Aquele responsável disse ainda que cerca de 67,22 hectares de machambas cobertas de culturas diversas, com destaque para cereais como o milho e hortícolas foram totalmente devorados pelos animais bravios.
“Os frequentes casos de conflito homem/fauna bravia ocorreram em quase todos os distritos da província, exceptuando o distrito de Tsangano, envolvendo sobretudo o crocodilo, o elefante, o hipopótamo e o búfalo, que originaram a morte e ferimentos de pessoas” – disse Cadre.
Para mitigar a situação, os serviços de Florestas e Fauna Bravia de Tete estão a concluir um sistema piloto de vedação de áreas consideradas perigosas e de frequência de crocodilos na margem esquerda do rio Zambeze, em Chimbonde, no bairro Matundo, no Município da Cidade de Tete, que vai servir para a protecção da população dos ataques mortíferos daqueles anfíbios.
Cadre disse ainda ao nosso jornal que o projecto consiste na construção de uma muralha e colocação de uma rede de arame anti-corrosivo para delimitar a região onde a população frequenta, à busca de água para as suas necessidades.
O nosso entrevistado afirmou que o conflito homem/fauna bravia está a criar situações embaraçosas nas comunidades rurais da província de Tete, tendo enumerado que só durante o ano passado foram abatidos mais de 115 animais bravios, com maior destaque para crocodilos, elefantes e hipopótamos.
“Estes animais eram conflituosos, pois criavam pânico e desestabilização nas comunidades e com o seu abate a situação tende a diminuir paulatinamente em várias localidades da província de Tete” -sustentou Zacarias Cadre.
A nossa fonte revelou que durante o ano passado e até meados do segundo trimestre do ano em curso foram recolhidos em várias localidades banhadas pelo rio Zambeze desde Zumbo até Mutarara, cerca de 80 mil ovos de crocodilos por empresas licenciadas e autorizadas pelo governo central no âmbito de mitigação dos efeitos provocados por aqueles anfíbios.
Um trabalho de colocação de placas de sinalização nas zonas de passagem frequente de elefantes e presença de crocodilos, sensibilização da população para a vedação das suas machambas, cercando-as com chá príncipe (vulgo chambalacate) para afugentar os hipopótamos está em curso desde o ano 2011.
Esta actividade, de acordo com Zacarias Cadre, já está a resultar conforme os dados registados dos últimos dois anos do projecto de colocação de chá príncipe nas machambas dos camponeses pela empresa Cahora-Bassa Safaris, uma das operadoras do eco-turismo ao longo da albufeira de Cahora-Bassa, nos distritos de Mágoè e Cahora-Bassa.
Para além de abertura de fontes de abastecimento de água potável nos povoados próximos dos grandes rios, uma acção levada a cabo pelo governo tendente a redução de casos de conflitos homem/fauna bravia na disputa da água, os governos distritais estão a orientar aos camponeses para a abertura de machambas em bloco, com vista a facilitar o seu controlo pelos fiscais florestais.
Um dos maiores factores que contribui para a intensidade do conflito entre o homem/fauna bravia na província está relacionado com o contínuo hábito das comunidades rurais de prática de queimadas descontroladas que, para além de destruir o habitat dos animais, destrói o capim que é a alimentação básica dos bravios.
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