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Segunda-feira, Abril 27, 2026
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Paulina Chiziane fala de crenças africanas em “Por quem vibram os Tambores do Além?”

Com objectivo de revisitar as tradições africanas e os seus respectivos conceitos, crenças, sistemas de pensamentos e visões do mundo, Paulina Chiziane e o médico tradicional, Rasta Samuel Pita, lançaram quarta-feira última, em Maputo, a obra literária intitulada “Por quem vibram os Tambores do Além?”.

O lançamento desta obra, sob chancela da Índico Editores, contou com o alto patrocínio da operadora de telefonia móvel em Moçambique, mcel, e decorreu no Centro Recreativo da Universidade Politécnica (CREISPU) numa cerimónia bastante concorrida por diversas individualidades da praça, nomeadamente escritores, políticos, académicos, entre outros.

Partindo para uma escrita contemplativa e reflexiva diferente da ficcionista, que lhe é habitual, Paulina Chiziane chama a atenção às mentes africanas “colonizadas” pelos conceitos ocidentais que desacreditam as tradições africanas, particularmente no curandeirismo.

“Se Deus é o único que criou a todos de maneira igual, deu a Moisés o poder da magia, também deu aos curandeiros, o mesmo poder. Por que é que hoje, os curandeiros são condenados e Moisés é louvado?”, questionou a autora, acrescentando que na sua obra literária toca num ponto bastante sensível, que é a libertação espiritual do continente africano, em especial de Moçambique.

Rasta Samuel Pita, o co-autor do livro, que diz ter conhecido Paulina Chiziane em 2003, revela que o livro é espiritual, “porque um dia, dormi e sonhei algo que podia escrever. O que está aqui escrito não veio por acaso”, disse agradecendo o apoio prestado pela mcel.

Por seu turno, o PCA da mcel, Teodato Hunguana, afirmou que sua instituição se sente orgulhosa por estar associada a tão importante obra de Paulina Chiziane e Rasta Samuel Pita, no âmbito da promoção e desenvolvimento da literatura moçambicana. “Já estivemos antes associados à Paulina, noutras obras e fazemos questão de garantir que a mcel continuará a apoiá-la”, finalizou.

EUA “profundamente preocupados” com espectro de guerra civil em Moçambique

Os Estados Unidos da América voltaram a emitir um comunicado onde sobe o tom da sua preocupação com o espectro de guerra civil que se está a alastrar para todo o País. De acordo com uma nota oficial do Departamento de Estado dos EUA em Washington, DC, “os EUA estão profundamente preocupados com o aumento da violência entre os homens armados do partido da oposição Renamo e as Forças de Segurança de Moçambique”.

Os EUA vêem com “inquietação” os confrontos na província de Sofala e a expansão de conflitos para fora da região. “Condenamos o uso da violência para resolver as diferenças políticas e exortamos todas as partes para que cessem imediatamente com as hostilidades e tomem medidas decisivas e visíveis para acalmar as tensões crescentes.

Condenamos com a maior veemência possível os ataques aos civis inocentes e manifestamos profundas condolências pelas vítimas e os seus entes queridos”, refere a declaração do Departamento do Estado.

Os EUA saúdam as declarações públicas anteriores dos representantes do governo de Moçambique e da Renamo em prol dum diálogo pacífico e construtivo e exortam as partes para que “prossigam activamente as negociações, de modo a garantir uma solução pacífica e duradoura. Os Estados Unidos continuam a encorajar um ambiente de espaço político aberto para promover a participação plena de todos os partidos em instituições e processos democráticos”.

Província de Maputo com fraca participação nos processos de governação

As comunidades das autarquias e distritos da província de Maputo têm participado de forma fraca e incipiente nos processos de governação devido à não institucionalização das formas de representação e participação das organizações da sociedade civil.

A constatação é do gestor de programas da Sociedade Aberta, Claudino Goodfry, na abertura do seminário sobre a importância da implementação das leis para a consolidação das relações entre o Estado e o cidadão.

Disse que o encontro vai permitir que os agentes do governo, a sociedade civil e o governo procedam a uma análise e reflexão profunda da actividade desenvolvida ao longo dos anos.

“Após notar-se problemas relativos à fraca participação das comunidades no processo de governação autárquica e ao défice de envolvimento das populações na governação a nível das populações na governação, resultante da não institucionalização das formas de representação e participação das organizações da Sociedade Civil a esses níveis, o governo aprovou o Decreto, 30/2001, de 15 de Outubro e lei 7/2012 de 18 de Fevereiro que define as normas de funcionamento da administração pública”, disse.

A fonte citou os casos da revisão da lei do trabalho, as mudanças da lei da família, bem como a revisão da Constituição da República em 1990, em 2004 e a condução do debate do anteprojecto da revisão da Constituição da República lançado pela Assembleia da República este ano.

Relação Estado-Cidadão

O presidente da Assembleia Provincial de Maputo, Osório Soto, disse que os instrumentos programáticos do governo, nos seus princípios, iluminados no superior comando constitucional, prescrevem princípios da relação Estado e cidadão, relação entre o governo e os governados em âmbitos como boa governação, administração da justiça, ordem e segurança pública, desenvolvimentos humanos, social e económico.

