alando para uma audiência constituída por bolseiros moçambicanos e outros compatriotas a residirem na Austrália, Guebuza disse que há várias teorias sobre cheias e ciclones sobre as quais era preciso reflectir um pouco.

“Há os que pensam que com uma maior atenção por parte do Governo, as cheias não poderiam ter tido o impacto que tiveram”, sublinhou o Presidente fazendo lembrar aos estudantes que eles próprios estavam num país altamente desenvolvido chamado Austrália, mas que tinha também cedido à força da natureza ao ser assolado pela ocorrência de cheias, ciclones e até de queimadas descontroladas.

Contudo, o Chefe do Estado, numa outra apreciação sobre o mesmo problema, admitiu que naturalmente são fenómenos que se podem evitar, mas que a capacidade humana ainda não tinha conseguido atrair para si a força e o conhecimento suficientes para impedir os desastres naturais.

O Presidente acrescentou que estes fenómenos ocorrem também noutros países e continentes mais preparados, como é o caso dos Estados Unidos da América e da Europa, sendo neste último continente onde disse ter ouvido falar nestes dias da tempestade de neve.

Prosseguindo nesta sua sustentação ao problema das calamidades naturais, Guebuza indicou que há outros ainda que pensam que o problema resolve-se construindo-se mais barragens, o que em parte é verdade, mas que isso não resolve o problema, podendo sim atenuá-lo.

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Todavia, o estadista, depois de considerar que uma barragem é um investimento, interrogou-se, primeiro, a si próprio, sobre quanto custaria hoje a sua construção. E numa estimativa ao alto disse que uma barragem que há 40 ou 50 anos atrás poderia custar 100 milhões de dólares hoje está a 1 bilião de dólares ou mais.
“ É verdade que há países que até podem achar estes valores de muito poucos, mas o problema é que nós não temos nem esse pouco”, disse.

Guebuza recorreu depois aos números do Orçamento do Estado para ilustrar como é que o Governo não tem dinheiro que chegue para a construção de uma barragem, afirmando que o orçamento anual do Governo anda pelos cinco biliões e um bilião para a construção daquela infra-estrutura seria um quinto daquele mesmo bolo.

Segundo explicou antes de se embarcar para a construção da barragem era preciso ter em conta que é esse mesmo valor que tem que pagar os professores, os enfermeiros, os médicos, os polícias e ainda garantir a construção de hospitais, estradas, pontes, água potável e energia.

“Portanto, pôr mais um bilião não é tão fácil assim, não é questão de boa vontade, é uma questão de poder fazer”, sublinhou o Presidente, ajuntando que naturalmente aquilo que é possível fazer, faz-se.

Num outro ângulo da visão deste problema, o Presidente da República disse que as cheias vieram, mais uma vez, fazer-nos lembrar, para aqueles que se tinham esquecido, que somos pobres e que para acabarmos com a pobreza temos que continuar a produzir riqueza.