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Terça-feira, Maio 5, 2026
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28 sobreviventes de naufrágio chegam à Sicília

Os 28 sobreviventes do naufrágio de uma traineira, no último domingo, chegaram na noite desta segunda-feira ao porto de Catânia, na Sicília.

O objectivo passa agora por identificar os mesmos, bem como procurar saber as razões do naufrágio. Entretanto, as autoridades italianas detiveram o capitão da embarcação e o seu imediato.

“O procurador Salvi deteve duas pessoas que cooperavam com os traficantes. Como veem a justiça italiana move-se rapidamente”, explicou Graziano Delrio, o ministro italiano dos Transportes e Infraestruturas.

As autoridades italianas terão detido outras 24 pessoas por suspeita de pertencerem a uma rede de tráfico de seres humanos.

Bayern e FC Porto decidem eliminatória esta noite

Joga-se esta noite a segunda eliminatória da liga dos compeões do futebol europeu, onde o FC Porto e o Bayern de Munique vão disputar lugar para os quartos de final da competição milionária.

Com efeito, o Bayern vai receber em casa o FC Porto para tentar corrigir a derrota de 3-1 no Estádio do Dragão e garantir o apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões, enquanto a equipa liderada por Lupategui terá a missão de assegurar ou ampliar a vantagem.

Ainda esta noite os franceses, Paris Saint-Germain (PSG) vão se encontrar diante do Barcelona para tentar dar volta a eliminatória que se encontra a favor dos espanhóis, com uma factura de 3-1.

Quadro clínico de Joaquim Chissano regista melhorias

O antigo chefe de estado moçambicano, Joaquim Alberto Chissano, que se encontra internado no hospital militar, na vizinha África do Sul, devido a uma infecção gastrointestinal, regista melhorias e poderá receber alta hospitalar no próximo fim-de-semana.

Essas informações foram tornadas públicas pela presidência da república depois do chefe de Estado, Filipe Nyusi, ter enviado a Pretória, África de Sul, a ministra de Saúde, Nazira Abdula, a fim de acompanhar a evolução do estado de saúde, do Antigo Presidente da República.

Segundo o relatório médico, apresentado ao presidente da república, Filipe Nyusi, o quadro clínico do antigo presidente, está a evoluir positivamente e se continuar a registar melhorias poderá receber a alta hospitalar ao longo do fim-de-semana.

Nyusi exige intervenção rápida do governo sul-africano face a xenofobia

O presidente da república, Filipe Nyusi, apelou ontem ao governo sul-africano liderado por Jacob Zuma, para desencadear uma intervenção presencial e imediata face a onda da violência xenófoba contra cidadãos estrangeiros, sobretudo moçambicanos, que se verifica naquele país vizinho.

O estadista, além de exigir a intervenção rápida por parte do governo de Zuma, exortou mais uma vez aos compatriotas moçambicanos para não retaliarem.

“Estes actos tristes e horríveis chocam a nossa consciência colectiva como nação e mostram o total desrespeito pelo valor da vida humana”, repudiou Nyusi.

EUA condenam violência contra estrangeiros

A Embaixada dos Estados Unidos da América-EUA  na África do Sul solidariza-se com o governo da África do Sul e outros líderes da sociedade civil na condenação da violência contra estrangeiros a ocorrer em KwaZulu-Natal e outras partes da África do Sul.

Num comunicado de imprensa chegado a nossa redacção, a Embaixada manifesta a sua preocupação com a perda de vidas inocentes, destruição de propriedades, e o impacto sobre as famílias e comunidades, apelando a todos os indivíduos para que se abstenham de qualquer forma de violência, dêem provas de contenção, e confiem num diálogo pacífico para a resolução de quaisquer diferenças.

“O Governo dos E.U.A. há muito que reconheceu os desafios impostos por um influxo de imigrantes e refugiados na África Austral, e providencia diversas formas de assistência na África do Sul“, afirmou Patrick H. Gaspard, Embaixador dos EUA para a África do Sul.  “Como imigrante no meu próprio país, os meus sentimentos estão com aqueles que foram atacados por serem diferentes”.

Nas suas observações  perante o Parlamento sul-africano sobre este tópico, o Presidente Zuma concluiu afirmando: “Vamos trabalhar em conjunto para oferecer apoio a todos os estrangeiros que foram afectados por esta violência”.

