O Tribunal Judicial de Sofala formalizou a prisão dos 10 supostos pescadores paquistaneses detidos em Abril deste ano, na cidade da Beira, por suposta prática de conspiração.

A Procuradoria Provincial de Sofala, que confirmou a legalização dos paquistaneses, garantiu que, “neste momento, esta em curso a instrução preparatória que não deve durar mais de 40 dias”.

“Seguir-se-á uma acusação pública e depois o julgamento. Neste momento não entraremos em detalhes em relação aquilo que nós constatámos, porque pode comprometer o curso do processo”, explicou Joaquim Tomo, porta-voz da Procuradoria Provincial em Sofala.

A história dos paquistaneses começou por volta das 13h00 do dia 30 de Abril passado, quando eles foram avistados por um grupo de pescadores nacionais na região de Savane, a cerca de 25 milhas do Porto da Beira, à deriva. Eles primeiro recusaram o socorro e pretendiam apenas combustível. Depois de muita insistência, foram rebocados até ao Porto de Pesca da Beira, onde chegaram cerca das 20h00.

No primeiro contacto com à imprensa, os visados alegaram que foram surpreendidos por um vendaval no seu território em finais de Fevereiro e na sequência desse facto o barco avariou e ficaram à deriva até o dia em que foram socorridos.

No dia seguinte, eles disseram a Polícia moçambicana que estavam à deriva a apenas 20 dias. Entretanto, cinco dias depois, tripulantes de um outro barco de pesca nacional garantiram ao “O País” que tinham visto o barco em que os paquistaneses se faziam transportar na fronteira entre as províncias da Zambézia e de Nampula, a navegar em direcção ao norte do país.

O barco em causa, ainda segundo os pescadores nacionais, aparentava estar muito carregado. Duas semanas depois, outros pescadores também garantiram que avistaram a mesma embarcação entre os dias 19, 20 e 21 de Abril a fazer movimentos durante à noite, do alto mar para a terra e vice-versa, durante o dia.

Estes testemunhos e o contraste nas declarações dos paquistaneses levaram a Polícia a suspeitar que os mesmos fossem colaboradores dos terroristas na província de Cabo Delgado.

As investigações levadas a cabo pela PRM, SERNIC, Serviços de Migração e Administração Marítima concluíram que havia necessidade de deter os paquistaneses, que mais tarde foram encaminhados à Cadeia Central da Beira, onde aguardam julgamento.