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Quinta-feira, Julho 9, 2026
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Commonwealth escolhe Lazarus Chakwera como Enviado Especial à Tanzânia

A Commonwealth anunciou a nomeação do antigo Presidente do Malawi, Lazarus Chakwera, como Enviado Especial a Tanzânia, com a missão de liderar esforços para o lançamento de um diálogo nacional, após um período eleitoral tumultuado que gerou tensões políticas no país.

A divulgação foi feita pela Secretária-Geral da Commonwealth, Shirley Botchwey, que revelou que Chakwera realizará uma missão de quatro dias na Tanzânia. Durante esta visita, o ex-presidente irá promover consultas alargadas com as autoridades governamentais tanzanianas, líderes de partidos políticos, grupos da sociedade civil, representantes religiosos e parceiros diplomáticos.

O objectivo principal da missão é estabelecer uma plataforma para negociações inclusivas, com foco na promoção da reconciliação entre as partes envolvidas, a implementação de reformas na governança e a busca pela estabilidade nacional a longo prazo.

A escolha de Lazarus Chakwera para esta função foi motivada pela sua experiência e liderança demonstradas durante o processo de transição de poderes, após a sua derrota nas últimas eleições no Malawi. A Secretária-Geral expressou optimismo em relação à valiosa contribuição que Chakwera poderá trazer para o fortalecimento do diálogo construtivo entre as partes interessadas na Tanzânia.

Chakwera chegou à Tanzânia na terça-feira, onde se agendou reuniões com autoridades governamentais, partidos políticos, grupos da sociedade civil e líderes religiosos, assim como com autoridades tradicionais e parceiros internacionais.

Antes da sua partida para Dodoma, Chakwera declarou sentir-se honrado pela confiança depositada nele e sublinhou que a sua nomeação representa tanto uma honra como uma responsabilidade significativa, que reafirma a confiança global nos valores democráticos do Malawi e no seu compromisso com a defesa da paz.

O antigo presidente do Malawi contará com o acompanhamento do Secretário-Geral Adjunto da Commonwealth, Professor Luis Franceschi. Esperam-se resultados que irão orientar os próximos passos da Secretária-Geral da organização no âmbito do seu mandato de Bons Ofícios.

Analistas observam que a nomeação de Lazarus Chakwera marca uma evolução significativa na sua trajetória pós-presidencial, ao conseguir transcender a política interna e contribuir para a promoção da paz global.

Hidroelétrica de Cahora Bassa investe 446 milhões em hospital de Chitima

O distrito de Cahora Bassa vai contar, nos próximos seis meses, com um novo Hospital Distrital, cuja primeira pedra foi lançada na Vila de Chitima.

Esta iniciativa é promovida pela Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e visa melhorar significativamente o acesso a cuidados de saúde na região.

As comunidades dos distritos de Marara, Magoe, Marávia e Changara enfrentam há anos desafios relacionados com a distância dos serviços de saúde de referência. Muitos pacientes, para realizar exames básicos como Raio-X, têm sido obrigados a deslocar-se até ao Hospital Rural de Songo, uma jornada que se torna particularmente penosa em casos de emergência.

A cerimónia de lançamento da primeira pedra, que coincide com as comemorações dos 50 anos da HCB, simboliza um novo capítulo para a população local. Os utentes do Centro de Saúde de Chitima, que frequentemente necessitam de cuidados médicos urgentes, poderão agora evitar a longa viagem de cerca de 25 quilómetros até Songo.

De acordo com Tomas Matola, Presidente do Conselho de Administração da HCB, o novo hospital terá capacidade para aproximadamente 65 camas e disponibilizará uma gama de serviços essenciais, como consultas externas, bloco operatório, maternidade, enfermarias, morgue, lavanderia e uma casa mãe-espera.

Matola revelou que o investimento total na infraestrutura é de 446 milhões de meticais, o que inclui não apenas a construção, mas também a aquisição de equipamento hospitalar, informático e mobiliário. Assim, no dia da inauguração, a unidade estará pronta para entrar em funcionamento.

A localização do hospital foi estrategicamente escolhida para atender a população de quatro distritos vizinhos, fortalecendo assim o Sistema Nacional de Saúde. A cerimónia foi presidida pelo Ministro da Saúde, Ussen Isse, que enfatizou a importância deste projecto para a saúde da população local.

O ministro destacou que a instalação do hospital representa um avanço significativo nas respostas a situações de urgência, permitindo que doenças que não podem ser transferidas sejam tratadas de forma imediata em Chitima.

A criação do Hospital Distrital de Cahora Bassa também traz uma perspectiva de combate ao desemprego, uma vez que a construção irá gerar postos de trabalho diretos e indiretos.

As obras estão previstas para ser concluídas dentro de seis meses, com exigências de rigor, qualidade e cumprimento dos prazos estabelecidos para o empreiteiro.

Com a nova unidade sanitária, a província de Tete passará a contar com um total de 166 unidades de saúde, ampliando a rede de atendimento e aproximando os serviços das comunidades que mais necessitam.

Nestlé sob acusações por altos níveis de açúcar em Cerelac em Moçambique e África

A Nestlé, uma das maiores empresas de alimentos e bebidas a nível global, enfrenta acusações sérias sobre a venda de produtos para bebés com níveis elevados de açúcar no continente africano. 

Os estudos revelam que os produtos comercializados em Moçambique contêm mais açúcar do que os disponíveis na África do Sul.

