Está instalado uma anarquia no terminal inter-provincial da Junta. Os passageiros são roubados à luz do dia sob olhar cúmplice da associação dos transportadores e do Conselho Municipal de Maputo.
Este sábado, muitos ou quase todos os autocarros carregavam para Massinga e Vilanculos. Não havia autocarros de Maxixe e Morrumbene. Ou seja, o passageiro que, por exemplo, quisesse descer em Quissico, vila sede do distrito de Zavala, vila de Inharrime, Cumbana (posto administrativo do distrito de Jangamo) cidade da Maxixe ou vila sede Morrumbene, devia pagar o mesmo valor de Massinga ou Vilanculos.
De Maputo a Maxixe, são normalmente 550 meticais. Mas no sábado pagava-se 650 meticais. De Maputo a Vilanculos, são 700 meticais, quem quisesse viajar às pressas podia pagar este valor e descer em locais como Quissico, onde normalmente paga-se 400 meticais.
As condições criadas pela edilidade em que cada passageiro ao entrar no terminal da Junta, através de chapas, pudesse visualizar a zona de destino e o valor a pagar estão a ser baralhadas pelos angariadores.
Estes interceptam os passageiros, perguntam para onde é que vão, acompanham-no até ao autocarro. Chegados lá, o cobrador informa que só carrega para terminal de Massinga. E quem tiver pressa pode embarcar. Outros privilegiados são os trabalhadores da África do Sul que além de trazerem muita carga, não estão familiarizados com os preços reais.
Panda e Inhambane Céu
Os autocarros para Panda, que desvia de Inharrime, e Inhambane Céu, que desvia de Lindela, também carregavam passageiros que fossem até aos terminais. Quem quisesse descer pelo caminho, devia pagar o preço do terminal. Se medidas correctivas não forem tomadas, a situação poderá piorar nos próximos dias.
Centro e norte calmos
Na bilheteira para as zonas centro e norte, o ambiente estava calmo. Os preços dos bilhetes eram vendidos a preço real. Aliás, o movimento de passageiros para estas regiões é fraco.
O Governo moçambicano, através do Secretariado-Geral do Conselho de Ministros, enviou, na semana passada, uma carta para o partido Renamo, na qual, pela primeira vez, diz formalmente ter ponderado a participação na mesa das negociações como mediadores nacionais de Dom Dinis Sengulane, bispo da Diocese Anglicana dos Libombos e do professor Lourenço do Rosário, reitor da Universidade A Politécnica, sem contudo definir qual será o seu papel.
No documento assinado por Carlos Taju, de acordo com Jeremias Pondeca, da delegação da Renamo, o executivo diz igualmente te rponderado o estabelecimento dos termos de referência que definem a participação dessas figuras. Contudo não dá mais detalhes sobre a sua participação.
Em resposta à carta do Governo, a Renamo, ainda de acordo com Jeremias Pondeca, submetida ao Secretariado-Geral do Conselho de Ministros na qual diz estar à espera da resposta do presidente da República, Armando Guebuza, ao documento enviado a ele sobre a matéria de mediação e observação nacional e internacional.
Por outro lado, a Renamo argumenta que a apresentação dos nomes dos mediadores e observadores deve ser do consenso das partes em mesa do diálogo. Acrescenta que para tal deve haver um acordo que define o papel dos mesmos.
A participação dos mediadores e observadores nacionais e estrangeiros nas conversações entre as partes é uma das exigências colocadas pela Renamo depois de quase oito meses e 24 rondas de diálogo sem nenhum acordo político.
Na verdade, no dia 2 de Dezembro de 2013, a Renamo submeteu ao secretário do Conselho de Ministros, Carlos Tajú, uma nota com a Referência número 159/GPR/2013, a qual apresenta os termos de referência de mediadores e observadores, que considera indispensáveis para a prossecução das negociações que estão a marcar passo, volvidas 24 rondas.
O mesmo documento tinha sido anteriormente enviado ao chefe de Estado, Armando Guebuza.
Eis os termos de referência propostos pela Renamo ao Governo para a indigitação de Observadores Nacionais e Internacionais, bem como de Mediadores Nacionais e Internacionais.