Cresce a olhos vistos venda de medicamentos tradicionais

Quem está habituado a circular pelas artérias da cidade de Maputo, talvez não se sinta surpreendido com o crescente número de pessoas que a cada dia que passa “assalta” os mercados  para se dedicar a uma actividade que está a ganhar contornos significativos: a venda de medicamentos tradicionais.

Oferecendo raízes que curam males de amor, azar ou que espantam espíritos, os vendedores usam todo o tipo de argumento para vender os medicamentos tradicionais.

Numa ronda feita pela reportagem do MMO no mercado de Xiquelene, constatou em muitas bancas  raízes, folhas, óleos e pomadas, que fazem de tudo, desde a cura de dores de barriga, cólera até ao HIV/SIDA, além de garantirem que possuem remédios para as mulheres estéreis.

Alberto Guambe, vendedor de medicamentos tradicionais naquele mercado começou esta actividade há quinze anos.  O jovem que agora está com 28 anos de idade aprendeu com a mãe todos os nomes dos medicamentos que comercializa bem como a fazer a devida mistura.

 “Tenho aqui batata africana, imputumbulo para crianças e outros tantos medicamentos tradicionais para atender sorte e saúde. Vêm pacientes com dores de cabeça, malária, diarreias ou com males espirituais”, explicou.

Guambe consegue por dia amealhar 500 meticais e nos primeiros meses do ano vende 1000 a 1500 meticais, pois são os meses que as pessoas procuram mais os medicamentos tradicionais principalmente para as crianças.

Remedio 1

Por sua vez Armando Gundane também vendedor no mercado Xiquelene e pai de quatro filhos começou a actividade em 1990 no mercado de Xipamanine, mas como o espaço era menor, quatro anos depois  passou para mercado de Xiquelene onde vende até hoje. Gundane vende raízes para tratar asma, gonorreia, maus espíritos, malária  entre outras  doenças.

O nosso entrevistado conta que não teve nenhuma formação para começar a comercializar medicamentos tradicionais, Gundane aprendeu sobre seu ofício observando seus pais médicos tradicionais a atender e tratar os seus pacientes.

Gundane com quase  50 anos  de idade tem duas bancas, uma das quais vende a sua esposa, que aprendeu os nomes dos medicamentos e a fazer as misturas com o seu marido.

Remedio 8

Por sua vez Sérgio André pai de três filhos e que está nesta actividade há mais de 10 anos  disse que há um respeito mútuo entre a medicina tradicional e a convencional, por isso quando alguns vêm procurar medicamentos para doenças que precisam de comprimidos, mandam para o hospital.

Remedio 5

De referir que desde 2013, praticantes de medicina tradicional incorporaram parte do seu trabalho no Sistema Nacional de Saúde, no quadro de uma parceria que está a ser monitorada pelo Instituto de Medicina Tradicional (IMT).

A parceria entre a medicina tradicional e a convencional resulta da necessidade de valorização da primeira, uma vez reconhecido o papel fundamental que desempenha particularmente no meio rural onde a cobertura da rede sanitária ainda se mostra deficiente.

Deste modo, o Ministério da Saúde, através do Instituto de Medicina Tradicional, viu a necessidade de dotar os praticantes de medicina tradicional de conhecimentos sobre cuidados de saúde, sobretudo no âmbito dos cuidados primários.

A iniciativa enquadra-se igualmente na recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) que desde 1978 advoga que nos países com problemas de desenvolvimento e cobertura sanitária, autoridades sanitárias  deviam trabalhar em parceria com outros intervenientes ao nível da comunidade para melhoria da sua cobertura de cuidados de saúde primário.

Mediterrâneo: 700 podem ter morrido em naufrágio

Até 700 pessoas podem ter morrido no naufrágio de um barco na região da costa da Líbia – informou, neste domingo, um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os refugiados (Acnur).

O navio afundou a cerca de 110 km da costa levando mais de 700 pessoas a bordo, segundo explicaram 28 sobreviventes resgatados por um navio mercante, disse Carlotta Sami, porta-voz do Acnur na Itália, à rede de televisão italiana Rainews24.

Se estes números forem confirmados, será “a pior tragédia já vista no Mediterrâneo”, afirmou a porta-voz. Até agora, 21 corpos foram recuperados, segundo a imprensa italiana.

O navio lançou um aviso no domingo de manhã interceptado pela guarda costeira italiana, que alertou um navio cargueiro português que estava na área.

Quando o cargueiro chegou, cerca de 220 km ao sul da ilha italiana de Lampedusa, a tripulação avistou o barco, de acordo com o Acnur.