Uma investigação efectuada pela organização Public Eye apontou que a empresa tem colocado no mercado africano a linha Cerelac carregada com açúcar na sua fórmula, obtendo assim lucros à custa dos esforços dos pais que tentam melhorar a alimentação dos seus filhos recém-nascidos.

A pesquisa envolveu a recolha de cerca de cem produtos Cerelac em 20 países africanos, incluindo Moçambique, e os resultados mostraram que em 90% dos casos foram adicionados açúcares. Em média, cada porção de Cerelac analisada contém quase seis gramas de açúcar adicionado, o que equivale a cerca de um cubo e meio de açúcar. Este valor representa um aumento de 50% face à média encontrada em investigações anteriores que focaram na Ásia e na América Latina.

A investigação revelou ainda que a maior quantidade de açúcar detectada na África foi de 7,5 gramas por porção, correspondente a quase dois cubos de açúcar, encontrada num produto Cerelac comercializado no Quénia e destinado a bebés com seis meses. No total, cereais infantis da marca Cerelac com pelo menos sete gramas de açúcar adicionado por porção foram identificados em sete países africanos.

Relativamente aos produtos para bebés que não contêm açúcar, estes são oferecidos por empresas concorrentes e importados da Europa para a África do Sul. Em cerca de dois terços dos produtos analisados, a quantidade de açúcar adicionado não constava nas informações nutricionais da embalagem.

Lori Lake, investigadora da Universidade da Cidade do Cabo, comentou que estas práticas refletem uma longa história de colonialismo, exploração e racismo. Ela destacou que a Nestlé parece estar a contribuir para o aumento da obesidade e das doenças relacionadas à alimentação na África, especialmente em áreas rurais onde as mães utilizam frequentemente Cerelac.

Os critérios utilizados pela Nestlé têm sido questionados, uma vez que em mercados mais exigentes, como Alemanha e Reino Unido, todos os produtos Cerelac para bebés com mais de seis meses são isentos de açúcar adicionado. Na Suíça, onde a empresa tem a sua sede, os produtos da marca Cerelac também não contêm açúcar adicionado.

Organizações não-governamentais que participaram da investigação dirigiram um apelo à Nestlé, afirmando que todos os bebés têm o direito a uma alimentação saudável, independentemente da sua nacionalidade ou cor da pele, e exortaram a empresa a agir de forma responsável, tendo em vista que o mundo está a observar.

Hospital Central de Maputo adopta pagamentos electrónicos apenas

O Hospital Central de Maputo (HCM) deixou de aceitar pagamentos em numerário, implementando uma nova política que passou a vigorar desde o início de Novembro. 

A mudança tem como objectivo promover uma maior transparência e segurança nas transacções financeiras relacionadas aos serviços prestados pela instituição.

De acordo com uma circular emitida pela Direcção Administrativa, os utentes devem agora realizar o pagamento através de meios electrónicos, incluindo transferências bancárias, depósitos, pontos de venda (POS) ou carteiras móveis. Esta medida visa aumentar o controle sobre as receitas geradas pelo hospital, bem como reduzir os riscos associados à manipulação de dinheiro.

A direcção do hospital solicita a todos os serviços que promovam a nova norma, destacando a importância do cumprimento rigoroso das novas regras. A decisão é vista como um passo significativo na modernização dos processos administrativos da instituição.

Restrições migratórias nos EUA afectam acesso de adeptos ao Mundial de Futebol 2026

O Mundial de 2026, que ocorrerá entre 11 de Junho e 19 de Julho, será realizado em conjunto pelos Estados Unidos, México e Canadá, e contará pela primeira vez com a participação de 48 selecções.

Entre as selecções já qualificadas, Haiti e Irão fazem parte da lista de países cuja população enfrenta restrições migratórias nos Estados Unidos. Como resultado, os adeptos destas nações poderão encontrar dificuldades significativas para assistir aos jogos ao vivo nas bancadas.

As leis em questão, assinadas pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump, impõem um veto migratório que especifica a exclusão de “qualquer atleta ou membro de uma equipa desportiva, incluindo treinadores, pessoas que desempenham um trabalho de apoio necessário e parentes próximos” que pretendam viajar para o Mundial, Jogos Olímpicos ou outros grandes eventos desportivos.

Sem mudanças nas políticas de imigração, a grande maioria dos cidadãos iranianos e haitianos enfrentarão obstáculos para viajar aos Estados Unidos e apoiar as suas selecções.

O sorteio da fase de grupos do Mundial de 2026 está agendado para o próximo dia 05 de Dezembro, em Washington DC.

Dois jurados abandonam Miss Universo em meio a acusações de manipulação

Dois jurados do concurso Miss Universo decidiram renunciar à sua participação dias antes da cerimónia que elegerá a 74.ª vencedora, levantando sérias acusações contra a organização do evento. 

O músico franco-libanês Omar Harfouch foi o primeiro a anunciar a sua saída, alegando que as finalistas foram pré-selecionadas por um “júri improvisado” de 30 jurados, que, segundo ele, incluía indivíduos com relações pessoais com algumas concorrentes.

A polémica em torno do concurso intensificou-se após um representante da Tailândia ter proferido um discurso incendiário contra a Miss México, o que levou várias candidatas a retirarem-se do evento pré-concurso em protesto. A situação agravou-se com a renúncia de Harfouch, que utilizou as redes sociais para expor a sua insatisfação, afirmando que a selecção das finalistas ocorreu “sem a presença de nenhum dos [oito] membros reais do júri”.

Poucas horas depois, o técnico de futebol francês Claude Makélélé também abandonou o júri, embora tenha citado “motivos pessoais imprevistos”. Harfouch manifestou a sua intenção de considerar a possibilidade de uma ação legal contra a organização do concurso, revelando um clima de descontentamento crescente entre os jurados.

