duas em cada sentido e custam US$ 300 milhões financiados pelo Exim Bank da China. Segundo o Governo, há-de ajudar a descongestionar o trânsito e contribuir para a expansão da cidade.
O impacto
A pesca é um “trabalho de stress, às vezes ficamos sem tempo para descansar, em dias de mau tempo temos que levantar à noite para ver se os barcos estão ou não bem, exige uma participação directa do dono da embarcação”, contou Hilário Arsídio.
Estudos revelam que a principal razão de atracção da população para a zona costeira está relacionada com o acesso facilitado aos recursos, à existência de oportunidades.
A retirada dos pescadores das suas residências, segundo considera Arsídio, “poderá ser o fim do nosso trabalho”.
A actividade não se resume, apenas, ao dono da embarcação: dela dependem, os marinheiros, recolectores, processadores, comerciantes, mecânicos e redeiros. São deste modo mais famílias que são retiradas dos seus locais de actividade e colocadas no mundo do desemprego e da pobreza, o que contrasta com o lema do Governo de combate à pobreza.
A retirada dos pescadores acontece numa altura em que o debate sobre reassentamento está em voga no País. Em Palma, Cabo Delgado e Cateme, Tete, por exemplo os residentes estão a perder a terra, principal fonte de rendimento para os grandes projectos de extracção do gás e carvão.
Afonso Dhlakama manteve contacto telefónico com o Canalmoz ontem à tarde e ele próprio confirmou que a sua base em Sadjundjira foi tomada pelas forças governamentais.
Ao Canalmoz, Dhlakama disse que está bem, mas perdeu o controlo das suas forças pelo que admite que possa haver retaliações sem que seja por ordens dadas por ele.
Do terreno chegam-nos informações ainda não submetidas ao contraditório do Governo, indicando que no palco de Sadjundjira as infra-estruturas foram todas destruídas, mas as forças ocupantes perderam muitos homens pois os guardas da Renamo estavam prevenidos e também os bombardearam com armamento pesado a partir de linhas externas às linhas de avanço das FADM/FIR.
Estamos praticamente a entrar para a guerra civil, de triste memória para os moçambicanos. As Forças Armadas de Moçambique tomaram de assalto, na tarde desta segunda-feira, a residência do presidente da Renamo, Afonso Dhlakama. Desde a tarde de ontem, Afonso Dhlakama não se encontra na sua habitual residência nas matas de Sadjundjira e foi-se esconder em local onde a Renamo não revelou aos jornalistas.
Tal ataque acontece numa altura em que o chefe de Estado, Armando Guebuza, encontra-se a efectuar uma visita à província de Sofala.
Falando numa conferência de Imprensa bastante concorrida, o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse que o objectivo da Frelimo e de Armando Guebuza é de “assassinar o presidente Dhlakama”.
Para a Renamo, a tomada da base do presidente Dhlakama, pelos comandos das FADM/FIR, “marca o fim da democracia multipartidária em Moçambique”, e diz que a atitude “irresponsável” de Armando Guebuza na sua qualidade de comandante em chefe das Forças Armadas de Defesa e Segurança “coloca ponto final aos entendimentos de Roma”.
Segundo Fernando Mazanga, Dhlakama ainda não ordenou à resposta das suas forças. “Neste momento em que estou a vos falar, Sadjundjira está a ser fustigado com armamento bélico, nomeadamente, canhão 75mm, morteiro 82mm, B10, antiaéreas, e outro tipo de material de calibre superior. Tomaram a residência do presidente Afonso Dhlakama”.
De acordo com o porta-voz da Renamo, o presidente da Renamo ainda não ordenou a resposta das suas forças, “limitou-se, apenas, a ordenar a saída dos populares que se encontravam refugiados no local, fugidos das sevícias dos militares das FADM/FIR, que se encontram naquele local desde o pretérito dia 18 de Outubro”.
