O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a negar qualquer envolvimento na alegada tentativa de golpe de Estado que visou manter a sua presidência em 2022.
As declarações surgem no contexto de uma investigação da Polícia Federal brasileira que aponta directamente para a sua participação em acções que visaram desestabilizar o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Na passada quarta-feira, Bolsonaro foi recebido por um grupo de apoiantes ao chegar ao aeroporto de Brasília, apenas dias após ter sido acusado pela Polícia Federal de estar envolvido na orquestração de um golpe contra o actual presidente. Em declarações a jornalistas, o ex-chefe de Estado reafirmou a sua inocência e sustentou que todas as suas acções durante a presidência foram realizadas conforme a Constituição.
“O golpe de Estado é uma coisa séria (…). Têm de estar envolvidas todas as forças armadas. Então, não existe golpe”, argumentou Bolsonaro, desvalorizando as acusações. “Ninguém vai dar golpe com o general da reserva e mais meia dúzia de oficiais”, acrescentou, minimizando a possibilidade de uma conspiração militar.
Antes de aterrar em Brasília, o ex-presidente partilhou um vídeo nas redes sociais, onde se defendeu afirmando que sempre “jogou limpo” durante o seu mandato. “Alguns falam que o meu defeito foi jogar limpo num país onde tinha muita coisa escondida. Mas valeu a pena. Valeu a pena perder, e a gente vai voltar em 2026”, declarou.
Bolsonaro enfrenta, actualmente, três indiciamentos: tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa. Para além do ex-presidente, 36 outras pessoas estão a ser investigadas, incluindo militares e ex-ministros, num caso que continua a agitar a cena política brasileira.















