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Quarta-feira, Abril 8, 2026
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Plano para reduzir analfabetismo

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O governo de Moçambique quer reduzir a taxa de analfabetismo no país para 30% até 2015 mas há dúvidas sobre como é que isso poderá ser alcançado.
Para materializar o plano de instrução primária de adultos, o sector da Educação de Moçambique definiu um projecto de contratação de docentes e de aquisição de material escolar para diversos níveis de ensino, nomeadamente a compra de livros escolares bilingue para o segundo e terceiro ciclos.
Mas a falta de recursos financeiros poderá afectar todos os planos. Essas dificuldades ficaram exemplificadas por uma ameaça de greve de professores na província de Gaza porque não lhes eram pagas as horas extraordinárias..
No próximo ano, o Ministério da Educação de Moçambique prevê contratar 19.300 professores para formarem perto de 600 mil pessoas, particularmente mulheres adultas, segundo indica o Plano Económico e Social (PES) deste ano.
No documento anunciado a sua intensão, as autoridades de Educação moçambicanas reconhecem os desafios do país na cobertura do acesso a uma educação básica de qualidade a crianças de sete anos, um dos Desafios do Milénio traçados pela ONU, pelo que o Governo definiu um conjunto de acções visando alcançar as metas estabelecidas.

Maputo: Bandidos e polícias enfrentam-se com armas

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Trata-se de oito jovens, quatro dos quais com idades compreendidas entre 22 a 24 anos, que foram interpelados pela Polícia por volta das 23 horas de Segunda-feira, quando se encontravam a conversar defronte de duas viaturas estacionadas na esquina entre as avenidas Guerra Popular e Eduardo Mondlane, no centro da cidade.
Falando hoje a imprensa, o porta-voz do Comando-geral da PRM, Pedro Cossa, explicou que, quando a Polícia se aproximou do local, um dos jovens puxou uma arma do tipo AK47 e começou a atirar contra os agentes da lei e ordem. `Da troca de tiros, um deles foi ferido nas duas pernas´, disse Cossa, falando durante o habitual briefing semanal da Polícia a imprensa.
Quatro deles conseguiram fugir, mas os outros quatro foram detidos e foi apreendida uma arma de fogo do tipo AK 47, acrescentou .
Da viatura dos bandidos, a Polícia recuperou baionetas, seis gorros máscaras e uniformes de uma empresa de construção de origem chinesa.
`Todo o trabalho visando a recaptura deles continua e apelamos a todos para nos fornecer qualquer informação que possa ser importante para isso. Por outro lado, se eles se entregarem voluntariamente à Polícia podem atenuar as suas penas´, disse Cossa.

Liberalização do espaço aéreo de Moçambique refém da LAM

LAM

Em declarações, a vice-ministra dos Transportes e Comunicações Manuela Rebelo salientou que Moçambique receia avançar com a liberalização do espaço aéreo enquanto a LAM não estiver em condições de enfrentar a concorrência, apetrechamento que passará por dotar a companhia aérea nacional com meios materiais que proporcionem maior qualidade na prestação de serviços.
A liberalização do espaço aéreo é um compromisso assumido por vários países africanos no tratado de Yamoussoukro, Costa do Marfim, em 2000, estipulando as regras de `céu aberto´ que as companhias aéreas de países que tiverem estabelecido acordos neste âmbito operem sem restrições nesses mercados, deslocando passageiros para diferentes destinos.
“Um dos grandes receios que temos é o facto de não estarmos preparados para entrarmos na liberalização do espaço aéreo atendendo a que a soberania de um país precisa de ter, de facto, uma companhia aérea apetrechada e em condições de competir em igualdade de circunstâncias com qualquer outra´´, disse a vice-ministra, sem se referir, em concreto, às acções a realizar nesse sentido.
Manuela Rebelo disse também que há um trabalho a ser desenvolvido, de modo a que, gradualmente, o país possa avançar com acordos de liberalização do espaço aéreo com mais países, em coordenação com os princípios da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), órgão que tem uma estratégia de protecção das companhias de bandeira.

Ministra da Função Pública inicia visita de dois dias à cidade de Maputo

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A visita enquadra-se no âmbito da monitoria da implementação do PES 2012
A ministra da Função Pública, Vitória Dias Diogo, efectua, entre hoje e amanhã, uma visita de trabalho à cidade de Maputo, incluindo o distrito Municipal KaTembe.
O périplo, que inicia hoje, enquadra-se no âmbito da monitoria da implementação do plano de actividades e do Plano Económico e Social 2012 (PES).
Hoje, Vitória Diogo vai inteirar-se do funcionamento das instituições no que tange ao cumprimento do PES e da implementação dos vários instrumentos aprovados para o desenvolvimento do sector estatal, além de se reunir com gestores dos recursos humanos, directores das escolas da cidade, gestores da área financeira e chefes de departamento, com vista a “auscultar os problemas que ainda enfermam o sector.”
Já amanhã, segundo o comunicado daquele ministério, a governante reunir-se-á com os funcionários e agentes do Estado do distrito Municipal KaTembe, não só para fazer o levantamento dos problemas existentes, mas também para encontrar soluções face às dificuldades que ainda persistem, junto dos próprios profissionais públicos