“Estes pilares preconizam acções pragmáticas informadas legalmente, de relação entre o Estado e o cidadão, entre o governo como sistema global de provimento de serviços públicos aos administrados”, disse.

PRM detém homens armados da Renamo

A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve ontem (31 de Outubro) “homens armados da Renamo” supostamente envolvidos nos tumultos registados desde a última terça-feira no distrito de Rapale, província de Nampula.

Consta do grupo dos detidos pela PRM o delegado interino da Renamo na cidade de Nampula, Pinoca Luxo, o qual a corporação negara há dias que o tivera detido, alegando que apenas o havia solicitado para esclarecimentos junto da Polícia de Investigação Criminal com o intuito de através dele conseguir saber do paradeiro dos homens que guarneciam a residência do seu líder, Afonso Dhlakama, na rua das Flores na cidade de Nampula.

À Imprensa o porta-voz da PRM em Nampula, Miguel Bartolomeu, justificou a detenção do delegado interino da Renamo na cidade de Nampula como estando ligada com a mobilização, incentivação e logística a guerrilha, facto que o acusado refuta.

Pinoca Luxo reconhece ter prestado apoio a homens que se queixavam de perseguição por parte das forças governamentais, não afirmado se os mesmos eram da Renamo ou não. O apoio foi prestado no bairro de Marrere, arredores da cidade de Nampula e, a fonte não especificou em que se baseava o tal apoio.

Pinoca Luxo é também membro da Assembleia Provincial de Nampula, desempenhando as funções de chefe da bancada do partido Renamo.

A PRM avança, igualmente, a detenção de mais oito homens supostamente da Renamo. A detenção desses terá sido na região de Naphome, distrito de Rapale, próximo da região onde na última terça-feira um camião foi incendiado.

Neste momento, segundo o porta-voz da PRM, acção redobrada de caça aos homens da Renamo está sendo levada a cabo nos distritos de Muecate, Murrupula e Mossuril, precisamente nas regiões de Grácio – Namahia, Chinga e Namaketho, onde durante a guerra dos 16 anos a Renamo tinha instalado as suas maiores bases militares na província de Nampula.

Guebuza perde a cabeça e chama aos jornalistas: “agitadores do povo”

O presidente da República, Armando Guebuza, perdeu a cabeça durante a conferência de Imprensa do balanço da Presidência Aberta e Inclusiva na província de Manica, realizada quarta-feira na cidade de Chimoio. Em clara situação de desespero, o chefe de Estado chamou aos jornalistas “agitadores do povo” e disse que a Imprensa é a responsável por toda a crise política que o País vive.

Sem apresentar fundamentos para a sua tese, o chefe de Estado disse que “alguns órgãos de comunicação social, para além de informar a população, dedicam-se a desinformar, mentir e criar pânico no seio da população” e por fim apelidou os tais meios de comunicação social de “agitadores do povo”.

“Vocês jornalistas quando vão escrever não reparam para estes pormenores e optam por dizer que está mal e publicam para o povo ler coisas que não condizem com a verdade”, disse o chefe de Estado.

Numa intervenção visivelmente mais emocional do que racional, o chefe de Estado disse que toda a tensão político-militar vivida no País é resultado da acção de alguns órgãos de comunicação social, como se os jornais, rádios e televisões comprassem armas e mandassem atacar civis e lideres da oposição.

“Vocês da Imprensa vão para as matas da Gorongosa e vêem que o Governo está a intervir para manter a estabilidade e segurança à população mas escrevem que está tudo mal”, disse o PR.

A seguir Guebuza disse o que, na sua concepção, a tarefa da Imprensa devia ser: “informar a verdade ao povo, priorizar o interesse de manter-se a Paz no seio da população”.

Confiança na Polícia e na Casa Militar

Neste momento que a Polícia sofre profundas críticas da sociedade em geral devido à sua má actuação, principalmente no esclarecimento dos raptos, o chefe de Estado retomou um discurso que mostra o seu distanciamento com o povo e está totalmente em contramão com o que os cidadãos, praticamente em uníssono disse em todos os cantos do país.

O PR Armando Guebuza afirmou confiar profundamente na Polícia e na Casa Militar.

“Eu confio no meu comandante geral da PRM e nos meus homens da Casa Militar e da polícia, se é que há um problema que me digam para eu rectificar de imediato, não somente criticar e não dizer o que está mal”, concluiu Guebuza em resposta a uma questão de um jornalista que pedia comentário do chefe de Estado sobre alegado envolvimento de agentes da Polícia e da casa militar nos raptos.

Medo e desespero tomam conta da população em Nampula

Os confrontos armados iniciados na região centro do país e que há dias alastraram-se para o norte, precisamente em Nampula, estão a criar medo e pânico no seio das populações locais.

No distrito de Rapale, província de Nampula, muitas pessoas abandonaram as suas residências, estando refugiadas nas matas e outras procurando abrigo em locais que consideram seguros.

Na última quarta-feira, um camião foi assaltado e posteriormente incendiado, tendo a ocorrência se saldado em dois óbitos e um número não preciso de feridos. Todas as vítimas são civis.

