25 C
Matola
Segunda-feira, Abril 27, 2026
Site Página 2131

Mia Couto faz revelações

O escritor moçambicano Mia Couto disse quinta-feira, em Maputo, que a sua relação com o mundo das letras nasceu em tenra idade e foi marcado por episódios peculiares, como por exemplo a batalha que travava com a mãe por causa dos livros.

Falando num seminário sobre Jornalismo Cultural organizado pela Embaixada da Espanha, Mia contou, por exemplo, que o pai tinha uma enorme biblioteca, no entanto a sua mãe era contra a compra de livros. Para contornar a oposição, ele e o progenitor desenharam uma estratégia.

Mia couto

“Quando meu pai chegava a casa com um novo livro, tinha de o interceptar na porta e de seguida levava a obra e escondia na camisa para que minha mãe não a visse”, disse Mia.

O autor de “Terra Sonâmbula” sublinhou que uma das bibliotecas onde ficavam os livros clandestinamente introduzidos estava no seu quarto, o que despertou nele uma paixão pela literatura ainda menino.

Na sequência, o cronista fez referência a outras influências e fontes de inspiração que marcaram o seu trabalho, tendo apontado alguns nomes como Rui Knopfli, José Craverinha, Bernardo Honwana, Caetano Veloso, Chico Buarque e a música popular brasileira da década 70.

Convidado para falar da relação entre literatura e jornalismo, o escritor afirmou que cresceu numa cultura familiar de jornalistas, daí uma inclinação natural para o ramo.

“Meu pai e meu irmão mais velho eram jornalistas, nasci num ambiente de jornalistas”, disse o também romancista.

Contudo, o poeta afirmou que abraçou o jornalismo por orientação do partido Frelimo e que o primeiro jornal para o qual trabalhou foi Tribuna.

“Recebi orientações do partido Frelimo para abandonar o curso de biologia e trabalhar como infiltrado no jornal ‘Tribuna’”, abordou o autor de “Jesusálem”.

O cronista referiu que trabalhou durante 12 anos como jornalista, tendo-se tornado escritor quando exercia a profissão.

Entretanto, o palestrante aproveitou a ocasião para falar do actual estágio do jornalismo.

“O jornalismo tem coisas boas e más. Do meu tempo para cá, o jornalismo decresceu muito e não me revejo na profissão”, disse o poeta.

No entanto, o escritor disse que continua a ser jornalista enquanto repórter dos diferentes factos.

Mia Couto é o escritor moçambicano com mais obras publicadas e traduzidas, entre as quais se encontram romances, poesias, contos e crónicas, sendo que muitos estão publicados em mais de 22 países e traduzidos para alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.

Alguns dos seus livros foram adaptados para o teatro e cinema. O escritor igualmente acumula sete prémios literários ganhos a nível nacional e internacional, sendo um dos mais recentes o Prémio Camões, o mais prestigiados troféus da lusofonia.

Participaram na palestra 12 pessoas, entre as quais nove jornalistas, sendo sete moçambicanos e dois espanhóis.

Questionado se voltaria a ser jornalista, Mia disse que só aceitaria se fosse para fazer um jornalismo diferente do que é feito actualmente, dispondo-se mesmo a ser servente.

Jovem mata sua mãe à paulada em Xai-Xai

Um jovem, de 25 anos de idade, está nas celas da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Xai-Xai, indiciado de agressão até à morte da sua própria mãe, com recurso a um instrumento contundente.

O acto macabro teve lugar, semana finda, na localidade de Maciene, Posto Administrativo de Chonguene, e o presumível autor do homicídio depois de ver consumado o crime, teria arrastado o corpo da vítima para uma mata nas proximidades do local onde ocorreram os factos, pondo-se de seguida em fuga. Contudo, de acordo com fonte das autoridades policiais, graças à denúncia popular, o indiciado foi capturado e entregue às autoridades.

Detido suspeito de assassinar cidadão português

O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve na cidade de Maputo um jovem supostamente envolvido no assassinato de Horácio da Costa, cidadão português morto na passada terça-feira na sua própria residência no bairro dos Pescadores, arredores da cidade de Maputo. Segundo o porta-voz da PRM no Comando, Arnaldo Chefo, há “indícios do envolvimento do jovem na morte do cidadão português.”

Com a detenção do referido jovem, cuja identidade não nos foi relevada, sobe para dois o número de detidos em conexão com o homicídio. Um pouco depois do homicídio, outro indivíduo foi detido, por ter sido encontrado nas redondezas da casa do finado com manchas de sangue na roupa. Entretanto, o Canalmoz apurou que no dia que encontrou a morte o cidadão português estava na companhia de suposta namorada.

Mesmo sem avançar detalhes, Chefo diz que neste momento “decorrem diligências para a captura de uma mulher que se encontrava juntamente com o guarda, no local do crime.”

O finado era proprietário da “Shl.cozinhas.com”, uma loja localizada no supermercado “Super Mares”, na Marginal.

Recorde-se que a casa do finado foi encontrada totalmente vandalizada e, estranhamente, não havia indícios de que tenha sido retirado qualquer bem. As viaturas e as respectivas chaves do finado ainda estão no quintal.

Corpo será transladado para Portugal

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas em Moçambique, José Cesário, falando à Lusa disse que “vão agora ser realizadas as diligências para se repatriar o corpo para Portugal, em articulação com a família da vítima.”

O governante, citado pela Lusa, disse ainda que o Ministério dos Negócios Estrangeiros já está em contacto com a família do finado. Horácio da Costa é natural da zona centro de Portugal.

