23.1 C
Matola
Segunda-feira, Julho 27, 2026
Site Página 322

Protestos em Nampula resultam em 21 mortos e mais de 100 feridos graves

Hospital Central de Nampula enfrenta pressão após confrontos violentos desencadeados pela proclamação dos resultados eleitorais.

O Hospital Central de Nampula, a maior unidade sanitária da região norte do país, confirmou nesta quarta-feira (27) um balanço trágico na sequência dos protestos que eclodiram após a proclamação dos resultados eleitorais. Pelo menos 21 pessoas perderam a vida e 116 ficaram gravemente feridas.

De acordo com as autoridades hospitalares, 17 das vítimas mortais deram entrada já sem vida, enquanto outras quatro não resistiram aos ferimentos durante o processo de atendimento médico.

“Situação é alarmante”

O director clínico do hospital, em conferência de imprensa, descreveu a situação como alarmante, destacando a complexidade dos casos recebidos.

“Recebemos aproximadamente 480 pessoas, das quais 116 apresentavam ferimentos graves, com sangramentos excessivos, que exigiram intervenção cirúrgica imediata. Tivemos de reforçar a equipa de médicos cirurgiões e ortopedistas para dar resposta à elevada procura”, explicou.

Entre os óbitos, constam também um agente da polícia e um membro das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), o que ilustra a gravidade dos confrontos.

Pressão nos serviços e falta de recursos

O Hospital Central de Nampula encontra-se sob pressão, com as equipas de saúde a trabalharem para lidar com a elevada procura por assistência médica. No entanto, a situação é agravada pelas dificuldades no acesso à unidade hospitalar, uma vez que as estradas estão bloqueadas por barricadas montadas pelos manifestantes.

“As vias estão praticamente cortadas. Temos apenas três ambulâncias a operar para transportar técnicos de saúde e pacientes em estado crítico. Muitos profissionais não conseguem chegar ao hospital, o que obriga os que já estão na unidade a trabalharem longas horas para suprir a demanda”, afirmou um responsável da unidade.

Estoque de sangue em risco

A escassez de sangue é outro desafio enfrentado pela unidade hospitalar. Nas últimas 24 horas, mais de 40 das 70 unidades disponíveis foram utilizadas, deixando os serviços de transfusão em estado crítico.

“Precisamos urgentemente de doações de sangue para continuar a salvar vidas. O aumento de pacientes com ferimentos graves e as dificuldades de abastecimento agravam ainda mais a situação”, apelou o director clínico.

Apelos à calma e à paz

As autoridades sanitárias lançaram um apelo à calma e pediram aos manifestantes que cessem os actos de violência, alertando que o hospital poderá entrar em colapso se a situação persistir.

“A prioridade agora deve ser salvar vidas. Pedimos à população que facilite o acesso às unidades de saúde e aos profissionais que trabalham incansavelmente para prestar assistência médica aos feridos”, reforçou o responsável.

Cenário de tensão em Nampula

Os protestos em Nampula começaram após a proclamação dos resultados eleitorais que deram vitória ao candidato da FRELIMO, Daniel Chapo, com 65,17% dos votos. A oposição alega fraude eleitoral e tem liderado manifestações em várias províncias, incluindo Nampula, onde os confrontos resultaram em destruição de infra-estruturas, bloqueios de estradas e saques.

Enquanto o ambiente permanece tenso, as autoridades continuam a monitorar a situação e a mobilizar recursos para responder à crise humanitária provocada pelos actos de violência.

Manifestações na Beira resultam em 18 mortos e 81 feridos

Protestos violentos provocam vítimas por bala e deixam hospital central em colapso devido ao elevado número de feridos.

Pelo menos 18 pessoas morreram e 81 ficaram feridas, entre graves e ligeiros, durante manifestações ocorridas na última terça-feira na cidade da Beira. As autoridades confirmaram que todas as vítimas mortais foram atingidas por armas de fogo.

Segundo relatos de familiares e fontes do Hospital Central da Beira, oito pessoas morreram enquanto recebiam atendimento médico devido à gravidade dos ferimentos. Entre os casos mais dramáticos, está o de dois homens alvejados e queimados numa viatura descaracterizada, enquanto consumiam bebidas alcoólicas numa barraca na zona dos Pioneiros.

Corpos removidos sem perícia policial
Os corpos das vítimas permaneceram no local do ataque até à manhã de quarta-feira, sendo removidos pelos próprios familiares, sem perícia policial.

“Os corpos ficaram lá desde ontem até hoje sem qualquer tipo de ajuda das autoridades”, relatou um familiar de uma das vítimas.

Pressão no Hospital Central da Beira
A principal unidade sanitária da região central está a operar sob forte pressão, com profissionais de saúde sobrecarregados e sem recursos suficientes para responder à elevada procura por cuidados médicos.

“Desde o início das manifestações, temos enfrentado grandes dificuldades para atender os feridos. Muitos colegas não conseguem chegar ao hospital devido ao bloqueio das vias, o que compromete os atendimentos e contribui para o agravamento dos casos mais críticos”, afirmou um porta-voz do hospital.

Segundo a mesma fonte, se houvesse equipas completas e melhores condições, algumas das mortes poderiam ter sido evitadas.

Feridos internados nos corredores
Com os espaços de internamento sobrelotados, os feridos estão a ser acomodados nos corredores, em condições precárias.

“Muitos dos internados apresentam ferimentos provocados por balas, e a escassez de material cirúrgico é uma preocupação crescente”, alertou um médico do hospital.

Relatos de violência policial
Entre os feridos, há cidadãos que acusam as forças de segurança de terem disparado indiscriminadamente contra a população.

“Eu estava a proteger a minha barraca quando a polícia chegou e começou a disparar. Levei um tiro no braço, mas muitos outros ficaram feridos”, relatou uma vítima internada no hospital.

Apelo à doação de sangue e apoio médico
Com o aumento da procura por cuidados médicos e a gravidade dos ferimentos, o Hospital Central da Beira lançou um apelo urgente à doação de sangue e ao fornecimento de material médico-cirúrgico para fazer face à crise.