A comunidade de Mutivaze e de Navevene afirma que os primeiros disparos ocorridos na região foram provenientes de uma unidade das Forças de Defesa e Segurança, constituídas pela Força de Intervenção Rápida (FIR) e pelas Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Contudo, desde os primeiros disparos, a ordem, segurança e tranquilidade públicas despediram-se dos moradores de Mutivaze e Navevene e, em consequência, os professores e enfermeiros, incluindo trabalhadores de organizações não-governamentais abandonaram os serviços que prestavam naquelas comunidades e a população refugiou-se nas matas.

O Canalmoz esteve em Mutivaze na manhã desta quinta-feira e registou um ambiente de pânico e ausência quase que total da população das suas residências.

Alguns populares que falaram ao Canalmoz afirmaram que regressavam às suas casas “não para ficar, mas para arranjar comida para os seus filhos escondidos nas matas”. Na sua maioria eram homens e em número não superior a três dezenas.

Mariano Fati disse ao Canalmoz: “estamos mal. Estão a matar-nos aqui. Todo o mundo está a tirar as suas coisas e a procurar onde encontrar segurança”.

O mesmo cidadão disse ao Canalmoz que “os disparos estão cada vez mais intensos desde que tudo começou na terça-feira” e que “alguns ataques são perpetrados por homens armados em grupos de 3 a 4 indivíduos”.

Residência de Dhlakama, sede provincial em Sofala, e sede na Beira, ocupadas pelas FADM e FIR

Forças Armadas e a FIR, tomaram de assalto, esta manhã, a residência do líder da Renamo Afonso Dhlakama na cidade da Beira, no bairro de Macúti, a sede provincial da Renamo, no bairro da Ponta-Gea, e a sede da Cidade, na auto-estrada, junto ao cruzamento com a Av. Kruss Gomes, no bairro da Munhava.

A operação teve início cerca das 08 horas da manhã, houve, nas duas frentes, tiros que colocaram a cidade em alvoroço.

Sabe-se, seguramente, que alguns guardas da residência do líder da Renamo foram detidos, mas outros, armados, estão agora em parte incerta.

Sabe-se, também, seguramente que os bens na sede estão a ser transportados pelas forças governamentais.

Algumas fontes dizem que há agentes da FIR que foram feridos na operação, mas não há confirmação oficial de nada.

Uma fonte que está a par das operações disse que têm ordens “superiores” para assaltar e revistar todo o património pertencente ao presidente a Afonso Dhlakama e da Renamo.

A sede provincial da Renamo situa-se num quarteirão entre a Universidade Pedagógica e a Pensão Moderna.

A residência de Dhlakama situação a escassos metros da orla marítima, junto à Igreja Católica do Macuti.

No assalto à residência de Dhlakama participaram forças armadas (FADM) e forças especiais de policia (FIR). Fonte ocular diz que viu cerca de centro e cinquenta homens das forças governamentais envolvidas na operação.

Um outra fonte ocular diz-nos que no local se encontram agora cerca de 50 homens da FIR e viu serem levados pela Policia três homens da Renamo.
Na Munhava foram presos os membros do partido que estavam presentes.

Alice Mabote diz que há estrangeiros envolvidos nos raptos

A presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabote, garante que, além da polícia, estrangeiros estão envolvidos nos raptos que mexem com o país.

“Sabes qual é a quantidade de gente traficante que entra no aeroporto? Há muitos destes envolvidos nos raptos, e não são pessoas quaisquer”, disse Mabote falando esta quarta-feira em nome de algumas organizações cívicas.

Por seu turno, a presidente do Fórum Mulher, Isabel Casimiro, exigiu a troca dos dirigentes das Forças de Defesa e Segurança. Ademais, acusou o Presidente da República, o Parlamento, a Procuradoria e o Comando Geral da Polícia de falta de vontade no combate à onda de raptos no país.

“É preciso ir muito mais longe, mexer profundamente no sistema e nas suas hierarquias, exonerando e investigando todos os que dirigem e orientam a polícia”, afirmou.

Graça Machel diz que falta sensibilidade ao Governo para travar sequestros

A activista social e antiga primeira-dama de Moçambique, Graça Machel, diz que falta sensibilidade ao Governo para travar a onda de sequestros que abala o país.

Perante o crescente clima de insegurança e a onda dos raptos no país, Graça Machel falou em videoconferência a partir da África do Sul, onde manifestou a sua indignação devido a este cenário.

Para ela, não há outra explicação senão falta de vontade do Governo para pôr fim a estes crimes.

`Tem-se vivido ao nível dos centros urbanos um ambiente de uma grande tensão, enorme insegurança, medo e terror. Os cidadãos não sentem e não vêem de uma maneira clara e directa um posicionamento do Governo. Os cidadãos não se encontram na forma como o Estado está a responder aos raptos´, afirmou.

Mais de sete mil mulheres grávidas abandonam TARV em Nampula

Das 8.800 mulheres grávidas seropositivas existentes na província de Nampula, apenas 1.373 aderiram ao Tratamento Anti-Retroviral (TARV), de Janeiro a Setembro deste ano, o que significa que há tendência de desistência.

A Direcção Provincial da Saúde em Nampula indica que, no ano passado, 454 mulheres abandonaram o TARV num total de 6.812 que estavam previstas para serem atendidas com vista a evitar a transmissão vertical, ou seja, da mãe para o filho, do vírus da SIDA.