Observadores Nacionais e Internacionais:
A Renamo propõe que estes poderão ser encontrados, a nível nacional, na sociedade civil moçambicana, entre
personalidades de reconhecido mérito e idoneidade, nos vários estratos sociais que compõe o mosaico cultural, social, académico, religioso do País e a nível internacional, na SADC,
UNIÃO AFRICANA, UNIÃO EUROPEIA, EUA, e ONU.
1.- Operacionalização:
A RENAMO propõe que se convide um observador de cada uma das organizações acima indicadas.
Para o efeito, o convite é assinado conjuntamente pela Renamo e pelo Governo, dirigido a cada uma daquelas organizações, para indigitar uma personalidade que as represente durante as negociações.
2.- Tarefas Específicas:
Os Observadores indicados acompanham as conversações e tomam notas sobre elas.
Os Observadores serão previamente informados sobre a data, local, hora, e agenda das conversações.
Os Observadores transmitirão os resultados de cada sessão aos seus representados.
Os Observadores devem adoptar os seguintes princípios de conduta:
Manter a imparcialidade rigorosa no cumprimento de seus deveres, e não devem, em nenhum momento, exprimir tendenciosidade ou preferência em relação às partes;
Realizar suas actividades sem interferir nas negociações.
Abster-se de fazer comentários pessoais ou prematuros sobre suas observações, quer seja à média ou a pessoas interessadas, e limitarão seus comentários a informações gerais sobre a natureza de suas actividades como observadores;
Abster-se de divulgar publicamente qualquer facto que poderá dar lugar a um conflito de interesses, ou criar a aparência de um conflito de interesse, durante a observação;
Demonstrar prudência antes de publicar as informações colectadas durante a observação, e evitar conclusões apressadas.
3. Mediadores Nacionais e Internacionais:
Com objectivo de acompanhar, coordenar e moderar as negociações, a Renamo propõe a indigitação de Mediadores Nacionais e Internacionais a serem convidados pela Renamo e pelo Governo, em conformidade com as instituições a serem convidadas para apresentarem os seus representantes na mesa;
Os Mediadores Nacionais e Internacionais, a convidar, devem ser personalidades de reconhecido mérito moral, idóneos e imparciais.
4. Tarefas Específicas
Propor a metodologia das conversações;
Acompanhar, coordenar e moderar as conversações;
Fazer a síntese no final de cada sessão de conversações;
Com o acordo das partes, propor a data das sessões seguintes, assim como a sua agenda.
5.- O Trabalho dos Mediadores Nacionais e Internacionais é apoiado por um secretariado, indicado pelas partes que elaboram a Acta de cada sessão, a ser aprovada pelas partes no final de cada sessão.
6.- Os trabalhos dos Mediadores de entre outros, é descrito no ponto 3 do presente documento.
Em todos os casos, os Mediadores se comprometem a manter em total confidencialidade a realização da mediação, o local e as sessões da mesma.
Depois de o secretário-geral do partido Frelimo, Filipe Chimoio Paúnde, ter vindo a público insurgir-se contra as críticas que têm vindo a ser feitas aos dirigentes do partido Frelimo, e ter falado de necessidade de limite da liberdade de Imprensa, agora é a vez da chefe da bancada da Frelimo, Margarida Talapa, também evocar “limites” para, em vão, travar a “avalanche de críticas” que tem sido dirigida à Frelimo e aos seus dirigentes.
No seu discurso de encerramento da sessão da Assembleia da República, a líder parlamentar da Frelimo acusou a comunicação social independente de estar a atacar a honra e o prestígio do Estado e a promover os famosos “boatos”.
“Alguns órgãos de comunicação social são usados para dirigir ataques ao prestígio e à honra do Estado e seus dirigentes”, acusou Talapa, sem mencionar os referidos órgãos.
A referida comunicação social, segundo Talapa, está em “clara violação da Lei de Imprensa e dos limites da liberdade de expressão”, o que, na sua opinião, os coloca em situação de “crime de abuso da liberdade de expressão e de Imprensa”.
Recorde-se que há duas semanas, e respondendo positivamente às pressões vindas do partido Frelimo e dos seus intelectuais orgânicos, a Procuradoria-Geral da República abriu um processo-crime contra o académico e ex-director do Instituto dos Estudos Económicos e Sociais, Carlos Nuno Castel-Branco, por ter escrito uma opinião a criticar a postura do chefe de Estado perante o caos em que o País se encontra. Na sequência, a procuradoria notificou o Canal de Moçambique e o mediaFAX por os jornais terem publicado as duas cartas do professor Castel-Branco.
