As autoridades moçambicanas asseguraram que a Mozambique Airlines (LAM) dispõe de combustível suficiente para continuar as suas operações nos próximos 30 dias.
A companhia aérea afirma que não há riscos de redução na frequência dos voos nas suas rotas domésticas, mesmo face à incerteza dos mercados internacionais de energia resultante do conflito armado entre os Estados Unidos e o Irão.
O bloqueio do Estreito de Ormuz, um ponto crucial no transporte de quase 20% das vendas de petróleo a nível mundial, tem impactado directamente o fluxo de navios que transportam gás e petróleo.
Aproximadamente 80% das importações de combustível de Moçambique passam por rotas associadas a este estreito, o que levanta preocupações sobre as repercussões económicas da guerra no Médio Oriente.
Em Maputo, a situação das reservas de combustível é crítica, com longas filas de veículos a formarem-se nas bombas onde há disponibilidade de gasolina e gasóleo. Esta escassez tem desincentivado os cidadãos a realizarem viagens de longa distância.
Agostinho Langa, presidente da empresa moçambicana de portos e caminhos-de-ferro (CFM), garantiu que o fornecimento de combustível de aviação está assegurado e que o plano operacional da LAM se mantém intacto. “Não iremos reduzir nenhuma rota. Continuaremos a operar normalmente”, afirmou.
Langa esclareceu que a LAM adquire o seu combustível, principalmente, através dos distribuidores Puma Energy e Petromoc, os quais são responsáveis pelo fornecimento de combustível de aviação (Jet A1). “Temos a garantia de que haverá combustível para pelo menos os próximos 30 dias”, acrescentou.
Entretanto, Langa admitiu que a evolução da situação geopolítica internacional poderá exercer pressão sobre os preços do combustível. “A situação no Médio Oriente é sensível, e existe tensão entre os Estados Unidos e o Irão. Se ocorrer um aumento nos preços do combustível, a LAM seguramente será obrigada a rever algumas decisões”, alertou.
Dados das autoridades portuárias mostram que o país continua a receber volumes significativos de combustível nos principais portos. Um dos navios que opera no terminal está a descarregar aproximadamente 15 milhões de litros de gasóleo, numa operação que começou recentemente e deverá ser concluída nas próximas horas. Outro navio também está previsto para chegar, com a carga de cerca de 21,3 milhões de litros de gasolina.
No Porto Central da Beira, cerca de 26 milhões de litros de gasóleo e 52 milhões de litros de gasolina foram descarregados nos últimos dias para abastecer o mercado. “Considerando a volatilidade do mercado internacional, associada a tensões geopolíticas, especialmente na região do Golfo Pérsico, apelamos para um uso racional do combustível. Há indícios de que algumas empresas distribuidoras enfrentam constrangimentos de liquidez para garantir pagamentos e garantias bancárias em moeda estrangeira, o que poderá influenciar a taxa de fornecimento”, concluiu.
Apesar das dificuldades, as autoridades reafirmam que os navios que transportam combustível continuam a chegar aos terminais portuários, o que deverá garantir o abastecimento do mercado nacional e dos serviços essenciais da LAM.
















