Destaque Guterres expressa preocupação com a nova coligação armada na Etiópia

Guterres expressa preocupação com a nova coligação armada na Etiópia


O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou a sua profunda preocupação em relação à deterioração da segurança na Etiópia.

Durante uma conferência de imprensa em Nova Iorque, Stéphane Dujarric, porta-voz da ONU, destacou a recente formação de uma coligação de sete grupos políticos, incluindo diversos elementos armados, que pretendem depor o actual Governo etíope.

Guterres, numa demonstração de atenção às crescentes tensões na região, exortou todas as partes envolvidas a evitarem acções que possam agravar ainda mais a situação. O diplomata português sublinhou a importância de renovar o compromisso com o diálogo, afirmando que a resposta militar não resolve as divergências políticas existentes, nem aborda as causas do descontentamento popular.

O apoio das Nações Unidas aos esforços da União Africana para a implementação do Acordo de Pretória, assinado há quatro anos, foi reafirmado por Guterres. Este apelo assinala um contexto de crescente incerteza e instabilidade na Etiópia.

Recentemente, os sete grupos que se uniram sob a designação Coligação pela Sobrevivência das Forças Populares Etíopes (CSFPE) tornaram público o seu objectivo de destituir o Governo e estabelecer um executivo de transição. Para tal, propõem a criação de uma Carta de Transição que vise a resolução das crises de segurança, sociais e económicas que afligem o país.

Recomendado para si:  Paramount avança na compra da Warner Bros após acordo com 12 estados americanos

A coligação responsabiliza o Governo de Abiy Ahmed por não tomar medidas eficazes face à insegurança e ao conflito armado, além de criticar a situação de pobreza e a erosão dos direitos democráticos e humanos. Alegam que o regime actual, a que se referem como “ditatorial e genocida”, tem provocado a guerra e a destruição, ameaçando a integridade da nação.

Em Julho, o Governo etíope anunciou a dissolução do acordo de paz com o TPLF, resultando no recomeço de um conflito devastador, que, segundo várias fontes, causou entre 100.000 e 600.000 mortes entre 2020 e 2022. Após a assinatura do acordo de Pretória, a região de Tigray esteve sob um governo provisório reconhecido, até ao regresso do TPLF ao poder regional em Maio.

Desde então, o TPLF tem acusado o Governo federal de incumprir os termos do acordo e de marginalizar a região. O Governo, por sua vez, nega reconhecer a nova administração instaurada pelo TPLF, afirmando que a única autoridade válida na área é a Administração Regional Provisória de Tigray, criada no âmbito do acordo.

Destaques da semana