A República da Índia entregou formalmente em Maputo um lote de 65 toneladas de medicamentos diversificados ao Ministério da Saúde (MISAU), destinados a apoiar o sistema nacional de saúde no tratamento de várias enfermidades de saúde pública no território moçambicano.

O donativo, cujo valor da aquisição não foi revelado, constitui o primeiro de outros ainda por chegar ao país devendo totalizar 100 toneladas e, por conseguinte, concretizar o conteúdo da promessa feita pelo Primeiro- Ministro da Índia, Narendra Mode, na sua visita à Moçambique, em 2016, onde prometeu o auxílio medicamentoso.

O volume compreende, entre vários fármacos, antibióticos pediátricos para cerca de um mês de consumo; citostéticos para mais ou menos o mesmo período, dioretros, entre vários outros, que vão, durante um determinado período de tempo, reforçar a capacidade de resposta.

O Alto Comissário da Índia acreditado em Moçambique, Rudra Gaurav Shresth, disse, na ocasião, que o lote de medicamentos é o primeiro e o governo de Nova Deli está a fornece-lo em resposta ao pedido feito pelo país, através da lista fornecida no ano transacto.

Queríamos que o Ministério da Saúde planeasse as provisões medicamentosas e saúdo a celeridade demonstrada, através da entrega da lista detalhada e organizada de medicamentos que nos permitiu fazer as aquisições na Índia“, disse o Alto Comissário.

Os cuidados médicos, segundo Shresth, constituem a componente importante da cooperação entre os dois países. A Índia tem um papel preponderante no sector da saúde do país, através da sua acção no mercado farmacêutico, bem como no número cada vez mais crescente de moçambicanos que se deslocam àquele país asiático em busca de cuidados.

A realidade, na óptica do alto-comissário, torna o país em um parceiro importante, até porque nos últimos anos tem havido um crescimento do investimento indiano na forma de centros de saúde e clínicas, mas o aspecto mais importante é a entrada, muito em breve, de uma fábrica da indústria farmacêutica em solo moçambicano.

A indústria farmacêutica da Índia cresceu rapidamente nos últimos anos, assumindo o terceiro o lugar, a escala mundial, em relação ao volume de medicamentos e, portanto, responsável por 20 por cento das exportações farmacêuticas e 80 por cento dos anti-retrovirais genéricos.

A indústria farmacêutica gera, em receitas, 16.5 biliões de dólares americanos de exportações, valor que está muito acima do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique e poderá atingir, até 2020, a fasquia dos 50 biliões de dólares.

A indústria farmacêutica indiana, para além de gerar receitas para o país, ajuda muitos países a combater várias enfermidades que não estão em condições de adquirir os medicamentos de marca registada.

A Índia, segundo a fonte, mais do que uma cooperação circunscrita a doação de medicamentos e equipamentos, pretende alargar o intercâmbio para outras áreas como o controlo vectorial, saúde materno infantil e, para o efeito, aguarda a orientação do país.

A Ministra da Saúde, Nazira Abdula, que recebeu o donativo, disse que é de grande importância e vem reforçar o esforço do governo e da parceria internacional, contribuindo para uma maior disponibilidade e melhoria dos cuidados de saúde.

A política farmacêutica, parte integrante da estratégia do governo ao sector da saúde, assenta em três grandes objectivos: a garantia do acesso da população aos medicamentos, as vacinas e outros bens em condições de cuidado para assegurar que estejam disponíveis nas quantidades necessárias, na forma e dosagem farmacêutica adequada e a preços acessíveis para o cidadão.

A política preconiza também o uso racional de medicamentos, vacinas e produtos biológicos de saúde; assim como a garantia de qualidade dos medicamentos, produtos biológicos e de saúde, de modo a que só circulem no país produtos legalmente reconhecidos, seguros e eficazes em conformidade com os padrões de qualidade estabelecida.

AIM