Governo acusado de ceder 27 mil hectares à ENHL sem consulta pública

A Associação dos Paralegais da província de Cabo Delgado acusa o Governo de ter cedido 27 mil hectares de terra nas comunidades de Magauja, Monjane, Patacue, Sanga, Ncalanga, Neumbi, Matapata, Namanengo, Muangaza, Mute e Quitupo ao consórcio ENHL, constituído pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos e a petrolífera italiana ENI, sem consulta prévia às comunidades.

Segundo Roberto Abdala, representante dos Paralegais de Cabo Delgado, a terra está a ser gerida por aquele consórcio que já alocou 7.000 hectares à Anadarko, petrolífera norte-americana, para implantar infra-estruturas necessárias para o processamento do gás e eventualmente do petróleo, mas, também, para acomodar os trabalhadores das companhias e empresas de prestação de serviços que a exploração de gás vai atrair.

“As onze comunidades não sabem se serão ou não reassentadas. Questiono a legalidade do DUAT atribuído à ENHL, uma vez que foi concedido sem a Licença Ambiental da ocupação dos 27 mil hectares. Apesar das inquietações, a Anadarko e a ENHL têm o direito de ocupar e usar a terra habitada sem que as questões sociais, ambientais e económicas, que se levantam à volta dos projectos a serem implantados naquela área, tenham sido discutidas, sendo uma delas e a mais preocupante, disse Abdala.

Administrador manda prender activistas

Roberto Abdala disse que numa das reuniões orientadas pelo administrador de Palma, Pedro Jemusse, ele terá dito às comunidades que querendo ou não seriam evacuadas daqueles locais para dar aos investidores.

“Quando soubemos disto, decidimos ir formar as comunidades sobre o DUAT. Fomos capacitar as populações em relação aos procedimentos legais. Numa outra reunião quando a população questionou sobre os direitos, o administrador perguntou quem havia lhes falado da lei da consulta pública. Disseram que tinham sido formados pelos Paralegais. Mandou-nos notificar e fomos ouvidos pelo comandante, Alfane César. Até agora não temos a resposta da audição. Mas continuamos firmes”, disse Abdala.

Cateme deve servir como escola

Rodrigues Mahamba contou ao Canalmoz que passou duas horas no Comando da PRM em Palma para prestar declarações ao comandante da Polícia. Disse que em Palma, o processo de reassentamento é apresentado como um caminho inevitável e as comunidades pouco ou em nada participam na escolha do novo local de residência.
“Este procedimento, por um lado, viola o Direito de Uso e Aproveitamento da Terra das comunidades consagrado na Lei de Terras e os preceitos estipulados na Lei do Ambiente para o Licenciamento Ambiental, por outro tem sido a principal razão da existência de conflitos, como os que eclodiram em Cateme, na província de Tete”, disse.

Mahamba acrescentou que uma reflexão sobre desafios impostos no acesso à terra em posse das comunidades para a implementação de megaprojectos, nas diferentes facetas da vida das comunidades rurais, onde estes empreendimentos são implantados, mostra-se urgente e pertinente.

A visita do CTV ao terreno

A directora-geral do Centro Terra Viva, Alda Salomão, disse que a sua instituição e o Instituto Panos efectuaram visitas às comunidades de Quitupo e Sanga, no distrito de Palma.

E no terreno, foi possível colher dos membros algumas inquietações, tais como a falta de informação no seio das comunidades, sobre o que está a acontecer em relação à ocupação da terra e sobre os detalhes do projecto, a perda do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra das comunidades, agora atribuído ao consórcio ENHL; a falta de informação sobre o enquadramento dos membros das onze comunidades, ainda que numa área de reassentamento, no processo de implementação do projecto, em termos de emprego ou outros benefícios sociais e económicos.

O Distrito de Palma localiza-se a nordeste da província de Cabo Delgado, fazendo fronteira com a Tanzania, através do Rio Rovuma, a oeste e a sul possui limites com os distritos de Nangade e Mocímboa da Praia, respectivamente. Dados do Censo Populacional de 2007 indicam que esta parcela do País apresenta 51.783.00, numa superfície de 3. 561 Km2.

O clima de Palma propicia a prática da agricultura por quase todos os agregados familiares, registando-se ainda a pesca, pecuária, avicultura, caça e outras actividades económicas. No tocante aos recursos naturais o distrito possui terra arável que até um passado muito recente não constituía motivo de conflitos.

Mcel diz que serviço pré-pago já funciona sem problemas

Durante o sábado e na madrugada de domingo registaram sério constrangimentos para efectuação de chamadas e transmissão de dados na rede mcel. A empresa diz em comunicado que foram ultrapassados os constrangimentos técnicos no serviço pré-pago, que criaram dificuldades na realização de chamadas, na transmissão de dados, no recarregamento, bem como na consulta de saldos, durante o último sábado.

“Mercê do esforço conjunto entre as equipas técnicas da empresa e do fornecedor do equipamento, a mcel conseguiu, durante a madrugada deste domingo, repor a situação à normalidade, estando novamente operacionais todos os seus serviços” refere comunicado.

Dhlakama “reaparece” e diz que o país não está em guerra

O líder da Renamo quebrou o silêncio ao qual se tinha remetido desde que a sua residência em Sathunjira foi atacada pelas forças governamentais em Outubro último, o que o obrigou a abandonar o local, e concedeu uma entrevista ao semanário Canal de Moçambique, no qual afirma que o país não está em guerra e que o seu alvo são os militares. “Eu gostaria que declarássemos um cessar-fogo entre Muxúnguè, Chibabava, minha terra, até ao rio Save porque aquilo não é nada; é só um negócio sujo… não serve para nada”.