Cidadã detida e indiciada de rapto de uma menor de 3 meses

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Uma senhora de 34 anos de idade encontra-se detida nas celas do Comando Distrital da Manhiça, província de Maputo, sul do país, indiciada de tentativa de rapto de um bebé de 3 meses de idade. A indiciada admite ter levado o bebé, mas diz que não tinha intenção de raptá-lo.
O caso deu-se na segunda-feira, num dos bairros da vila da Manhiça, quando uma senhora de 34 anos de idade, de nome Faira Francisco, foi à casa de Maria América, mãe da criança em causa, por volta das 13h00. A mãe da criança explica que a suposta sequestradora teria dito que era amiga da sua irmã mais velha e que já há muito que pretendia ver a recém-nascida.
A mãe da criança diz não ter nenhuma relação com Faira, e que nunca a tinha visto. Mas, estranhamente, admitiu que saísse com o seu bebé.
“Veio uma senhora que me encontrou a lavar, e disse que vinha ver o meu bebé, porque desde que dei à luz nunca tinha tido tempo para tal. Depois, pediu que amamentasse a criança para que ela passeasse um pouco com ela. Disse que não iria para longe e que só precisava deixar uma camisola na vizinhança. Desapareceu e nunca mais voltou”, explicou a mãe da criança supostamente raptada.
 Por seu turno, a  indiciada reconhece o erro por ter levado a criança, mas diz que não tinha nenhum interesse de raptá-la.  “Ela não ia admitir que eu saísse com o bebé da sua casa se não me conhecesse. Mas, mesmo assim, estou aqui a cumprir a pena que ela me proporcionou”.
Para os agentes da lei e ordem, não há dúvidas que esta é mais uma tentativa frustrada de rapto e que o bebé foi recuperado graças a denúncias de populares.
Neste momento, a senhora indiciada encontra-se nas celas da PRM a aguardar pela legalização da sua detenção e posterior julgamento, onde será acusada pelo crime de rapto.

Governo atribuiu 148 licenças mineiras no Niassa

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 O Governo moçambicano concedeu 148 licenças de exploração mineira no Niassa, no norte de Moçambique, disse o director de recursos minerais naquela província, Sertório Aurélio.
Em junho, o Governo moçambicano lançou um inédito concurso público, de um mês, destinado exclusivamente às empresas moçambicanas que pretendessem adquirir títulos mineiros de prospecção e pesquisa geológica de carvão na bacia do Médio Zambeze, em Tete, centro de Moçambique.
Até ao momento, as autoridades moçambicanas emitiram mais de 110 licenças de exploração mineira para 45 empresas nacionais e estrangeiras para operar na província de Tete, mas a participação de moçambicanos nestes empreendimentos continua a ser muito baixa.
O executivo de Maputo considera que a decisão de restringir o concurso somente aos moçambicanos visa permitir que estes tirem vantagens directas na exploração dos recursos minerais nacionais.
Também em Niassa, as autoridades locais estão a atribuir licenças aos investidores moçambicanos, por considerarem que a província apresenta um potencial mineiro vasto.
Naquela província que faz fronteira com a Tanzânia, há recursos minerais como ouro, rubi, safiras, fosfatos, granadas, calcário, chumbo, zinco, turmalinas, águas marinhas e carvão, mas o Governo admite a existência de diamantes naquela região.
O director provincial de recursos minerais em Niassa disse haver espaço para a concessão de mais licenças, sobretudo para pesquisa e prospecção, visto que o potencial daquela parcela do país ainda não está devidamente quantificado.
“Há recursos que certamente estão adormecidos, por isso convidamos os diversos empresários a investirem neste sector na nossa província”, disse Sertório Aurélio, citado pela Agência de Informação de Moçambique.
Grande parte destes recursos está a ser explorada informalmente por garimpeiros e pequenos operadores mineiros estrangeiros, sobretudo dos Grandes Lagos, que estão envolvidos da exploração destes minérios, nomeadamente pedras preciosas.

Manica: Tribunal liberta funcionários suspeitos de desvio de marfim

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 O Tribunal Judicial de Guro, em Manica, libertou funcionários públicos indiciados no desvio de marfim, que havia sido confiscado a caçadores furtivos, disse fonte oficial.
Os dois funcionários, o director e o seu adjunto do Serviço Distrital de Actividades Económicas (SDAE) de Guro, foram detidos no início de agosto, supostamente por terem desviado o marfim dos armazéns da instituição para sua colocação no mercado negro.
“O juiz concedeu liberdade condicional aos dois funcionários enquanto aguardam a sentença. Até então não foram encontradas as pontas de marfim que desapareceram misteriosamente dos armazéns do SDAE”, disse Rodrigues Mafione, porta-voz do governo distrital de Guro, assegurando que o executivo “acompanha atento o caso”.
A sentença dos dois funcionários poderá ser conhecida na próxima semana.
Os troféus resultaram do abate clandestino de elefantes no posto administrativo de Bunga, norte de Guro, e seriam vendidos a um grupo de cidadãos estrangeiros, que depois exportariam para alimentar o mercado negro no continente asiático.

Elefantes famintos saqueiam celeiros em Funhalouro

Elefantes famintos saqueiam celeiros em Funhalouro
Os residentes do distrito de Funhalouro enfrentam uma séria ameaça de crise alimentar, na sequência dos ataques protagonizados por elefantes problemáticos que saqueiam os celeiros domésticos donde retiram os excedentes para o seu auto-sustento.

As incursões dos paquidermes são bastas vezes motivadas pela falta de capim nas savanas, bem como o facto de as folhas das árvores estarem secas durante quase todo o ano, agravando a fome dos animais bravios, que acabam recorrendo aos celeiros das comunidades em busca da sobrevivência.

Funhalouro, no extremo centro-norte da província meridional de Inhambane, dista a 237 quilómetros da capital provincial, tem uma população estimada em pouco mais de 37 mil habitantes, que não obstante as condições climatéricas bastante extremas ainda pratica uma certa actividade agrícola para garantir a subsistência das comunidades.

A agricultura constitui uma activi- dade rara em Funhalouro, pelo facto de a região possuir um clima semi-árido caracterizado por chuvas irregulares ao longo do ano.

Aliada a falta de pluviosidade, está também o facto de o distrito não ser atravessado por nenhuma bacia hidrográfica (nacional ou internacional).