“Mas as pessoas do navio em perigo correram todas para o mesmo lado, o que pode ter causado o desastre”, disse a porta-voz.

Nas últimas duas semanas, dois acidentes semelhantes no Mediterrâneo deixaram cerca de 450 mortos.

Zuma recebido com “cara de poucos amigos” no campo de imigrantes

Diante da pressão internacional, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, visitou neste sábado um campo de imigrantes que fugiram de suas casas em Durban, onde foi recebido com hostilidade, constatou a AFP no local.

“Tarde demais, tarde demais! Volte para casa, volte para casa! – gritavam as vítimas da violência, em referência à incapacidade da polícia em deter os agressores.

Interagindo com às vítimas, o presidente sul-africano, Jacob Zuma, prometeu reagir e responsabilizar os responsáveis pelos actos desumanos que segundo o Fórum Africano Diáspora (ADF), desde o inicio dos confrontos contra os cidadãos estrangeiros africanos resultou a morte de 15 pessoas e não 7 como defende a polícia local.

“Não há como justificar estes ataques contra estrangeiros. A maioria dos sul-africanos não quer a vossa partida, apenas uma pequena minoria e vamos deter esta violência”, garantiu Zuma.

Aliás, Jacob Zuma, garantiu que os estrangeiros que quiserem voltar para suas casas devem saber que serão bem-vindos, “depois de terminarmos com a violência”.

Por sua vez o ministro do Interior, Malusi Gigaba, garantiu também que as autoridades policiais intensificaram a segurança face a onda xenófoba que já está a ocorrer há cerca de 3 semanas.

“Os criminosos estão a ser presos, acusados ​​e processados. Até agora, 307 suspeitos foram presos em conexão com os ataques a cidadãos estrangeiros e violência pública”, disse exortando um severo aviso para com os responsáveis dos actos de violência pública.

Outrossim, “vamos encontrá-los (…) e tratados com o poder da lei”, assegurou.

Sete pessoas desaparecidas no naufrágio em Inhaca

Um total de sete pessoas estão desaparecidas desde a madrugada da sexta-feira na sequência de um naufrágio ocorrido na ilha de Inhaca situada a entrada da baía de Maputo.

“Duas pessoas conseguiram salvar-se. A embarcação a motor saiu daqui ontem (sexta-feira) as três horas e deve ter afundado por volta das cinco”, revelou a fonte que apontou para um rombo da embarcação, como a principal causa do naufrágio.

Decorrem buscas, no terreno, visando localizar os desaparecidos. “Está no local um helicóptero a procura dos desaparecidos”.

De referir que nove pessoas incluindo dois tripulantes estavam a bordo quando o incidente se registou.

Este é o primeiro naufrágio ocorrido este ano, depois de no ano passado, 41 pessoas terem morrido na sequência de dois afundamentos ao largo da Zambézia, centro de Moçambique.

Imigração ilegal: Líbia pede ajuda

Ponto de partida para milhares de pessoas rumo à Europa, a Líbia pede ajuda para travar o fluxo crescente de imigrantes clandestinos.

Este centro de retenção na cidade costeira de Misrata acolhe actualmente cerca de 1000 pessoas, oriundas, maioritariamente, de países da África subsaariana.

“Se o governo não intervir de forma efectiva, se as organizações humanitárias e as nações afectadas não se unirem no combate à imigração ilegal e não nos ajudarem facultando os recursos necessários receio que venhamos a ser confrontados com uma enorme crise humanitária” refere Saleh Abu Dabbous, director do centro de detenção de Misrata.

A instabilidade política nos países de origem e as promessas de uma vida melhor leva a que muitos deixem tudo para trás.

“Vivia a estudava na Somália, mas como o meu país está em guerra decidi ir para a Europa” refere Abdel Rashid Ali Nour.

Um sonho adiado pelo menos para já. O caos na Líbia e a ausência de medidas por parte da União Europeia continuam a favorecer o negócio dos traficantes de seres humanos.

Fórum Africano insta governo de Zuma para acabar com a xenofobia

A organização Fórum Africano Diáspora (ADF) solicitou ao governo sul-africano à protecção aos estrangeiros africanos que vivem em Joanesburgo e Pretória. Entretanto, o porta-voz, da agremiação, Jean-Pierre Lukamba, questionou ao executivo pelo facto de não usar o exército para travar o derramamento de sangue que já resultou cerca de 15 mortes e não 7 como a polícia sul-africana assim refere”.