A actual direcção do partido Frelimo tem, ultimamente, endurecido a sua aversão à crítica. A nível dos órgãos públicos os gestores têm orientações claras para exaltar Armando Guebuza e o Governo da Frelimo, tornando-os meios de trabalho ideológico. Os gestores dos órgãos públicos receberam do partido Frelimo a orientação para não deixarem individualidades que criticam o regime a opinar nesses meios. Os debates são participados, regra geral, pelo famigerado G 40 (grupo de membros e simpatizantes dos partido Frelimo que fingem ser analistas independentes) que aparecem nas TVs Rádios e jornais a exaltar Guebuza e o Governo da Frelimo e em exercício contrário ridicularizam as vozes vivas da sociedade civil, os órgãos de comunicação que não se prostram perante o partido e os partidos da oposição.
O trânsito na Estrada Nacional Número Um (N1) está condicionado na ponte de Chicumbane, posto administrativo de Chicumbane, na província de Gaza. De forma a alternar o sentido, uma fila de 10 carros passa num único sentido. Os carros permanecem pelo menos uma hora ou 45 minutos a tentar passar na ponteca à entrada do Vale do Limpopo no sentido sul-norte.
A estrutura da ponte cedeu devido à fúria das águas da chuva no ano passado. De lá a esta parte fez-se improviso com uma outra ponte metálica.
Devido ao fluxo de viaturas que a N1 regista nestes dias formam-se longas bichas de veículos nos dois sentidos. Por exemplo, este sábado a fila do sentido sul-centro chegava a atingir dois quilómetros, enquanto a fila contrária, atingia 1.5 quilometro.
Também foi possível apurar que estão em curso alguns trabalhos da reposição da ponte. A estrutura foi montada. Ao lado decorrem trabalhos de terraplanagem, o que mostra que dentro de dias haverá um desvio de viaturas para permitir a realização de trabalhos.
A Polícia da República de Moçambique, a nível da cidade de Maputo, reforçou o número de agentes para fazer face à quadra festiva e diz-se preparada para qualquer tipo de eventualidade que perturbe a ordem e tranquilidade públicas.
De acordo com o porta-voz da PRM, Arnaldo Chefo, a nível da cidade de Maputo, a corporação conta com o reforço de agentes que fazem trabalhos nos escritórios, novos polícias de trânsitos e polícias de protecção recentemente formados em Matalane.
“Em relação à quadra festiva a PRM já mobilizou todos os seus quadros, estamos a falar até de aqueles agentes que no dia-a-dia fazem trabalhos de gabinetes, todos foram mobilizados para estarem na rua para que a Polícia seja mais visível, para além destes recebemos um reforço, neste domingo, de 85 novos agentes da Polícia formados recentemente”, disse o porta-voz da PRM.
De acordo com Arnaldo Chefo, um dos aspectos que tem preocupado a Polícia é o crescente aumento de número de acidentes de viação com vítimas mortais e materiais. Na semana finda registou-se 12 acidentes com dois óbitos, nove danos materiais avultados e 11 ligeiros.
“Um grupo de polícias foi preparado para exercer a função de polícias de trânsito e este grupo está virado para a prevenção de acidentes que está numa fase crítica”, disse o porta-voz da PRM.
Durante a semana finda foram fiscalizadas 4008 viaturas, 1706 multas, quanto ao teste de alcoolemia 230 condutores foram encontrados a conduzir em estado de embriaguez.
Três indivíduos, todos eles motoristas de transporte semi-colectivo, vulgo “chapa 100″, encontram-se detidos desde a última sexta-feira na 12. Esquadra da Polícia da República de Moçambique (PRM) no Bairro Municipal de Maxaquene “B”, na cidade de Maputo, indiciados de tentativa de suborno à Polícia Municipal, condução em estado de embriaguez e condução ilegal (sem carta de condução).
Os indiciados, ora detidos, operam na rota Praça dos Combatentes-Anjo Voador, via Avenida Acordos de Lusaka. Foram levados à esquadra por agentes da Polícia Municipal da Cidade de Maputo.
O porta-voz do Comando da Polícia Municipal de Maputo, Joshua Lai, disse ao Canalmoz que dos detidos um tentou subornar agentes da Polícia Camarária com 100 meticais, depois de ter sido denunciado por passageiros de encurtamento de rota.