Dhlakama não é visto e nem dava entrevistas desde 21 de Outubro passado, quando as forças governamentais atacaram a sua residência em Sathunjira, obrigando-o a abandonar o local para parte incerta, na companhia do secretário-geral da Renamo e deputado da Assembleia da República, Manuel Bissopo. Entretanto, esta segunda-feira em entrevista concedida àquele semanário, ele contou que, neste momento, se encontra num local que dista poucos quilómetros de Sathunjira.

Na entrevista, o líder da “Perdiz” afirma que a actual tensão política que já vitimou dezenas de pessoas, entre militares e civis, “não serve para nada” e explica ainda que os ataques que se registam na região centro do país têm como alvo os militares “porque a maioria que escraviza o centro e o norte provém da região sul”. “Vêm (os militares) para paralisar ou matar os chingondos”, considera. Assim, defende, os civis devem saber que no troço rio Save-Muxúnguè passa a logística de quem vai atacar Sathunjira e Dhlakama. “A Renamo não ataca civis, ataca militares”, sentencia.

Não obstante essa situação, o líder da Renamo mostra- -se convencido de que a paz, actualmente ameaçada, poderá retornar ao país até Fevereiro do próximo ano. Citado no semanário, ele afirma que a guerra dos 16 anos levou muito tempo porque não havia investimento estrangeiro. “Hoje, a comunidade internacional não vai permitir que alguém entre para destruir um, cinco, dez biliões de dólares investidos antes de haver retorno”, assegura, fazendo referência às empresas multinacionais envolvidas na prospecção e ou exploração de recursos minerais no país.

Guebuza quer matar-me

Afonso Dhlakama, ora em parte incerta, não tem dúvida de que o Presidente da República, Armando Guebuza, está interessado na sua morte; aliás, afirma categoricamente que o ataque efectuado à sua residência em Sathunjira, a 21 de Outubro passado, visava o seu assassinato. Ele afiança o que os seus “seguidores” sempre defenderam desde que aconteceu o ataque: que Guebuza ordenou o ataque para assassiná-lo. Diz ainda que o Chefe de Estado está agora envergonhado porque não logrou os seus intentos.

“Foi uma tentativa de praticar um crime, mas agora está envergonhado por estarmos vivos e estamos a reagir numa altura em que ainda somos alvos a abater”. Aliado a isso, Dhlakama discorda com veemência da ideia de que a sua eventual morte poderia significar o fim da Renamo, o maior partido da oposição, e defende que tal facto apenas iria “acelerar a revolução”, uma vez que ele tem generais mais novos que tomariam as rédeas da situação.

Diz o líder da Perdiz que tal como a morte do fundador do partido, André Matsangaissa, não significou o fim do partido, o seu desaparecimento não teria também essa consequência. “A morte de Dhlakama deixou de ser um perigo que possa ditar o fim da Renamo”.

“Não faço as pazes com Daviz Simango”

Dhlakama afirma não ter razões para fazer as pazes com o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), muito menos com o seu presidente, Daviz Simango, mas considera a hipótese de isso acontecer “no dia em que ambos, humildemente, se ajoelharem porque ofenderam muitas pessoas…”. De acordo com Dhlakama, foi ele quem “meteu” o dirigente do MDM, Daviz Simango, na vida política e fê-lo contra tudo e todos. Acusa-o ainda de ter estragado “tudo” por causa da “ganância pelo poder”.

“Ele fez o que fez, falcatruas, começou a estragar tudo. Pronto. E em 2008 dissemos que já não podia continuar como candidato”. No entender de Dhlakama, o MDM e os seus candidatos só conseguiram ganhar nas três cidades porque a Renamo não entrou na corrida e as pessoas, não querendo a Frelimo, no poder, optaram pelo “Galo”.

“No dia em que o Dhlakama andar a mobilizar as pessoas, o MDM vai ficar no zero”, disse o presidente da Renamo, para quem os membros do MDM já foram membros da Renamo. Para si, as pessoas devem ter a consciência de que esta força política terá o seu fim no dia em que a Renamo voltar a participar em eleições. Sobre a elevada taxa de abstenção nas recentes eleições autárquicas, Dhlakama entende que tal situação resulta dos apelos feitos pelo seu partido para que as pessoas não fossem votar, uma vez que tal acto se traduziria na continuidade do actual regime da Frelimo. Na sua opinião, uma participação dos três maiores partidos do país ditaria a derrota da Frelimo.

Guebuza vai a presidência

Relativamente à saída ou não do Presidente da República do cargo, o líder da Renamo foi também categórico afirmando que Guebuza irá deixar a presidência, pois do contrário será morto. “O que Guebuza pode fazer é tentar impor a sua influência, tentar pôr uma Teresa ou uma Maria qualquer que lhe vai obedecer e que quando for eleita não venha a levar Guebuza para a prisão por causa dos roubos”.

Convidado a dirigir-se aos elementos das forças governamentais, Dhlakama aconselhou-os a abandonar a luta contra a Renamo “porque é uma acção sem justificação”. “Todos os militares sabem que aqui em Sathunjira fogem 30 a 40 elementos por dia. Na Casa Banana, em Muxúnguè, mesmo na ponte do rio Save, 20 a 30 desertam por dia. Outros vão presos, outros largam as armas (…) porque não entendem porque estão a morrer”. Entretanto, apesar deste apelo, Dhlakama assegura que o país não está em guerra civil.