Com a final do concurso à porta, as controvérsias em torno da sua organização continuam a suscitar debates e preocupações sobre a transparência e a integridade do evento.

Ordem dos Engenheiros de Moçambique inova com voto electrónico em 2026

A Ordem dos Engenheiros de Moçambique (OrdEM) anunciou que se prepara para realizar as suas eleições no dia 26 de Fevereiro de 2026, introduzindo pela primeira vez o voto electrónico. Este será o quinto sufrágio desde a fundação da agremiação.

Cerca de 4.000 engenheiros efectivos, cujas situações estão regularizadas, poderão escolher os novos órgãos sociais para o período de 2026 a 2030, num processo totalmente conduzido por meio electrónico. Apesar da filiação actual de aproximadamente 9.240 membros, apenas os engenheiros efectivos que estão em conformidade estatutária terão direito de voto, resultando assim numa participação inferior à metade do total de membros.

As informações sobre o processo eleitoral foram divulgadas durante uma conferência de imprensa, pela Mesa da Assembleia Geral da OrdEM, constituída pelos engenheiros Nelson Boete, Silvino Moreno e Elca Ramos, com a colaboração de Giovane Massinga, representante da Electricidade de Moçambique (EDM), entidade parceira na implementação da solução tecnológica de votação.

Nelson Boete, Presidente da Mesa da Assembleia Geral, elogiou a considerável evolução da Ordem, que iniciou as suas actividades em 2004 com apenas 760 inscritos. Actualmente, o número foi multiplicado por mais de dez, permitindo a expansão para nove colégios profissionais, em vez dos cinco anteriormente existentes, que abrangiam áreas como Engenharia Civil, Electrotécnica, Mecânica, Química, Agronómica e Florestal.

Boete ressaltou as vantagens do modelo electrónico, que possibilita a participação dos engenheiros em qualquer lugar, bastando para tal aceder à plataforma designada. O sistema também garante transparência e divulgação de resultados no próprio dia da votação. Giovane Massinga reiterou que a cooperação entre a EDM e a OrdEM começou em 2021, em resposta à necessidade de garantir eleições seguras durante o contexto pandémico. “A EDM desenvolveu a plataforma usada em 2021 e está agora a fortalecer o sistema,” afirmou.

Massinga explicou que a solução adoptada se baseia em quatro pilares fundamentais: autenticação rigorosa dos usuários, sigilo absoluto do voto, contagem automática e em tempo real, e acessibilidade total, garantindo funcionamento em todo o território nacional e na diáspora.

Silvino Moreno informou ter sido aprovado um regulamento eleitoral específico, que define os critérios de elegibilidade e constitui uma comissão eleitoral composta por engenheiros da própria Ordem. O processo será também supervisionado pela Ordem dos Advogados de Moçambique.

Elca Ramos destacou o aumento significativo de jovens no sector e apelou à sua activa participação. “É fundamental que os jovens regularizem a sua situação e se envolvam na vida da Ordem. A criatividade e as novas ideias que trazem podem impulsionar o desenvolvimento da classe,” frisou.

Ramos também observou que muitos jovens questionam o papel da Ordem, mas enfatizou que “o crescimento colectivo só será possível se todos contribuírem diariamente para fortalecer a instituição.”

A OrdEM, presente em quase todas as províncias de Moçambique e com representação a consolidar apenas em Niassa, operações formais desde 2004, após a aprovação dos seus estatutos em 2002, prepara agora a sua quinta eleição, sublinhando um percurso de regularidade institucional e crescente profissionalização.

Guiné-Bissau realiza primeiras eleições totalmente financiadas internamente

A Guiné-Bissau prepara-se para realizar, no próximo dia 23 de Novembro, as primeiras eleições que serão totalmente financiadas pelo país, sem qualquer apoio externo. 

Este processo abrange todos os aspectos, desde a elaboração dos cadernos eleitorais até à impressão dos boletins de voto, conforme anunciado pelo Governo guineense.

O orçamento destinado a este ato eleitoral é de aproximadamente três mil milhões de francos CFA, o que corresponde a mais de 4,5 milhões de euros, segundo informações divulgadas pela agência de notícias ANG.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, já havia sinalizado, no início de 2025, a importância deste financiamento interno, considerando-o uma “questão de soberania”. Para tal, foi criado um fundo da democracia com este propósito.

Em declarações anteriores, o chefe de Estado enfatizou que a comunidade internacional poderia acompanhar o processo eleitoral previsto para domingo, referindo-se à possibilidade de enviá-los como observadores nas eleições presidenciais e legislativas que terão lugar em simultâneo.

As eleições legislativas de 2023 tinham um orçamento estimado em cerca de 12 milhões de euros, com o Governo a anunciar que 70% desse valor seria assegurado pelo Estado guineense. Anteriormente, a quase totalidade dos custos eleitorais era coberta pela comunidade internacional.

Em Março de 2023, o Governo guineense estabeleceu um acordo com as Nações Unidas, por meio do Programa das Nações Unidas de Apoio ao Desenvolvimento (PNUD), que previa um apoio financeiro de 5,3 milhões de euros para o Projecto de Apoio aos Ciclos Eleitorais, entre 2023 e 2025. Este projecto visa reforçar as instituições, assim como promover a educação cívica e os valores democráticos.