A Polícia explica que a pena estabelecida para o encurtamento de rotas é de 1000 meticais. Mas Joshua Lai advertiu que a pena deverá ser agravada pelo facto do infractor ter tentado subornar a Polícia. A viatura que conduzia encontra-se parqueada pelo facto de não ter aparecido alguém a reivindicar a mesma ou a levar no acto da detenção do motorista.
O outro motorista foi preso por causa de álcool. Antes da detenção, foi conduzido ao Hospital Geral de Mavalane, onde, de acordo com o mesmo porta-voz, ficou provado o seu estado de embriaguez.
O terceiro arguido foi encontrado a conduzir uma viatura “mini-bus” de passageiros sem carta de condução. Os três casos já têm processos que vão ter desfecho em sede de tribunal.
Apreensão de viaturas
Por outro lado, Joshua Lai deu a conhecer que sete carros igualmente de transportes de passageiros foram apreendidos e, consequentemente, parqueados pela Polícia Municipal por carregamento de passageiros fora do lugar próprio, no terminal de transportes inter-provinciais e internacionais da Junta.
A Polícia Municipal evoca que todas as viaturas licenciadas devem carregar dentro do terminal, para facilitar o controlo dos passageiros em casos de situações de acidentes, dado que “lá dentro existe um mecanismo de registo que facilita o controlo”.
“Quando carregam fora do parque, não garantem o registo em caso de acidentes, para contactar familiares dos passageiros. E, normalmente, os que carregam fora, são transportadores piratas”, explicou Joshua Lai.
Retorno à poluição sonora
Num outro desenvolvimento, a fonte disse que a poluição sonora nas bombas de combustíveis por parte de alguns automobilistas “tende a voltar em alta”. Por isso, Joshua Lai disse que quatro viaturas foram parqueadas durante o mesmo período por poluição sonora numa das bombas da cidade de Maputo.
O porta-voz da Polícia Municipal deu a conhecer igualmente que, no âmbito do controlo rodoviário nesta quadra festiva, a sua corporação aumentou o número de efectivos nas principais avenidas da cidade de Maputo, com destaque para as avenidas de Moçambique, Julius Nyerere, 24 de Julho, 25 de Setembro, Acordos de Lusaka, que têm sido focos de maior circulação sobretudo nesta época festiva.
Fiscalização da actividade comercial
No âmbito do controlo da actividade comercial, o porta-voz referiu que desde a semana passada a Polícia Municipal está a realizar um trabalho de sensibilização aos vendedores e clientes da cidade de Maputo, visando evitar a especulação de preços, falseamento de pesos, venda de produtos fora do prazo e balanças falsas.
O trabalho de sensibilização levado a cabo pelas autoridades da Polícia Municipal, segundo apurou a Reportagem do Canalmoz, está focalizado para os principais mercados e centros comerciais da cidade de Maputo, onde habitualmente em épocas festivas tem havido oportunismo, desde a especulação de preços ao falseamento de balanças.
“Apelamos a todos os munícipes no sentido de denunciarem às autoridades competentes qualquer tentativa de uso de balanças falsas, especulação de preços, pesos falsos (no caso de sacos de batatas, cebolas, alhos e outros) e o fornecimento ou venda de produtos fora de prazo”, declarou Joshua Lai.
Uso correcto das praias
A fonte também lançou um outro apelo dirigido aos utentes das praias da Costa do Sol, KaTembe e KaNhaca, no sentido de evitarem conduzir em estado de embriaguez “porque a Polícia não vai tolerar este tipo de comportamento”.
“Gostaríamos de apelar aos usuários das praias da cidade de Maputo para evitarem conduzir embriagados, não atirarem garrafas e outros objectos para estradas e águas, poluição sonora, bem como envolverem-se em escaramuças porque não haverá tolerância”, concluiu Joshua Lai, porta-voz da Polícia Municipal da Cidade de Maputo.
Parte das mais de 350 famílias recentemente transferidas da zona da Matola “A” (Língamo), no Município da Matola, para o bairro Boquisso, concretamente em Chiboene, para dar lugar a investimentos a serem implementados na área, queixa-se de ter sido reassentada em terrenos propensos a inundações, estando neste momento chuvoso com as casas submersas.
