O governo argentino solicitou ao Paquistão e ao Sri Lanka a detenção do ministro do Interior do Irão, Ahmad Vahidi, enquanto este planeia visitar os dois países.
Vahidi é procurado pelo seu alegado envolvimento num ataque à bomba em Buenos Aires, em 1994, contra a Associação Mutualista Israelita-Argentina (AMIA), que resultou na morte de 85 pessoas, tornando-se o pior atentado da história da Argentina.
Num comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros argentino confirmou que pediu aos governos do Paquistão e do Sri Lanka a detenção de Vahidi, utilizando os mecanismos fornecidos pela Interpol. O comunicado sublinha a necessidade de justiça, destacando que os responsáveis pelo atentado de 1994 permanecem impunes e em posições de poder.
Ahmad Vahidi, atualmente ministro do Interior do Irão desde 2021, já ocupou anteriormente o cargo de ministro da Defesa. Durante o ataque de 1994, ele estava à frente da Força Quds, uma unidade de operações secretas da Guarda Revolucionária Iraniana.
O ataque à AMIA foi atribuído pelos tribunais argentinos e por Israel ao regime iraniano e ao grupo xiita libanês Hezbollah. Apesar das acusações, o Irão negou qualquer envolvimento e não cooperou com as investigações, recusando-se a permitir o interrogatório dos suspeitos, incluindo Vahidi e o ex-presidente Ali Rasfanjani.
A Argentina possui a maior comunidade judaica da América Latina, com cerca de 300 mil membros. Além do ataque à AMIA, em 1994, a embaixada de Israel em Buenos Aires foi alvo de um atentado em 1992, que resultou em 29 mortes e 200 feridos, também atribuído ao Irão, mas permanece sem punição.
Em 2013, a então presidente argentina Cristina Kirchner assinou um acordo com o Irão para investigar o ataque à AMIA, mas o acordo não foi ratificado pelo Parlamento iraniano.

