Tensão continua na cidade
Enquanto a situação permanece instável, as autoridades locais mantêm a presença policial nas ruas para tentar restaurar a ordem, mas os protestos e episódios de violência continuam a gerar receios entre os residentes.

Os apelos para a calma e a paz multiplicam-se, mas a crise pós-eleitoral que desencadeou os protestos mantém a tensão elevada na cidade da Beira e noutras regiões do país.

Governo moçambicano alerta para ligações terroristas em atos de vandalismo e promete responsabilizar envolvidos

Pascual Ronda, ministro do Interior, condena a destruição de infra-estruturas e apela à serenidade, enquanto forças de segurança intensificam ações para restaurar a ordem.

O Governo de Moçambique atribuiu, esta terça-feira, possíveis ligações entre os recentes actos de vandalismo e grupos terroristas, alertando para um ataque directo à estabilidade e segurança do país. O ministro do Interior, Pascual Ronda, condenou os episódios de violência, destacando que representam uma ameaça grave à democracia e ao bem-estar social.

Segundo o ministro, os ataques coordenados contra infra-estruturas públicas e privadas, incluindo escolas, hospitais e tribunais, bem como as acções de bloqueio de estradas e saques a estabelecimentos comerciais, são actos que ultrapassam o direito de manifestação pacífica.

“Desordem pública e terrorismo urbano”

Ronda afirmou que as manifestações recentes se transformaram em desordem pública e alertou para a possibilidade de estarem associadas a grupos terroristas.

“Não podemos ignorar o carácter organizado destes ataques. Há sinais claros de que podem estar ligados a células terroristas, com estratégias semelhantes às observadas em Cabo Delgado”, disse o ministro, referindo-se à insurgência armada naquela província do norte do país.

Reacção das forças de defesa e segurança

O governo reforçou o apelo à ação imediata das forças de defesa e segurança para controlar a situação e responsabilizar os autores dos actos de violência.

“As forças de defesa e segurança vão actuar com firmeza, dentro dos limites da lei, para restaurar a ordem pública e garantir que os responsáveis por liderar ou participar destas acções sejam devidamente identificados e responsabilizados através dos mecanismos legais”, acrescentou Ronda.

O ministro pediu ainda à população para colaborar com as autoridades, denunciando movimentações suspeitas e contribuindo para a preservação da ordem.

Prejuízos e impactos sociais

Os distúrbios já causaram prejuízos significativos, afectando serviços essenciais e comprometendo a circulação de pessoas e bens. Entre as infra-estruturas destruídas estão edifícios governamentais, postos policiais, estabelecimentos penitenciários, escolas e hospitais.

O impacto económico também é grave, com perdas materiais ainda por contabilizar, enquanto os cidadãos continuam a enfrentar dificuldades devido à interrupção de serviços básicos.

Apelo à calma e diálogo

O Governo apelou à calma e pediu que as diferenças políticas sejam resolvidas de forma pacífica e dentro da legalidade. Pascual Ronda também exortou os líderes políticos, religiosos e comunitários a promoverem a reconciliação e a paz no país.

“Precisamos de unidade nacional para superar esta crise. Ninguém deve destruir o país sob qualquer pretexto ou para alcançar o poder de forma ilegítima”, afirmou o ministro.

Monitorização contínua e medidas adicionais

As autoridades continuam a monitorizar a situação e alertaram a população para a necessidade de vigilância e denúncia de comportamentos suspeitos.

“Não podemos permitir que estes actos se consolidem como terrorismo urbano. O governo está preparado para responder a qualquer tentativa de desestabilização”, concluiu Ronda.

As forças de defesa e segurança já reforçaram a presença nas áreas mais afectadas e prometeram continuar as investigações para identificar os responsáveis pelos ataques e actos de vandalismo.

Hospital Centrar regista duas mortes e mais de 60 feridos nas manifestações

Hospital Central de Maputo regista aumento de feridos por arma de fogo e enfrenta dificuldades devido aos bloqueios nas vias públicas.

O Hospital Central de Maputo (HCM) confirmou, esta quarta-feira, a morte de duas pessoas e o internamento de mais de 60 feridos por armas de fogo, no contexto das manifestações que marcam a capital moçambicana.

De acordo com os dados apresentados pela direcção da unidade sanitária, nas últimas 24 horas foram atendidos 161 pacientes no serviço de urgências para adultos, 117 dos quais por trauma. Em comparação com o mesmo período do ano passado, que registou 67 casos de trauma, os números actuais representam quase o dobro de feridos.

Feridos e óbitos confirmados
Entre os 62 pacientes baleados que deram entrada no HCM, dois não resistiram aos ferimentos, apesar dos esforços médicos.

“Tivemos dois óbitos. Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para salvar essas vidas, mas os pacientes chegaram em estado crítico e já não foi possível reverter a situação”, informou o hospital.

Apelo urgente por sangue
O hospital enfrenta também desafios na reposição de sangue para atender os feridos. Com um consumo diário médio de 100 unidades de sangue, agravado pelo aumento da procura devido às manifestações, o stock atual de 111 unidades é insuficiente.

“Estamos a lançar um apelo urgente para dadores de sangue. Precisamos deste recurso vital para continuar a salvar vidas, principalmente neste período crítico”, afirmou a administração do hospital.

Problemas de abastecimento alimentar e transporte de profissionais
Outra preocupação apontada é a escassez de alimentos para os doentes internados. Os bloqueios nas vias públicas dificultam o transporte de fornecedores, comprometendo a entrega de produtos alimentares necessários para a preparação das refeições.

“Os nossos fornecedores não conseguem chegar à unidade hospitalar devido aos bloqueios nas estradas, e isso está a afectar gravemente a alimentação dos nossos pacientes”, referiu o hospital.

Além disso, cerca de 200 profissionais de saúde não conseguiram aceder ao hospital nos últimos dias, devido à falta de transporte e às restrições de circulação.