Mazanga avisa que “o presidente da Renamo está a perder o controlo da situação, não se sabendo qual será a situação nas próximas horas, pois a lei da sobrevivência não permite acatar nenhuma ordem quando em jogo está a vida”.
A vila sede do distrito de Marínguè, província de Sofala, foi alvo de um ataque registado ao amanhecer desta terça-feira, supostamente protagonizado por homens da Renamo, apurou o Canalmoz de fontes na província de Sofala.
O principal alvo dos atacantes, segundo fontes no terreno, foi o Comando Distrital da Polícia, local onde se encontra estacionada a Força de Intervenção Rápida (FIR) mas também foi atingido o edifício do Governo do Distrito de Marínguè.
Por enquanto as informações são escassas, sendo por isso que não conseguimos apurar se houve ou não vítimas humanas.
Segundo o repórter correspondente do Canalmoz em Manica, José Jeco, a seguir ao ataque as Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) ocuparam a vila de Marínguè e a população local está a fugir em direcção a Macossa, na vizinha província de Manica.
Uma fonte do aparelho do Estado disse ao Canalmoz que há tropas do Zimbabwe envolvidas nos combates, dando apoio ao exército moçambicano. Helicópteros foram vistos na noite de ontem e durante esta manhã a sobrevoarem os distritos de Marínguè.
Em Maputo, uma fonte da Renamo confirmou o ataque, mas não quis entrar em pormenores alegando que “doravante esse tipo de assunto não poderá ser tratado ao telefone”.
“Confirmo que houve ataque em Marínguè, com obuses! Mas não houve resposta. Tudo está sob controlo”, disse a fonte.
Também uma fonte do partido Frelimo em Sofala, concretamente em Marínguè, confirmou o ataque sem entrar em detalhes.
“A informação de que disponho neste momento é de que dispararam contra o Comando da Polícia, e depois fugiram”, disse a fonte sem adiantar se houve ou não vítimas.
O Canalmoz procurou ouvir a versão da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Sofala, através do seu porta-voz Mateus Mazive, mas este disse que se encontrava com problemas de saúde, pelo que devíamos entrar em contacto com o Departamento de Relações Públicas da corporação.
Naquele departamento, as fontes que nos atenderam não confirmaram nem desmentiram a notícia, tendo optado por nos submeter ao director da Ordem do Comando Provincial da PRM em Sofala, Aquilasse Kapangula “que é a pessoa que fala sobre esses assuntos”. Do senhor Kapangula não conseguimos nenhuma informação dado que não atendia à nossa chamada telefónica apesar de muita insistência.
Os militares dizem que receberam ordens para atacar com todos os meios a base de Dhlakama, caso a Renamo volte a protagonizar ataques na região de Gorongosa ou em qualquer outra parte do país
FADM de prontidão em Gorongoza
Depois dos ataques da última quinta-feira, as Forças de Defesa e Segurança ocuparam a base de Mucodza, onde estava estacionada uma força da Renamo a cerca de 25 quilómetros de Santungira. Já na sexta-feira, os homens da Renamo retaliaram, na tentativa de recuperar a base perdida para as forças governamentais, mas, diante do aparato militar oficial ali instalado, não tiveram qualquer hipótese. Houve troca de tiros por volta das 23h00, mas sem registo de vítimas mortais e nem feridos.
Na tarde da passada sexta-feira, à entrada da base do líder da Renamo, também houve disparos, supostamente, protagonizados pelos homens de Dhlakama contra uma coluna militar que por ali passava, numa ronda que tem estado a fazer na zona.
Devido aos ataques, as Forças de Defesa e Segurança decidiram, no último sábado, reforçar o controlo na região: instalaram três postos de verificação, onde todas as viaturas e pessoas que queiram entrar ou sair do posto administrativo de Vunduzi devem ser revistas para ter autorização de seguir ao seu destino.
Outra medida foi cercar por completo a base da Renamo onde está instalado Afonso Dhlakama desde Outubro do ano passado. À entrada da base, as forças governamentais estacionaram tanques de guerra e armamento pesado apontado para a base de Dhlakama, além de um número considerável de militares que controlam toda a região. Os homens da Renamo, que dias antes controlavam um perímetro de mais de 30 quilómetros em redor da base, estão agora apenas dentro da base ou escondidos nas matas.