As eleições de 2023 contaram com a participação de missões de observação da União Africana, chefiada pelo ex-Presidente moçambicano Joaquim Chissano, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP), liderada pela Comissão Nacional de Eleições de Portugal. A União Europeia também prestou apoio à Célula de Monitorização Eleitoral, em parceria com o PNUD, envolvendo diversas organizações da sociedade civil guineense.

PRM detém falso agente do SISE em Pemba

A Polícia da República de Moçambique (PRM) anunciou, esta tarde, a detenção de um indivíduo que se fazia passar por agente do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) na cidade de Pemba. 

Eugénia Nhamússua, porta-voz da PRM, afirmou que o detido apresentava uma credencial do SISE e exercia as suas actividades nos distritos de Palma, Mocímboa da Praia e Mueda. O suspeito estava sob vigilância das autoridades há algum tempo e a sua captura foi um desdobramento das investigações em curso.

A porta-voz revelou que a PRM está a investigar a autenticidade e a origem da credencial utilizada pelo indivíduo. Além disso, na mesma ocasião, a PRM apresentou um jovem que se encontra indiciado de falsificação de assento de nascimento, com o intuito de facilitar o seu ingresso nas fileiras da corporação.

Matola cria associações para fortalecer o sector empresarial

A cidade da Matola deu início a um processo inovador de estruturação da representação do seu empresariado, com a criação de associações sectoriais.

Esta medida visa fortalecer a coordenação entre os agentes económicos e a administração municipal.

O presidente do Município de Matola, Júlio Parruque, salientou que a iniciativa pretende responder às exigências de um ambiente de crescimento sustentável nas áreas comercial, industrial e de serviços na região. “A criação de associações permitirá organizar cada sector, identificar desafios comuns e consolidar parcerias que favoreçam um ambiente de negócios mais previsível e competitivo”, declarou Parruque.

Faruck Osmar, presidente da Federação Empresarial da Matola, corroborou a importância desta iniciativa, afirmando que a formação de associações sectoriais promove inclusividade empresarial e facilita a articulação com instituições públicas, além de mecanismos de financiamento. Esta abordagem permitirá aos empresários uma resposta mais eficaz aos desafios económicos que se deparam.

A expectativa é que, com a estruturada colaboração entre os distintos sectores, os empresários sejam mais bem equipados para enfrentar as adversidades do mercado e contribuir para o desenvolvimento económico da Matola.

Incêndio na Blue Zone da COP30 força evacuação em Belém

Um incêndio deflagrou na tarde de quinta-feira (20) no pavilhão que alberga os países na Blue Zone da COP30, em Belém, Pará, resultando na evacuação imediata da área restrita da conferência. 

A organização do evento informou que as chamas foram rapidamente controladas e não há registos de feridos.

De acordo com testemunhas, o fogo começou nas proximidades do pavilhão da África. Marcelo Rocha, um dos participantes, descreveu ao Metrópoles que se encontrava entre o espaço africano e o Climate Live – Entertainment and Culture quando houve uma falha de energia, seguida da aparição das primeiras chamas. “As pessoas começaram a correr para sair. Foi tudo muito rápido”, relatou.

As primeiras informações indicam que um curto-circuito poderá ter sido a causa do incêndio, levando ao desligamento total do sistema eléctrico na área afectada. Técnicos já estão a investigar as circunstâncias que levaram ao incidente.

Durante uma colectiva de imprensa, o ministro do Turismo, Celso Sabino, enfatizou que a segurança dos participantes é a principal prioridade. “Pode ter sido um curto-circuito, mas isso só será confirmado pelos especialistas”, afirmou.

A organização da COP30 comunicou que os bombeiros e as equipas de segurança reagiram prontamente e continuam a monitorizar a situação.

A Blue Zone, administrada pela UNFCCC, é o espaço onde ocorrem as negociações oficiais, encontros de líderes e pavilhões nacionais, representando a vertente mais sensível e diplomática da conferência, com acesso restrito a delegações, chefes de Estado, observadores e imprensa credenciada.

Nesta primeira semana da COP30, os debates centram-se na adaptação climática, no financiamento, na transição justa e no futuro dos combustíveis fósseis. Apesar do incidente, a expectativa é que a programação possa ser retomada assim que as áreas afectadas sejam liberadas.

Reitor da UEM convoca academia para futuro digital em Moçambique

O Reitor da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Manuel Guilherme Júnior, apelou à comunidade académica para unir esforços na construção de um futuro digital em Moçambique. 

O seu pedido ocorreu durante uma mesa redonda sob o lema “O papel da UEM no desenvolvimento das TIC em Moçambique ao longo dos 50 anos de Independência nacional”.

Manuel Guilherme Júnior sublinhou os avanços significativos da UEM, enfatizando o reposicionamento estratégico da instituição para se adaptar a modelos modernos de transferência de conhecimento. Através do seu discurso, o Reitor destacou que, ao longo de cinco décadas, a UEM tem desempenhado um papel fundamental na criação das bases tecnológicas que sustentam muitos dos sistemas informáticos e infraestruturas digitais em Moçambique.

O Director do Centro de Informática da UEM (CIUEM), Domingos Neves, referiu que a mesa redonda possibilitou o fortalecimento da ligação entre gerações, ao reunir antigos directores com as actuais equipas e estudantes. Este encontro simboliza compromisso e responsabilidade em relação ao futuro da instituição e do país.

Durante a reunião, foram compartilhadas experiências de antigos directores do CIUEM, que discutiram marcos relevantes na trajectória das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) em Moçambique, bem como os desafios e perspectivas futuras no contexto da transformação digital.