“Apelamos para que as vias sejam desbloqueadas e que os trabalhadores da saúde e as ambulâncias tenham passagem garantida. Sem isso, será impossível prestar os cuidados necessários aos pacientes que nos procuram”, alertou o porta-voz do hospital.

Pressão sobre os serviços de saúde
O HCM, que tem uma média de 900 internamentos diários, está a operar sob forte pressão, tentando responder ao aumento no número de feridos e aos desafios logísticos impostos pelos protestos.

Com os serviços sobrecarregados, a unidade sanitária reforçou o apelo à população para doar sangue e permitir o acesso seguro aos profissionais de saúde, assegurando que está a fazer todos os esforços para atender as vítimas e minimizar os impactos da crise.

Hospital Geral José Macamo recebe 10 vítimas de ferimentos por balas

Unidade hospitalar recebeu 52 pacientes feridos, incluindo 10 baleados com balas verdadeiras e de borracha, após episódios de violência na cidade.

O Hospital Geral José Macamo, na cidade de Maputo, confirmou ter recebido, nas últimas horas, 52 pacientes com diversos ferimentos, sendo 10 vítimas de baleamentos por balas verdadeiras e de borracha. A instituição assegurou estar a responder à elevada demanda nos serviços de urgência, apesar das restrições de circulação que têm dificultado a mobilidade na capital moçambicana.

Feridos e capacidade de resposta
Entre os feridos que deram entrada, três apresentavam lesões provocadas por balas de borracha, enquanto sete foram atingidos por balas reais. Segundo Faiza Issa, porta-voz do hospital, nenhum óbito foi registado até ao momento entre os pacientes admitidos, embora alguns casos mais graves tenham sido transferidos para o Hospital Central de Maputo para cuidados especializados.

“A maioria dos casos que recebemos nos últimos dias está relacionada com agressões físicas, baleamentos e, em menor número, acidentes de viação. Estamos preparados para responder a esta demanda, especialmente nas urgências, mas o cenário exige um esforço contínuo da equipa médica”, explicou Faiza Issa.

Desafios logísticos e transporte de profissionais
Devido às restrições de circulação impostas pela situação atual, o hospital tem recorrido a ambulâncias para transportar os profissionais de saúde, garantindo a continuidade dos serviços essenciais.

“Estamos a trabalhar sob pressão, mas temos feito esforços para manter os serviços operacionais. As ambulâncias estão a assegurar o transporte dos nossos técnicos, priorizando as urgências e enfermarias”, afirmou a porta-voz.

Recomendações à população
Face à tensão que se vive em Maputo, o hospital apelou à população para evitar deslocações desnecessárias e, em caso de emergência, procurar transportes devidamente identificados para aceder à unidade hospitalar.

“O hospital continua a funcionar e está a responder às necessidades da população. No entanto, apelamos para que os cidadãos se mantenham em casa, sempre que possível, e só procurem assistência médica em casos urgentes”, reforçou Issa.

Menos acidentes de viação, mais vítimas de violência
Apesar da redução no número de acidentes de viação registados nos últimos dias, o hospital tem observado um aumento nos casos de agressões físicas e ferimentos por arma de fogo, reflectindo o clima de instabilidade na cidade.

Com os serviços de saúde a operar sob pressão, as autoridades médicas garantem estar empenhadas em prestar assistência à população e transferir casos complexos para unidades mais equipadas, como o Hospital Central de Maputo.

Moçambicanos retidos na paragem da Junta passam Natal à espera de transporte

Centenas de moçambicanos provenientes da África do Sul foram forçados a passar o dia de Natal na paragem da Junta, na cidade de Maputo, devido à falta de transporte público. A situação agravou-se com a especulação de preços das viagens e relatos de assaltos.

Viagens interrompidas e incertezas
Elídio, um jovem trabalhador migrante na África do Sul, sonhava celebrar as festividades junto à família na sua terra natal. No entanto, tal como muitos outros compatriotas, viu-se obrigado a passar o Natal na estrada, à espera de transporte para a província de Gaza.

Outro viajante, Manuel, que se deslocava também para Gaza, relatou estar retido há dois dias, sem transporte e já sem dinheiro. “Fiquei sem opções, não há transporte e o pouco que tenho já foi gasto. Estou desesperado”, desabafou.

Especulação de preços e insegurança
Com a escassez de transporte, os poucos operadores que ainda circulam pela Estrada Nacional Número Um (EN1) estão a cobrar tarifas elevadas. Florentina, que viajava para a província de Inhambane, revelou que há mais de cinco dias tenta seguir viagem.

Os preços das passagens subiram drasticamente, chegando aos 1000 meticais por viagem, contra os habituais 350 a 500 meticais. A situação também tem sido marcada por relatos de assaltos, deixando os passageiros ainda mais vulneráveis.

Desespero entre passageiros
Entre os retidos, destacam-se mulheres com crianças, como Tânia, que há dois dias aguarda transporte para Xai-Xai. “Tenho um bebé ao colo e não consigo sair daqui. Os preços estão altíssimos e é impossível pagar o que pedem”, contou.

Prejuízos e deterioração de produtos
Além da incerteza sobre a continuidade das viagens, há registos de prejuízos devido à deterioração de produtos transportados. Muitos passageiros traziam mercadorias da África do Sul, que ficaram expostas ao calor e à falta de conservação adequada.

Futuro incerto para regressos e trabalho
Com a situação a persistir, aumenta a preocupação entre os viajantes sobre o regresso às suas zonas de origem e o cumprimento de compromissos laborais na África do Sul. A falta de transporte e a especulação nos preços continuam a ser um desafio para centenas de moçambicanos retidos na paragem da Junta.

Saques e incêndios marcam protestos no bairro da Machava,

Centenas de pessoas invadiram e saquearam dois armazéns de produtos alimentares no bairro da Machava, município da Matola, na madrugada desta terça-feira (25).

Após a pilhagem, os estabelecimentos foram incendiados, deixando um cenário de destruição e caos.