A Reportagem do Canalmoz conversou na quarta-feira da semana passada com alguns afectados que disseram que quando foram transferidos em Maio deste ano pela edilidade da Matola foram reassentados numa área onde agora, nesta época chuvosa, as suas casas estão submersas.
As famílias disseram que têm garantias da edilidade da Matola que vão ser novamente reassentadas, mas em lugar seguro no mesmo bairro de Boquisso.
Ainda na semana passada, as famílias visadas dirigiram-se ao Conselho Municipal da Matola, onde alegadamente foram saber das compensações sobre esta segunda transferência.
Para serem transferidas da Matola “A”, o Conselho Municipal da Matola alegou que as famílias tinham alcançado um entendimento com a Épsilon Investimentos, Lda., empresa concessionária daquele espaço.
Na verdade, no processo de transferência daquele bairro para Boquisso, cada família teve apenas uma compensação de 35 mil meticais dada pela empresa e uma parcela providenciada pelo Conselho Municipal da Matola. Em relação à construção de casas e às despesas do material de construção, ficou encarregue às famílias.
Na última quinta-feira, o director municipal de Planeamento Territorial no Município da Matola, Abel Ricotso, em contacto com o Canalmoz disse que não tem informação de que parte das famílias estava reassentada num sítio propenso a inundações onde as famílias deverão ser novamente retiradas para lugar seguro.
Abel Ricotso prometeu que vai contactar o secretário do Boquisso “B”, para saber o que está a passar-se neste momento com a zona onde as famílias foram reassentadas, garantindo, por outro lado, que se vai pronunciar quando tiver alguma informação.
O Município da Matola acusa as famílias transferidas de terem construído ilegalmente no terreno concessionado a Épsilon Investimentos, Lda., daí que elas tiveram que se entenderem com a firma.
O entendimento alcançado pelas partes ditou a transferência das famílias para Boquisso.
Na Matola “A”, onde anteriormente viviam, para além da transferência das famílias, foram também demolidas as residências que tinham sido construídas naquele local.
Por um lado, sabe-se que é naquele mesmo espaço onde passa o traçado da estrada circular de Maputo e no âmbito da qual serão movimentadas mais de 1200 famílias nos municípios de Maputo e da Matola.
Para o efeito, 1.4 milhão de meticais serão investidos na indemnização dos proprietários das residências, de machambas e familiares de defuntos sepultados ao longo do traçado da secção 5 da estrada circular de Maputo.
Na Matola, a estrada circular vai atravessar cinco bairros, ligando a estrada N1 à N4, desde o bairro do Zimpeto, na cidade de Maputo, até ao bairro de Mahlampsene, na Matola.
No seu traçado, a estrada atravessa os bairros de Intaka, Matola-Gare, Matlemele, Nkobe e Nwamatibjana, num total de 74 quilómetros de estrada, comportando duas faixas de rodagem de automóveis em cada sentido.
A construção da via está a ser feita em secções, das quais 52 quilómetros de rodovia de raiz e os restantes 22 serão de reabilitação ou ampliação.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) e os secretários dos bairros estão a impedir os membros do partido Renamo de exercer suas actividades em vários distritos da província de Inhambane, segundo denunciou o delegado provincial daquele partido, Carlos Maela.
Quer a Polícia assim como os secretários dos bairros estão a impedir as actividades da Renamo sob alegação de que o partido é ilegal e o seu líder está “desaparecido”.
Carlos Maela disse que no distrito de Govuro, por exemplo, a PRM proibiu uma brigada provincial de exercer as suas actividades de base com os seus membros e ameaçou prendê-los caso prosseguissem. “Proibiram nossos membros de trabalhar e de seguida foram todos chamados ao comando da PRM local para explicarem a agenda do trabalho que iriam fazer”, disse.
Distrito de Panda
Uma outra brigada provincial que se deslocou ao distrito de Panda, na mesma província, viu-se impedida pela Polícia quando os membros e simpatizantes da Renamo
encontravam-se aglomerados na sua sede para actividade partidária.” O comandante distrital da PRM foi pessoalmente e proibiu qualquer tipo de actividade”.
Distrito de Inharrime
Já no distrito de Inharrime o comandante distrital da PRM foi à sede da Renamo declarar a inexistência daquele partido político. No bairro da Expansão, na cidade da Maxixe, o secretário local proibiu os membros da Renamo de içarem a sua bandeira, alegando que o partido é ilegal.
