Catorze (14) pessoas da mesma família respondem em juízo desde ontem, no Tribunal Judicial da Província de Inhambane, acusadas de assassinar um idoso, no ano passado, no distrito de Zavala.

As 14 pessoas da mesma família são filhos, sobrinhos e netos da vítima.

Tudo começou quando um dos netos do ancião vendeu um terreno dentro da propriedade da família sem obedecer os limites ou dimensões que devia. O facto não agradou a vítima e esta interpelou um dos seus netos. A situação ditou que devia haver um frente a frente para se discutir o problema.

Os acusados alegaram que na reunião familiar o idoso teria ameaçado o referido neto com a expressão: “tu vais ver”. Na noite do mesmo dia, o neto começou, supostamente, a manifestar problemas mentais cujo fim só foi possível com recurso a tratamento de um curandeiro.

Entretanto, os problemas mentais não passaram e repetiram-se na mesma noite. Dali em diante, perdeu o controlo da situação e os réus ora em julgamento dirigiram-se à casa da vítima para exigir explicações sobre o que o se passava. Como forma de pressionar a vítima, identificada por nome de Romão, a confessar que era responsável pelo presumível feitiço, os 14 membros da família colocaram água no seu corpo e amarraram o pescoço com um fio de pesca.

Em seguida, os 14 membros da mesma família “arrastaram” o idoso para um curandeiro, supostamente para desfazer o feitiço sobre o neto mas, estes nunca lá chegaram.

A meio do caminho, os familiares disferiram vários golpes sobre a vítima, até que esta perdeu a vida.

Parte dos réus negou em tribunal ter participado no assassinato, apesar de assumirem que torturaram o idoso antes de saírem da sua casa em direcção ao curandeiro.

Eles dizem que não concordando com a ideia de por fim à vida do idoso, decidiram afastar-se, sem no entanto tentar impedir o crime.