Afonso Machungo, administrador distrital, disse a AIM que as incursões dos elefantes estão preocupar as autoridades locais, porque além de colocar as comunidades em risco de fome na sequência da perda dos seus excedentes, criam, por outro lado, uma atmosfera de terror no seio das comunidades.

Apesar de não haver até então registo de vítimas mortais, segundo Machungo, os paquidermes estão a multiplicar a frequên- cia dos ataques aos celeiros das poucas famílias que conseguem algum excedente nas campanhas agrícolas.

No incidente registado recentemente no povoado de Tchave, localidade de Manhiça, o indivíduo a quem foi confiada a arma destinada a afugentar os animais alvejou acidentalmente um filhote dos paquidermes, situação que enfureceu ainda mais os animais que, além de vir em busca da comida, também invadiam o povoado numa atitude retaliatória.

“O acidente ocorrido na ocasião, em que um filhote foi atingido, aborreceu muito os animais, que além de ir procurar comida também procuravam se vingar, destruindo igualmente as habitações, na maioria dos casos, feitas de material precário”, explicou o administrador.

As autoridades distritais suspeitam que os animais atravessam Manhiça quando vão explorar os lagos temporários de água, na zona limite entre os distritos de Panda e Massinga. Funhalouro é um distrito próximo da Reserva Nacional de Zinave, distrito de Mabote, na província de Gaza, e do Parque Nacional do Limpopo (PNL), outro viveiro da fauna bravia.

Aquele distrito tem uma histórica presença de animais bravios. Aliás, em tempos recuados, na estrada que estabelece a ligação com o distrito da Massinga havia um local muito arenoso, denominado “cova do leão”.

O areal enterrava os carros e aí eles saiam da cova e mordiam os passageiros a bordo. Funhalouro possui uma população de bovinos calculada em 50 mil cabeças, a maior de toda a província, mas a falta da água de que se ressente mina os esforços para o seu abeberamento.

O precioso líquido tirado dos furos é, bastas vezes, rejeitado pelos animais por causa do teor salobre, que é resultado da elevada presença do calcário no subsolo do distrito.

A Direcção Nacional de Águas (DNA) entregou parcialmente, em Julho último, dois reservatórios de água com capacidade para 70 mil metros cúbicos (35 mil cada), que passarão pelo seu primeiro teste logo que a época chuvosa começar, dado que a expectativa de todos é que ela caia em qualidade suficiente, não só para aferir a sua funcionalidade, mas também aliviar o sofrimento da escassez da água.

Conselho Constitucional afirma que o Regulamento da Polícia já havia sido revogado

Conselho Constitucional afirma que o Regulamento da Polícia já havia sido revogado

O Conselho Constitucional (CC), o mais alto órgão responsável por matérias de constitucionalidade em Moçambique, indeferiu uma petição do Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, para declarar inconstitucionais duas cláusulas do Regulamento Disciplinar da Polícia da República de Moçambique (PRM), aprovado em 1987, pelo facto de as mesmas já terem sido revogadas. O aludido regulamento previa penas de prisão disciplinar simples e prisão disciplinar agravada, como sanções aplicáveis aos membros da Polícia, cujas definições constam dos artigos 12 e 13 do mesmo.

Com efeito, o artigo 12 do regulamento estabelece que “a prisão disciplinar simples consiste no internamento do infractor na Unidade ou em sector de produção do Ministério do Interior durante o tempo não inferior a cinco e nem superior a 25 dias, devendo aí executar trabalho manual, nomeadamente, construções, limpeza e outros serviços auxiliares” e o artigo 13 preceitua que “a prisão disciplinar agravada consiste na reclusão do infractor num recinto apropriado (cadeia ou casa de reclusão) até 60 dias e na sua afectação em regime reeducacional nas Unidades Produtivas do Ministério do Interior” e sem direito a um recurso em tribunal.

O referido regulamento, aprovado há mais de 25 anos, foi evocado pelo Comandante Geral da PRM, Jorge Khalau, em Abril último, para deter o comandante distrital da PRM em Nacala Porto, Adriano Muianga, e quatro membros da corporação por, alegadamente, estarem a guardar ilegalmente armas de fogo nas instalações do comando distrital.

Nos finais de Julho, estas acusações viriam a ser retiradas pelo tribunal distrital de Nacala Porto, quando se apurou que a decisão de guardar as armas no comando distrital da PRM era do conhecimento das autoridades competentes, e que as mesmas apenas tinham como objectivo garantir a protecção dos navios mercantes ao longo do Canal de Moçambique contra eventuais ataques de piratas somalis.

Antes de Muianga conseguir provar a sua inocência, oficiais superiores da PRM, incluindo o seu comandante geral, Jorge Khalau, declararam que tinham o direito de manter Muianga encarcerado ao abrigo do Regulamento Disciplinar da PRM de 1987.

Após a sua detenção, Muianga foi conduzido ao magistrado (porque, teoricamente, ninguém pode permanecer em prisão preventiva por um período superior a 48 horas sem a autorização do tribunal), que decidiu restitui-lo a liberdade provisória, enquanto decorriam as investigações.

Contudo, Muianga viria ser detido novamente pela polícia. Como resultado, o seu advogado submeteu um pedido de habeas corpus a seu favor e dois dos seus co-réus.

Mais uma vez foram reconduzidos ao tribunal, onde novamente o juiz decidiu restitui-los a liberdade provisória. Para evitar a sua terceira detenção, Muianga e os seus colegas decidiram refugiar-se na Procuradoria Provincial.

Após várias horas de negociações, Muianga e seus colegas conseguiram sair da Procuradoria distrital sem enfrentar o risco de serem detidos novamente.

Para complicar ainda mais a situação, Khalau chegou ao extremo de afirmar diante das câmaras de televisão que “Nós (a PRM) não obedecemos a nenhum juiz. Nós tomamos as nossas medidas internas”.