Na ocasião, vários antigos directores do CIUEM foram homenageados pelo seu contributo ao desenvolvimento das TIC. Entre os distinguidos, Teresa Alfaro Cardoso, que liderou o CIUEM entre 1989 e 1992, considerou a homenagem um momento de reflexão sobre a história da instituição. O Professor Doutor Francisco Mabila Chamango, que exerceu funções durante dez anos (2007-2017), elogiou o empenho da UEM em acompanhar as novas dinâmicas tecnológicas, como a Inteligência Artificial.

O evento também incluiu uma homenagem póstuma ao Professor Venâncio Simão Massingue, com o Reitor da UEM afirmando que os legados de Venâncio ultrapassam os limites institucionais.

Este encontro realiza-se no âmbito das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, reforçando o papel crucial da UEM no desenvolvimento das TIC em Moçambique.

Vagas de emprego do dia 20 de Novembro de 2025

Foram publicadas hoje, dia 20 de Novembro no site MMO Emprego as seguintes oportunidades de emprego em Moçambique:

Clique aqui para baixar a edição em PDF.

Vagas de emprego abertas para hoje:

1. Vaga para Técnico de Logística

A Mota-Engil pretende recrutar um (1) Técnico de Logística. Saiba mais.

2. Vaga para Técnico de Medições

A Mota-Engil pretende recrutar um/a (1) Técnico/a de Medições. Saiba mais.

3. Vaga para Child Protection Officer

A UNICEF pretende recrutar um (1) Child Protection Officer. Saiba mais.

Vagas de emprego ainda abertas

1. Vaga para Field Technicians for Miombo Woodlands

A Food and Agriculture Organization (FAO) pretende recrutar um (1) Field Technicians for Miombo Woodlands. Saiba mais.

2. Vaga para Quality Manager (SHEQ)

A Mota-Engil pretende recrutar um (1) Quality Manager (SHEQ). Saiba mais.

3. Vaga para Country Warehouse & Inventory Controls Manager

A AB InBev pretende recrutar um (1) Country Warehouse & Inventory Controls Manager. Saiba mais.

4. Vaga para Biólogo ou Técnico Superior de Laboratório

ONG que opera na área de saúde, pretende admitir para o seu quadro de pessoal um (1) Biólogo ou Técnico Superior de Laboratório. Saiba mais.

5. Vaga para Técnico de Laboratório

ONG que opera na área de saúde, pretende admitir para o seu quadro de pessoal um (1) Técnico de Laboratório. Saiba mais.

6. Vaga para Técnico de Medicina Geral

ONG que opera na área de Saúde, pretende admitir para o seu quadro de pessoal um (1) Técnico de Medicina Geral. Saiba mais.

7. Vaga para Gestor da Qualidade – Projeto (SHEQ)

A Mota-Engil pretende recrutar um/a (1) Gestor/a da Qualidade – Projeto (SHEQ). Saiba mais.

8. Vaga para Engenheiro Mecânico – Gestão de Equipamento

A Mota-Engil pretende recrutar um/a (1) Engenheiro/a Mecânico – Gestão de Equipamento. Saiba mais.

9. Vaga para Executive Associate

A UNICEF pretende recrutar um (1) Executive Associate. Saiba mais.

10. Vaga para HR Expat Coordinator

A McDermott International pretende recrutar um (1) HR Expat Coordinator. Saiba mais.

11. Vaga para Assistente Comercial e Administrativo(a)

A CRH Consultores, Lda pretende recrutar um/a (1) Assistente Comercial e Administrativo(a). Saiba mais.

12. Vaga para Gestor de Mercadorias – (Matola)

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Gestor de Mercadorias – (Matola). Saiba mais.

13. Vaga para Senior Manager, Africa Region, Partnership for Healthy Cities

A Vital Strategies pretende recrutar um (1) Senior Manager, Africa Region, Partnership for Healthy Cities. Saiba mais.

14. Vaga para Diretor Adjunto de Projeto

A Mota-Engil pretende recrutar um (1) Diretor Adjunto de Projeto. Saiba mais.

15. Vaga para Diretor de Recursos Humanos – Projeto

A Mota-Engil pretende recrutar um/a (1) Diretor/a de Recursos Humanos – Projeto. Saiba mais.

16. Vaga para Senior HR Business Partner – Technology

A Vodafone pretende recrutar um (1) Senior HR Business Partner – Technology. Saiba mais.

17. Vaga para Special Projects Manager: Maputo National Park

A Peace Parks Foundation pretende recrutar um (1) Special Projects Manager: Maputo National Park. Saiba mais.

18. Vaga para Consultor – Recursos Humanos

A Deloitte pretende recrutar um (1) Consultor com experiência em Recursos Humanos. Saiba mais.

19. Vaga para Contabilista

A PANGARA S.A. pretende recrutar uma (1) Contabilista. Saiba mais.

20. Vaga para Methods, Compliance, and Information Management Coordinator

A TotalEnergies pretende recrutar um (1) Methods, Compliance, and Information Management Coordinator. Saiba mais.

21. Vaga para District Field Technician

A Food and Agriculture Organization (FAO) pretende recrutar um (1) District Field Technician. Saiba mais.

22. Vaga para Chefe de Armazém

A Mota-Engil pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Chefe de Armazém. Saiba mais.

23. Vaga para Mozambique Enterprise Growth Market Leader

A Baker Hughes pretende recrutar um (1) Mozambique Enterprise Growth Market Leader. Saiba mais.

24. Vaga para Head Chef

A International Facilities Services (IFS) pretende recrutar um (1) Head Chef. Saiba mais.