O porta-voz da ADF, Jean-Pierre Lukamba, de origem congolesa, pediu também que o exército seja enviado para a “township” de Alexandra, Joanesburgo, onde vivem 400.000 pessoas distribuídas em 7,6 quilómetros quadrados.

“Quantos imigrantes têm que morrer até que o governo sul-africano decida usar o exército, como em 2008?”, questionou o porta-voz, citado pela AFP.

Aliás, até o momento, a polícia sul-africana anunciou a morte de seis pessoas, mas de acordo com a ADF pelo menos 15 morreram e outras 2.500 ficaram deslocadas desde o início do conflito neste mês.

Moçambique e África do Sul vão jogar contra a xenofobia

A Federação Sul-Africana de Futebol (SAFA) pretende realizar dois jogos particulares, como forma de protesto contra a onda de violência xenófoba que está a assolar o país e um desses jogos poderá ser diante da selecção de Moçambique.

As datas dos dois particulares ainda não estão definidas, mas deverão ser anunciadas nas próximas duas semanas, como forma de mostrar ao mundo que os povos africanos devem estar unidos e não desavindos.

O jogo terá como pano de fundo o lema «Todos somos um Continente» e a SAFA quer «utilizar a força universal do futebol para mostrar que os africanos devem estar unidos».

A onda de violência xenófoba na África do Sul, que teve como epicentro a cidade de Durban, obrigou milhares de moçambicanos a refugiarem-se em três centros, tendo algumas centenas preferido regressar a Moçambique.

Lopetegui fala sobre a sua primeira temporada no FC Porto

O actual treinador do FC Porto, o espanhol Julen Lopetegui, que chegou à equipa portuguesa em 2014 deu esta semana uma entrevista a um jornal espanhol o “AS”, onde afirmou que está no FC Porto de corpo e alma e que não está a considerar a sua passagem pela equipa portuguesa para conseguir chegar a uma das principais equipas do futebol europeu.

“Não, não é um trampolim. Estou num clube de topo, grande, exigente, bastante precioso e não quero pensar noutra coisa”, começou por afirmar o técnico espanhol.

Julen Lopetegui falou ainda do seu primeiro ano à frente da equipa azul e branca e destacou ainda a evolução de alguns dos seus jogadores em particular do internacional português Ricardo Quaresma. Para o treinador espanhol Quaresma deixou de jogar tanto individualmente para passar a jogar mais em equipa, afirmando que isso tem sido bom para o jogador e para a própria equipa.

“É um dos jogadores que mais evoluiu este ano. Evoluiu para alguém mais colectivo, solidário e mais jogador de equipa. Conseguiu tudo isto porque quis trabalhar e melhorar. O Tello veio para dar nível ao lugar, mas o Quaresma soube lutar por ele”, acrescentou.

Numa altura em que faltam apenas seis jornadas para o final de temporada do campeonato de futebol português a equipa do FC Porto ocupa neste momento o 2. lugar com 68 pontos estando a apenas três pontos do líder Benfica e tendo mais oito pontos que a equipa do Sporting que ocupa o 3. lugar.

A equipa azul e branca tem assim em 28 jogos já realizados para o campeonato português um registo de 21 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas, somando até ao momento 66 golos marcados e apenas 12 sofridos (melhor defesa).

Lembrar apenas que o FC Porto ainda irá defrontar a equipa do Benfica antes do final da temporada, deixando assim tudo em aberto para a conquista do titulo nacional de 2014/15.

Destacar ainda que para além do campeonato português o FC Porto ainda se encontra a disputar a Liga das Campeões, estando neste momento nos quartos-de-final da competição, onde irá defrontar a equipa alemã do Bayern de Munique.

Sobre os dois jogos que irão ter frente aos alemães, o treinador do FC Porto afirmou que apesar de saber que irá jogar contra uma equipa muito forte, está confiante que possa alcançar as meias-finais da Liga Milionária.

“É um desafio colossal, frente a uma das melhores equipas do futebol europeu. Ganhámos o direito de jogar a Champions. Começámos esta competição sem bilhete para a fase de grupos e vamos com a intenção de sermos protagonistas”, concluiu Lopetegui.

Os encontros entre FC Porto e Bayern de Munique estão marcados para o dia 15 de Abril e dia 21 de Abril.

Já para a Liga NOS, os azuis e brancos voltam a entrar novamente em campo no próximo Sábado, dia 18 de Abril, frente á equipa da Académica de Coimbra, num encontro que se irá realizar no Estádio Cidade de Coimbra, ás 18:00 horas.