Por isso, Paulino acabou por solicitar ao Conselho Constitucional para revogar os artigos inconstitucionais no regulamento de 1987.

Como argumento, Paulino explicou que a atribuição de competências aos oficiais da Polícia para aplicação de medidas de privação da liberdade aos membros da PRM que violarem os seus deveres constitui uma flagrante violação ao “princípio da separação de poderes, vertido nos artigos 1, 3, 133 e 134, todos da Constituição da República”.

Prosseguindo, Paulino afirmava que a consagração no Regulamento da PRM de medidas privativas da liberdade abre espaço para “usurpação de poderes do judiciário pelo Executivo, o que não é tolerável num Estado de Direito Democrático, como é o nosso”.

Por que a Constituição refere clara- mente que apenas os tribunais podem validar e determinar a prisão, o Regulamento da PRM “colide directamente com as normas constitucionais”.

Por isso, o CC questiona, no seu acórdão da Quarta-feira da semana passada, a validade do regulamento de 1987 que foi usado para justificar a detenção telinforma de Muianga.

Depois de a Constituição de 1990 ter abolido o sistema de partido único e introduzir um sistema político pluralista, foi aprovada uma lei em 1992 que alterou o nome da corporação policial, de Polícia Popular de Moçambique (PPM) para Polícia da República de Moçambique (PRM).

Por isso, todos os aspectos da legislação anterior foram revogados. Em Maio de 1999, o governo elaborou os novos estatutos da PRM, que referem que “o membro da PRM goza de todos os dire- itos, liberdades e garantias reconhecidos aos demais cidadãos, sem prejuízo das restrições previstas por lei”.

Por isso, o Conselho Constitucional argumenta que todas as normas que entram em conflito com o novo Estatuto da PRM sejam automaticamente revogadas.

Os artigos do regulamento de 1987, que permitem a detenção de membros da polícia até um período de 60 dias, “são manifestamente contrárias” ao conteúdo normativo do artigo 80 do Estatuto do Polícia no que se refere a direitos, liberdades e garantias reconhecidas aos demais cidadãos.

Com relação a frase “sem prejuízo das restrições previstas na lei”, o CC explica que a mesma deve ser entendida no contexto da Constituição moçambicana, que refere que “a lei só pode limitar os direitos, liberdades e garantias, nos casos expressamente previs- tos na Constituição”.

Assim sendo, não existe nada na Constituição que permite que membros da polícia sejam detidos até dois meses pelos seus superiores hierárquicos.

Em suma, a PRM não tem a legitimidade de usar a privação da liberdade de seus membros como uma medida disciplinar.

O CC conclui que não existe nenhuma dúvida em declarar os artigos 12 e 13 de 1987 do Regulamento da PRM de inconstitucionais, pelo facto de os mesmos terem caído em desuso, uma vez que foram revogados há 13 anos pelo decreto de Maio de 1999 que aprova os Estatutos da PRM.

Por isso, o CC afirma, no seu acórdão, que não faz sentido declarar inconstitucional algo que já foi revogado.

A decisão do CC constitui um golpe profundo contra Khalau e outros juristas do Ministério do Interior que defendiam o regulamento de 1987, e que não se aperceberam que várias cláusulas foram revogadas pelo Estatuto da PRM de 1999.

Município de Catandica cede à pressão dos vendedores

Município de Catandica cede à pressão dos vendedores
Os vendedores do Mercado Macombe, no distrito de Baruè, na província central de Manica, suspenderam a greve que tinham agendado para esta Segunda-feira (10) em virtude do Concelho Municipal ter começado a resolver as suas preocupações.

Aqueles vendedores rebelaram-se semana passada contra o Município de Catandica por causa do encerramento do balneário e ausência de água para vários fins inerentes ao funcionamento do seu mercado.

O assessor do presidente do Concelho Municipal local, João Elias Cherene, acolheu a preocupação dos vendedores e assumiu ser legítima porque estão a exigir os seus direitos. Entretanto, a demora na resolução do problema que opunha as partes, segundo Cherene, deveu-se à ponderação de aspectos técnicos para aquisição do material de canalização com vista a fazer chegar água ao mercado.

Contrariamente à greve, esta Segunda-feira iniciou a abertura do canal pelo qual o precioso liquido chegará ao mercado. O assessor disse ainda haver outras actividades programadas no sentido de proporcionar um bem-estar aos vendedores.

Especialistas internacionais avaliam finanças rurais em Maputo

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Peritos de 31 países que lidam com questões relacionadas com microfinanças, cooperativas de crédito, microbancos, bancos comerciais, entre outras instituições do género, avaliam em seminário, partir de amanhã, em Maputo, métodos conducentes à provisão de finanças rurais eficazes para o incremento da produtividade.

Reunidos num seminário internacional sobre microfinanças, os peritos irão debruçar-se sobre três directrizes, nomeadamente a inovação no financiamento rural; finanças rurais nos sistemas financeiros e as cooperativas rurais. O evento, a decorrer até a próxima sexta-feira, é organizado pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento.

Há falsificação da carta de condução provisória

 Há falsificação da carta de condução provisória

O Instituto Nacional dos Transportes Terrestres (INATTER) está a trabalhar com as autoridades policiais no sentido de detectar os focos de falsificação das cartas de condução provisórias a proliferar no mercado em quantidades não especificadas visando requerentes incautos.

Edgar Gêmo, director-adjunto do INATTER, disse a propósito que se trata de uma falsificação que é usada para burlar o cidadão que chega a pensar que está na posse de uma carta de condução provisória (verdadeira) e chega a ficar à espera do dia para levantar o documento definitivo.

“Geralmente, descobrimos este tipo de casos quando os cidadãos burlados se dirigem ao nosso balcão para reclamar a carta definitiva que não existe em função da falta de cadastro nos nossos serviços. Estamos a falar de situações de burla que estão a ser protagonizadas por gente ainda desconhecida visando pessoas desprevenidas”, disse.