Por conseguinte, 523 crianças estão infectadas pela doença, de acordo com Joselina José, porta-voz da Direcção Provincial da Saúde de Nampula. A nossa interlocutora indicou ainda que estão a ser massificados os testes de seroprevalência nas consultas pré-natais.

Joselina José contou que o grosso da população de Nampula ainda tem receio de fazer o teste de HIV/SIDA. Por isso, o número de seropositivos tende a aumentar. Prova disso é que mais de 12 mil pessoas estão infectadas pelo vírus do HIV/SIDA.

No período referido pela nossa entrevistada, mais de 300 doentes perderam a vida devido ao abandono, interrupção e o incumprimento das instruções médicas. Entretanto, o sector de saúde, em coordenação com os seus parceiros, aconselhou 353.235 pessoas, dentre afectados e infectados, a não interromperem a medicação.

Homens armados matam e capturam pessoas em Nampula

Um morto e mais de dez pessoas desaparecidas é o que se pode descrever como resultado de uma emboscada, supostamente, provocada pelos guerrilheiros da Renamo a uma viatura civil, no posto administrativo de Mutivaze, cerca de 45 quilómetros da cidade de Nampula.

O assalto a uma camioneta que fazia o trajecto Iapala/Nampula e na qual seguiam mais de 20 passageiros, na sua maioria, revendedores de produtos agrícolas, ocorreu por volta das 22h00 da última terça-feira, na Estrada nacional número 13, mais concretamente no troço entre os distritos de Nampula e Mecuburi.

Para além da vítima mortal, cuja identificação não foi possível apurar, os assaltantes raptaram parte dos passageiros e pilharam bens valiosos, antes de incendiarem a viatura que ficou em cinzas. Até à hora em que a nossa fonte abandonou o local, não havia quaisquer pistas sobre o paradeiro das pessoas desaparecidas. Mais triste ainda foi o facto de o corpo ter permanecido cerca de 15 horas antes de ser removido do local do incidente. Só por volta das 12h00 desta quarta-feira, é que o corpo foi removido do local, após uma equipa da Polícia da República de Moçambique ter chegado ao local para se inteirar do sucedido.

Alguns sobreviventes dizem ter sido surpreendidos por quatro indivíduos armados que disparavam ininterruptamente defronte da sua viatura, enquanto o quinto ia regando em cadência.

Coluna de viaturas atacada no troço Muxúnguè-Rio Save

Mais um ataque não reivindicado a uma coluna de viaturas protagonizados por homens armados, desconhecidos, ocorreu na manhã desta quarta-feira por voltas das 08 horas no troço Muxúnguè-Rio Save, na província central de Sofala, segundo deram a conhecer fontes da PRM em Sofala na condição de anonimato.

O ataque registou-se no mesmo local onde no último sábado, dia 26 de Outubro, foi atacado uma viatura de passageiros do tipo minibus, que fazia o trajecto Machanga-Muxúnguè em direcção à cidade da Beira.

De acordo com fontes, há relatos de dois mortos e feridos em número não especificado dos que viajavam na coluna, dentre os quais um padre brasileiro.
Oficialmente, nada foi confirmado. Aliás, nos últimos dias, a Polícia da República de Moçambique (PRM) vem se abstendo de confirmar ou fazer comentários em torno desses ataques, sendo as únicas fontes o porta-voz do Conselho de Ministros ou do Ministério da Defesa Nacional.

Num contacto telefónico com o porta-voz do Governo, Alberto Nkutumula, este declinou-se a fazer comentários sobre o ataque. “Sobre a questão que me coloca nada lhe posso facultar, dado que há o porta-voz do Ministério da Defesa, que trata deste assunto.” Disse Alberto Nkutumula, sem confirmar nem desmentir.
Também tentámos contactar o director do Hospital de Muxúnguè, mas recebíamos o sinal de rede ocupada.

Jovens chamados a afluírem em massa às urnas de votos

O director provincial do Secretariado Técnico de Administração Eleitoral (STAE), a nível da cidade de Maputo, Paulo Dinis, exorta os jovens moçambicanos em idade eleitoral a votarem em massa nas eleições autárquicas de 20 de Novembro.

Paulo Dinis falava recentemente num programa denominado Sexta Jovem, promovido pelo Ministério da Juventude e Desportos com vista a debater assuntos de interesse nacional ligados à vida política, económica, cultural e social.

O tema escolhido foi “A importância da participação dos jovens nos processos eleitorais” e o orador principal foi o director do STAE da cidade de Maputo, que começou por dizer que os jovens em Moçambique constituem a maioria e, por isso, devem afluir às urnas para decidir quem deve representá-los.

“O voto de cada um pode fazer diferença na decisão do novo presidente do Município ou membro da Assembleia Municipal”, referiu, apelando para que os jovens mobilizem os outros de modo a assegurar-se uma maior participação na votação.

Querendo, segundo a fonte, os jovens podem participar nos processos eleitorais de diferentes maneiras, envolvendo-se nas campanhas de educação cívica, mobilizando as associações juvenis ou participando em grupos culturais, bem como trabalhar como membros das mesas de votação ou formadores daqueles.
“É importante que os jovens votem para garantir o futuro do País”, referiu, apelando igualmente aos jovens a envolverem-se nas campanhas de educação cívica de mobilização do eleitorado.