25. Vaga para CSU Assistant

A World Health Organization (WHO) pretende recrutar um (1) CSU Assistant. Saiba mais.

26. Vaga para Site Environmental Advisor

A Saipem pretende recrutar um (1) Site Environmental Advisor. Saiba mais.

27. Vaga para Gestor de Monitoria e Avaliação

A Handicap International/Humanity & Inclusion (HI) pretende recrutar um (1) Gestor de Monitoria e Avaliação. Saiba mais.

28. Vaga para Pasteleiro

Empresa pretende recrutar um (1) Pasteleiro. Saiba mais.

29. Vaga para Padeiro

Empresa pretende recrutar um (1) Padeiro. Saiba mais.

30. Vaga para Gestor de Compras (Interno)

Empresa pretende recrutar um (1) Gestor de Compras (Interno). Saiba mais.

31. Vaga para Executivo B2B

Empresa pretende recrutar um (1) Executivo B2B. Saiba mais.

32. Vaga para Técnico de Cobranças

Empresa pretende recrutar um (1) Técnico de Cobranças. Saiba mais.

33. Vaga para Gestor de Logística

Empresa pretende recrutar um (1) Gestor de Logística. Saiba mais.

34. Vaga para Procurement Specialist

A World Bank pretende recrutar um (1) Procurement Specialist. Saiba mais.

35. Vaga para Supply Manager

A Action Contre La Faim pretende recrutar um (1) Supply Manager. Saiba mais.

36. Vaga para Health and Nutrition Officer

A Johanniter International Assistance pretende recrutar um (1) Health and Nutrition Officer. Saiba mais.

37. Vaga para Health and Nutrition Manager

A Johanniter International Assistance pretende recrutar um (1) Health and Nutrition Manager. Saiba mais.

38. Vaga para Director do Projecto SBIS

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Director(a) do Projecto She Belongs In School – Ela Pertence à Escola (SBIS). Saiba mais.

39. Vaga para Project Officer

A COSV pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Project Officer. Saiba mais.

40. Vaga para Accountant and Finance Officer

A COSV pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Accountant and Finance Officer. Saiba mais.

Equipamento de radioterapia no Hospital Central de Maputo sofre nova avaria

O Ministro da Saúde de Moçambique, Ussene Isse, anunciou que o equipamento de radioterapia do Hospital Central de Maputo (HCM), a maior instituição de saúde do país, sofreu danos novamente devido a uma falha eléctrica.

Esta situação impede o tratamento de pacientes com cancro, uma vez que o equipamento, que tinha sido reintroduzido há dois meses após 15 meses fora de serviço, voltou a falhar.

O serviço de radioterapia no HCM foi estabelecido em 2019, com um investimento de 17 milhões de dólares na construção e equipagem da secção de oncologia. O HCM é actualmente a única instalação de saúde pública em Moçambique a disponibilizar este tipo de tratamento.

Isse explicou que o problema está a ser resolvido e que o governo se compromete a restabelecer o serviço com brevidade. “A falha ocorreu devido a um pico de tensão, que danificou uma placa de circuito responsável pela ligação dos componentes da máquina”, referiu. “A avaria destruiu esta placa, que não estava disponível no país. Tivemos de encomendá-la do exterior, e já chegou a Maputo.”

O ministro revelou que equipas técnicas estão a trabalhar intensamente para repor o serviço, sem descanso. “Temos de devolver este tratamento ao povo moçambicano com a maior urgência possível”, afirmou.

Isse acrescentou que não prefere estabelecer prazos, pois isso cria uma pressão desnecessária. Contudo, garantiu que esta avaria é diferente da anterior e tem uma solução. “Acreditamos que será resolvida em breve. Sabemos que a maioria da nossa população não pode arcar com os custos de tratamento no exterior e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para agilizar este processo e reabilitar a radioterapia rapidamente. Reconhecemos que esta é a única máquina no país”, concluiu.

Águas de Moçambique assume gestão do património público de água e saneamento

O Governo de Moçambique anunciou a reestruturação das instituições de gestão das águas, uma medida que permitirá uma poupança anual de aproximadamente 600 milhões de meticais, equivalentes a 9,3 milhões de dólares ao câmbio corrente.

A informação foi divulgada pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, durante o habitual briefing à imprensa, na sequência da 39.ª sessão ordinária deste órgão. Esta reestruturação resulta na redução do número de servidores públicos de 34 para 24, implicando a extinção de 10 cargos.

No âmbito de tais mudanças, foi criada a entidade Águas de Moçambique (AdM), que assume a responsabilidade pela gestão do património público relacionado com o abastecimento de água e saneamento. Em contrapartida, foi extinta a Administração de Infra-estruturas de Água e Saneamento (AIAS).

O Governo estabeleceu também o Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água e Saneamento (FIPAAS), destinado à mobilização de financiamento, desenvolvimento e expansão do património público neste sector. O FIPAAS terá a seu cargo a gestão dos programas de desenvolvimento de infra-estruturas públicas que proporcionam abastecimento de água e saneamento.

Adicionalmente, foram aprovadas a criação de Sociedades de Água e Saneamento para cada província, abrangendo Maputo, Gaza e Inhambane (sul); Sofala, Manica, Tete e Zambézia (centro); e Nampula, Niassa e Cabo Delgado (norte). Esta iniciativa visa promover a descentralização e a sustentabilidade do serviço público, ao mesmo tempo que melhora a qualidade e a disponibilidade do abastecimento de água, contribuindo para a redução de assimetrias regionais.