Multidões ocupam armazéns e saqueiam mercadorias
O episódio, descrito por testemunhas como uma manifestação descontrolada, começou durante a noite e prolongou-se pela manhã. Homens, mulheres e crianças foram vistos a carregar sacos de alimentos e produtos de higiene retirados dos armazéns atacados.

Vídeos e relatos locais mostram um grande movimento na Avenida Eduardo Mondlane, onde grupos desfilavam com mercadorias saqueadas. “Entrar foi difícil, empurraram-me e quase fui roubado”, afirmou um menor de 12 anos, visivelmente abalado pela confusão.

Protestos levam ao incêndio dos armazéns
De acordo com os moradores, após o esvaziamento do primeiro armazém, os manifestantes incendiaram o segundo. O fumo denso podia ser visto à distância, marcando a destruição completa das instalações. “As pessoas entraram, saquearam tudo e, depois, queimaram o armazém”, contou Palha Açúcar, um dos presentes no local.

Revolta popular e críticas ao governo
Entre os residentes, o sentimento predominante é de revolta. Muitos culparam o governo pela validação dos resultados eleitorais, afirmando que a decisão teria alimentado a insatisfação popular.

“Esta situação é irresponsabilidade do governo. Deviam ter adiado a validação dos resultados ou formado um governo de unidade nacional. Agora estamos assim, a saquear e incendiar tudo”, afirmou um morador.

Outros acusaram directamente os órgãos eleitorais de fraude e exigiram mudanças. “O povo está a sofrer. Se não conseguem governar, deixem os outros tentar”, acrescentou outra residente, visivelmente indignada.

Clima de tensão e insegurança
Com os armazéns ainda em chamas e os saqueadores a retirarem os últimos produtos, o ambiente no bairro da Machava permanece tenso. As autoridades não se pronunciaram oficialmente sobre o incidente até ao momento, enquanto os residentes temem novos episódios de violência nos próximos dias.

Polícia dispara contra jovens durante saque em armazém no bairro de Chamanculo

Um número ainda não especificado de jovens e adolescentes morreu, esta terça-feira, no bairro de Chamanculo, em Maputo, após alegados disparos efetuados pela polícia no interior de um armazém, onde os mesmos tentavam saquear produtos diversos.

Caos e pânico em Chamanculo
O episódio teve início durante a tarde, quando grupos de jovens se introduziram no armazém, após destruírem janelas e portas com pedras e paus. Segundo testemunhas locais, os saqueadores retiraram electrodomésticos, como frigoríficos, congeladores e televisores, antes de serem surpreendidos pela intervenção policial.

“Estávamos aqui no quintal quando vimos um grupo a partir os vidros e a entrar. Minutos depois, a polícia chegou e começaram a disparar para dentro”, relatou uma residente.

Relatos de execuções e cerco policial
Testemunhas acusam a Unidade de Intervenção Rápida (UIR) de ter cercado o armazém, bloqueando as saídas, e de ter disparado indiscriminadamente contra os jovens no interior.

“Fala-se de mais de 40 mortos. A polícia fechou o portão, deixando todos lá dentro. Muitos foram baleados e morreram no local, enquanto outros ainda conseguiram sair, mas sucumbiram a caminho do hospital”, contou o irmão de uma das vítimas.

Contradições sobre número de vítimas
Apesar de um segurança do armazém ter afirmado que apenas três pessoas morreram, moradores e familiares das vítimas desmentem esse número, apontando para dezenas de mortos e feridos.

“A polícia devia ter controlado a situação sem tirar vidas. São seres humanos que mereciam responder pelos actos na justiça, não serem abatidos como animais”, lamentou um residente local.

Vestígios de violência
A equipa de reportagem não teve autorização para entrar no armazém, mas marcas de sangue ainda eram visíveis no exterior do edifício. Segundo testemunhas, ambulâncias transportaram vários corpos e feridos ao longo do dia, mas muitos acreditam que algumas vítimas poderão nunca ser identificadas devido ao caos gerado no local.

Investigação em curso
As autoridades ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o incidente, mas moradores exigem respostas e justiça para os familiares das vítimas. Enquanto isso, a tensão permanece alta no bairro, com receios de novos confrontos.

Natal marcado por destruição, saques e transporte paralisado em Maputo

A cidade de Maputo celebrou o dia de Natal de 2024 num cenário de destruição e instabilidade. Barricadas, saque a estabelecimentos comerciais e falta de transporte público transformaram a capital moçambicana numa cidade fantasma, com muitos residentes obrigados a percorrer longas distâncias a pé.

Desde a noite de 24 até à madrugada de 25 de Dezembro, vídeos amadores registaram actos de vandalismo e saque em vários estabelecimentos comerciais, protagonizados por grupos de pessoas de diferentes idades. As estradas foram bloqueadas com objectos, dificultando ainda mais a circulação.

Cidade paralisada e ruas desertas
A manhã de Natal ficou marcada por uma cidade praticamente irreconhecível. Locais habitualmente movimentados, como a Praça dos Combatentes e a Avenida da OUA, apresentavam um cenário desolador, com ruas vazias, viaturas queimadas e estabelecimentos destruídos.

A falta de transporte público semi-coletivo agravou a situação, obrigando muitos cidadãos a caminharem longas distâncias para chegar aos seus destinos. “Venho do trabalho e estou a caminho de casa, mas vou a pé porque não há chapas”, relatou Patrícia Dao, uma das residentes afetadas.

Igrejas ajustam horários e famílias celebram sob tensão
As celebrações religiosas também foram impactadas. Algumas igrejas tiveram de ajustar os horários dos cultos para se adaptarem à situação de instabilidade. “Entrámos às seis da manhã e terminámos rapidamente por precaução”, afirmou um membro da congregação local.

Para muitas famílias, a celebração do Natal foi feita em casa, com portas trancadas, como medida de segurança. “Estamos em casa, mas com receio. As estradas estão bloqueadas e ninguém se sente seguro para sair”, revelou um residente.

Comércio devastado e prejuízos incalculáveis
Os comerciantes enfrentaram grandes prejuízos devido ao vandalismo. Mercearias, lojas de bebidas, talhos e mercados foram alvo de arrombamentos e saques. Equipamentos foram destruídos, produtos alimentares roubados e garrafas de bebidas espalhadas pelas ruas.

