Estados Unidos e China entraram hoje em desacordo no Conselho de Segurança da ONU sobre as tensões na península coreana, com Washington a defender mais sanções internacionais contra a Coreia do Norte e Pequim a pressionar por alívio.
“Devemos fortalecer o regime de sanções e não estar interessados em flexibilizar as sanções”, disse a embaixadora norte-americana nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, que convocou o Conselho de Segurança para debater o assunto e está a pressionar o órgão de 15 membros para fortalecer as sanções contra a Coreia do Norte.
Já a China e a Rússia pretendiam aliviar, para fins humanitários, as pesadas sanções económicas internacionais impostas em 2017 à Coreia do Norte, afectando as suas exportações de carvão, ferro, têxteis ou produtos pesqueiros e as suas importações de petróleo.
“Estamos a chegar ao fim das negociações” sobre o projecto de texto norte-americano “e não podemos esperar por um teste nuclear” para “falar a uma só voz, devemos agir hoje”, insistiu Linda Thomas-Greenfield, apoiada nesse sentido pelo Japão.
Washington considera que está iminente um teste nuclear na Coreia do Norte.
Por sua vez, o embaixador chinês na ONU, Zhang Jun, disse que “a possibilidade de uma escalada é preocupante” e pediu “a todas as partes que exerçam moderação e mantenham o diálogo”.
Questionado após a reunião sobre o risco de outro teste nuclear norte-coreano, o diplomata da China respondeu: “É claro que ninguém gosta de testes nucleares” e “o que a China quer evitar é um novo teste nuclear”.
“É por isso que não queremos sanções adicionais que possam forçar qualquer um dos lados a tomar acções mais proactivas. Falar é melhor do que uma acção coerciva. Já vimos tantas medidas coercivas em todo o mundo, na Síria, no Iraque e no Afeganistão. Viram bons resultados? O que vimos é apenas sofrimento humanitário”, disse Zhang Jun.
A vice-embaixadora russa Anna Evstigneeva também defendeu a resolução proposta com a China e pediu que seja retomado o diálogo.
A Coreia do Norte aumentou os seus lançamentos de mísseis nos últimos meses, realizando 15 testes de armas até agora este ano, numa demonstração de força que levantou preocupações dos países vizinhos e do Governo de Joe Biden.

















