Destaque Cidadãos moçambicanos regatados após recrutamento ilegal na RCA

Cidadãos moçambicanos regatados após recrutamento ilegal na RCA


Três cidadãos moçambicanos, dos 14 que tinham sido recrutados ilegalmente por um nacional chinês, regressaram ao aeroporto de Chimoio, na província de Manica, no centro de Moçambique.

O grupo, inicialmente composto por 14 indivíduos, foi levado para a República Centro-Africana (RCA) com a promessa de emprego numa mina de exploração de ouro. Contudo, 11 desses cidadãos ainda permanecem desaparecidos, com esforços a decorrer para localizar outras possíveis vítimas deste esquema.

Os três repatriados têm idades compreendidas entre os 21 e 49 anos. Abílio Mate, porta-voz da Direcção Provincial de Migração de Manica, informou que o grupo que regressou era constituído por sete pessoas, tendo quatro desaparecidos na cidade de Ndele, na RCA, antes de conseguirem retornar a Moçambique.

“Todas as condições foram criadas para que eles regressassem ao seu lar. No entanto, quatro pessoas desapareceram naquele país. As diligências estão a ser efectuadas para localizar esses cidadãos e trazê-los de volta”, explicou Mate.

O porta-voz acrescentou que são levadas a cabo investigações para localizar o cidadão de nacionalidade chinesa responsável pelo recrutamento ilegal, uma vez que se suspeita que ele tenha ligações com outros indivíduos em Moçambique.

Os três cidadãos que regressaram serão auscultados para relatar as circunstâncias que os levaram até à RCA. “Contamos com a colaboração das vítimas, pois acreditamos que o cidadão chinês tem conexões com algumas pessoas ainda presentes em Moçambique”, afirmou Mate.

Helton Inoque, um dos repatriados e que possui 21 anos, relatou à AIM que conheceu o nacional chinês em Manica, enquanto trabalhava numa empresa mineira. “Eu já tinha trabalhado com ele no ano passado. Contactou um amigo meu que nos falou sobre a proposta de emprego. Aceitámos e ele veio nos buscar. Saímos de Manica em Maio. Inicialmente, o destino era o Congo”, disse.

Contudo, de acordo com Helton, a situação alterou-se ao chegarem a Adis Abeba, na Etiópia. “Percebemos que o nosso destino não era o Congo. Fomos encaminhados para a República Centro-Africana. O salário combinado era de 40 mil meticais (cerca de 625 dólares) com bónus e subsídios. No entanto, ao chegarmos, o salário reduziu para 30 mil e, por fim, para apenas 15 mil meticais. A partir daí, começou a confusão”, contou.

Durante o tempo em que estiveram na mina, as condições eram precárias, com falta de refeições e alojamento em condições desumanas. “Nos últimos dias de confusão, o chinês retirou-nos todas as mantas e outros bens necessários do nosso dia a dia”, lamentou Helton.

Os cidadãos haviam sido recrutados para operar bombas de água e máquinas escavadeiras na mina.

Destaques da semana