“Partiram os vidros, levaram tudo o que tínhamos e ainda danificaram os congeladores”, lamentou um comerciante da Matola Rio, uma das áreas mais afectadas.

Incerteza e medo no dia de Natal
O Natal de 2024, tradicionalmente marcado pela união familiar, foi transformado num dia de separação forçada e insegurança. As barricadas, os bloqueios e a ausência de transporte público criaram um ambiente de medo e frustração, reflectindo a tensão social e política vivida no país.

As autoridades continuam a monitorar a situação e apelam à calma, enquanto os moradores aguardam por um retorno à normalidade.

PRM persegue reclusos fugitivos após tumultos e ataques a instituições em Zambézia

As autoridades na província da Zambézia continuam à procura de reclusos que escaparam das cadeias de Ile e Morrumbala, durante os recentes protestos que resultaram na destruição de infraestruturas públicas e na vandalização de estabelecimentos penitenciários.

Segundo o diretor do Serviço Penitenciário Provincial, o Comando Nacional da Polícia (PRM) já possui o cadastro completo dos fugitivos e as forças de segurança estão no encalço dos mesmos.

“Temos registo de todos os reclusos que escaparam. Eles devem saber que o sistema penitenciário mantém um arquivo atualizado, por isso não basta queimar tribunais ou destruir documentos. Mais cedo ou mais tarde, serão capturados”, declarou o responsável penitenciário.

Os distúrbios começaram quando um grupo de manifestantes incendiou a sede do partido Frelimo no distrito de Ile, seguindo depois para o estabelecimento penitenciário local, onde destruíram parte da infraestrutura e facilitaram a fuga de reclusos.

Relatos apontam ainda para uma tentativa de invasão ao tribunal distrital, com o objetivo de destruir processos judiciais em curso. Apesar disso, o responsável pelo sistema penitenciário considerou prematuro avançar mais detalhes sobre as operações em curso.

“Estamos ainda numa fase sensível, a aguardar orientações da Direção-Geral para partilhar informações adicionais sobre os tumultos e a evasão dos reclusos”, acrescentou.

Durante os protestos, foram libertos 101 reclusos na cadeia de Morrumbala. As autoridades continuam a monitorizar a situação e reforçaram a presença policial na região, com o objetivo de recapturar os fugitivos e restaurar a ordem pública.

Homem detido por assassinar quatro crianças e causar incêndios em Machaze

Um homem foi detido pelas autoridades no distrito de Machaze, província de Manica, após ter alegadamente assassinado quatro crianças com recurso a uma catana.

De acordo com a Polícia da República de Moçambique (PRM), o suspeito, ao chegar à casa do cunhado, encontrou as quatro vítimas a brincar no quintal e, em seguida, desferiu golpes fatais contra elas.

No mesmo episódio, o indivíduo incendiou quatro celeiros e matou três cabritos usando a mesma catana. Segundo a PRM, há indícios de que o suspeito foi também à casa do sogro, onde ateou fogo às residências e abateu os animais. Após o crime, o homem foi encaminhado às celas do Comando Distrital de Machaze, onde aguarda os passos subsequentes do processo.

Cenário de destruição em Meufi, após passagem do Ciclone Chido

O governador da província de Cabo Delgado, Valy Tauabo, deslocou-se recentemente ao distrito de Meufi para avaliar os estragos causados pelo Ciclone Chido, que atingiu a região a 15 de Dezembro. O cenário encontrado foi descrito como “desolador”, com inúmeros danos materiais e famílias sem condições de habitação.

Tauabo manifestou solidariedade às vítimas, sublinhando a urgência de apoio: “Apelamos para que os apoios cheguem rapidamente. A situação é desoladora, chega a ser penosa. Só quando se chega ao terreno é que se sente a verdadeira dimensão desta tragédia”, afirmou.

Valy Tauabo recordou ainda que, com o auxílio de todos, tanto o distrito de Meufi como a província de Cabo Delgado poderão ultrapassar os efeitos do desastre. “Se tivermos a mão solidária de cada um, poderemos reerguer-nos rapidamente. O Ciclone Chido passará então a ser apenas parte da história de Meufi e de Cabo Delgado”, acrescentou.

Entretanto, o administrador de Meufi, distrito que serviu como porta de entrada para o fenómeno, destaca que a prioridade local tem sido a limpeza de troncos caídos e outros escombros, envolvendo toda a comunidade. “Estamos a mobilizar pessoas para remover obstáculos como árvores derrubadas. Foi no dia 15 de Dezembro que tudo aconteceu, e desde então temos contado com algum apoio alimentar e material de construção para auxiliar as famílias a recuperarem-se dos danos”, explicou.

O Ciclone Chido deixou um rasto de destruição na província de Cabo Delgado. As autoridades locais apelam à solidariedade de todos, de forma a garantir a rápida recuperação das infra-estruturas e das comunidades afectadas.

Vagas de emprego do dia 26 de Dezembro de 2024

Foram publicadas hoje, dia 26 de Dezembro no site MMO Emprego as seguintes oportunidades de emprego em Moçambique:

Clique aqui para baixar a edição em PDF.

Vagas de emprego abertas para hoje:

1. Vaga para Procurement Specialist

A United Nations Development Programme (UNDP) pretende recrutar um (1) Procurement Specialist. Saiba mais.

2. Vaga para Logístico

Uma empresa anónima está a recrutar um (1) Logístico. Saiba mais.

3. Vaga para Assistente de Distribuição

Uma empresa anónima está a recrutar um (1) Assistente de Distribuição. Saiba mais.

4. Vaga para Coordenador da Equipa (Engenharia Civil ou Química)

A Sanlo Moçambique, Lda (KINGMAN CONSTRUTORA) pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Coordenador da Equipa (Engenharia Civil ou Química). Saiba mais.

5. Vaga para Especialista em Engenheiro Civil

A Sanlo Moçambique, Lda (KINGMAN CONSTRUTORA) pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Especialista em Engenheiro Civil. Saiba mais.

