O ex-presidente paquistanês Pervez Musharraf foi sepultado na cidade natal da família, Carachi, no sul do Paquistão, um dia após ser transportado por um avião especial dos Emirados Árabes Unidos, onde morreu no fim de semana.
Cerca de 2.500 pessoas – incluindo a família próxima e alargada, altos responsáveis políticos e militares no ativo e na reserva – assistiram às cerimónias fúnebres, num cemitério militar situado dentro de uma zona de elevada segurança da cidade portuária de Carachi, capital da província meridional de Sindh.
Musharraf, que morreu aos 79 anos, tomou o poder através de um golpe de Estado sem sangue derramado em 1999, depondo o Governo eleito do então primeiro-ministro Nawaz Sharif, cujo irmão mais novo, Shahbaz Sharif, é atualmente o primeiro-ministro do país.
Amir Muqam, um alto dirigente do partido de Sharif, esteve presente nas exéquias, em que a urna de Musharraf se encontrava coberta com uma bandeira nacional em sinal de respeito, embora a cerimónia não fosse um funeral de Estado.
O general Sahir Shamshad Mirza, presidente da Comissão Conjunta dos Chefes do Estado-Maior, e o antigo dirigente do Exército, Qamar Javed Bajwa, também marcaram presença na cerimónia.
“O general Pervez Musharraf sempre colocou acima de tudo os interesses do Paquistão, e pôs mesmo a sua vida em risco ao travar uma guerra contra as milícias”, disse Moinuddin Haider, general na reserva, à imprensa.
Vários políticos e membros do Governo prestaram também uma última homenagem a Musharraf.
Durante o seu mandato como Presidente, Musharraf fez do Paquistão um importante aliado de Washington na guerra ao terrorismo, após os atentados de 11 de Setembro de 2001 nos Estados Unidos.
Isso indignou milícias paquistanesas e estrangeiras que, pelo menos duas vezes, tentaram assassiná-lo na cidade de Rawalpindi em 2003, mas escapou ileso.
Mushahrraf perdeu o controlo do poder em 2008, quando o partido do ex-Presidente Asif Ali Zardari, o Partido do Povo do Paquistão, derrotou os seus aliados políticos de longa data em eleições legislativas. Posteriormente, Zardari obrigou-o a demitir-se.
O novo Governo instigou a abertura de um processo judicial por traição contra Musharraf — mas permitiu-lhe abandonar o país sob fiança para se deslocar ao Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 2016, para tratamento médico, enquanto o processo estava em curso.
Musharraf ficou no Dubai depois de ter sido condenado à morte por traição no Paquistão, em 2019, embora a pena de morte tenha mais tarde sido anulada por outro tribunal.
Contudo, o Governo do primeiro-ministro Sharif declarou, no ano passado, que Musharraf não seria preso se a sua família quisesse levá-lo de regresso a casa, mas os seus médicos e a família indicaram que o tratamento de que ele necessitava não existia no Paquistão.

