Impissa elucidou que, com esta nova estrutura, haverá uma única administração a nível central, complementada por administradores e delegados nas províncias. A redução do número de agentes de topo permitirá uma poupança significativa, que será reinvestida no sector e em outras áreas prioritárias.

Para facilitar esta reorganização, foram extintas também as entidades responsáveis pela gestão das águas nas várias regiões do país. O porta-voz sublinhou que esta medida se insere no esforço de reestruturação do sub-sector, visando a sustentabilidade e a melhoria do serviço prestado aos cidadãos.

Governo moçambicano apela a cooperação africana no combate ao tráfico de drogas

O Governo de Moçambique manifestou a sua intenção de que os países africanos estabeleçam mecanismos e estratégias claras para acelerar a redução do tráfico e do consumo de drogas e outras substâncias psicoactivas.

A declaração foi feita pelo ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, durante a abertura da Reunião Técnica Continental sobre a Validação do Plano da União Africana para o Controlo da Droga e Prevenção do Crime.

O evento, realizado na capital moçambicana, reúne delegados de vários países africanos com o objectivo de elaborar um projecto consensual que inclua uma lista de pilares estratégicos. Este documento deverá conter componentes fundamentais como prevenção, tratamento, aplicação da lei, sistemas de dados, defesa e comunicação, bem como medidas relacionadas ao consumo de álcool, entre outros assuntos relevantes.

Os participantes do encontro discutirão a importância de uma abordagem colaborativa e integrada para enfrentar os desafios impostos pelo tráfico de drogas e suas consequências sociais e económicas.

Estrada intransitável em KaLanga ameaça sustento de agricultores

Uma quantidade considerável de produtos agrícolas provenientes de KaLanga, situado no distrito da Manhiça, encontra-se em sério risco de ser perdida devido ao estado avançado da única via de acesso que liga a localidade aos principais mercados da vila distrital e ao mercado do Zimpeto, na cidade de Maputo.

A degradação da via terraplanada, que se estende por cerca de 25 quilómetros, tem sido agravada durante os dias chuvosos, em consequência da circulação intensa de camiões e tractores. Esta situação foi denunciada por Sarlina Nhassengo, chefe do Posto Administrativo de KaLanga, que alertou para a urgente necessidade de intervenção nas infraestruturas.

Os agricultores da região estão a viver momentos de desespero, tendo em conta que, neste ano, a produção de mandioca e batata-doce alcançou níveis elevados. A incapacidade de escoar a produção adequadamente coloca em risco a subsistência de muitas famílias que dependem da agricultura como principal fonte de rendimento.

Operação policial na Vila Kennedy resulta em duas mortes e feridos no Rio de Janeiro

Uma operação policial na Vila Kennedy, na zona Oeste do Rio de Janeiro, Brasil, culminou em dois mortos e pelo menos quatro feridos.

A acção, que visava conter a expansão territorial do Comando Vermelho (CV), o principal grupo criminoso da região, gerou confrontos entre as autoridades e os suspeitos.

De acordo com informações da polícia, os operacionais foram recebidos a tiros ao chegarem ao local da operação. Durante a acção, foi apreendida uma significativa quantidade de drogas numa escola que supostamente servia como esconderijo para traficantes.

Além da apreensão de drogas, o portal g1, da Globo, reportou que armamentos de guerra foram encontrados dentro do veículo dos suspeitos. No total, cinco indivíduos foram detidos durante a operação.

As autoridades continuam a investigar a situação, reforçando o esforço para combater o tráfico de drogas e a criminalidade na área.

CADFund: 10 mil milhões para alavancar inclusão económica e modernização em Moçambique

O Fundo de Desenvolvimento China-África (CADFund), que conta com um investimento total de 10 mil milhões de dólares norte-americanos, tem promovido uma transformação estrutural significativa em África, com Moçambique a destacar-se como um dos países onde os efeitos são mais evidentes.

Um exemplo notável mencionado é o Projecto Agrícola Wanbao Moçambique, localizado nas margens do Rio Limpopo, na província de Gaza. Esta iniciativa transformadora no sector agrícola resulta da colaboração entre técnicos chineses e agricultores locais, com a introdução de técnicas modernas de cultivo de arroz que duplicaram a produtividade.

As informações foram divulgadas por Guo Lie, representante oficial do CADFund, em entrevista à AIM durante a Conferência de Parceria Africana do Fórum dos Media e Grupos de Reflexão do Sul Global, realizada em Joanesburgo, África do Sul.

Guo Lie destacou que, para além do aumento da produção agrícola, o projecto contribui para o reforço da segurança alimentar e da capacidade agrícola local, estabelecendo um modelo de cooperação que integra transferência de tecnologia, formação e integração económica.

Fundado em 2006 como o primeiro fundo de capitais exclusivamente voltado para África, o CADFund opera com um volume total de 10 mil milhões de dólares, movimentando investimentos que abarcam 39 países e desencadeiam mais de 32 mil milhões de dólares adicionais provenientes de empresas chinesas.

A representante do CADFund salientou ainda que a presença chinesa em Moçambique não se limita ao sector agrícola. Através da plataforma do CADFund, empresas privadas e estatais da China têm investido em áreas prioritárias como infraestruturas, agro-indústria e formação juvenil, alinhando-se com as prioridades nacionais de modernização e diversificação económica.

Além disso, Guo Lie sublinhou que o desenvolvimento de Moçambique está interligado ao crescimento dos países vizinhos, apresentando diversos projectos regionais, como as iniciativas na Tanzânia, focadas na agricultura e na indústria. Um exemplo é o projecto de plantação de sisal, o qual emprega 700 trabalhadores e cobre mais de 2600 hectares, contribuindo assim para a revitalização agrícola e para a criação de empregos em áreas rurais carenciadas.