Segundo argumentou o nosso informador, tanto a carta de condução provisória, assim como a definitiva emitidas pela sua instituição são seguras, porque seguem um processo de tramitação com uma base de dados que começa nas escolas de condução e termina no INATTER.

“As condições de segurança podem ser verificadas em várias vertentes. Neste momento não temos detectadas situações de falsificação da carta de condução de modo que seja tal e qual a que produzimos aqui. Existem situações de cartas provisórias que circulam no mercado nacional que não têm autenticidade. Estamos a falar de situações em que os cidadãos fazem “scanner” e andam nas escolas a burlar os requerentes de cartas de condução”, disse Edgar Gêmo.

Questionado sobre se a proliferação destas cartas provisórias falseadas não tem a ver com a demora dos serviços na entrega da carta definitiva, Gêmo respondeu que o INATTER atrasou na entrega dos documentos definitivos e não a provisória.

“Atrasamos a entrega da carta definitiva, mas sempre entregamos a provisória. Nunca tivemos um espaço em que o cidadão habilita-se ou vem trocar e sai das nossas instalações sem documento nenhum”, disse.

Entretanto, segundo anotou, uma auditoria recente teria detectado situações de cartas verdadeiras que foram produzidos em processos fraudulentos e que já foram tomadas medidas que levaram até a demissão de alguns funcionários e outros expulsos.

“Já tivemos a oportunidade de abordar este assunto com a Imprensa. Esta carta de condução é segura de tal forma que é difícil ser falsificada. Há trabalhos que são feitos para que esta carta se mantenha com níveis de segurança que se pretende. Queremos assegurar que a situação está sob controlo”, disse.

O INATTER abriu recentemente as suas oficinas para mostrar aos jornalistas como são feitas as cartas de condução, incluindo o material usado que é importado dos Estados Unidos da América.

Porém, uma recente roptura de stocks dos materiais em causa, atribuída ao fornecedor que esteve em processo de reestruturação, acabou criando limitações na produção da carta de condução definitiva, situação que, no entanto, já foi resolvida e o INATTER está a produzir em função da capacidade instalada de 1600 documentos de condução por dia contra uma procura de 600 em todo o país.

Expulsos da RAS cerca de 7000 moçambicanos em situação ilegal

Expulsos da RAS cerca de 7000 moçambicanos em situação ilegal
Maisde 6900 moçambicanos emigrados ilegalmente para a África do Sul foram repatriados entre Janeiro e Agosto deste ano, segundo dados confirmados recentemente por Damasco Mathe, cônsul-geral de Moçambique naquele país vizinho.

Até semana passada, 878 moçambicanos detidos por imigração ilegal em diversos pontos da África do Sul, continuavam retidos no Centro de Trânsito de Lindela, próximo de Joanesburgo, à espera do dia e hora para ser repatriados. O último grupo de imigrantes ilegais, em número de 111, foi entregue às autoridades moçambicanas a 23 de Agosto passado.

Afinal, segundo Damasco Mathe, a saída ilegal de moçambicanos para a África do Sul continua a ser fonte de preocupação para as autoridades diplomáticas de ambos países, uma vez que são muitos os moçambicanos que ainda acreditam que a solução para os seus problemas está do outro lado da fronteira.

“A emigração ilegal de moçambicanos continua. As detenções e operações de repatriamento também continuam. O que na verdade mudou são os procedimentos, porque agora não há a mesma regularidade que havia no passado…”, explica Mathe.

No passado, segundo a fonte, as operações ocorriam com regularidade porque as autoridades sul-africanas tinham contrato com um transportador que evacuava os repatriados desde o centro de Lindela até à fronteira de Ressano Garcia, a partir de onde ficavam ao cuidado das autoridades moçambicanas.

Actualmente, ainda de acordo com Mathe, as autoridades sul-africanas já não têm contrato com nenhum transportador, além de que, havendo, o mesmo deve ser seleccionado em concurso público cujo lançamento depende da disponibilidade de fundos para custear as despesas inerentes.

“O que sentimos que é preciso intensificar e garantir maior eficácia na sensibilização dos cidadãos para que percebam que a África do Sul não é mais o Eldorado que alguma vez foi para os moçambicanos. As coisas aqui também estão muito difíceis. Muitas vezes a pessoa pode vir aqui e sujeitar-se a condições bem piores do que aquelas por que passaria se estivesse em Moçambique, na sua terra”, disse.

Para ilustrar esta realidade, a nossa fonte referiu-se aos elevados índices de desemprego que se registam naquele país. Segundo ele, perante tal situação, as autoridades sul- africanas procuram, sempre, proteger os seus cidadãos quando se trata de prover vagas no mercado de emprego.

“Mesmo ao nível do sector mineiro, onde o trabalho dos moçambicanos é regulado através de um acordo, a situação não está nada boa. Repare, por exemplo, que se algum moçambicano atinge a reforma já não é mais substituído pelo seu filho ou familiar directo, como era no passado. Agora a lei impõe que a vaga seja ocupada por um sul-africano. Nalgum momento isso gera desconforto porque as próprias companhias têm um fraco pelos moçambicanos e isso acaba propiciando choques com os locais, que julgam que os seus empregos estão a ser usurpados por estrangeiros, no caso por moçambicanos”, explica o diplomata.

Mais de 255 mil pessoas atravessam grave crise alimentar no sul do país

Mais de 255 mil pessoas atravessam grave crise alimentar no sul do país
Num país em “revolução verde”, há registo de 255 mil pessoas nas três províncias do sul (Inhambane, Gaza e Maputo) que estão a atravessar grave crise alimentar como resultado da seca que afecta esta zona do país.