Uma gestão danosa da frota. Mais da metade do total dos autocarros da Empresa Municipal dos Transportes Públicos de Maputo (EMTPM) está paralisada porque não há assistência mecânica devida.
Segundo o vereador do Pelouro de Transpores e Trânsito no Conselho Municipal da cidade de Maputo, João Matlombe, a maior parte dos autocarros que o Governo acaba de adquirir está neste momento inoperacional.
Recorde-se que recentemente a EMTPM, antes designada TPM, essa altura na gestão do Ministério dos Transportes e Comunicações, adquiriu autocarros de marca TATA, na Índia, sem concurso público, num negócio que beneficiou o chefe de Estado moçambicano, Armando Guebuza, como accionista da TATA Moçambique. O semanário Canal de Moçambique demonstrou no momento que Guebuza “burlou o Estado” com um negócio promíscuo e altamente prejudicial para o País. Hoje cá estão os resultados.
“O que está a acontecer é que o processo de aquisição destes autocarros não foi acompanhado também pelo processo de formação de mais mecânicos para poderem fazer assistência mecânica em caso de avaria, razão pelo qual basta um autocarro avariar sai da frota para sempre por falta de manutenção”, explicou João Matlombe, deixando claro que a compra de autocarros TATA, na Índia, foi autêntica burla ao Estado.
“Por isso é que apesar de o Governo ter investido fortemente no reforço da frota dos TPM, esse esforço não está a surtir os seus efeitos porque a empresa não tem mecânicos suficientes e mesmo os que existem não têm capacidade técnica para tal,” sublinhou o vereador.
Segundo João Matlombe, os TPM possuem neste momento uma frota de 210 autocarros, mas 110 autocarros estão paralisados em virtude de estarem avariadas.
O vereador diz tratar-se de “avarias normais” mas porque os TPM “não têm recursos humanos capacitados para sua assistência mecânica” o referido número de autocarros encontra-se estacionado nas garagens da empresa, agravando, deste modo, a crise de transporte público nas cidades de Maputo e da Matola, não obstante o esforço do Governo visando inverter este cenário.
Falta de peças
A falta de peças apropriadas bem como a intransitabilidade das vias nos grandes centros urbanos também são apontados como principais causas que fazem com que a maior parte dos autocarros que nos últimos anos são adquiridos pelo Governo não tenha muito tempo de vida.
“O que acontece é que a empresa não tem tido sempre apropriadas marcas de automóveis adquiridas de modo a subsistir ainda a tempo aquelas que estão avariadas”, frisou a nossa fonte.
Estamos neste momento a apostar na formação
Para inverter este cenário, os TPM, através do vereador da área dos Transporte e Trânsito no Conselho Municipal da cidade de Maputo, entidade gestora desta empresa pública, diz que, neste momento, está a apostar na formação de mais mecânicos não só para recuperar os mais de 110 autocarros paralisados nas oficinas dos TPM, como, também, para garantir que os mesmos tenham muito tempo de vida porque terão assistência técnica constantemente.
Achamos que este é a melhor solução deste problema porque a empresa possui equipamentos próprios e oficinas apropriadas, mas a falta de recursos humanos capacitados para tal é que tem sido o nosso grande “calcanhar de Aquiles”, sublinhou João Matlombe.
Apesar de não ter indicado o número exacto de mecânicos que neste momento estão a ser formados tanto no País como no estrangeiro, Matlombe garantiu que os TPM em breve terão recursos humanos capazes de fazer manutenção técnica de toda a sua frota, o que irá contribuir para minimizar a crise de transporte nos grandes centros urbanos com destaque para cidades de Maputo e da Matola, onde a mesma é mais grave devido ao grande fluxo populacional que registam neste momento.
