Segundo um tribunal chinês, o antigo responsável “confessou sinceramente todos os factos criminais” e não irá recorrer da decisão. Meng foi o primeiro chinês a liderar a Interpol.

Em Setembro de 2018, desapareceu misteriosamente durante uma viagem a Pequim. Posteriormente, as autoridades chinesas disseram que se encontrava detido por corrupção.

O ex-presidente da Interpol Meng Hongwei foi condenado a 13 anos e meio de prisão por suborno, de acordo com uma declaração de um tribunal chinês divulgada esta terça-feira. Além da pena de prisão que lhe foi aplicada, Meng foi multado em 2 milhões de yuans, o equivalente a mais de 260 mil euros.

Segundo revelou o tribunal da cidade de Tianjin, o antigo presidente da Organização Internacional de Polícia Criminal “confessou sinceramente todos os factos criminais” e não irá recorrer da decisão.

No seu julgamento, em Junho do ano passado, Meng declarou-se culpado de ter aceitado 2,1 milhões de dólares em subornos. Na altura, o tribunal acusou-o de ter usado o seu estatuto para “procurar benefícios indevidos” e acumular subornos.

Meng faz parte de um grupo crescente de quadros do Partido Comunista Chinês apanhados na campanha anticorrupção do Presidente Xi Jinping, escreve a agência de notícias France-Presse. Para os críticos, esta campanha tem servido também para afastar os inimigos políticos do líder.

O MISTERIOSO DESAPARECIMENTO

O responsável de 66 anos foi o primeiro chinês a liderar a Interpol. Em Setembro de 2018, desapareceu misteriosamente durante uma viagem a Pequim, vindo de França, onde a Interpol está sediada. Posteriormente, as autoridades chinesas disseram que se encontrava detido por corrupção.

Em Março de 2019, foi expulso do Partido Comunista sob a acusação de abusar do seu poder para financiar um estilo de vida extravagante e de cometer violações “sérias” da lei.

A sua mulher recebeu asilo político em França no ano passado, depois de dizer que temia que ela e os seus dois filhos fossem alvo de sequestro.

ASCENSÃO E QUEDA DE MENG

Meng era vice-ministro de Segurança Pública da China quando foi eleito presidente da Interpol, em 2016. Depois de embarcar num avião com destino a Pequim, a 25 de Setembro de 2018, a família perdeu-lhe o rasto. Após vários dias de silêncio e face à pressão internacional, a Comissão Nacional de Supervisão da China confirmou a sua detenção.

De acordo com o Ministério chinês de Segurança Pública, a investigação foi aberta depois de as autoridades terem detectado que Meng aceitara um suborno e violara a lei estadual com um comportamento que causou “sérios danos” ao partido e à segurança nacional.

A 21 de Novembro de 2018, a assembleia-geral da Interpol decidiu substituir Meng pelo sul-coreano Kim Jong Yang. A organização policial internacional tinha recebido, a 7 de Outubro, uma carta de renúncia de Meng e uma comunicação de Pequim, informando que este já não seria o delegado da China naquele organismo.