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Carros nos passeios, buracos e outros obstáculos dificultam a circulação de cegos

Deficientes visuais e cadeirantes têm dificuldades para se locomover dentro da cidade de Maputo devido aos obstáculos, como carros estacionados nos passeios e pavimento degradado. O Conselho Municipal de Maputo reconhece o problema e diz que a solução passa por criar mais locais de estacionamento de viaturas.

Com bengala, olhos incapazes de ver por onde andam, eles vasculham os obstáculos que lhes aparecem pelo caminho e não são poucos nos passeios da cidade de Maputo. Há muitos carros estacionados nos passeios, pavimento esburacado, pilaretes colocados sem obedecer às regras e fossas abertas nas ruas e avenidas da capital moçambique. É com isso que Lúcia Domingos, deficiente visual, desde à nascença lida todos os dias.

Mais do que cair por conta dos vários obstáculos, este grupo vê-se limitado para usufruir de alguns direitos seus por dificuldades na mobilidade.

“Quando nós nos movemos, vamos à busca de algum direito desde educação, saúde e outros serviços, mas se tivermos limitação de mobilidade por um determinado sítio para acedê-los (os serviços), desistimos ou da próxima vez não voltam”, observou Hélder Buque presidente da Associação dos Cegos e Amblíopes de Moçambique

A edilidade da capital do país reconhece que há dificuldades para a mobilidade de cegos e cadeirantes na cidade de Maputo e atira a culpa ao crescimento do parque automóvel na urbe.

“A cidade de Maputo tem, hoje (no sentido de actualmente), cerca de 450 mil viaturas e representa 50 por cento das viaturas que temos a nível nacional, o que sobrecarrega de muito a nossa cidade, em particular em termos de necessidade de estacionamento, esta é uma realidade”, apontou José Nicols, vereador dos Transportes e Mobilidade no Conselho Municipal de Maputo.

Depois de apontar o problema, o vereador indicou os caminhos que estão a ser seguidos para “livrar” os passeios das viaturas. “Já temos aprovados três projectos de silos automóveis, principalmente, para a baixa da cidade que é onde 50 mil viaturas vão todos os dias e a previsão é que as obras arranquem no segundo semestre deste ano e possam acomodar cerca de três mil viaturas”, avançou José Nicols.

Para já, sobre os que estacionam nos passeios e embaraçam a mobilidade dos cegos e cadeirantes, a edilidade diz que não pode sancionar, porque “entende haver escassez de espaços para estacionamentos”.

Além de criar mais espaços para o estacionamento de viaturas, José Nicols diz que o Conselho Municipal de Maputo vai retirar os pilaretes colocados sem obedecer às normas, obstruindo a passagem dos cegos e cadeirantes.

“A colocação dos pilaretes é colocada segundo a perspectiva dos munícipes e das empresas para evitar o estacionamento nos passeios e não obedecem às regras o que não permite a mobilidade de cadeirantes ou cegos. Em situações desse género, que o município não tenha detectado, recomendamos que os munícipes denunciem e alertem por forma a fazermos a correção”, referiu o vereador dos Transportes e Mobilidade no município de Maputo.

FONTEO País
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