Escritor Mia Couto endereça carta aberta ao presidente Zuma

O escritor moçambicano, Mia Couto, endereçou neste sábado (18) através da “Fundação Fernando Leite Couto”, uma carta aberta endereçada ao presidente sul-africano, Jacob Zuma, em repúdio a onda de xenofobia descontrolada contra cidadãos estrangeiros, sobretudo moçambicanos.

Leia na íntegra, a seguir:

Mia Couto

Contra o genocídio de moçambicanos na África do Sul

Exmo. Senhor Presidente Jacob Zuma

Lembramo-nos de si em Maputo, nos anos oitenta, nesse tempo que passou como refugiado político em Moçambique. Frequentes vezes nos cruzámos na Avenida Julius Nyerere e saudávamo-nos com casual simpatia de vizinhos. Imaginei muitas vezes os temores que o senhor deveria sentir, na sua condição de perseguido pelo regime do apartheid. Imaginei os pesadelos que atravessaram as suas noites ao pensar nas emboscadas que congeminavam contra si e contra os seus companheiros de luta. Não me recordo, porém, de o ter visto com guarda-costas. Na verdade, éramos nós, os moçambicanos, que servíamos de seu guarda-costas. Durante anos, demos-lhe mais do que um refúgio. Oferecemos-lhe uma casa e demos-lhe segurança à custa da nossa própria segurança. É impossível que se tenha esquecido desta generosidade.

Nós não a esquecemos. Talvez mais do que qualquer outra nação vizinha, Moçambique pagou caro esse apoio que demos à  libertação da África do Sul. A frágil economia moçambicana foi golpeada. O nosso território foi invadido e bombardeado. Morreram moçambicanos em defesa dos seus irmãos do outro lado da fronteira. É que para nós, senhor Presidente, não havia fronteira, não havia nacionalidade. Éramos, uns e outros, irmãos de uma mesma causa e quando tombou o apartheid a nossa festa foi a mesma, de um e de outro lado da fronteira.

Durante séculos, emigrantes moçambicanos, mineiros e camponeses, trabalharam na vizinha África do Sul em condições que pouco se distinguiam da escravatura. Esses trabalhadores ajudaram a construir a economia sul-africana. Não há riqueza do seu país que não tenha o contributo dos que hoje são martirizados.

Por todas estas razões, não é possível imaginar o que se está a passar no seu país. Não é possível imaginar que esses mesmos irmãos sul-africanos nos tenham escolhido como alvo de ódio e perseguição. Não é possível que moçambicanos sejam perseguidos nas ruas da África do Sul com a mesma crueldade que os polícias do apartheid perseguiram os combatentes pela liberdade, dentro e fora de Moçambique. O pesadelo que vivemos é mais grave do que aquele que o visitava a si quando era perseguido político. Porque o senhor era vítima de uma escolha, de um ideal que abraçou. Mas os que hoje são perseguidos no seu país são culpados apenas de serem de outra nacionalidade. O seu único crime é serem moçambicanos. O seu único delito é não serem sul-africanos.

Senhor Presidente

A xenofobia que se manifesta hoje na África do Sul não é apenas um atentado bárbaro e cobarde contra os “outros”. É uma agressão contra a própria África do Sul. É um atentado contra a “Rainbow Nation” que os sul-africanos orgulhosamente proclamaram há uma dezena de anos. Alguns sul-africanos estão a manchar o nome da sua pátria. Estão a atacar o sentimento de gratidão e solidariedade entre as nações e os povos. É triste que o seu país seja hoje notícia em todo o mundo por tão desumanas razões.

É certo que medidas estão a ser tomadas. Mas elas mostram-se insuficientes e, sobretudo, pecam por serem tardias. Os governantes sul-africanos podem argumentar tudo menos que estas manifestações os tomou se surpresa. Deixou-se, mais uma vez, que tudo se repetisse. Assistiu-se com impunidade a vozes que disseminavam o ódio. É por isso que nos juntamos à indignação dos nossos compatriotas moçambicanos e lhe pedimos: ponha imediatamente cobro a esta situação que é um fogo que se pode alastrar a toda a região, com sentimentos de vingança a serem criados para além das suas fronteiras. São precisas medidas duras, imediatas e totais que podem incluir a mobilização de forças do exército. Afinal, é a própria África do Sul que está a ser atacada. O Senhor Presidente sabe, melhor do que nós, que acções policiais podem conter este crime mas, no contexto actual, é preciso tomar outras medidas de prevenção. Para que nunca mais se repitam estes criminosos eventos.