O Governo continua a culpar a chuva que não cai para as populações semearem e colherem. De falta de investimento na agricultura já não se fala.

O director do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), João Ribeiro, que revelou estes dados, disse que esta situação deve-se à queda irregular das chuvas ao longo do ano em curso, o que fez com que a população das referidas três províncias tivesse uma baixa produção agrícola.

Neste momento, de acordo com João Ribeiro, as mais de 255 mil pessoas sobrevivem apenas com base no apoio alimentar fornecido pela INGC.

Para além da fome, o referido número de pessoas está a atravessar uma grave crise de água, sobretudo nos distritos localizados na zona norte da província de Gaza, onde algumas pessoas chegam a percorrer mais de 30 quilómetros para ter acesso ao chamado liquido precioso.

“Nas zonas onde a situação é muito grave, estamos a abastecer água por via de camiões cisternas, tal como fizemos em relação ao apoio alimentar”, sublinhou João Ribeiro.

As secas registadas na zona sul de Moçambique são cíclicas, mas nem por isso se encontra uma solução para reduzir o seu impacto. Anualmente reportam-se sempre os mesmos problemas.

Cerca de 43% da população de Manica é analfabeta

Cerca de 43% da população de Manica é analfabeta
Quase a metade da população da província de Manica é analfabeta, o que significa que não sabe ler nem escrever, apesar de o país ser independente há 37 anos.

Os dados são do próprio governo, que governa o país desde a independência, divulgado pelo vice-ministro da Educação, Augusto Luís.

Augusto Luís disse que cerca de 43% da população ainda continua analfabeta. Apontou como razões do elevado índice de analfabetismo, o trabalho infantil nas machambas e pastorícia, que levam crianças a deixarem de frequentar escolas.

Abrir mais centros de alfabetização e inscrever mais crianças é o método encontrado pelo Governo para lutar contra o analfabetismo. Para este ano, a província de Manica inscreveu um universo de 35.837 alfabetizandos, dos quais 19.670 são mulheres.

Confronto armado entre PRM e Criminosos em Maputo

Confronto armado entre PRM e Criminosos em Maputo

Um grupo de jovens bandidos confrontou-se na noite desta Segunda-feira com agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) que se encontravam em missão de patrulhamento no centro da cidade de Maputo.

Trata-se de oito jovens, quatro dos quais com  idades compreendidas entre 22 a 24 anos, que foram interpelados pela Polícia por volta das 23 horas de Segunda-feira, quando se encontravam a conversar defronte de duas viaturas estacionadas na esquina entre as avenidas Guerra Popular e Eduardo Mondlane, no centro da cidade.

Falando hoje a imprensa, o porta-voz do Comando-geral da PRM, Pedro  Cossa, explicou que, quando a Polícia se aproximou do local, um dos jovens puxou uma arma do tipo AK47 e começou a atirar contra os agentes da lei e ordem.

“Da troca de tiros, um deles foi ferido nas duas pernas”, disse Cossa, falando durante o habitual briefing semanal da Polícia a imprensa.

“Quatro deles conseguiram fugir, mas os outros quatro foram detidos e foi apreendida uma arma de fogo do tipo AK 47”, acrescentou .

Da viatura dos bandidos, a Polícia recuperou baionetas, seis gorros máscaras e uniformes de uma empresa de construção de origem chinesa.

Dos indivíduos detidos contam-se Jaime, Ernesto, Valdimiro e Felisberto, sendo os dois últimos os que conduziam as viaturas. Com a excepção do Jaime, que tem 22 anos, todos os outros três bandidos têm 24 anos de idade.

“Todo o trabalho visando a recaptura deles continua e apelamos a todos para nos fornecer qualquer informação que possa ser importante para isso. Por outro lado, se eles se entregarem voluntariamente à Polícia podem atenuar as suas penas”, disse Cossa.

Já na semana passada, a Polícia deteve quatro indivíduos, acusados de tentativa de sequestro de dois irmãos, tendo cobrado 40 mil rands aos familiares em troca de resgate dos menores.

Contudo, o esquema montado pelos bandidos veio a ser desbloqueado pela Polícia que, quando chamado ao local, conseguiu deter os indivíduos.

A Polícia considera que este crime não foi quão complexo como os anteriores casos de raptos que têm vindo a abalar a cidade e província de Maputo desde finais do ano passado.

Em toda a semana passada, a PRM deteve um total de 1157 pessoas, 97 das quais por prática de diversos tipos de crimes.

Distrito do Lago já tem barco para transporte de passageiros

Distrito do Lago já tem barco para transporte de passageiros

O Distrito do Lago, na província do Niassa, conta a partir de agora com uma nova embarcação para o transporte de passageiros. Com capacidade para 100 passageiros, sentados, o barco em alusão encontra-se acostado nas águas do Lago Niassa, em Metangula, à espera da sua inauguração e posterior entrada em funcionamento, segundo o jornal Notícias.

Fabricado em Portugal e montado em Monkey Bay, no Malawi, o Chambu, nome pelo qual foi baptizado, poderá resolver, em parte, o problema de transporte de passageiros e mercadorias entre as várias regiões banhadas pelo Lago Niassa, situação agravada com a paragem de circulação do navio malawiano, Ilala, que ligava o distrito de Mangoche, no Malawi, ao posto administrativo de Cóbwè, no distrito do Lago, com uma escala na vila municipal de Metangula. Chambu é um peixe característico do Lago Niassa e mais consumido pela população local, e não só.
Enquanto as autoridades ligadas à gestão dos transportes do nosso país continuam indecisas quanto à definição da rota daquele barco, a ansiedade das comunidades cresce e, ao mesmo tempo, a paciência destas parece esgotar-se.

