Destaque SERNIC apreende mais de 30 telemóveis em prisão de segurança máxima

SERNIC apreende mais de 30 telemóveis em prisão de segurança máxima

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) apreendeu, na quarta-feira, mais de 30 telemóveis nas celas da prisão de segurança máxima, popularmente conhecida como B.O.

Os dispositivos electrónicos, como telemóveis e computadores, estão proibidos neste estabelecimento prisional, mas são frequentemente contrabandeados e utilizados pelos reclusos para fins ilícitos.

Em declarações ao jornal “Notícias” de Maputo, o porta-voz do SERNIC, Hilário Lole, informou que a operação efectuou-se no âmbito de uma campanha contra crimes cometidos através desses dispositivos electrónicos, incluindo fraudes electrónicas, burlas e até sequestros para exigência de resgato.

Outros itens apreendidos durante a operação incluíram cartões SIM das redes móveis moçambicana e sul-africana, carregadores de telemóveis e cigarros electrónicos.

Lole revelou que o SERNIC está a trabalhar para identificar todos os envolvidos no contrabando de itens proibidos para a prisão, incluindo funcionários prisionais corruptos que poderão estar a facilitar essas operações.

Por sua vez, o Gabinete do Procurador-Geral da República (PGR) informou ter registado um total de 39.625 incidentes cibernéticos em 2025, num contexto marcado pela insuficiência de literacia digital e a rápida evolução das tecnologias, factores que favorecem a prática de cibercrimes.

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Durante uma interpelação na Assembleia da República, o Procurador-Geral, Américo Letela, destacou que entre os crimes mais recorrentes se encontram a fraude relacionada com instrumentos de pagamento electrónicos, com 611 casos, seguida de fraudes informáticas e de telecomunicações (254) e invasões de privacidade (90).

“Os cibercrimes representam uma verdadeira e crescente ameaça à segurança nacional. Os ataques aos sistemas informáticos de instituições públicas e privadas, o acesso ilegítimo a bases de dados, a sabotagem informática, fraudes electrónicas e o roubo de informações sensíveis comprometem a confidencialidade de sistemas nacionais essenciais”, afirmou.

No período em análise, o PGR registou 1.108 casos de cibercrime, comparado a 1.061 em 2024, representando um aumento de 4,4 por cento.

Letela também apontou a volatilidade dos crimes, a sua natureza transnacional, a rápida evolução dos meios utilizados e a facilidade de destruição remota de provas como principais constrangimentos.

Outros desafios incluem a dispersão geográfica das infraestruturas tecnológicas, a recolha e preservação de provas digitais, bem como a efectiva responsabilização dos infractores.

“Apelamos para uma acção mais eficaz na gestão da cadeia de custódia das provas digitais, a preservação acelerada de dados electrónicos, validação técnica e avaliação probatória”, concluiu Letela.

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