As autoridades talibãs procederam à detenção de dezenas de mulheres no Afeganistão nos últimos meses, com base em alegações de violações dos códigos de vestuário e da proibição de aparecimento público sem a presença de um guardião masculino.
A informação foi divulgada na quinta-feira pela Missão das Nações Unidas para o Afeganistão (UNAMA).
Segundo a UNAMA, foram registadas pelo menos 52 detenções de mulheres e uma rapariga nas cidades de Cabul e Herat, entre Julho e Setembro deste ano. As infracções reportadas incluem o uso de lenços coloridos, maquiagem, deixar cabelo à mostra e a omissão do chador, uma vestimenta que cobre todo o corpo.
A missão da ONU expressou a sua profunda preocupação em relação a estas detenções e encarceramentos, bem como às ameaças de prisão que as mulheres enfrentam. A UNAMA enfatizou que o número real de casos pode ser muito maior, devido à subnotificação que resulta de preocupações com a segurança e do estigma associado. Além disso, referiu que há relatos de abusos verbais, espancamentos e ameaças a mulheres, incluindo aquelas que exercem actividades comerciais.
Até ao momento, o Governo talibã não comentou a declaração da UNAMA. Em Junho passado, as autoridades afegãs abriram fogo contra participantes de um raro protesto em Herat, motivado por estas detenções. Este incidente resultou na morte de pelo menos uma pessoa e em diversos feridos, conforme relataram testemunhas.
Desde a ascensão ao poder em Agosto de 2021, após a retirada das forças lideradas pelos Estados Unidos, os talibãs impuseram uma interpretação estrita da lei islâmica, não tolerando o incumprimento das suas normas. As regras aplicadas envolvem severas restrições aos direitos das mulheres e raparigas, incluindo a proibição de frequentar a escola além do nível básico e limitações quanto ao vestuário e locais que podem frequentar.
As mulheres no Afeganistão são obrigadas a usar o hijab completo em público, incluindo um lenço na cabeça, uma túnica longa que cubra o corpo e uma cobertura facial. O cumprimento dessas normas é supervisionado pelo Ministério para a Propagação da Virtude e Prevenção do Vício.
















