Sociedade Moçambique regista 29% das mortes por doenças não transmissíveis

Moçambique regista 29% das mortes por doenças não transmissíveis

O ministro da Saúde, Ussene Isse, alertou que as doenças crónicas não transmissíveis são responsáveis por 29% das mortes no país, com destaque para a hipertensão arterial, diabetes, acidente vascular cerebral (AVC) e doença renal.

O aviso foi feito durante a sessão de encerramento da Primeira Reunião Científica de Saúde Cardio Vascular, realizada em Maputo.

Durante o evento, o presidente da reunião, Dr. Fidélio Citefane, revelou que 33% da população moçambicana sofre de hipertensão, identificando-a como o principal factor de risco para doenças cardiovasculares. A província de Maputo tem registado aproximadamente 300 mortes mensais devido a estas patologias, factores que estão a ser exacerbados pelo aumento do sedentarismo e pelo consumo de alimentos industrializados ricos em sal, especialmente entre os jovens.

Para enfrentar este contexto alarmante, foram apresentadas duas iniciativas de grande importância. A primeira, chamada “Uma Sala de Peso, Um Estetoscópio, Um Oxímetro”, tem como objectivo reforçar o rastreio de cardiopatias infantis nas unidades de saúde.

Esta estratégia utiliza a rotina de pesagem infantil como uma oportunidade para identificar sinais precoces de doenças cardiovasculares, através da utilização de oxímetros e estetoscópios. O projecto será inicialmente implementado na província da Zambézia e poderá ser expandido a outras áreas do país no futuro.

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A segunda iniciativa, designada “Cantinho da Hipertensão”, está actualmente em fase piloto e propõe a medição sistemática da pressão arterial a todos os utentes, independentemente da razão da consulta. O propósito é melhorar a detecção precoce de hipertensão, reduzir o número de internamentos e diminuir as mortes que poderiam ser evitadas por complicações cardiovasculares.

O ministro Isse destacou a importância do fortalecimento dos cuidados primários para uma vigilância contínua da saúde cardiovascular, sublinhando que 65% da população vive em zonas rurais, onde o acesso a cuidados especializados é restrito. A formação contínua dos profissionais de saúde foi descrita como crucial para melhorar a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças cardiovasculares.

Durante a reunião, foram premiados os melhores posters e trabalhos científicos, reconhecendo a inovação e mérito na investigação relacionada com a saúde cardiovascular em Moçambique.

O ministro comprometeu-se a apoiar a próxima edição da reunião científica, enfatizando que este encontro é fundamental para fortalecer as estratégias de prevenção e reforçar a resposta do sistema de saúde às doenças cardiovasculares, que representam um dos maiores desafios na carga de doenças que aflige o país.

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