Explicou que a cidade de Maputo registou durante o último recenseamento eleitoral mais de 614 mil eleitores, enquanto todo o País listou cerca de 3 milhões de pessoas.
“O nosso grande desafio neste momento é fazer com que maior parte das pessoas inscritas votem e por isso contamos com o apoio dos jovens e de toda a sociedade na mobilização”, disse, referindo que a educação cívica não é tarefa exclusiva do STAE, mas de todos os membros da sociedade, nomeadamente a sociedade civil, partidos políticos, igrejas, entre outros.

A história da participação do eleitorado nos processos eleitorais no País tem mostrado tendência do decréscimo do número de eleitores nas urnas desde que se realizaram as primeiras eleições em 1994.

Nas primeiras eleições realizadas em 1994 no País a aderência foi de cerca de 90 por cento, mas ao longo dos anos foi caindo, até que nos últimos processos registou-se uma participação de menos de 50 por cento do eleitorado.

Bispo Dinis Matsolo compara serviço nacional de saúde com “bombeiros

O bispo Dinis Matsolo diz que a escassez e a pobreza fazem com que a situação de saúde em Moçambique seja tratada como Serviço Nacional de Bombeiros que apenas responde a situações de emergência.

O clérigo, que falava ontem num encontro de reflexão sobre o financiamento para os sectores de HIV-SIDA e saúde, organizado pela Plataforma da Sociedade Civil para HIV-SIDA e Saúde, disse que não devem faltar recursos para saúde, mas em Moçambique, em particular, e África, no geral, isso acontece.

“O que nós queremos é o bem-estar das pessoas. Queremos que haja mais recursos para financiamento dos sectores de saúde. Viemos reflectir as soluções e as melhores formas para poder alcançar resultados sustentáveis”, disse.

Segundo Matsolo, em Moçambique quando alguém estiver doente, de algum lado o dinheiro deve aparecer, mesmo que seja para vender um bem ou pedir emprestado.

“Temos a tendência de trabalharmos como bombeiros e responder a questões de emergência. Isto não está errado, mas penso que devemos dar um passo. Temos que investir na saúde”, disse o bispo.

Nem tudo vai mal

Clotilde Malate, da Plataforma da Sociedade Civil para Saúde e HIV-SIDA, disse que nem tudo vai mal no sector da Saúde. Por exemplo, disse que nos últimos 10 anos houve uma redução de 100 para 64 nados mortos em cada 1000 nascimentos.

Também disse que o número de partos institucionais registou um aumento, sem no entanto apresentar números. Acrescentou que houve revitalização dos Agentes Polivalentes Elementares.

Até Junho passado haviam sido formados 1.950 agentes em 17 distritos de todas as províncias, exceptuado a cidade de Maputo. Espera-se que até finais de 2014 sejam formados e a exercer plenamente as suas actividades 3.500 agentes, cobrindo cerca de 18 por cento da população.

Disse também que em cada 1000 crianças, 100 morrem antes de atingiram 10 anos. O índice de seroprevalência continua a subir, sendo de 11,5 por cento.

Jovens das FADM e FIR abandonam fardamento e armas em Muxúnguè

O partido Renamo diz ter apanhado escondido nas matas de Marínguè, na província de Sofala, na última terça-feira, 15 armas de fogo do tipo AKM-47 e uniforme militar, supostamente abandonados por jovens das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e da Força de Intervenção Rápida (FIR), apavorados com confrontos.

Segundo uma nota oficial do partido Renamo, enviada à nossa redacção, os jovens das FADM e da FIR estão a abandonar as matas por entenderem “que estão a ser usados”. “Nota-se um pânico e pavor no seio dos jovens das FADM/FIR a ponto de muitos desertarem e regressarem a Maputo, trajados à civil”.

“Prova disso são cerca de 15 AKM-47 e fardamentos respectivos que os seguranças apanharam nas matas abandonadas”, lê-se no documento da Renamo.
Por outro lado, a Renamo ameaça “retomar à sua base na vila de Marínguè a qualquer momento, porque a considera seu museu histórico”.

“O próprio exército só se socorre dos blindados e outros carros de guerra para apenas circular nas estradas com o receio de escalarem as matas ora dominadas pelos seguranças da Renamo que reclamam retomar à sua base na vila de Marínguè a qualquer momento porque a consideram seu museu histórico”, diz a Renamo, em nota do Gabinete de Informação enviada ao Canalmoz no final da manhã desta quarta-feira.

Segundo a mesma fonte, no dia 28 de Outubro de 2013, forças conjuntas das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) e Força de intervenção Rápida (FIR) saíram da sua posição de Piro, perto da EN1, que liga a vila da Gorongosa à vila de Caia, numa coluna de 10 viaturas de assalto em direcção a Marínguè, com o fito de atacar e ocupar a base da Renamo ali fixada desde a luta dos 16 anos em Moçambique.

“Na vila de Marínguè, para além dos seguranças da Renamo, está posicionada uma força da Polícia da República de Moçambique (PRM)/FIR desde a assinatura do AGP. As duas forças ao longo do tempo aprenderam a conviver em conjunto, exceptuando-se um e outro episódio de pouca monta, oportunamente sanado”, explica a Renamo, adiantando que “a chegada das novas unidades militares veio alterar o ambiente que ali se vivia, pois estas logo à entrada da vila de Marínguè, a sensivelmente um quilómetro, iniciaram bombardeamentos à base da Renamo, usando, para o efeito, canhão de 75mm, canhão B-10, morteiro 82 e antiaérea”.