Adolescentes optam pela prostituição para sobreviver em Maputo

Sem avançar números, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), assegura que nas províncias moçambicanas, principalmente em Maputo e Tete, há cada vez mais adolescentes, geralmente de 14 anos de idade, que recorrem à prostituição para obter meios de sobrevivência, enquanto outro grupo, da mesma faixa etária, recorre à mendicidade.

Para a mesma instituição, o aumento da prostituição infantil e do número de crianças pedintes, é um problema que preocupa sobremaneira as organizações que trabalham na área de protecção social de crianças e trata-se de uma inquietação que, aparentemente, não é levada em consideração pelas pessoas que traçam política e tomam decisões no país.

De acordo com a especialista em gestão de conhecimento no UNICEF, Louise Daniels, as crianças que praticam tais actos indignos são movidas pela necessidade de sobrevivência. E basta reparar para o que acontecer diariamente nas principais artérias da cidade de Maputo para nos apercebermos do fenómeno da prostituição, por exemplo.

Relativamente às crianças da província de Tete, referiu-se que nas zonas próximas das empresas que exploram recursos tais como carvão mineral há mais adolescentes que se prostituem.

Louise Daniels considera que, apesar da existência de numerosos instrumentos legais para a protecção da criança contra qualquer tipo de violência e abuso, a sua implementação continua aquém do desejável.

Num outro desenvolvimento, a colaboradora do UNICEF referiu-se a outro problema amplamente debatido na sociedade, mas, até aqui, difícil de refrear, nomeadamente o facto de haver crianças que continuamente trocam o banco da escola pela rua, onde mendigam e praticam a prostituição, pois encontram pessoas com algum poderio financeiro.

Rosário Torres, oficial de programas na Fundação Apoio Amigo, pensa que o problema levantado por Louise Daniels deve-se, em parte, ao facto de a maioria das famílias dependerem, exclusivamente, da agricultura de subsistência e sem nenhum outro rendimento que garanta a satisfação das suas necessidades básicas.

Rosário Torres e Louise Daniels falavam numa reunião anual de parceiros sobre a situação da criança em Moçambique, cujo lema foi “uma parceria pelos direitos da criança”.

Oposição bloqueia orçamento de Daviz Simango

Terminaram ontem, quinta-feira, os trabalhos da 25ª sessão da Assembleia Municipal da Beira (AMB), a última da presente legislatura. Aquele órgão deliberativo apreciou e aprovou, em dois dias, os relatórios anuais e quinquenais do Conselho Municipal e da própria assembleia. No entanto, e contra todas as expectativas, deliberou não apreciar o Plano de Actividades e o respectivo Orçamento para 2014, apresentados pelo Conselho Municipal.

Segundo o presidente da AMB, Mateus Saize, a decisão de não apreciar os dois documentos foi consensual entre os membros da Frelimo, bancada maioritária, Renamo, GDB e membros únicos do PDD e PIMO. O órgão preferiu remeter a apreciação e aprovação dos dois instrumentos para a próxima legislatura, a iniciar em Fevereiro ou Março de 2014, com a tomada de posse dos novos membros da AMB.

O edil reeleito para o terceiro mandato, Daviz Simango, disse que a decisão de adiar a aprovação do Plano de Actividades e o respectivo Orçamento para 2014 vai prejudicar os munícipes.

“Os concursos públicos para aquisição de novos materiais deviam começar este mês, mas nós não temos como fazer. O novo executivo vai começar a trabalhar sem meios e não poderá fazer aquisições nem realizar investimentos sem um plano de actividades e o respectivo orçamento”, disse o edil da segunda cidade do país.

Acidente de viação causa dois óbitos em Quelimane

Duas pessoas morreram e igual número contraiu ferimentos graves em consequência de um acidente de viação ocorrido na Avenida Heróis da Libertação Nacional, defronte do edifício dos bombeiros, envolvendo uma viatura com a chapa de inscrição MMQ 62-63 e uma motorizada, esta quinta-feira (12), na cidade de Quelimane.

Segundo testemunhas, o carro circulava em alta velocidade, tendo embatido na parte traseira a motorizada, na qual se faziam transportar as duas vítimas mortais cujas identidades não apurámos. Neste momento, os dois corpos estão na morgue do Hospital Provincial de Quelimane.

Depois do embate, a mesma viatura mudou de direcção e atropelou outras duas pessoas que estavam, também, numa motorizada e que contraíram ferimentos graves. As vítimas que apenas tiveram ferimentos foram igualmente evacuados para a maior unidade sanitária da Zambézia pelos agentes do Corpo de Salvação Pública.

Enquanto, na cidade de Maputo, uma cidadã também morreu atropelada em consequência de um sinistro rodoviário ocorrido na Avenida de Moçambique, envolvendo um camião e um mini-bus. Testemunhas contaram que a vítima encontrou a morte quando tentava atravessar a estrada, tendo sido atingido pelo camião que já ia colidir com o mini-bus.

Complicações de parto matam 11 mulheres por dia em Moçambique

O quadro é dramático. Cerca de 11 mulheres morrem por dia e perto de 4 500 mulheres morrem por ano em Moçambique, devido a casos relacionados com a gravidez, parto e pós parto. Estes números assustadores estão basicamente sustentados à hemorragia após parto, sépsis puerperal, a eclâmpsia, a ruptura uterina, devido ao trabalho de parto prolongado ou obstruído e abortos.