Para isso urge tomar medidas numa outra dimensão, medidas que funcionam a longo prazo. São urgentes medidas de educação cívica, de exaltação de um passado recente em que estivemos tão próximos. É preciso recriar os sentimentos solidários entre os nossos povos e resgatar a memória de um tempo de lutas partilhadas. Como artistas e fazedores de cultura e de valores sociais, estamos disponíveis para de enfrentar juntos com artistas sul-africanos este novo desafio, unindo-nos às inúmeras manifestações de repúdio que nascem na sociedade sul-africana. Podemos ainda reverter esta dor e esta vergonha em algo que traduza a nobreza e dignidade dos nossos povos e das nossas nações. Como artistas e escritores queremos declarar a nossa disponibilidade para apoiar a construção de uma vizinhança que não nasce da geografia mas de um parentesco que é da alma comum e da história partilhada.

Fundações anti-apartheid dizem que os sul-africanos são “ingratos”

As fundações Nelson Mandela e Ahmed Kathrada afirmaram neste sábado (18) que os ataques xenófobos contra os cidadãos africanos estrangeiros que vem a ocorrer na África do Sul, reflectem a falta de memória dos anos de luta contra o regime racista do Apartheid.

Seis pessoas foram assassinadas nos ataques racistas, que estão a acontecer há duas semanas na região de Kwazulu-Natal e consta que milhares de pessoas fugiram daquela localidade.

As fundações, que levam o nome de dois dos principais líderes da luta contra o “Apartheid”, lamentaram que os sul-africanos estejam a esquecer os longos anos de luta contra a segregação étnica.

“Nos esquecemos do apoio dado pelo povo do continente africano à luta contra o apartheid. Nos esquecemos do legado de líderes do movimento de libertação como Nelson Mandela, Ahmed Kathrada e outros veteranos dessa luta”, afirmaram as fundações através de uma nota de imprensa.

Estas organizações pedem a todos os sul-africanos que demonstrem a hospitalidade que define a sua ordem democrática, que trabalhem juntos para encontrar soluções para um problema que destrói vidas e envergonha a África do Sul perante o mundo.

“Encorajamos aqueles que podem comandar a se transformarem em líderes”, para assim acabar com esta situação e atitudes, disse.

Investimento do gás criará distorções locais, alertam economistas

Fontes consultados pelo MMO afirmam que o país precisa se preparar para o impacto da entrada de capital estrangeiro.

Moçambique foi tomado pela febre do gás nos últimos anos. Agora o país discute os efeitos da futura entrada de recursos e suas consequências macroeconómicas. Economistas concordam que os efeitos serão mais locais e alertam para as possíveis distorções localizadas. Para prevenir isso, eles sugerem soluções para que o país não fique concentrado demais só no sector extractivo, tais como diversificação da economia e a criação dum fundo soberano.

Embora a Sasol já produza gás no país há alguns anos, o grande volume virá mesmo com as reservas da Bacia do Rovuma, o que cria uma janela de oportunidades para o País discutir o que fazer com as futuras riquezas: se pretende tornar-se uma Nigéria na África Austral ou uma Noruega na África.

Moçambique vive um período de grandes expectativas em relação a sua riqueza natural, especialmente no que gás natural diz respeito. Sua economia tem recebido atenção especial por parte dos investidores estrangeiros, os quais tem direccionado seus recursos para o país. Só a Anadarko, ENI e suas sócias no Rovuma pretendem investir no País mais de US$ 40 biliões nos próximos anos, principalmente na construção de infraestruturas para a extracção e processamento primário do gás.

Assim sendo, várias são as vozes que se levantam e questionam o impacto dessa entrada massiva de capitais estrangeiros, e as possíveis distorções que delas podem ser geradas, tais como problemas na taxa de câmbio e inflação, variáveis fundamentais para o bom desempenho da nossa economia.

No entanto, alguns economistas acreditam que essa entrada de capitais não trará distorções alarmantes para a economia nacional devido à composição destes investimentos. Segundo o economista do Banco de Moçambique Alberto Guimas, grande parte dos recursos entrará sob a forma de equipamentos que serão utilizados na extracção e processamento, tecnologias que o País não tem e, portanto, terão que ser importadas.