A Renamo diz, por outro lado, que “valeu” aos seus seguranças a informação prévia que lhes permitiu afastarem-se do alvo e de perto assistiram ao “espectáculo macabro” das forças governamentais.

Mais adiante refere que terminados os bombardeamentos, as FADM/FIR tentaram entrar na base.

“Aí os seguranças da Renamo responderam com fogo, tendo causado baixas em número considerável de feridos, acto que fez com que recuassem para a vila”, explica.

Para a Renamo, perante a resposta dos seus guardas, o comandante das FADM/FIR viu-se forçada a regressar a Piro para levar feridos e reforçar o material que se esgotara, sobretudo obuses de armas pesadas disparadas indiscriminadamente.

“Na tarde do mesmo dia, as FADM/FIR voltaram à base, com intuito de queimarem as barracas dos seguranças e os perseguir na estrada que vai a Pango, passando pelo rio Npfuza, em direcção à antiga base de Massala”, diz o comunicado da Renamo.

A Renamo diz que continua a fazer apelo a uma resolução pacífica e negociada, pois entende que a via das armas não irá resolver a situação ora prevalecente.

Para a Renamo, “a guerra que lhe é movida pode retrair investimentos, atrasar a vida dos moçambicanos, pelo que condena, veementemente, esta acção do Governo”, conclui, explicando que “é pela Paz, quer uma democracia baseada em eleições livres, justas, transparentes e limpas”.

Juíza de casos de raptos: “Temo pela minha vida”

Ana Sheila Marengula, procuradora que esteve a representar o Ministério Público no julgamento de casos de raptos ocorridos na capital, diz temer pela sua vida, após o tribunal ilibar dois dos oito réus que, segundo ela, não são inocentes e são capazes de tudo cá fora.

A procuradora lembrou que os réus absolvidos, nomeadamente Hélder Naiene e Dominique Mendes, têm antecedentes criminais por prática de homicídio.

No final da leitura da sentença, segunda-feira, pelo juiz Adérito Mlalhope, da 10ª Secção do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, que condenou a 16 anos de prisão os réus Bendene Chissano `Angolano´, Arsénio Chitsotso, Luís Chtsotso, Joaquim Chitsotso, Albino Primeiro e Luís Carlos da Silva, a magistrada Ana Marengula desabafou a jornalistas nos seguintes termos:

`Eu, particularmente, enquanto magistrada, temo pela minha própria vida, tendo em conta que estes indivíduos ilibados têm antecedentes criminais e um deles já foi condenado pela prática do crime de homicídio. Temo pela minha segurança, enquanto magistrada que está à frente dos processos de raptos e tráfico de pessoas na capital do país. Temo pela minha segurança, uma vez que os indivíduos estão em liberdade e são capazes de tudo´, disse a representante do Ministério Público.

Na sua inquietação pela decisão de inocentar dois réus, a procuradora prosseguiu, dizendo que a mesma veio até premiar a acção dos criminosos, particularmente dos réus absolvidos, para além de dar a entender que estão imunes à acção da Justiça, o que não pode, de modo algum, ocorrer.

`Vem também agravar a situação de insegurança que a cidade está a viver, particularmente nos últimos dois anos, em que os criminosos incrementaram as suas acções, incidindo agora em menores. A sentença foi parcial. Aqueles dois réus nunca deviam ter sido ilibados´, referiu.

O tribunal entendeu que havia uma confissão dos dois réus mas não existiam outros elementos de prova que podiam sustentar a confissão. No entender da representante do Ministério Público, `isso não é verdade´.

`Existe (elementos de prova), tanto mais o réu Angolano, condenado, que disse ter participado nos sequestros com o Dominique Mendes e Hélder Naiene. Para além disso, os próprios réus absolvidos descreveram com pormenor como é que participaram em cada um dos raptos. Por isso, esta decisão do tribunal é surpreendente e contra todas as expectativas´, lamentou Ana Marengula.

De 2011 a esta parte foram sequestradas nas cidades de Maputo e Matola mais de 50 pessoas, algumas das quais ainda no cativeiro à espera que os seus parentes paguem resgates para serem postas em liberdade.

O Juíz Adérito Malhope advertiu aos réus Hélder Naiene e Dominique Mendes que o facto de terem sido absolvidos não significa que não sejam culpados. `Na nossa sentença, não dissemos que os senhores não cometerem o crime. Não foi isso. O que dissemos foi que não encontramos qualquer prova no processo de terem cometido os crimes de que foram pronunciados. São duas realidades bem diferentes. Esperamos nós que esta absolvição seja correspondida pelo vosso comportamento daqui em diante. Se não se comportarem como deve ser tenho a certeza que voltarão a este tribunal e ai, podem ter a certeza de que não escaparão´ admoestou o juiz.

Aos seis condenados, o juiz Malhope disse esperar que se conformem com a pena e a cumpram, não obstante terem a prerrogativa de recorrerem.

