O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, declarou que a presença de droga nas imediações das escolas representa uma “linha vermelha”, assegurando que o seu governo reagirá “com toda a autoridade da lei e com toda a força da nação” para salvaguardar a integridade de crianças e adolescentes.
Durante a abertura da Conferência Nacional sobre Prevenção e Combate à Droga, o chefe de Estado expressou a sua indignação face à situação alarmante que afecta as instituições de ensino do país. Questionou o futuro de uma nação onde a droga é vendida “à porta das nossas escolas”, levando jovens a serem seduzidos pelo vício desde tenra idade.
“Que país seremos nós se à porta das nossas escolas se vende a morte embrulhada em papel de rebuçado para as nossas filhas e os nossos filhos?”, indagou Chapo, sublinhando que as escolas, que deveriam ser refúgios de saber e segurança, estão a ser alvo de assédio por parte de redes de narcotráfico.
O Presidente destacou que o problema do tráfico de droga não pode ser abordado apenas através de dados estatísticos, mas sim como uma questão que afecta profundamente cada criança moçambicana. “Estamos a falar dos nossos filhos, das nossas filhas, dos nossos netos e das nossas netas, cujos sonhos estão a ser roubados antes mesmo de desabrochar”, frisou.
Chapo garantiu que o governo não tolerará a expansão do uso e tráfico de drogas em ambientes escolares, reiterando que a protecção da criança é um imperativo constitucional e um dever sagrado do Estado. Ele prometeu medidas rigorosas contra os pontos de venda de droga, designados comumente de “bocas de fumo”.
Na sua intervenção, o Presidente apelou à necessidade de uma ação coordenada entre o Ministério Público, os tribunais, a Polícia da República de Moçambique (PRM), o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic) e outras forças de segurança para atender a este problema significativo.
Daniel Chapo referiu locais identificados pelas autoridades como focos de tráfico e manifestou a sua firme intenção de que o Estado “não tenha nem deva ter qualquer complacência” em relação a essas práticas. O encerramento dessas bocas de fumo e a responsabilização criminal dos envolvidos foram destacados como prioridades.
O Presidente também mencionou a importância de reforçar a prevenção entre os jovens, sugerindo a criação e revitalização de núcleos antidroga nas escolas públicas e privadas. Durante o seu discurso, alertou para a sofisticação crescente do tráfico de droga, com organizações criminosas a utilizarem tecnologias digitais e novos meios de pagamento para expandir as suas operações.
Chapo revelou que as autoridades têm observado um aumento no consumo de drogas, incluindo entre menores, o que ilustra a dimensão do desafio que o país enfrenta. A criação de novas substâncias psicoativas e o surgimento de um número crescente de consumidores compõem um cenário preocupante.
Para enfrentar esta problemática, o Presidente apelou à mobilização conjunta do Estado, das famílias, das escolas e das comunidades, de modo a evitar que as redes criminosas continuem a recrutar jovens vulneráveis.