6. Vaga para Especialista em Engenheiro Químico

A Sanlo Moçambique, Lda (KINGMAN CONSTRUTORA) pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Especialista em Engenheiro Químico. Saiba mais.

Vagas de emprego ainda abertas

1. Vagas para Mecânicos Auto

Uma empresa anónima está a recrutar dois (2) Mecânicos Auto. Saiba mais.

2. Vagas para Oficiais – Resposta a Emergência

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar dois (2) Oficiais – Resposta a Emergência. Saiba mais.

3. Vaga para Coordenador – MEAL em Resposta a Emergência

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Coordenador – MEAL em Resposta a Emergência. Saiba mais.

4. Vaga para Coordenador – Resposta a Emergência

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Coordenador – Resposta a Emergência. Saiba mais.

5. Vaga para Coordenador – Supply Chain

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Coordenador – Supply Chain. Saiba mais.

6. Vagas para Oficiais – Assistência Monetária e Cupões (CVA)

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar dois (2) Oficiais – Assistência Monetária e Cupões (CVA). Saiba mais.

7. Vaga para Oficial – MEAL em Resposta a Emergência

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Oficial – MEAL em Resposta a Emergência. Saiba mais.

8. Vaga para E T Consultant – Infrastructure

O World Bank pretende recrutar um (1) E T Consultant – Infrastructure. Saiba mais.

9. Vaga para Assistente de Gestor de Particulares

O First National Bank (FNB) pretende recrutar um (1) Assistente de Gestor de Particulares. Saiba mais.

10. Vaga para Coordenador – Recursos e Desenvolvimento de Programas

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Coordenador – Recursos e Desenvolvimento de Programas. Saiba mais.

11. Vagas para Facilitadores Vocacionais

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar dois (2) Facilitadores Vocacionais no Projecto UNHCR Funded. Saiba mais.

12. Vaga para Facilitador de Literacia Financeira

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Facilitador de Literacia Financeira no Projecto UNHCR Funded. Saiba mais.

13. Vagas para Gestores do Projecto

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar dois (2) Gestores do Projecto no Projecto UNHCR Funded. Saiba mais.

14. Vaga para Instrutor Agrícola

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Instrutor Agrícola no Projecto UNHCR Funded. Saiba mais.

15. Vaga para Oficial de Monitoria e Avaliação

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Oficial de Monitoria e Avaliação no Projecto UNHCR Funded. Saiba mais.

16. Vaga para WASH Specialist

A ÁGUA POR ÁGUA (ApA) pretende recrutar um (1) WASH Specialist (40-100%). Saiba mais.

17. Vaga para Warehouse Manager

A Saipem pretende recrutar um (1) Warehouse Manager. Saiba mais.

18. Vaga para Técnico de Hidráulico

Uma empresa anónima pretende recrutar um (1) Técnico de Hidráulico. Saiba mais.

19. Vaga para Director do Projecto

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Director do Projecto no Projecto ADPP – SUCESSO. Saiba mais.

20. Vaga para Director de Fortalecimento de Sistemas de Saúde

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Director de Fortalecimento de Sistemas de Saúde no Projecto ADPP – SUCESSO. Saiba mais.

21. Vaga para Director de Operações e Finanças

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Director de Operações e Finanças no Projecto ADPP – SUCESSO. Saiba mais.

22. Vaga para Director de Informação Estratégica

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Director de Informação Estratégica no Projecto ADPP – SUCESSO. Saiba mais.

23. Vaga para Director Técnico

A ADPP Moçambique (Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo) pretende recrutar um/a (1) Director Técnico no Projecto ADPP – SUCESSO. Saiba mais.

24. Vaga para Oficial Sénior de Monitoria e Avaliação

A Ovarelelana – Associação para o Fortalecimento Comunitário (AFOC) pretende recrutar para o seu quadro de pessoal uma (1) Oficial Sénior de Monitoria e Avaliação – DREAMS. Saiba mais.

25. Vaga para Oficial de Projecto

A Ovarelelana – Associação para o Fortalecimento Comunitário (AFOC) pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Oficial de Projecto. Saiba mais.

26. Vaga para Gestor de Projecto

A N´weti, Organização Nacional não Governamental Moçambicana, pretende recrutar para o seu quadro de pessoal um (1) Gestor de Projecto. Saiba mais.

27. Vaga para Grants Assistant

A RTI International pretende recrutar um (1) Grants Assistant. Saiba mais.

28. Vagas para Serventes

Uma empresa anónima pretende recrutar dois (2) Serventes. Saiba mais.

29. Vaga para Secretária Executiva

Uma empresa anónima pretende recrutar uma (1) Secretária Executiva. Saiba mais.

30. Vaga para Internal Auditor

A TotalEnergies pretende recrutar um (1) Internal Auditor. Saiba mais.

31. Vaga para Senior – SaT Corporate Finance

A EY Mozambique pretende recrutar um (1) Senior – SaT Corporate Finance. Saiba mais.

32. Vaga para Health Cluster Coordinator

A World Health Organization (WHO) pretende recrutar um (1) Health Cluster Coordinator. Saiba mais.

33. Vagas para Customer Agronomist 

A Bayer pretende recrutar quatro (4) Customer Agronomist. Saiba mais.

34. Vaga para Account Manager

A Qatar Airways pretende recrutar um (1) Account Manager. Saiba mais.

35. Vaga para Motorista

Uma empresa anónima está a recrutar um (1) Motorista. Saiba mais.

36. Vaga para Responsável de Preparação e Resposta à Emergências (HEPR)

A Save the Children Internacional (SCI), uma organização humanitária sem fins lucrativos com seu enfoque virado ao bem-estar da criança, está a recrutar um (1) Responsável de Preparação e Resposta à Emergências (HEPR). Saiba mais.

Presidente do PODEMOS recusa resultados e promete recorrer a meios políticos e diplomáticos

O presidente do Partido Optimista pelo Desenvolvimento de Moçambique (PODEMOS), Albino Forquilha, declarou que vai usar todas as vias políticas, diplomáticas e judiciais — a nível nacional e internacional — para contestar o que considera “fraude eleitoral” nas eleições de Outubro.