Raptores com acesso a saldos bancários

Alguns funcionários desonestos dos bancos têm estado a colaborar com os raptores, que tem estado a sequestrar pessoas, particularmente nas cidades de Maputo e Matola para exigir resgate.

Segundo Pedro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), que falava ontem no habitual briefing semanal à imprensa, os sequestros ocorridos nos últimos tempos contam com a colaboração de alguns funcionários bancários. Estes, como disse, facultam informação detalhada sobre o montante existente nas contas das vítimas e de familiares, daí que os raptores fazem uma prévia selecção das vítimas e fixam valores para o resgate que têm plena certeza de que os visados dispõem.

Entretanto, o porta-voz lembrou que a corporação esteve reunida há dias com os responsáveis dos bancos para os informar sobre o envolvimento de alguns funcionários do sector nos casos de rapto. Na ocasião, exigiram vigilância dos mesmos e colaboração dos bancos, denunciando tais indivíduos às autoridades policiais.

Cossa afirmou também que a Polícia reuniu com os responsáveis das telefonias móveis que operam no país para reforçar as medidas de identificação dos clientes porque os raptores têm usado cartões não registados ou com registo falso para contactar os familiares das vítimas a fim de obterem resgate, o que dificulta a identificação e localização dos criminosos.

Reagindo ao sequestro e assassinato de um menor na cidade da Beira, Sofala, Cossa disse que algumas conversas no processo de negociação e denúncia que os familiares da vítimas fazem à Polícia, pedindo ajuda estão a ser acompanhadas pelos bandidos por circuitos que disse desconhecer. Cossa não descartou a hipótese da existência de agentes da Polícia implicados no fenómeno.

A fonte comentou igualmente à condenação dos três polícias por envolvimento em casos de rapto na cidade de Maputo, afirmando que a pena de 16 anos de prisão aplicada aos réus é justa e exemplar para os demais membros da corporação que pensarem em participar em tais actos.

Marcha pela paz e contra onda de sequestros nesta quinta-feira em Maputo

Espera-se que sete mil e 10 mil cidadãos participem numa marcha pacífica nesta quinta-feira (31), na capital de moçambicana, em apelo à paz e repúdio à onda de sequestros que nos últimos tempos assolam as principais cidades do país.

Liderada pela Liga dos Direitos Humanos (LDH), a manifestação pacífica de indignação e repúdio à violência é co-organizada pelas Organizações da Sociedade Civil e confissões religiosas e todos os cidadãos interessados deverão participar.

Segundo o programa divulgado pelos organizadores, a concentração para a caminhada será feita na Estátua Eduardo Mondlane, donde deverá se marchar até a praça da Independência, local que acolherá o momento mais alto deste evento: a leitura do manifesto, pela presidente da Liga dos Direitos Humanos, Alice Mabote.

O documento depois de lido deverá ser entregue a embaixadas de diferentes países e outros representantes da comunidade internacional. A onda de raptos constitui uma grande preocupações para a população que entende estar a haver uma apatia por parte das autoridades competentes.

Recentemente, um caso ocorrido na cidade da Beira, Sofala, chocou meio mundo, quando uma criança de 13 anos foi assissinada pelos raptores, após terem tido conhecimento de que os familiares do menor haviam participado o caso à polícia.

Entretanto, por outro lado, ainda essa semana, seis de cerca de oito indivíduos que estavam em julgamento em associação aos raptos foram condenados a 16 anos de prisão. Entre os condenados constam alguns agentes da polícia, sendo que um deles pertencente a considerada “polícia de elite”, que cuida da segurança do Chefe do Estado.

A comunidade muçulmana ou moçambicanos de origem asiática desde o início desta fenómeno de raptos foi apontada como sendo o principal alvo, contudo este facto foi se alterando com a popularização deste crime. Uma nota dos organizadores da marcha, em apelo à maior participação refere que “a situação de raptos já está a passar dos limites, ontem foram uns, hoje são outros e amanha serão outros. Os que já sofreram não pensem que não poderá o mesmo se repetir.”

Assim de acordo com o mesmo documento os estalecimentos comerciais deveriam ser encerradas nesta quinta-feira e as crianças não serem mandadas a escola “Os objectivos seriam exigir que o ministro fosse exonerado naquele momento e a retirada das tropas de Muxungue e arredores. (…) arranjar facilitadores e mediadores para as negociações dos partidos,” aponta a nota.

Em Junho passado, uma marcha pacífica de repúdio a violência, organizada pela sociedade civil, teve que ser adiada devido a fraca presença de cidadãos.

Visita da Primeira-Dama paralisa serviços de saúde e educação na Manhiça

A Primeira-Dama e os seus assessores parecem não olhar a meios para obrigar as pessoas a fazerem-se presentes nos comícios que organizam sempre que ela visita um ponto do país, mesmo que para isso seja necessário interferir no funcionamento normal das instituições públicas.

Na semana passada, a esposa do Presidente da República, Maria da Luz Guebuza, esteve de visita ao distrito da Manhiça. Nada estranho, são fosse pelo facto de a sua passagem ter obrigado a que vários serviços, com destaque para os de saúde e educação, tivessem de ser encerrados por dois dias (quinta e sexta-feira).