O comandante do avião moçambicano que caiu na Namíbia em novembro, quando fazia a ligação Maputo-Luanda, teve a “clara intenção” de despenhar o aparelho, concluiu a comissão de investigação ao voo TM470 da LAM, no qual morreram 33 pessoas, entre as quais sete portugueses.
Em conferência de imprensa, sábado em Maputo, o presidente do Conselho de Administração do Instituto de Aviação Civil de Moçambique (IACM), João Abreu, revelou que foi a audição das gravações do cockpit que indicam a ação do comandante e o facto de se ouvirem diversos sinais de alerta dos sistemas sem resposta.
O piloto do LAM, segundo o gravador do cockpit, encontrava-se sozinho na cabina. Ouve-se bater à porta, mas Hermínio dos Santos Fernandes não responde. E terá, então, efetuado uma série de manobras ainda por explicar, mas que se revelaram na perda de potência dos motores e numa descida do aparelho a seis mil pés por minuto.
“Ouvem-se também, insistentes batidas na porta do cockpit, batidas essas que também foram ignoradas pelo comandante”, afirmou João Abreu, citado pelo jornal moçambicano “A Verdade”.
As caixas negras revelaram ainda que a altitude foi alterada manualmente três vezes, de 38 mil pés para 592 pés, e a velocidade também.
Apesar destas conclusões, a comissão adianta que “a razão para todas estas ações é desconhecida” e que a investigação ainda não se encontra finalizada.
O piloto do Embraer tinha 9053 horas de voo, 1395 das quais como comandante de aviões, segundo divulgou na altura a LAM, adiantando que Santos Fernandes revalidara a sua licença a 12 de abril do ano passado e fora dado como apto numa inspeção médica no dia 2 do passado mês de setembro.
As suspeitas de uma possível intenção de suicidio por parte do piloto, tendo em conta os dados apurados até agora, fazem lembrar acidentes ocorridos nos anos 1990, com aviões das companhias de Marrocos e de Singapura.
Em 1994, o piloto Younes Khayati, de 32 anos, fez deliberadamente cair o avião da Royal Air Maroc, o voo 630, que descolara dez minutos antes de Agadir com destino a Casablanca. Morreram 44 pessoas.
As conclusões sobre o acidente do boeing que se despenhou em 1997, quando voava de Jakarta, na Indonésia, para Singapura, provocando a morte a 104 pessoas, não foram tão taxativas, mas ficou sempre a dúvida quanto aos atos do piloto Tsu Way Ming, de 41 anos.
O caso do Embraer da LAM é o segundo acidente mais grave da história da aviação civil de Moçambique. O primeiro registou-se em 1986, na África do Sul, quando morreram 34 pessoas, entre elas o Presidente Samora Machel.
O Ministério das Finanças garantiu ontem, em Maputo, que todo o funcionário público terá o seu salário pago o mais tardar até segunda-feira enquanto o décimo terceiro vencimento será remunerado em Janeiro. A porta-voz do Ministério das Finanças, Maria Isaltina Lucas, disse que o nível de processamento e pagamento de salários aos funcionários do Estado estava bom, embora uma e outra província se encontrasse ligeiramente atrasada.
Segundo Maria Isaltina Lucas, até às 13.30 horas de ontem o processamento de folhas de salário estava em 100 por cento ou 98 por cento a nível central, na província e cidade de Maputo, Gaza, Sofala, Tete e Niassa.
Estava ligeiramente atrasado na província da Zambézia, onde o nível de processamento era de 69,4 por cento.
Maria Isaltina Lucas disse que os técnicos estão a trabalhar com todo o afinco, podendo, em caso de necessidade, usar o fim-de-semana para continuarem a fazer o processamento, mas pelo ritmo imprimido acredita-se que o trabalho pode ter sido concluído ainda ontem.
Neste momento a preocupação do Ministério das Finanças não é apenas a saída dos fundos do Tesouro mas sim garantir que os salários estejam na conta de cada funcionário até segunda-feira.
“Neste sentido, estamos a trabalhar com o Banco Central e com os bancos comerciais no sentido destes garantirem que o seu trabalho seja feito para cumprir com este objectivo”, explicou, acrescentando que todas as equipas estão em prontidão quer a nível central quer a nível provincial para assegurar o pagamento atempado dos salários.
