Um ataque perpetrado por supostos grupos terroristas na região de Muidumbe culminou na morte de pelo menos quatro pessoas e no rapto de 14, segundo informações divulgadas por fontes locais à Lusa.
O incidente ocorreu na zona baixa de Naneve, na aldeia de Nangunde, onde as vítimas foram surpreendidas durante uma actividade de destilação de nipa, uma bebida alcoólica tradicional, na passada terça-feira.
De acordo com testemunhos, os insurgentes cercaram os indivíduos que se encontravam a trabalhar e exigiram que os seguissem a uma distância de menos de um quilómetro. Durante a acção, dois homens foram abatidos e outros dois, incapazes de escapar devido ao seu estado de embriaguez, foram igualmente mortos.
Relatos de populares indicam que algumas das vítimas foram assassinadas após terem afirmado não dispor do valor exigido para a sua libertação. Os corpos foram enterrados na quarta-feira por elementos da força local.
As notícias não se limitam ao ataque em Nangunde; ainda segundo as fontes, pelo menos seis pessoas foram raptadas na segunda-feira na aldeia de Xitaxi, localizada entre 50 e 60 quilómetros da sede distrital de Muidumbe, ao longo da estrada nacional EN380. A situação de insegurança na província de Cabo Delgado, rica em gás natural, é alarmante, dado que a região tem estado a enfrentar uma insurgência armada desde 2017, que já ceifou mais de 6.600 vidas e forçou 1,2 milhão de cidadãos a deslocarem-se.
Um relatório recente das Nações Unidas sublinha que os incidentes associados ao conflito aumentaram 10% no primeiro semestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior, evidenciando o uso crescente de raptos para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças. O relatório, intitulado “Moçambique: O custo da inacção”, descreve a deterioração da situação de segurança no norte do país e destaca o impacto negativo da violência sobre a população civil.
Actualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas enfrentam as consequências da deslocação em Cabo Delgado, que inclui aproximadamente 662 mil deslocados internos, além de 722 mil habitantes que regressaram às suas comunidades de origem.
As Nações Unidas alertam que por trás dos dados estão histórias de famílias obrigadas a deixar as suas casas repetidamente, crianças cuja educação foi comprometida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços essenciais foram destruídos.
