Aliás, recentemente, o Governo, através do ministro dos Transportes e Comunicações, Gabriel Mutisse, veio mais uma vez reconhecer, publicamente, que a crise de transporte nos grandes centros urbanos do País estava longe do fim apesar do forte investimento que tem estado a fazer na aquisição de mais meios de transporte.
Depois de na sexta-feira as forças governamentais terem atacado as periferias de Sadjundjira, “com armas pesadas”, conforme a deputada Ivone Soares contou ao Canalmoz, no sábado apareceu um dos porta-vozes do Ministério da Defesa Nacional (MDN), Cristóvão Chume, a negar que a ordem do ataque tenha saído do Governo.
As declarações de Chume, veiculadas pelos órgãos de comunicação pública, abrem duas hipóteses, ambas preocupantes. Ou o ataque foi da iniciativa dos militares no terreno em desobediência ao Governo e ao comandante em chefe, ou o Governo anda a querer desinformar.
Como noticiou em tempo oportuno o Canalmoz, citando sempre os membros da Renamo, as tropas governamentais (FIR e FADM) atacaram por volta de 15h30 da sexta-feira os postos avançados dos homens da Renamo, ataques que continuaram até às 22 horas do mesmo dia.
Na sexta-feira e no sábado seguinte, membros da Renamo que saíam de Sadjundjira para diversos pontos do País eram seviciados pelas forças governamentais.
“Estabeleceram fronteira e não deixam sair nem entrar ninguém, incluindo a população local”, disse na noite da sexta-feira ao Canalmoz Jeremias Pondeca, em contacto telefónico momentos antes de ser interrompida a sua chamada por um agente da Polícia.
Entretanto, os cerca de 60 membros da Renamo provenientes de vários pontos do País, que estavam retidos em Mucodza pelas FADM e FIR quando saíam de Sadjundjira, foram liberados ao fim da tarde de sábado e ao início da noite do mesmo dia já se encontravam no Inchope.
Jeremias Pondeca, num contacto telefónico com o Canalmoz, disse que ele e outros foram “rasteirados e empurrados” e foram “forçados a andar a pé com as malas às costas”.
Do grupo “seviciado” pelas forças governamentais faziam parte Saimone Macuiane, chefe da missão da Renamo às conversações com a missão do Governo chefiada pelo ministro da Agricultura, José Pacheco.
Dhlakama está bem
Entretanto, fontes seguras garantiram que Afonso Dhlakama está bem e salvo. Não se sabe porém se neste momento o líder da Renamo continua na sua base, na Serra de Gorongosa.
Governo nega ataques
Um dos porta-vozes do Ministério da Defesa Nacional (MDN), Cristóvão Chume, apareceu à noite de sábado na televisão pública a negar que tenha havido ataque em postos avançados da Renamo em Sadjundjira.
As palavras de Chume contrariam informação confirmada por diversas fontes desde membros da Renamo, deputados da mesma bancada e jornalistas independentes.
Ao que parece, o MDN pretende desenformar ou o ataque foi da iniciativa dos militares, à revelia do Governo.
Faleceu Dom Bernardo Filipe Governo, bispo emérito da Diocese de Quelimane, vítima de doença prolongada na tarde deste domingo, na província da Zambézia.
Dom Bernardo Filipe Governo foi o primeiro bispo negro e moçambicano daquela Diocese logo após a Independência Nacional.
A Diocese de Quelimane encontra-se geograficamente localizada na região central de Moçambique e compreende, para além do território geográfico do município de Quelimane, outros distritos da província de Zambézia.
Na sede da diocese encontra-se a Sé Catedral da Nossa Senhora do Livramento, cuja festa litúrgica é celebrada no dia 8 de Dezembro.
A diocese foi erigida a 6 de Outubro de 1954 por Papa Pio XII, primeiro pela Constituição Apostólica ‘’Quandoquidem Christus’’ e desmembrando-a da Arquidiocese da Beira.