Ainda assim, Forquilha afirmou que os deputados eleitos pelo seu partido tomarão posse na próxima legislatura.

Durante uma conferência de imprensa, Forquilha criticou o Conselho Constitucional, alegando que a instituição tinha “todos os meios para trazer a verdade eleitoral”, mas optou por validar e proclamar resultados que, no seu entender, não correspondem à vontade popular. “Continuamos convencidos de que estas eleições foram ganhas pelo PODEMOS e por Venâncio Mondlane de forma legítima”, referiu, acrescentando que, caso não se faça justiça agora, espera-se que, pelo menos, não se repitam problemas em futuros sufrágios.

O líder do PODEMOS reforçou que “os deputados eleitos pelo povo” devem seguir com a sua vida política, pois, na sua perspectiva, não há justificação para impedi-los de assumir os respectivos mandatos. Forquilha recordou também o direito de manifestação, frisando que o partido não apoia qualquer tipo de violência ou vandalismo de propriedades, nem bloqueios de vias públicas que prejudiquem a mobilidade dos cidadãos.

Sobre a celebração do Natal, Albino Forquilha considerou que a data deve ser respeitada no contexto religioso de cada pessoa, mesmo num período de tensão. “Cada cristão celebra onde e como puder, seja em casa ou noutro lugar, mas não deve deixar de rezar, pois isso faz parte da fé”, salientou.

De acordo com os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional, o PODEMOS assume o segundo lugar mais votado, ocupando assim a liderança da oposição em Moçambique.

Venâncio Melana apela aos manifestantes para não destruírem infraestruturas

O candidato presidencial Venâncio Mondlane pediu hoje aos manifestantes que evitem actos de vandalismo contra bancos, lojas, empresas e quaisquer outras estruturas públicas ou privadas.

As declarações foram feitas numa comunicação em que o político abordou também a contestação dos resultados eleitorais proclamados pelo Conselho Constitucional e a proposta de instalação de um “tribunal constitucional popular” para o conferir posse no dia 15 de Janeiro.

Na sua intervenção, Mondlane condenou a destruição de estabelecimentos comerciais, sublinhando o esforço investido na construção e manutenção de bens colectivos e privados. Apelou igualmente a que não sejam perseguidos estrangeiros residentes em Moçambique, insistindo que “todos vieram para trabalhar” e que é necessário “preservar o pouco que se construiu com muito esforço”.

Em relação aos resultados das eleições presidenciais, Mondlane reafirmou que se considera o vencedor do escrutínio e anunciou a constituição de um “tribunal constitucional popular”, argumentando que o actual Conselho Constitucional já não inspira confiança. Referiu ainda que, na sua óptica, a “mediação internacional” é fundamental para restabelecer a credibilidade do processo, alegando que “já não existe um ambiente de confiança” nem com o Governo de Moçambique, nem com a Frelimo, nem com organizações regionais.

Quanto à continuidade das manifestações, Mondlane declarou que a decisão sobre eventuais protestos cabe “ao povo”, sem dar detalhes sobre uma eventual trégua ou reforço das paralisações.

RENAMO não reconhece resultados proclamados e diz que “fará tudo” para proteger a democracia

O líder da Renamo, Ossufo Momade, um dos candidatos às eleições presidenciais de Outubro, afirmou publicamente que o partido não reconhece os resultados proclamados pelo Conselho Constitucional, que validaram a vitória de Daniel Chapo e da Frelimo.

Em conferência de imprensa, Momade alegou que “não se pode aceitar a fraude eleitoral” e que a Renamo não vai permitir que a democracia seja “aniquilada”. O dirigente reforçou a necessidade de diálogo com todas as partes, afirmando que os moçambicanos merecem um Governo “legítimo” e não fruto de um “grupo restrito de pessoas”.

Crítica aos resultados e ao Conselho Constitucional
Depois da validação dos resultados que dão 65,17% dos votos a Daniel Chapo, Momade referiu que a Renamo não reconhecerá “nenhum Governo que saia destas eleições que seja diferente de um governo de gestão”. Na óptica do líder da Renamo, o acórdão do Conselho Constitucional representa um “retrocesso para a democracia”.

Apelo à protecção da democracia
Para Ossufo Momade, urge “garantir que a democracia seja preservada” e, nesse sentido, a Renamo convida todos os cidadãos a reflectirem sobre o país que se pretende construir. “Não podemos colocar apenas a vontade partidária em primeiro lugar; é preciso ter sentimento patriótico acima dos interesses individuais”, sublinhou.

Perda de estatuto de líder da oposição
Com a proclamação dos resultados, a Renamo perde definitivamente o estatuto de principal força opositora, função que vinha detendo anteriormente. Entretanto, o partido realça que tudo fará para que a “vontade popular” seja respeitada, acreditando que o diálogo construtivo é o caminho para ultrapassar a crise pós-eleitoral.

MDM recusa resultados e defende diálogo para resolver crise pós-eleitoral

O Movimento Democrático de Moçambique (MDM) declarou não reconhecer a validação dos resultados das eleições gerais de Outubro, nem a proclamação de Daniel Francisco Chapo como Presidente da República. Lutero Simango, líder do partido, insiste na urgência de um “diálogo construtivo” para ultrapassar a actual crise pós-eleitoral.

Após o Conselho Constitucional ter validado os resultados e proclamado oficialmente Daniel Chapo como Presidente de Moçambique, o MDM manifestou publicamente o seu desacordo em relação ao acórdão. “Não concordamos com o acórdão pronunciado, não reconhecemos os resultados. Não se pode aceitar a fraude eleitoral”, afirmou Lutero Simango, recordando as mesmas razões já apresentadas pelo partido aquando do anúncio da Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Apesar de sempre ter defendido a anulação dos resultados eleitorais, o MDM considera que a saída para a crise envolve a criação de um espaço para o diálogo construtivo, inclusivo, sincero e honesto. “É imperativo renovar o sonho colectivo de construir um Moçambique de todos, estabelecer um compromisso político para as reformas do Estado, bem como políticas públicas que sirvam a nossa população”, referiu Simango.