Naquele distrito, docentes de escolas públicas receberam ordens para levar os seus alunos aos lugares onde iriam decorrer os comícios orientados pela Primeira-Dama, assim como apresentar diversas actividades culturais nos locais visitados.

Esta atitude é, no mínimo repugnável. Não se entende como é que um país cuja taxa de permanência de alunos na escola por ano é a mais baixa da região Austral de África e do mundo se dê ao luxo de interromper as aulas por dois dias para receber a esposa do Chefe de Estado.

Mas a paralisação não afectou somente a educação. As pessoas que tinham consultas marcadas nos serviços de fisioterapia, oftalmologia, pediatria, entre outros, não puderam ser atendidos nos dois dias, alegadamente porque os médicos tinham de estar concentrados na visita da Primeira-Dama.

Ou seja, naqueles dois dias antes valia ser visto pela esposa do Presidente da República que atender um paciente, que, devido à falta de cuidados médicos, podia perder a vida ou ver o seu estado de saúde deteriorar-se.

Assim, as consultas tiveram de ser remarcadas para a terça-feira desta semana. Refira-se que, por exemplo, os serviços de fisioterapia do Hospital Rural de Xinavane, que faz parte do distrito da Manhiça, só abre às sextas-feiras, o que significa que os pacientes viram a oportunidade de serem atendidos adiada por mais uma semana.

Com esta medida, os responsáveis pelos Serviços Distritais de Saúde vão contra os objectivos e políticas que passam por oferecer mais e melhores cuidados de saúde ao cidadão deste belo Moçambique, onde um médico está para 30 mil habitantes, contra os 1.000 recomendados pela Organização Mundial da Saúde.

Aliás, a Primeira-Dama é patrona de várias iniciativas ligadas à área da saúde, dentre as quais o Plano Global para a Eliminação de Novas Infecções, para além de ter sido reconhecida recentemente pelo seu contributo na luta contra os cancros da mama, próstata e do útero, daí que não se esperava que situações como as de Manhiça acontecessem.

Outros factos

Ainda durante a visita da Primeira-Dama à província de Maputo, o governo local, segundo o semanário Canal de Moçambique, teria exigido que os empresários contribuíssem para a logística, que só em alimentação estava orçada em mais de 126 mil meticais, o que é, no mínimo, estranho pois não é possível que o Executivo tenha agendado actividades sem condições para tal.

Na carta endereçada aos empresários, o secretário do Governo da Província de Maputo, Ali Chaucate, refere que “a província sentir-se-ia bastante honrada com a sua contribuição” para receber a esposa do Presidente da República.

“O secretariado da povoação de Djuba sentir-se-ia bastante honrado com a contribuição de V. Excia em apoiar na preparação do evento contribuindo com bens e valores monetários em conformidade com a lista de produtos necessários em anexo”, pode-se ler na carta.

Entretanto, da lista dos produtos necessários para a visita constavam cabeças de gado, frangos, arroz, farinha de milho, refrescos, caldos, até papel higiénico, entre outros.

Parceiros suspendem financiamento ao Tribunal Administrativo

O rombo financeiro no Tribunal Administrativo está a registar novos contornos. Os países financiadores das contas desta instituição, responsável pela fiscalização das contas do Estado, decidiram suspender, por um período indeterminado, a sua ajuda financeira até que se esclareça o caso.

Os países financiadores, nomeadamente Alemanha, Finlândia, Dinamarca e Suécia, exigem que, pelos menos, o Tribunal Administrativo se pronuncia publicamente em relação ao rombo financeiro e traga a sua versão sobre este caso, explicou a embaixadora da Suécia em Moçambique, Ulla Andrén, que confirmou a medida de suspensão.

“Nós dissemos a eles (ao TA) para que façam uma comunicação pública porque, neste momento, a imprensa e todos querem saber mais sobre o que está a acontecer neste âmbito e é muito importante fazer essa comunicação”, disse a embaixadora.

O escândalo no TA foi despoletado pela imprensa em Agosto passado após uma auditoria feita por uma empresa privada que detectou um rombo financeiro de cerca de 170 milhões de meticais, referente ao exercício económico de 2012.

No dia 17 deste mês, a ministra moçambicana da Justiça, Benvida Levi, pronunciou-se sobre o caso em sede do Parlamento e garantiu que o TA está a ser investigado pelos “órgãos competentes”.

Entretanto, a embaixadora explicou que esta medida não é definitiva, mas apenas uma suspensão periódica até que se esclareça o caso. “Nós não estamos a cortar financiamento, mas houve problemas relacionados com vários assuntos, então nós paramos um momento de financiar para ver como o caso vai-se desenvolver, porque não podemos financiar enquanto há problemas”, disse.

A fonte conta que da conversa que manteve com o presidente do Tribunal Administrativo, este mostrou muita dificuldade em reagir publicamente a essa situação, por entender que neste momento a instituição que dirige perdeu credibilidade e que “qualquer coisa que ele for a dizer não vai ser muito credível”.

“Mas eu (embaixadora) não estou a pensar assim, porque acredito que ele pode esclarecer muita coisa”, disse, acrescentando seguidamente que “houve muita coisa dita na imprensa que pode estar errada, mas como o Tribunal não está a dizer outra coisa contrária, não é fácil saber o que realmente esta a acontecer.”

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