Este triste quadro foi apresentado esta quarta-feira pelo ministro da Saúde, Alexandre Manguele, que disse que estas mortes podem ser totalmente evitadas se as mulheres grávidas utilizarem métodos modernos de planeamento familiar para poderem espaçar os nascimentos e se o parto for assistido em unidades sanitárias. Mas acontece porém que a maior parte dos casos de mulheres que perdem a vida por problemas de gravidez registam-se em lugares onde percorre-se quilómetros a pé à procura de uma unidade sanitária. Muitas delas morrerem a caminho do hospital, ou à espera de serem atendidas.

O objectivo do Milénio número 05 preconiza a redução até 2015 para 250 mortes maternas por cada 100 mil nascimentos vivos. Mas em Moçambique dados disponíveis indicam que por cada 100 mil nascimentos vivos morrem 408 mulheres.

Em relação à morte de recém-nascidos até 28 dias de vida ou mortalidade neonatal, o País têm registado uma redução do número de mortes de 59 por 1000 nascimentos em 1990 para 34 por 1000 nascimento em 2011.

Dados oficiais indicam que Moçambique ainda tem uma taxa de prevalência de contracepção em métodos modernos, considerada muito baixa. Em 1997 em cada 100 mulheres casadas ou unidas apenas cerca de 5 estavam a usar métodos de planeamento familiar, tendo aumentado em 2003 para cerca de 12 mulheres e reduzido em 2011 para 11 mulheres.

O Ministério da Saúde diz que a falta de informação correcta, crenças tradicionais e mitos em relação ao planeamento familiar, e fraco envolvimento dos homens, particularmente em relação à utilização de métodos modernos são as principais barreiras do planeamento familiar.

Dois em cada cinco gays também fazem sexo com mulheres em Moçambique

Em Moçambique os homens que fazem sexo com outros homens (gays) estão em maior risco de infecção pelo HIV, com uma prevalência de HIV de 8.2%, 9.1% e 3.7%, respectivamente em Maputo, Beira e Nampula/Nacala. Dois em cada cinco gays tiveram relações sexuais com homens e mulheres ambos no último ano, e um em cada dois HSH não sabia as principais formas de transmissão de HIV. O estudo estimou ainda que haja mais de 15,000 HSH nas três principais áreas urbanas do País.

Estes dados estão contidos no relatório do inquérito integrado biológico e comportamental entre mulheres trabalhadoras de sexo e homens que fazem sexo com homens, apresentado nesta quarta-feira em Maputo pelo Instituto Nacional de Saúde.

Segundo o relatório, pelo menos 90% dos gays seropositivos nas três áreas urbanas referidas quando abordados não sabiam que tinham HIV, além disso, um em cada cinco gays não usou preservativo na sua última relação sexual com um outro homem.

Sobre as Mulheres Trabalhadoras de Sexo (MTS), o estudo revelou que são desproporcionalmente afectadas pelo HIV. A prevalência do HIV neste grupo foi estimada em 31.2%, 23.6% e 17.8% em Maputo, Beira e Nampula, respectivamente, sendo que mais de metade das MTS fizeram sexo por dinheiro pela primeira vez antes dos 18 anos de idade e mais de um quarto das MTS nunca fizeram o teste de HIV: 26,3% em Maputo, 37,0% na Beira, e 40,9% em Nampula. O estudo também mostrou que uma proporção substancial de MTS seropositivas não estava ciente da sua condição: 48,1% em Maputo, 79,8% na Beira, e 89,6% em Nampula.

Participaram do lançamento do relatório, para além do director do Instituto Nacional de Saúde, Ilesh Jani, o director dos Centros de Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA em Moçambique, Edgar Monterroso e José Sousa, investigador da Universidade Eduardo Mondlane.

Detido homem acusado de violar sexualmente seus filhos

Um homem de 42 anos de idade, cuja identidade não nos foi revelada, foi detido na última terça-feira no bairro 6, na cidade de Xai-Xai, província Gaza, acusado de ter violado sexualmente os seus três filhos, todos eles menores de idade, sendo duas meninas e um rapaz. Um deles perdeu a vida em consequência de violação sexual.

A informação foi avançada ao Canalmoz pelo porta-voz do Comando Provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Jeremias Langa, que disse que os menores violados pelo próprio pai são de idades de 2, 8 e 10 anos, respectivamente.

Segundo Jeremias Langa, a Polícia presume que o acto de violação sexual já vinha acontecendo há bastante tempo, situação que obrigou a esposa a transferir duas dos três filhos para a casa da avó.

O porta-voz da PRM em Gaza disse que a criança que morreu era do sexo masculino, com 10 anos de idade, cujo pai vinha praticando sexo anal com o menor.
A Polícia garante que as duas crianças vítimas de abuso sexual do pai e o corpo da terceira já foram submetidos aos exames médicos e os resultados confirmaram o crime.
“As duas estão neste momento em tratamento hospitalar”, conclui a fonte da PRM em Gaza.

Polícia forja “ataque” da Renamo para justificar fuzilamentos

Três indivíduos, supostamente homens armados da Renamo, foram vítimas de uma execução sumária, na madrugada do dia 05 de Dezembro corrente, perpetrada pelos agentes da Força de Intervenção Rápida (FIR), nas matas do povoado de Nthipueh, distrito de Murrupula, a 70 quilómetros da cidade Nampula.