E, por outro lado, o fluxo de entrada acontecerá por meio do conhecimento – o know-how – detido pelos especialistas que virão ajudar na operacionalização destes projectos. Ou melhor, apenas uma pequena percentagem entrará em forma de divisas, para pagamento de salários e outros serviços inerentes às operações dos investidores.

Pressão da procura no sector imobiliário e restauração

capital-estrangeiro

Ainda assim, essa pequena entrada relativamente ao total de investimentos poderá criar distorções locais nas zonas em que tais projectos estarão alocados, quanto ao custo de vida, rendas, alimentação, serviços e outros.

Sobre este assunto, o economista e membro do CTA, Luís Sitoe, embora considere que o impacto será mínimo, sugere que “se há recursos que serão gerados, ou que estarão disponíveis para o governo, uma forma de minimizar ainda mais o impacto seria investir em infraestruturas de apoio a produção, investir, por exemplo, em estradas que permitem o escoamento de produtos agrícolas, em regadios agrícolas, unidades de agro-processamento, investir em coisas que irão tornar Moçambique competitivo sobretudo no sector primário”.

Sobre as distorções causadas nos locais de implementação e afins, a nível do sector imobiliário tanto quanto no sector de restauração, economistas concordam que deve se mais a pressão da procura e não muito sobre a especulação.

Ou seja, os técnicos e outros funcionários empregues neste tipo de projectos são pagos em função das condições e ou políticas das próprias empresas e não em consequência da localização, sendo assim, estes colaboradoes importam o seu próprio nível de vida para esses locais, tendo estes maiores condições de pagar, acabam exercendo pressão sobre os preços de imóveis e alimentação nestas zonas.

Sendo assim, como consequência, os preços sobem a um nível em que os jovens locais não têm como fazer face a esses níveis de preço, aumentando, assim, o custo de habitação destes. Para atenuar isso, há a necessidade de criar projectos sociais de habitação, começando pela pesquisa de melhores e mais baratas formas de construção, defende Sitoe.

Receitas provenientes do gás

O uso que o país fará das receitas com o gás e o petróleo é uma questão que ainda gera debates. “É preciso perguntar, com o petróleo e o gás em Moçambique, o que queremos? Uma Nigéria na África austral, ou uma Noruega na África?”, pergunta Sitoe.

Ainda que tenhamos várias necessidades por sanar, incluindo o próprio orçamento do estado que depende, em alguma percentagem de doações, não se descarta a possibilidade da criação dum fundo soberano, pois segundo o economista “o fundo soberano dá-nos este tempo de refletir sobre o que queremos fazer, é verdade que se tivéssemos um bilião de dólares, haveríamos de saber o que fazer com ele no dia seguinte, mas estaríamos a fazer as coisas certas? O ponto é esse, enquanto que se tu podes pensar e avaliar os impactos daquilo que queres fazer e seres seletivo para com as coisas que sejam mais importantes e que geram um efeito multiplicador para a economia, então aí estarias a fazer muito bem”.

Cerca de 66 porcento de mulheres desconhece existência de contraceptivos

Cerca de 66 por cento das mulheres moçambicanas residentes na província nortenha de Cabo Delgado desconhece a existência de métodos contraceptivos. Apesar de Moçambique ter verificado avanços na melhoria do planeamento familiar entre  2010-2014, o acesso ainda é limitado.

Em Julho de 2010, com a estratégia de Planeamento Familiar 2010-2014, o Ministério da Saúde- MISAU aprovou também a revitalização do programa do agente Polivalente Elementar, bem como envolvimento das parteiras tradicionais para mobilizar a comunidade com o objectivo de aumentar o uso de métodos de Planeamento Familiar e promoção do parto institucional.

Para o efeito foram lançados na manha desta quarta-feira pela Pathfinder, uma organização não-governamental, os resultados definitivos do estudo sobre acesso comunitário aos contraceptivos injectáveis levado a cabo em coordenação com o Ministério da Saúde, Associação Moçambicana de Obstetras e Ginecologistas e o Bibxy Center – Universidade de Califórnia, dos distritos de Montepuez e Chiúre, Cabo Delgado, no ano passado.

Segundo o representante da Pathfinder Internacional em Moçambique, Rita Badiani, o estudo tem por objectivo avaliar a praticabilidade e a segurança da distribuição dos contraceptivos injectáveis nas comunidades.

“O  estudo visava contribuir para a geração de evidencias de novas abordagens para aumentar o acesso, a prevalência de uso de contraceptivos e reduzir a actual necessidade não satisfeita de planeamento familiar nas nas zonas rurais do pais, através de uma avaliação sobre a segurança e a viabilidade de um programa de distribuição comunitária”, explicou.