Na África do Sul, a indústria de energia verde tem sido impulsionada por investimentos, como a fábrica da Hisense, que produz anualmente 500 mil frigoríficos e um milhão de televisores, gerando quatro mil empregos locais. Destaca-se também o projecto fotovoltaico da GCL-Poly, que fornece entre 280 e 300 milhões de kWh de energia renovável anualmente, fortalecendo a transição energética na região.

Em Gana, é ressaltada a Central Termoeléctrica de 560 MW, capaz de fornecer 15% da energia do país e mitigar a crónica escassez de energia, enquanto a companhia AWA, apoiada pelo CADFund, aprimora a conectividade aérea na África Ocidental com uma taxa de ocupação superior a 70%.

Guo Lie referiu que, apesar de muitos dos projectos estarem fora das fronteiras de Moçambique, o seu impacto é significativo na dinâmica económica regional, ao fortalecer cadeias de valor e promover uma maior integração entre mercados.

A actual estratégia do CADFund enfatiza não apenas o investimento físico, mas também a importância de uma nova geração de projectos focados na inovação digital, industrialização verde e desenvolvimento humano. Por exemplo, a China Telecom e a China Mobile, ambas apoiadas pelo fundo, têm expandido a cobertura de telecomunicações em toda a África e estão a implementar o primeiro sistema de cabos submarinos que conectará os litorais oriental e ocidental do continente.

Para Moçambique, onde o acesso digital enfrenta desafios, estas infraestruturas representam oportunidades de inclusão e competitividade. No sector da saúde, a interligação com projectos como a fábrica farmacêutica no Mali, tem sido crítica para o abastecimento regional de medicamentos essenciais.

Nos próximos anos, a implementação do Plano de Acção de Pequim 2025–2027 do Fórum de Cooperação China-África irá centrar-se em modernização ecológica, capacidade produtiva, digitalização e integração económica. O CADFund compromete-se a intensificar o apoio financeiro e técnico, sempre orientado pelo mercado e respeitando os princípios de investimento responsável.

Guo Lie concluiu a entrevista afirmando que o ciclo de investimento representa uma oportunidade estratégica para Moçambique e seus vizinhos, não apenas para financiar infraestruturas, mas para desenvolver competências, diversificar exportações, consolidar cadeias de valor e criar empregos qualificados, pilares fundamentais para um crescimento sustentável.

 

Total Energies é acusada de crimes de guerra em Cabo Delgado

O Centro Europeu para Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) apresentou uma queixa-crime contra a empresa francesa de petróleo e gás, Total Energies, por alegada cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimentos forçados de civis na província nortenha de Cabo Delgado.

A Total lidera o Projecto de Gás Natural Liquefeito (LNG) em Moçambique, situado na península de Afungi, no distrito de Palma.

Este projecto, avaliado em cerca de 20 mil milhões de dólares, encontra-se suspenso desde 2021, quando a Total declarou o estado de “força maior” após um ataque terrorista significativo à cidade de Palma. Contudo, em Outubro passado, a empresa anunciou o levantamento do estado de “força maior” e a retoma do projecto de LNG.

A queixa-crime, apresentada em França, sustenta que “a empresa financiou directamente e apoiou materialmente a Força Tarefa Conjunta, composta por Forças Armadas Moçambicanas, que entre Julho e Setembro de 2021, alegadamente deteve, torturou e assassinou dezenas de civis no local de gás da Total Energies”. A queixa foi submetida ao Procurador Nacional Antiterrorismo (PNAT) francês, que tem também o mandato de investigar crimes internacionais.

O documento refere que “este processo surge num momento em que a Total Energies anunciou o levantamento da força maior declarada em Abril de 2021 no seu projecto de gás natural liquefeito, embora o conflito continue a persistir, com ataques mortais a intensificar-se e uma crise humanitária significativa a agravar-se”. O reinício definitivo do projecto permanece, no entanto, dependente da concordância do governo moçambicano em relação ao orçamento revisto da Total Energies e à cobertura dos custos adicionais de 4,5 mil milhões de dólares.

As alegações da queixa-centram-se no chamado “massacre do contentor” nas instalações da empresa. Estas denúncias foram inicialmente reportadas pelo jornal Politico em Setembro de 2024, seguidas pela SourceMaterial e Le Monde.

Segundo os relatos, “os civis estavam a fugir das suas aldeias em resultado de ataques do Al-Shabab quando foram interceptados pelo exército. Os detidos foram vítimas de tortura, sujeitos a desaparecimentos forçados e alguns deles foram executados. Em Setembro de 2021, os últimos 26 detidos foram libertados”.

A Força Tarefa Conjunta foi estabelecida através de um memorando de 2020 entre a subsidiária da Total Energies em Moçambique e o governo moçambicano, atuando como uma unidade de segurança dedicada à proteção das operações do projeto de gás natural liquefeito.

De acordo com a organização, a Total Energies tinha conhecimento das acusações de violações sistemáticas de direitos humanos por parte das Forças Armadas Moçambicanas, mas continuou a apoiá-las com o único objetivo de garantir a segurança das suas operações.

Clara Gonzales, do ECCHR, declarou que “a ligação da Total Energies com as forças armadas locais e a gravidade das alegações deve levar à abertura de uma investigação pelas autoridades judiciais francesas. As empresas e os seus executivos não são actores neutros quando operam em zonas de conflito: se possibilitam ou alimentam crimes, podem ser cúmplices e devem ser responsabilizados”.

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