Domingos Talapua, um dos sobreviventes da operação macabra, contou à Imprensa que foram recolhidos para as celas do Comando da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula, na manhã de terça-feira, após terem sido surpreendidos por um grupo de membros do policiamento comunitário, em Mogovolas, a praticar caça furtiva. Talapua só escapou porque fingiu que estava morto após ter sido atingido no pé e nas costas.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Nampula justifica o fuzilamento de dois cidadãos inocentes como sendo resposta a um alegado ataque de supostos homens armados da Renamo às Forças de Defesa e Segurança (FDS no distrito de Murrupula.

Instado pela Imprensa, Miguel Bartolomeu, porta-voz da corporação no Comando Provincial de Nampula, contou uma história nova e disse que os homens fuzilados pelas Forças de Defesa e Segurança vandalizaram infra-estruturas públicas na localidade de Mutholo e apoderaram-se de bens públicos.

Nesta versão, conta Miguel Bartolomeu que a Polícia viu-se forçada a enviar uma unidade para o local que a sua chegada foi recebida com o tiroteio, ao que em respostas “eles também reagiram”.

A fonte não confirma o registo de óbitos no local e nem de feridos por parte das Forças de Defesa e Segurança.

Todavia, a PRM diz ter recuperado uma arma de guerra e dois carregadores, mas como é hábito em casos desta natureza a corporação exibe o material à Imprensa, facto que não aconteceu desta vez.

“É tudo mentira”

O Canalmoz deslocou-se à região de Nthipueh e a versão contada pelos líderes tradicionais locais é completamente diferente da versão da Polícia.
As fontes pediram o anonimato por temerem represália.

Segundo o Canalmoz apurou, “a Polícia trouxe três senhores num carro e quando chegou cá começaram a disparar contra eles e depois foram-se embora”.

Denunciaram que nenhuma infra-estrutura pública foi vandalizada e os homens, em que um escapou, não são da região, o que pressupõe que foram trazidos pela Polícia.

Assassinado cidadão português em Maputo

O caso deu-se na madrugada de ontem. O nosso jornal sabe que já há detidos em conexão com o caso, mas a polícia ao nível da cidade de Maputo ainda não se pronunciou.

Um cidadão de nacionalidade portuguesa, de nome Hermínio Horácio das Naves Costa, foi, ontem, assassinado por um grupo de criminosos ainda a monte, na sua residência, no bairro Costa do Sol, na cidade de Maputo. O crime ocorreu durante a madrugada de ontem, quando os criminosos se introduziram no interior da sua casa.

O mesmo era proprietário duma loja de venda de equipamento de cozinha e decorações no supermercado Super Marés.

Não se sabe o que os assaltantes queriam, mas vizinhos ouvidos pelo nosso jornal presumem que os malfeitores estivessem à procura de dinheiro.

A sua casa, pré-fabricada, foi vandalizada. Saltaram pelo muro e entraram por uma das janelas da parte frontal. No interior, imobilizaram a vítima. Algemaram-na e começaram com a sessão de vasculha. Desorganizaram tudo, em todos os quartos. Na sala, partiram louça, deixando quase tudo desarrumado. Mas não levaram nada de significante. Deixaram até a viaturas, com as respectivas chaves.

Homens armados atacam posição militar na Gorongosa

Homens armados suspeitos de pertencerem à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) atacaram, ontem, uma posição militar na região de Vunduzi, Gorongosa, centro de Moçambique, sem causar vítimas, disse à Lusa o chefe do posto.

Viola Caravina, chefe do posto administrativo de Vunduzi, disse que o grupo disparou contra a posição do exército durante a madrugada, mas recuou de seguida, sem ter causado vítimas.

“Hoje (ontem), às 04h00, os homens armados da Renamo atacaram uma posição das FADM (Forças Armadas de Defesa de Moçambique) na região de Vunduzi”, disse à Lusa Viola Caravina, admitindo haver uma “frequência de ataques”.

Detida mulher acusada de espancar a mãe até à morte

A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve na última segunda-feira uma mulher de 25 anos de idade na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, indiciada de ter morto a sua própria mãe com recurso a pau de pilar.

O porta-voz do Comando Provincial da PRM em Gaza, Jeremias Langa, disse nesta terça-feira ao Canalmoz que o crime ocorreu no passado dia 03 de Dezembro corrente na localidade de Maciene, posto administrativo de Chongoene, no distrito de Xai-Xai, onde a mulher, cuja identidade a Polícia não revelou, teria agredido até à morte a própria mãe usando um pau de pilar. Segundo a PRM em Gaza, quando a jovem apercebeu-se da morte da mãe levou o corpo para o mato, onde teria abandonado a 400 metros da casa, pondo-se de seguida em fuga para parte incerta.

A captura da mulher, ainda de acordo com Jeremias Langa, resultou de diligências feitas pela Polícia e graças à denúncia popular.

“Ela foi neutralizada no dia 9 de Dezembro de 2013, e encontra-se neste momento detida na 2.ͣ Esquadra da PRM”, disse o porta-voz da PRM em Gaza. Não foram avançadas os motivos que levaram a jovem mulher a assassinar a mãe, mas a Polícia diz estar a investigar o caso para esclarecimentos.

“Vendedor de crédito” encontrado com uma pistola em Maputo

Um indivíduo que supostamente se dedica à venda de recargas de telemóveis foi encontrado pela Polícia da República de Moçambique (PRM) no bairro da Malhangalene, na cidade de Maputo, na posse ilegal de uma arma de fogo do tipo pistola. O facto deu-se na Avenida Maguiguana em frente à Clínica Shifer. Só que pouco tempo depois, ainda no local, o indivíduo fugiu deixando a arma com a Polícia.

