Em reportagens recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), foi revelado que as crianças com menos de 5 anos na República Democrática do Congo (RDCongo) sofrem a maior taxa de mortalidade decorrente do vírus Ébola, que ultrapassa os 60%.
Este dado chocante contrasta com a taxa de mortalidade em adultos, que se situa cerca de 40%. A OMS destacou que as crianças representam igualmente a maior parte das mortes ocorridas fora de centros de tratamento, frequentemente em casa ou em instituições de saúde que não as identificam como doentes.
Daniel Youkee, líder da equipa de gestão de casos de Ébola da OMS, explica que as crianças pequenas apresentam uma reserva fisiológica menor e um sistema imunitário ainda em desenvolvimento. Como resultado, necessitam de cuidados especiais e acompanhamento constante. A OMS alertou sobre a urgência de fortalecer a partilha de conhecimentos técnicos, bem como melhorar o acesso a equipamentos e medicamentos, que muitas vezes são escassos.
O especialista propõe que os kits de abastecimento padronizados devem incluir equipamento e medicamentos adaptados às necessidades pediátricas, além de sublinhar a importância de formar o pessoal em directrizes específicas para este grupo etário.
Relatórios do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) indicam que a actual epidemia de Ébola já resultou em 3.699 mortes, com 7.672 casos confirmados. Nas últimas 24 horas, foram registadas 23 mortes e 58 novos casos. O INSP também reportou 15 altas de doentes que superaram a doença, elevando o total de recuperações para 1.879, com 886 pessoas hospitalizadas ou em isolamento no momento.
A taxa de mortalidade actual se estabelece em 48,2%, assumindo que este é já o episódio de Ébola mais mortífero da história da RDCongo, superando o surto ocorrido entre 2018 e 2020, conforme os dados da OMS.