Foi seu primeiro bispo Dom Francisco Nunes Teixeira, de 1955-1975, sucedido de Dom Bernardo Filipe Governo O.F.M. Cap. de 1976-2007 na sequência de doença e agora Dom Hilário da Cruz Massinga, O.F.M. desde 2008. Dom Bernardo Governo, entre outras enfermidades, sofria de diabetes.
Tal como Dom Jaime Pedro Gonçalves, actualmente arcebispo emérito da Beira, o então bispo de Quelimane foi sempre frontal nas suas análises e crítica, bem como atento à situação político-social do País, tendo sido nalgum momento conotado pelo actual regime como apoiante da oposição, sobretudo da Renamo.
Natural do distrito de Namacurra, posto Administrativo de Macuse, localidade de Mucelua, Bernardo Filipe Governo foi ordenado padre em 1969 e posteriormente bispo em 1976.
Enquanto religioso, recusou-se ao convite do veterano da Frelimo, general Bonifácio Gruveta, para se juntar àquele então movimento de libertação nacional, preferindo dedicar-se à vida das comunidades onde trabalhava na província da Zambézia.
Por causa da doença, fazia muito tempo que D. Bernardo não participava nas reuniões da Conferencia Episcopal de Moçambique.
A diocese abrange uma área total de 62,557 Km2, numa população total de 816,205, sendo 714,010 católicos, portanto 87,5% da população distribuídos por 22 paróquias.
Uma delegação moçambicana participa desde o fim-de-semana passado até o dia 5 de Novembro próximo em encontros de grande importância de discussão dos Direitos Humanos em África.
Trata-se da Comissão Nacional dos Direitos Humanos de Moçambique que participa entre os dias 20 e 28 de Outubro de dois eventos privilegiados para os Direitos Humanos em África e Moçambique, a acontecerem em Banjul, na Gâmbia. Primeiro é o encontro Consultivo das Instituições Africanas de Direitos Humanos a decorrer entre os dia 19 e 22 do mês corrente e da 54ª Sessão da Comissão Africana dos Direitos dos Homens e dos Povos a decorrer entre os dias 22 de Outubro e 05 de Novembro próximo. Ambos no mesmo país.
O primeiro evento visa discutir o plano estratégico das instituições nacionais dos direitos humanos em África, tendo como enfoque a colaboração com a União Africana e seus órgãos, o grau de implementação da carta africana a nível dos países membros da União Africana, monitoria e a documentação da situação dos direitos humanos nos países africanos e o fortalecimento das Comissões Nacionais dos Direitos Humanos.
No segundo evento, a 54ª Sessão da Comissão Africana, serão apreciados relatórios temáticos sobre os Direitos Humanos em África e apresentados periódicos sobre a situação dos direitos humanos de alguns países tais como Gabão e Marrocos. Moçambique constava como um dos países a apresentar seu relatório nesta sessão, tendo optado por apresentar em Genebra junto do Comité da dos Direitos Civis e políticos concretamente contra a tortura e tratamentos degradantes.
Segundo Custódio Duma, Presidente da CNDH de Moçambique, no evento da NANHRI, Moçambique irá apresentar a situação dos Direitos Humanos no país e sobre a efectivação e operacionalização da CNDH, tendo dito, quanto ao primeiro ponto que o país apresenta um cenário contraditório de direitos humanos, com avanços na área legislativa e estagnação nas áreas institucionais e de efectivação dos Direitos dos cidadãos.
“Embora tenhamos boas leis, temos ainda uma CNDH e um Provedor de Justiça que ainda não são efectivamente funcionais, parece que estão lá só para constar dos relatórios. Temos grandes desafios de tornar estas duas instituições operacionais e presentes aos cidadãos, situações que encontram resistência junto do Governo. Os sinais que recebemos do Governo mostram que o Estado moçambicano não quer uma Comissão e um Provedor fortes, independentes, funcionais e ao serviço dos cidadãos, por isso até agora as duas instituições não possuem sedes próprias, não possuem meios financeiros e operacionais de que precisam para funcionar plenamente”, disse Custódio Duma.