O referido indivíduo foi mais hábil e flexível que os agentes ao ponto de conseguir correr mais que a própria Polícia. A Polícia, que vinha perseguindo o homem desde o bairro do Alto-Maé, não quis prestar declarações por razões desconhecidas.

O Canalmoz apurou que já no bairro da Malhangalene o suposto vendedor de recargas revelou-se mais inteligente que a Polícia ao desviar a atenção dos agentes, atirando a pistola ao chão. Essa acção fez com que os policiais preocupassem-se mais com a pistola, o que deu tempo do indivíduo escapar-se das mãos da Polícia.

Oficialização da Lambda: “Ministério da Justiça fere direitos fundamentais”

O constitucionalista Gilles Cistac considera que a não aprovação, por parte do Ministério da Justiça, do pedido de oficialização da Lambda, uma organização de defesa de direito de minorias sexuais, é inconstitucional e fere princípios de dignidade humana, liberdade de expressão e o direito de criação de associação.

A Lambda submeteu em 2008 uma petição ao Ministério da Justiça de modo a tornar-se numa associação legalmente constituída. Cinco anos depois este pedido ainda não foi respondido e tornando-o indeferido devido ao tempo.

Gilles Cistac considera que o Ministério da Justiça ao se posicionar desta forma está a cometer inconstitucionalidade.

“Apesar da nossa Constituição não apresentar de forma directa os direitos das minorias sexuais, existem artigos na própria Constituição e direitos internacionais que consagram estes direitos”, disse fazendo menção, entre outros, ao direito à dignidade humana, liberdade de expressão, direito à criação de associação.

Segundo Cistac, um dos argumentos que faz com que o Ministério da Justiça fique em silêncio são questões culturais que parecem estar acima da nossa Constituição. Cistac defende que a Lambda devia processar o Estado por estar a limitar direitos consagrados a cidadãos.

Estes pronunciamentos foram feitos aquando da realização pela Lambda do primeiro simpósio sobre direitos das minorias sexuais, no Complexo Pedagógico, na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo.

Alice Mabota diz que Augusto Paulino está a cumprir “ordens superiores”

A instauração de um processo-crime, por parte da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o Prof. Castel-Branco e a notificação do “Canal de Moçambique” e o “mediaFAX” está a agitar a sociedade civil que fala mesmo de receio da ditadura em Moçambique. Alice Mabota, presidente da Liga dos Direitos Humanos (LDH), diz que caso o processo avance e termine em condenação as liberdades fundamentais estarão ameaçadas. Num longo texto publicado na sua página do Facebook, Alice Mabota acusa o PGR de agir quando recebe ordens superiores e não quando os cidadãos precisam. Mabota desafia o procurador a processá-la também e a todos os moçambicanos que criticam a (des)governação de Armando Guebuza. Eis a seguir o texto na íntegra:

Caros cidadãos e, em particular jornalistas dignos e imparciais. Estamos à porta de encerramento das nossas liberdades fundamentais, sobretudo a liberdade de expressão, de Imprensa e de pensamento. Está tão difícil para mim coordenar ideias que me permitam escrever correctamente, mas se me quiserem processar que o façam. Mandela ficou 27 anos, mas saiu. Bom, talvez porque era jovem. Isto vem a propósito da instauração de processo-crime e iminente condenação do Professor Castel-Branco por ter criticado a governação do Presidente da República.

Dr. Paulino: Quando é que vai começar a aplicar os princípios plasmados na Constituição e nos instrumentos Internacionais de protecção dos direitos, liberdades e garantias fundamentais. Não acha que o caso do Prof. Castel-Branco não merece tribunais? Aliás, tomando em consideração que diariamente vemos e ouvimos dirigentes a pontapearem a Constituição e o senhor nada faz, mas trata-se de casos que merecem tribunais.

Foi no ano passado que o comandante-geral da Polícia rasgou a Constituição com os pés e o senhor não se dignou a reagir à nossa carta e à Ordem dos Advogados exigindo um processo-crime contra o mesmo? Nem o PR dignou-se a exonerá-lo. Há escassos dias foi levantado contra cidadãos questões de racismo e o senhor nada fez. Há escassas horas houve informação que a presidente da Assembleia da República desejou sangue para conquistar Quelimane e o sangue jorrou e o senhor não fez nada, quando nas mesmas circunstâncias o malagueta está a apodrecer na cadeia, porquê tratamento diferenciado? O candidato da Frelimo em Moatize fez das suas e o senhor nada fez senão ridicularizar a sua colega? O Dr. Leopoldo da Costa falsificou o processo da sua recandidatura e o senhor não moveu palha, só para citar alguns exemplos. Que princípios de igualdade V. Excia. aplica? Ora se não vejamos; O chefe de Estado está sujeito a todas as críticas das mais duras porque nos representa e recebe, é por isso que goza de imunidades porque enquanto em exercício não pode ser tocado e nem o nome dele não pode entrar nos fóruns judiciais da mesma maneira que ele também não deve meter ninguém senão em caso de atentado à sua vida que é um bem precioso. Sabe senhor procurador-geral, tal como ele, nós que o povo nos respeita pela nossa função social estamos sujeita(o)s a esse tipo de críticas onde quando muito deveremos dizer e/ou mostrar por A+B que não somos o que a opinião pública pensa de nós. Este tipo de acções só é admissível para um cidadão comum que não presta contas a ninguém. O assunto Clinton foi à hasta pública, mas o amantismo é diário e não ouvimos nada. O assunto do Prof. Castel-Branco, na minha modesta opinião, quando muito o presidente deveria reagir nos termos da lei de Imprensa que é assim como todos agem. Porquê neste caso vertente se vai logo accionar medidas judiciais? Senhor procurador, nos casos de violações graves de direitos humanos, não assistimos a mesma prontidão e recorrer aos tribunais, porquê? O exército está a matar cidadãos no Centro e Norte de País, e o mesmo exército só age quando ordenado pelo seu comandante máximo, porquê então não agir neste caso para exigir a legalidade, Dr. Paulino? A ocultação de cadáveres dos militares que estão a morrer nesta batalha não merece uma investigação para repor a justiça? Como não criticar o PR assim? O que significa direito à informação afinal? Na marcha de Maputo todos criticaram o PR, como o Prof. Castel-Branco criticou e a mídia publicou tudo, será que o procurador vai prender-nos a todos ou a mim, alegando que houve libertinagem contra o PR?