Falando na ocasião, Ndola Prata representante da Bixby Center. disse que esta pesquisa operacional foi importante pois a maioria das mulheres abrangidas no estudo iniciaram o uso de contraceptivos pela primeira no âmbito do estudo e muito poucas tiveram efeitos secundários ou morbilidades no local da injecção.

” O nível de satisfação com a provisão dos serviços pelos agentes de saúde foi elevado e melhorou ao longo do período  do estudo”, frisou.

Por seu turno a representante do MISAU, Olga Sigaúque, disse que a elaboração deste estudo trouxe uma mais-valia para as mulheres moçambicanas, com especial destaque para as das zonas rurais, pois vai garantir a implementação e deste modo, contribuir para a redução de casos de gravidezes indesejadas.

De acordo Sigauque é  um estudo importante, na medida em que servirá para visualizar e direccionar o MISAU para a melhoria dos métodos de contracepção para as mulheres moçambicanas, tendo em conta que a pesquisa surge numa altura em que o sector da saúde está a renovar as estratégias de planeamento familiar no seio da comunidade”.

Pervertido usa iPhone no chinelo para fotografar por baixo de saias

Um homem foi detido em Taiwan com um iPhone no chinelo, que usava para fotografar por baixo das saias de mulheres em centros comerciais e transportes públicos.

Para evitar fotógrafos voyeuristas, as autoridades da ilha Formosa conseguiram banir a venda de câmaras que pudessem ser instaladas em sapatos, mas essa proibição não conseguiu travar o ímpeto de Wu Qing-Fu, de 26 anos.

Com um banal iPhone preso no chinelo, o homem deambulou pela cidade de Chiayi, a fotografar mulheres, mas um “caminhar estranho” despertou suspeitas e ele acabou por ser detido num comboio, revela o jornal “Mirror”.

“Eu virava-lhe as costas e ele movia-se atrás de mim sempre que o fazia, até que senti o pé no meio das minhas pernas”, contou Li Tuan, de 21 anos, que viu “claramente” o iPhone que Qing-Fu controlava através de um auricular.

A polícia revela que a mulher gritou, alertando outras pessoas que conseguiram detê-lo até à chegada das autoridades. Várias imagens obtidas pelo mesmo método foram encontradas no telemóvel do suspeito.

Fonte: JN

Funcionários roubam malas do Aeroporto

Funcionários do Aeroporto Internacional de Miami, EUA, foram apanhados em flagrante quando escolhiam o que roubar das malas dos passageiros.

Uma investigação policial utilizou câmaras ocultas para provar que alguns funcionários de aeroportos norte-americanos, em vez de cuidarem das bagagens que os passageiros lhes confiam, são “amigos do alheio” e abrem as malas para escolher o que levar para casa.

O caso aconteceu em Miami, durante o transporte das malas para os respectivos aviões. Sem que os funcionários soubessem que estavam a ser filmados, já dentro do avião, é possível ver os funcionários a remexer nos pertences dos passageiros.

Desde 2012, 31 funcionários já foram condenados por roubarem os passageiros neste aeroporto norte-americano.

Mas o problema não se circunscreve só a Miami. Segundo a CNN, entre 2010 e 2014, foram apresentadas 30.621 reclamações de objectos perdidos nos aeroportos dos EUA, sendo que a sua maioria eram objectos que se encontravam nas malas durante a viagem. Ao todo, são mais de dois milhões de euros em pertences que desapareceram. Veja o vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=p2edYUVQJlk#t=17

Fonte: JN

Esposa contrata dançarinas semi-nuas para funeral do marido falecido

Uma esposa contratou dançarinas quase nuas para fazerem um show no funeral de seu marido, atendendo ao último desejo do falecido.

Vestidas sensualmente, as profissionais se apresentaram em uma cerimónia nada tradicional em Taipei, Taiwan. As contratadas pela mulher do falecido, identificada como Senhora Jian, dançaram em seu funeral conforme ele mesmo tinha pedido à esposa.

A “homenagem” chocou algumas as pessoas presentes no velório que e aconteceu sob luzes de néon na manhã de 12 de Abril. Outros, porém disputaram os melhores lugares para filmarem a performance. Após o show aconteceu a cerimonia tradicional.

https://www.youtube.com/watch?v=E6sqEyw43eo

Fonte: Gadoo

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