Entre as reformas defendidas pelo líder do MDM, consta a despartidarização do Estado moçambicano, a revisão profunda da Constituição da República e a gestão objectiva dos recursos naturais. “Temos igualmente de revisitar as políticas públicas na educação, saúde e criação de oportunidades de emprego aos nossos concidadãos”, acrescentou.

Sobre a actual onda de violência após a proclamação dos resultados, Simango alerta que a situação pode agravar-se. “Estamos a testemunhar uma violência activa que, se não for resolvida através de um diálogo construtivo, pode evoluir para uma violência passiva ainda mais perigosa. Se não agirmos, podemos acordar sem Moçambique nas nossas mãos”, disse.

O acórdão do Conselho Constitucional indica que Daniel Francisco Chapo, candidato da Frelimo, obteve 65,17% dos votos. Venâncio Mondlane alcançou 24,19%, Ossufo Momade 6,62% e Lutero Simango 4,02%. De um total de 7.238.827 eleitores que participaram no escrutínio, o Conselho Constitucional validou a vitória de Daniel Chapo para a Presidência da República, bem como a maioria da Frelimo nas restantes eleições.

Estabelecimentos comerciais saqueados e destruídos na Matola Rio após anúncio dos resultados eleitorais

Vários estabelecimentos comerciais na Matola Rio foram totalmente saqueados e destruídos, deixando os comerciantes em estado de desorientação devido aos prejuízos.

De acordo com relatos no local, os saques ocorreram poucos minutos após o anúncio dos resultados eleitorais. Em duas mercearias, populares arrombaram a grade, partiram os vidros e retiraram todos os produtos alimentares e de higiene. Ao longo da via, quem passa nota o cenário de destruição, visível também em outras lojas localizadas à beira da estrada.

Num dos casos, os invasores abriram caminho pelo tecto para entrarem e levarem diversos produtos alimentares. Noutro ponto, furaram a parede para alcançar o portão de entrada. Em todos os estabelecimentos visitados, os danos são semelhantes: produtos roubados, congeladores destruídos e muitos destroços espalhados.

Nem mesmo os talhos ou as lojas de bebidas escaparam. Num talho, foram quebrados os vidros e levada toda a mercadoria das prateleiras, deixando para trás congeladores danificados. Noutro local, registou-se a quebra de garrafas na estrada, consequência do saque a uma loja de bebidas bastante conhecida, onde retiraram bebidas alcoólicas e refrigerantes.

Os proprietários e trabalhadores, em desespero, tentam agora calcular as perdas e lidar com os prejuízos, juntando-se a tantos outros agentes económicos afectados pelos mesmos actos de vandalismo.

Bombas de combustível e lojas vandalizadas na Praça dos Combatentes

Na sequência da divulgação dos resultados eleitorais, a Praça dos Combatentes, na cidade de Maputo, foi palco de actos de vandalismo que resultaram em prejuízos de difícil contabilização.

As duas bombas de combustível existentes naquela zona foram parcialmente destruídas, enquanto as lojas de conveniência ali localizadas foram saqueadas, com todo o seu conteúdo retirado em pouco tempo. Uma caixa multibanco também foi alvo de ataques.

Nas imediações, populares fecharam a via na ponte ferroviária com pedras e pneus em chamas. A escuridão causada pelo fumo das queimadas favoreceu saques em estabelecimentos comerciais, deixando diversos espaços completamente vandalizados. Num dos locais, nada restou no interior, a não ser lixo espalhado pelo chão.

As autoridades ainda não emitiram informações detalhadas sobre a extensão dos danos ou o número de envolvidos, mas apelam à calma e à colaboração dos cidadãos na denúncia de quaisquer actos que ponham em causa a segurança e a ordem pública.

Populares incendeiam edifícios municipais e soltam reclusos na Vila da Manhiça

Populares incendiaram ontem (25), o edifício do município da Vila da Manhiça, provocando um cenário de destruição generalizada. Vários carros foram queimados e diversas infra-estruturas públicas ficaram danificadas, numa imagem que, segundo testemunhas, lembra um ambiente de guerra.

Registos de câmaras amadoras mostram o interior do edifício municipal completamente vandalizado, com gabinetes sem mobiliário ou equipamento. O tribunal distrital, a casa protocolar do presidente do município e da administradora do distrito, o Serviço Distrital de Planeamento e Infraestruturas, a Direcção Fiscal da Manhiça e outras instituições públicas também foram alvo de actos de vandalismo.

Há ainda indicação de uma evasão na penitenciária distrital da Manhiça, de onde fugiram cerca de 90 reclusos após a intervenção de populares. Em paralelo, lojas de bens alimentares e outros estabelecimentos comerciais foram invadidos, tendo ocorrido saques de produtos variados.

Relatos no local referem que o posto administrativo, a residência do chefe do posto e outras estruturas governamentais foram incendiadas.

Últimas Notícias Hoje

Javier Milei acusa Brasil de financiar campanha contra a Argentina

O presidente da Argentina, Javier Milei, acusou o Brasil e outros países de estarem financiando uma campanha contra a Argentina.  A relação entre os dois...

Tribunal suspende investigação sobre escândalo de Cyril Ramaphosa

O Tribunal Superior do Cabo Ocidental decidiu suspender os trabalhos da comissão parlamentar que investiga o Presidente Cyril Ramaphosa, no âmbito do roubo de...

LAM reforça frota com aeronaves Embraer para recuperação operacional

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciaram a recepção de duas novas aeronaves Embraer, uma adição que visa fortalecer a frota da transportadora nacional. O...

Cinco detidos na Zambézia por alegada difamação ao Presidente e à Primeira-Dama

Cinco cidadãos encontram-se detidos na Penitenciária Provincial da Zambézia, sob suspeita de terem criado e gerido uma página no Facebook com o intuito de...