Num dos ataques mais incisivos a Israel, o ex-presidente brasileiro, Lula da Silva, comparou neste domingo o que descreveu como um massacre de civis na Faixa de Gaza pelas forças israelitas às perseguições e mortes perpetradas por Hitler contra os judeus.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa realizada em Adis Abeba, capital da Etiópia, onde Lula participou como convidado especial na 37ª Cimeira da União Africana, que reuniu chefes de Estado e de governo de 55 países africanos.
“O que está a ocorrer na Faixa de Gaza não tem precedentes em nenhum outro momento histórico, a não ser quando Hitler decidiu matar os judeus. Israel está a repetir em Gaza o genocídio que Hitler cometeu contra os judeus”, afirmou o ex-presidente brasileiro, atacando o governo de Benjamin Netanyahu pelo segundo dia consecutivo e gerando um coro de protestos de entidades judaicas no Brasil e do próprio governo israelita, que convocou o seu embaixador em Brasília para consultas, uma medida considerada dura nas práticas diplomáticas.
No dia anterior, ao proferir o discurso de abertura da 37ª Cimeira da União Africana, Lula já havia abordado a questão da resposta brutal de Israel aos ataques igualmente brutais do Hamas em território israelita em 7 de outubro do ano passado.
Para Lula, ressaltou no sábado, a reação de Israel aos ataques do Hamas foi desproporcional, e as forças militares israelitas, embora tivessem todo o direito de reagir, estão, no entanto, visando mulheres e crianças como alvos, o que é inadmissível e inexplicável.
“Quando vejo o mundo rico anunciando que está a cessar as contribuições para a questão humanitária dos palestinianos, questiono-me sobre o nível de consciência política dessa gente e o tamanho do seu coração solidário, pois não estão a perceber que na Faixa de Gaza não está a ocorrer uma guerra, mas sim um genocídio. Não é uma guerra entre soldados. É uma guerra entre um exército altamente preparado e mulheres e crianças”, enfatizou o ex-presidente brasileiro este domingo, pouco antes de iniciar a viagem de regresso ao Brasil, sendo ainda mais incisivo do que no dia anterior e provocando novamente a indignação do mundo judaico, como a Confederação Israelita do Brasil, CIB, que classificou as declarações como uma distorção ofensiva da história.

