Das 06 horas às 11 horas deste domingo, toda a região sul de Moçambique (Maputo, Gaza e Inhambane) ficou sem a corrente eléctrica, afectando directamente milhões de cidadãos e empresas. Ao início da tarde, a Electricidade de Moçambique (EDM), empresa distribuidora de energia eléctrica, emitiu um comunicado a explicar as causas do apagão que não tinha sido antecipadamente avisado.
“Tal situação (apagão) foi consequência de uma avaria registada na linha de Ressano Garcia-Infulene, agravada pelo facto da segunda linha, que fornece energia à Região Sul, ter sido desligada às 23 horas do passado sábado, dia 19 de Outubro, para trabalhos de manutenção programada, cuja conclusão estava prevista para o final da manhã de domingo”, explicou a EDM em comunicado enviado ao Canalmoz.
Como sempre, a empresa “solicita a devida compreensão pelos transtornos causados e pede as devidas desculpas”.
A polícia sul-africana lançou, na última quarta-feira, uma operação para a captura de um cidadão moçambicano, cuja identidade não foi revelada, considerado principal suspeito do assassinato de duas crianças, no bairro de Diepsloot, norte de Joanesburgo.
O suspeito encontra-se fugitivo desde a descoberta dos corpos de duas crianças, nomeadamente Yonelisa Mali, dois anos, e Zandile Mali, três anos, que foram encontrados mortos na terça-feira, no interior de um sanitário público.
As vítimas foram vistas pela última vez na noite de sábado, quando acabavam de sair da sua casa na companhia do suspeito.
Os corpos das vítimas estavam escondidos no mesmo local onde uma outra criança, identificada com o nome de Anelisa Mkhondo, cinco anos, foi encontrada morta no mês passado.
Horas após a descoberta dos corpos das crianças, os residentes daquele bairro destruíram quatro casas de construção precária durante uma operação de busca aos suspeitos.
A ministra da Justiça, Benvida Levi, garante que o Tribunal Administrativo está a ser investigado na sequência do escândalo financeiro despoletado naquele órgão, responsável pela fiscalização das contas do Estado. No total desapareceram cerca de 170 milhões de meticais referentes ao exercício económico de 2012.
A governante pronunciou-se sobre este assunto esta quinta-feira (17), em sede do Parlamento, em resposta à insistência da bancada da Renamo que pretendia saber o que está a ser feito em relação a esse caso. Benvida Levi disse que os “órgão competentes” estão a cuidar do assunto e que não se devia tentar antecipar nem influenciar as decisões de tais órgãos, pois em momento oportuno medidas serão tomadas.
O rombo no Tribunal Administrativo foi despoletado em Agosto pelo semanário Savana e pelo Centro de Integridade Pública (CIP). Na altura, o Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) anunciou que estava a fazer diligências no sentido de esclarecer o assunto e trazer a verdade à tona.
“Estamos a recolher toda a informação e, em seguida, iremos avaliá-la para concluirmos se estamos em sede de um ilícito criminal ou estamos em sede de outro tipo de ilicitudes, como é o caso de ilícitos financeiros”, disse na altura a directora do GCCC, Ana Maria Gemo.
O Savana, no seu artigo sobre este caso, e baseando-se num relatório produzido por uma empresa de auditoria designada Deloitte & Touche, fazia referência a “graves problemas” de gestão no TA, nas contas de 2012. Dos problemas enumerados indicava, por exemplo, a adjudicação directa de contratos públicos, pagamentos antecipados a fornecedores de bens e serviços, distribuição de subsídios indevidos à auto-contratação dos gestores de topo como consultores no próprio Tribunal Administrativo, num valor total de 170 milhões de meticais.
O Tribunal Administrativo é, ao nível do país, o órgão superior na hierarquia dos tribunais administrativos, fiscais e aduaneiros. E, das suas várias atribuições, cabe-lhe fiscalizar, previamente, a legalidade e a cobertura orçamental dos actos e contratos do Estado.
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