Analistas dizem que a declaração de Estado de Guerra na província nortenha moçambicana de Cabo Delgado, defendida pelo presidente do Movimento Democrático de Moçambique, Daviz Simango, em termos de imagem internacional do país, pode não ser aconselhável numa zona de grandes investimentos externos.

Na abertura do ano judicial, o antigo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, fez a mesma alusão perante o Chefe de Estado, dizendo que há uma guerra de terrorismo em Cabo Delgado, porque esta definição internacionalmente conhecida, iria, provavelmente, abrir um espaço para o conflito ser encarado de outro modo.

“É uma questão política porque isso implicaria o recurso a outros meios, Até agora é a polícia que está a tratar deste conflito, e, portanto, é um conflito ainda ao nível da desordem pública, e não como um ataque ao Estado”, considerou o jurista Tomás Vieira Mário, a declaração de Estado de Guerra tem implicações legais.

Por seu turno, o também jurista José Machicame, considera que há regras para a declaração do Estado de guerra, por causa das implicações que isso pode acarretar.

Machicame destacou o facto de Daviz Simango não ser o primeiro a defender a declaração do Estado de Guerra em Cabo Delgado. “Outras entidades internas e externas já defenderam este ponto de vista, e eu acho que essas entidades têm elementos que lhes permitam fazê-lo”, afirmou aquele jurista.