A questão do cálculo do preço continua ainda uma incógnita, apesar de, segundo Boaventura José Jacob, administrador marítimo de Metangula, a primeira proposta apontar para cinco meticais/milha, um preço, na opinião de muita gente, considerado exorbitante, uma vez que o rendimento da maior parte dos utilizadores provém da pesca de subsistência e agricultura.

O barco que brevemente poderá estar disponível para a população do Lago é espaçoso, moderno e com todo o equipamentos de segurança. Mede 24 metros de comprimento e 7,2 de largura, com uma capacidade para transportar, por viagem, duas viaturas.

Um concurso visando a construção de uma ponte-cais para acostagem do barco já foi lançado, esperando-se, a qualquer altura, pelo apuramento do vencedor. Neste momento, tal como acontecia com o malawiano Ilala, para os passageiros terem acesso ao Chambu precisam de barcos auxiliares, que os transportam para aquele barco, acostado a cerca de trinta metros da terra.

Incêndio provocado por crianças desaloja duas famílias em Nampula

Incêndio provocado por crianças desaloja duas famílias em Nampula
Duas famílias, uma composta por sete membros e a outra por cinco, ficaram desalojadas na sequência de um incêndio provocado por duas crianças, este Domingo (09), no bairro de Namutequeliua, arredores da cidade de Nampula.

Os dois menores idade, cujos nomes não nos foram revelados, incendiaram, à noite, as residências numa brincadeira com caixa de fósforo. Na circunstância, um monte de capim que se encontrava nas redondezas das casas abrangidas teria pegado fogo.

A reportagem do @verdade apurou que no momento do incêndio os proprietários das duas residências estavam ausentes das casas, facto que não permitiu a recuperação de todos os bens.

Na reconstituição dos factos, Jaime Luís, proprietário de uma das casas incendiadas, disse que recebeu uma chamada telefónica quando se encontrava numa mesquita a participar do oculto das 18horas.

“Os vizinhos apenas conseguiram apagar o fogo numa das casas, a minha. Noutra casa todos os pertences foram reduzidos a cinzas”. Segundo ele, os esforços dos vizinhos evitaram que o pior acontecesse, pois havia o risco das casas mais próximas pegarem fogo em cadeia.

Abibo Mareza, a vítima mais lesada pelo incêndio, contou que todos os bens foram consumidos pelo incêndio. Perdeu, entre vários bens, electrodomésticos, vestuário, e elevadas somas de dinheiro. Não especificou o valor.

Mareza é vendedor de roupa usada. Na altura do incêndio estava na feira dominical em mais uma actividade comercial. As duas famílias afectadas pelo incêndio estão a receber apoio dos vizinhos enquanto procuram estabilizar as suas vidas.

Chapeiros paralisam actividades na Machava

Os transportadores semicolectivos de passageiros `chapa´, ligando diversos pontos da cidade de Maputo e bairros do município da Matola, suspenderam temporariamente a actividade ontem, como forma de pressionar para a melhoria das condições de transitabilidade na via alternativa, na zona da Coca-Cola.
Chapeiros paralisam actividades na Machava
Assim, a ligação entre os bairros da Machava-Socimol, Nkobe e Tsalala, no município da Matola, e a cidade de Maputo foi feita de forma sofrida por muitas pessoas.

A via alternativa, feita de saibro, foi aberta aquando do arranque das obras de construção de um aqueduto defronte da fábrica de refrigerantes, num esforço que visa solucionar o crónico problema de transitabidade da via naquele ponto. Trata-se de um pequeno troço onde a estrada, a Av. Josina Machel, que liga Coca-Cola e Machava, atravessa um terreno pantanoso, o que faz com que a mesma se apresente sempre degradada. O cenário agrava-se na época chuvosa, com a formação de charcos.

A meio da manhã, a nossa Reportagem passou por aquele local, onde testemunhou o cenário criado na via alternativa, um troço de menos de 200 metros, onde se viam algumas viaturas imobilizadas no terreno lamacento, enquanto outras passavam com muitas dificuldades. Muitos utentes do `chapa´ da Machava-Sede e não só se dirigiam a pé à procura de uma solução para chegar aos seus destinos, com destaque para postos de trabalho e escolas.

A ligação daqueles bairros da Matola aos diversos pontos da cidade de Maputo era garantida por autocarros da Empresa Municipal de Transporte Públicos de Maputo (EMTPM), FEMATRO e carrinhas de caixa aberta.

Motoristas do `chapa´ entrevistados pela nossa Reportagem foram unânimes em afirmar que a paralisação da actividade se deve às péssimas condições em que a via alternativa se apresenta. Sublinharam que a rodovia está tão péssima que as suas viaturas ficam danificadas e assim obrigados e gastar somas de dinheiro para a reparação dos carros, acarretando custos adicionais.

Entretanto, a rodovia que ditou a paralisação das actividades dos transportadores semicolectivos de passageiros poderá beneficiar de uma intervenção a partir de hoje. Esta garantia foi dada ontem ao nosso Jornal por Nacir Amir, chefe do Departamento Técnico da Delegação Provincial da Administração Nacional de Estradas (ANE)…

Usurpação de terra na Beira

 Usurpação de terra na Beira

A usurpação de terra está na ordem do dia no município da Beira. O caso do cidadão Younusse Amad é disso um exemplo paradigmático. O seu espaço foi cedido por vias ilegais pela edilidade para construção de um Hospital Provincial. Nem uma ordem do tribunal foi respeitada.

O Cidadão Younusse Amad é um dos herdeiros de uma grande parcela de Terra na cidade da Beira, antes avaliada em um milhão de hectares, mas recentemente reduzida para pouco mais da metade com a implantação da Zona Económica Especial. Amad é titular da concessão para fins agro-pecuários por 50 anos, segundo aforamento n°82, sito no 15°Bairro da Manga- Chingussura/Mungassa, Cidade da Beira.