Prezados jornalistas, sociedade civil, activistas caso o processo contra o Prof. Castel-Branco e o jornal Canal de Moçambique sejam condenados preparemo-nos para uma marcha nacional até que seja decidido o contrário e se faça justiça, porque a partir dessa condenação será o fim das nossas liberdades de pensamento, opinião, reunião e expressão.

José Pacheco, Alberto Vaquina e Filipe Nyussi são pré candidatos da Frelimo para as presidenciais de 2014

É oficial. Alberto Vaquina, actual primeiro ministro e membro da Comissão Política do partido Frelimo, José Pacheco, actual ministro da Agricultura e também membro da Comissão Política e Filipe Nyussi actual ministro da Defesa, são os pré candidatos que a Comissão Política do partido Frelimo escolheu para, dentre eles, encontrar o candidato às eleições presidenciais de 2014. Faltam apenas 10 meses para as eleições.

De acordo com um comunicado de imprensa do partido Frelimo, estes nomes foram avançados na reunião da Comissão Política havida nesta quarta-feira. “A Comissão Política, nos termos do artigo 61, no3, alínea j), dos Estatutos da Frelimo, deliberou propor ao Comité Central, para pré-candidatos à candidato da Frelimo, para o cargo de Presidente da República de Moçambique, nas eleições presidenciais de 2014, os camaradas membros da Comissão Política José Candugua Pacheco, Alberto Clementino Vaquina e o Membro do Comité Central, Filipe Nhussi” refere o comunicado.

A reunião do Comité Central que irá deliberar sobre quem, de entre os três pré candidatos, será de facto o candidato da Frelimo às presidenciais, vai decorrer no próximo dia 22 de Dezembro corrente, na escola do partido Frelimo na Matola.

Mas estes nomes foram, na verdade encontrados na reunião havia no sábado último, 07 de Dezembro na vila de Namaacha, província de Maputo. Guebuza reuniu a Comissão Política sem direito a cobertura da imprensa nem secretariado. Com estes três pré-candidatos a Frelimo resolve um antigo mas incómodo problema da regionalização. Todos eles são naturais das zonas centro e norte, o que quer dizer pela primeira vez a Frelimo terá um candidato que não seja da zona sul do País.

Os três pré-candidatos são todos considerados delfins de Guebuza. Assim, confirma-se mais uma vez a imposição da vontade de Armando Guebuza. Consta que a aposta de Armando Guebuza é mesmo José Pacheco, actual ministro da Agricultura e chefe da delegação negocial do Governo na crise político militar com a Renamo. Alberto Vaquina é preferência de Margarida Talapa, chefe da bancada da Frelimo na Assembleia da República, uma das mulheres mais fortes da ala Guebuza. Filipe Nyussi é tido como o homem que vai fazer o “papel de candidato”, mas sem hipóteses de ser escolhido pelo Comité Central.

Ala Chissano sai derrotada

Sabe-se que a ala Chissano também já tinha preparado os seus candidatos, nomeadamente: Luisa Diogo, antiga Primeira-ministra, Eduardo Mulémbwè, antigo presidente da Assembleia da República e Eneias Comiche, antigo edil da cidade de Maputo. Como a ala Guebuza é que controla toda a Comissão Política, estes nomes não colheram simpatia, até porque a relação com a ala Guebuza não é saudável. Estes membros, tidos como competentes e da ala intelectual, têm sido permanentemente combatidos pela ala Guebuza que neste momento parece ter o total controlo sobre o partido. Dia 22 de Dezembro será o dia de todas as decisões, mas a nota assente é que Guebuza tem controlo sobre qualquer um dos três pré candidatos, o que quer dizer que caso o candidato da Frelimo vença as eleições presidenciais, na prática Armando Guebuza continuará a dirigir o País via partido onde é presidente. Foi a estratégia encontrada por Guebuza para não abandonar o poder.

Últimas Notícias Hoje

Chuvas afectam colecta de lixo em Maputo e geram acúmulo de resíduos

As chuvas intensas que têm assolado a cidade e a província de Maputo nos últimos dias estão a dificultar o acesso à Lixeira de...

Combustível chega em grande escala para mitigar impacto económico

A chegada do navio petroleiro MT DEE 4 LARCH aos portos moçambicanos representa um importante alívio para a crise de combustível que tem afectado...

Disparos geram pânico durante jantar com Trump na Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas do jantar anual com jornalistas correspondentes da Casa Branca, na noite deste sábado,...

Banco Mundial prioriza criação de empregos em Moçambique

O Banco Mundial delineou uma nova estratégia para Moçambique, centrando-se na criação de emprego como uma das suas principais prioridades. O enfoque recai sobre...