Cerca de 175 profissionais da comunicação social estão em prisão preventiva ou a cumprir penas por crimes de terrorismo na Turquia, líder mundial em jornalistas presos, denuncia a organização não-governamental Human Rights Watch (HRW) num relatório hoje divulgado.

No relatório mundial 2019 da HRW, que resume as principais questões de direitos humanos do final de 2017 até novembro de 2018, a Turquia permaneceu como líder mundial em jornalistas presos, tendo-se registado 175 detidos e ainda outras centenas que estão a ser julgados, mas que se encontram em liberdade.

Esta organização não-governamental (ONG) de defesa dos direitos humanos explicou que a maioria dos meios de comunicação “carecem de independência e promovem a linha política do Governo”.

Durante o ano, tribunais emitiram sentenças em vários julgamentos de jornalistas com base em evidências que consistem em escrever e reportar que não defendem a violência, juntamente com alegações sem suporte de ligações com organizações terroristas ou tentativa de golpe, escreve a HRW.

Ainda no campo da liberdade de expressão, a HRW apontou o contínuo bloqueio de ‘sites’, nomeadamente da Wikipédia, e a remoção de conteúdo on-line, referindo que milhares de pessoas na Turquia enfrentaram investigações e processos criminais pelas suas publicações nas redes sociais.

Ao longo do relatório, a HRW destaca a temática dos refugiados e migrantes, indicando que a Turquia continuou a acolher o maior número de refugiados do mundo, cerca de 3,5 milhões vindos da Síria.

A HRW apontou ainda que, em outubro, a Turquia admitiu 11 uigures que tinham fugido da repressão, após a Malásia recusar o seu regresso à China e libertá-los da custódia.

Esta ONG de defesa dos direitos humanos verificou a permanência de tortura, maus tratos e tratamento cruel e desumano nas prisões e a falta de investigação, considerando esta situação “uma profunda preocupação”.

“Não houve investigações efetivas sobre os raptos de 2017 alegadamente por agentes do Estado de pelo menos seis homens que foram mantidos em locais de detenção não revelados antes da sua liberação meses depois, em circunstâncias que equivalem a um possível desaparecimento forçado”, lê-se no relatório da HRW.

A HRW recorda ainda a proibição, em Novembro de 2017, da participação em eventos públicos de organizações de defesa dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT) pelo governador de Ancara, revelando uma abordagem “cada vez mais repressiva” da Turquia ao grupo LGBT.

Em julho, o governador de Istambul proibiu a Marcha Anual do Orgulho da cidade pelo quarto ano, citando questões de segurança e ordem pública.

A HRW congratulou a libertação do ex-presidente da Amnistia Internacional na Turquia Taner Kiliç, acusado de ligações ao terrorismo.

Taner Kiliç foi detido em junho de 2017 e passou um ano em prisão preventiva antes de ficar em liberdade condicional.

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