A referida concessão confronta, a partir do Norte pelo Leste, com o aforamento n°54, serventia de 10 Metros e com faixa de 50 Metros ao longo da linha férrea, e, mede, um milhão de metros quadrados. Neste aforamento estão implantadas algumas benfeitorias tais como casa de habitação, comércio, dependências e estábulos.

Ao longo dos anos foram erguidas no aforamento acima identificado diversas benfeitorias. Porém, segundo Younusse Amad, “sucede que nos últimos anos, o seu DUAT tem sido alvo de diversos atentados por parte do Conselho Municipal da Beira”, assegurou a fonte, tendo acrescentado que em Março de 2008, o Conselho Municipal da Beira concedeu uma parte do aforamento ora em causa ao Sr. Jaime de Jesus Correia tendo este dado início a uma obra nova na parcela de terra cujo DUAT pertence à Younusse Amad e a sua família.

Confrontado com este cenário, “numa primeira fase, a família de Amad solicitou ao Conselho Municipal da Beira que procedesse ao embargo administrativo da obra, tendo este ao invés de embargar a obra, solicitado à Conservatória dos Registos da Beira, através da Requisição n°46/08, a desanexação de uma parte do aforamento 82”, refere. Facto estranho é que a Conservatória dos Registos da Beira procedeu, a 30 de Setembro de 2008, ao averbamento da desanexação mas, no mesmo dia, cancelou esta desanexação.

Deviz ignora decisão do tribunal

O proprietário conta que “não obstante a Conservatória dos Registos da Beira ter cancelado a desanexação do aforamento nº82 no dia 30 de Setembro de 2008, no dia 09 de Outubro, portanto, nove dias depois do cancelamento da desanexação, aquela mesma Conservatória emitiu duas certidões de Registo Predial referentes ao aforamento nº 82 onde, numa delas, afirmava que a área do aforamento n°82, descrito sob o número 1512 do livro B-5 era de 525.680 metros quadrados e estava inscrito a favor da sua família e, numa outra certidão, afirmava que existia um talhão sem número, desanexado do prédio descrito sob o n°1512 do livro B-5, com a área de 474.320 metros quadrados inscritos a favor do Conselho Municipal da Beira. O que é, no mínimo estranho”, conta.

Inconformado, Younusse Amad questiona: “ como foi possível, no dia 9 de Outubro de 2008 emitirem uma certidão comprovando a desanexação se a mesma tinha sido cancelada nove dias antes?” Vendo que o Conselho Municipal da Beira nada fazia acerca do pedido formulado interpôs, no Tribunal Judicial da Província de Sofala, uma acção de simples apreciação solicitando o reconhecimento do direito da mesma sobre o aforamento nº 82, tendo aquele Tribunal, expressamente, face as provas apresentadas, reconhecido o direito da participante sobre todo o aforamento nº 82 e ordenado o cancelamento da desanexação.

No entanto, esta não foi a única vez que o Conselho Municipal da Beira atentou contra o DUAT daquela família pois “em Setembro de 2008, o Conselho Municipal da Beira, concedeu uma parte do aforamento nº 82 à confissão religiosa “Alcançar Moçambique com o Evangelho”. Contudo, a família solicitou o embargo judicial da obra o qual foi então ratificado pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala. A confissão religiosa abandonou pacificamente o local.

Ainda em 2008, houve uma outra tentativa de perturbação do DUAT da familia de Younusse Amad sobre parte do aforamento n°82, desta feita, pela Sra. Luísa Armando, a qual iniciou uma obra nova no aforamento acima referido. Amad e família, uma vez mais, solicitaram o embargo judicial deste empreendimento, o qual foi decretado pelo Tribunal Judicial da Província de Sofala. O tribunal concluiu que em momento algum o pedido de desanexação conferia à requerida Luisa Armando o direito de uso e aproveitamento da terra em disputa e ainda que “a requisição nº 46/08 era datada de 29 de Setembro de 2008, tendo sido portanto emitida 14 dias posteriores à data da propositura da providência cautelar, sendo manifesta a pressa com que se pretendia desanexar o referido prédio rústico, pois que tal atribuição a quem quer que seja seria destituída de qualquer título” lê-se no documento.

Não obstante, as duas sentenças judiciais transitadas em julgado terem reconhecido expressamente o DUAT da família de Younusse Amad sobre o aforamento nº 82 e numa destas acções ter sido ordenado pelo juiz da causa o cancelamento da desanexação e, por outro lado, a Conservatória dos Registos da Beira ter cancelado a desanexação de parte do aforamento, o Conselho Municipal da Beira, em Fevereiro de 2011, concedeu uma parte do aforamento nº 82 à Sogecoa Moçambique, Lda.

Polícia Municipal agride familiares de Younusse Amad

No dia 14 de Dezembro de 2011, o Conselho Municipal da Beira, através da sua Polícia Municipal sem aviso prévio e sem exibir qualquer documentação que fundamentasse o acto, dirigiu-se ao aforamento n°82 no Bairro da Manga e por meio da força e com recurso à violência física, destruiu benfeitorias erguidas numa parte do aforamento. Não restou outra hipótese a família Amad a não ser apresentar queixa à PRM das agressões perpetradas pela Polícia Municipal e ordenada pelo Presidente do Conselho Municipal da Beira no exercício das competência de Chefe da Polícia Municipal atribuída pela alínea x) do n°2 do art. 62 da lei 2/97 de 18 de Fevereiro”, sentenciou.

Relativamente a este assunto que opõe aqueles munícipes a edilidade da Beira, a nossa reportagem tentou inúmeras vezes sem sucesso entrar em contacto telefónico com o presidente do Conselho Municipal da Cidade da Beira, Davis Simango. Na sexta-feira (7), sábado (8) e segunda-feira. Prometemos trazer a reacção da edilidade a qualquer momento. O @Verdade está a dar seguimento ao caso.

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