“Normalmente o calendário de pagamento de salários do Estado é até ao final do mês, mas tratando-se de um mês festivo foi definido, a nível do Ministério das Finanças, que devia haver uma antecipação, colocando-se como data-limite 23 de Dezembro”, disse.
Em relação ao décimo terceiro vencimento, a porta-voz do Ministério das Finanças esclareceu que não deve haver dúvidas sobre o seu pagamento, porque se trata de uma questão de lei.
ÂÂ “É um direito de todo o funcionário e agente do Estado receber o décimo terceiro vencimento”, numa clara alusão ao artigo 43 do Regulamento do Estatuto dos Funcionários e Agentes do Estado.
Na ocasião, explicou que a 13 de Dezembro a Direcção Nacional de Contabilidade Pública emitiu uma circular instruindo todas as instituições do Estado sobre como é que devem proceder para o pagamento do décimo terceiro. O mesmo documento define como data provável de pagamento o dia 15 de Janeiro de 2014, à semelhança do que tem acontecido nos anos anteriores.
Na Liga Desportiva Muçulmana já começou o trabalho para “atacar” as Afrotaças do próximo ano (2014). Os campeões nacionais vão enfrentar, na pré-eliminatória da Liga dos Campeões Africanos, em Fevereiro, o Cnaps de Madagáscar.
Mas não é a pensar somente nos campeões das ilhas malgaxes que os muçulmanos querem consolidar o seu trabalho. Pelo contrário, é objectivo dos detentores do título nacional chegarem à fase de grupos da Liga dos Campeões Africanos.
Para Rafik Sidat, presidente da Liga Muçulmana, apesar de o Cnaps ser um adversário acessível, “não podemos nos esquecer que, no ano passado, o Maxaquene perdeu em Madagáscar. Temos de ter cautela e buscar resolver esta eliminatória ainda em Maputo e ir àquela ilha tranquilos”.
A vontade expressa por Rafik Sidat, na verdade, era de ter a mesma equipa que neste ano foi eliminada pelo TP Mazembe nos play-offs de acesso à Taça CAF. “Com este sorteio, eu apenas gostaria de ter mantido todo aquele plantel. De certeza que a Liga Muçulmana chegaria, sem muito esforço, à fase de grupos”.
“Já fizemos o registo na CAF. Todos os jogadores que temos foram inscritos. Aguardámos a chegada de novos reforços em Janeiro, nomeadamente o central brasileiro Joan, o guarda-redes Bruno Lamá e Nelo”, revelou aquele dirigente, tendo acrescentado que a preparação vai arrancar a 07 de Janeiro.
Campo da Matola C em dúvidas
Na última partida dos play-offs, entre a Liga Muçulmana e o TP Mazembe, marcado por uma arbitragem polémica e que gerou confusão no campo da Matola C, a Confederação Africana de Futebol (CAF) decidiu multar os muçulmanos numa quantia de 15 000 dólares norte-americanos.
Sobre este assunto, Rafik Sidat esclareceu que “nós efectuámos o depósito dos valores. Estamos a espera da inspecção do campo que será feita pelos técnicos da CAF”.
“Mas em caso de reprovação, certamente que iremos recorrer ao Estádio Nacional do Zimpeto para realizar os jogos. Tem de ficar claro que as portas estarão abertas, de forma gratuita, para todos os moçambicanos”, completou o dirigente.
A Liga Moçambicana de Futebol (LMF) decidiu não acolher os fundamentos da denúncia apresentada pelo Vilankulo FC da alegada utilização irregular de um jogador pelo Clube Desportivo Matchedje de Maputo. Assim sendo, caiu em terra o último “reduto” dos Marlins para continuarem na prova máxima do futebol moçambicano.
Se não foi em campo, então não será na secretaria que o Vilankulo FC vai garantir a manutenção no Moçambola e, deste modo, evitar uma disputa renhida contra equipas como Themusa Costa do Sol de Massinga, Comércio Maxixe, Quissico Clube de Zavala, Desportivo de Inharrime, AD de Maxixe, entre outras, numa competição de espécie recreativa.
A Liga Moçambicana de Futebol (LMF), órgão gestor do Campeonato Nacional de Futebol, reunida em sessão ordinária, nesta terça-feira (18), apreciou o relatório do processo por si instaurado para apurar a denúncia apresentada pelo clube de Inhambane, na qual acusava o Matchedje de ter utilizado, de forma irregular, o atleta Gervásio de Jesus na partida da 22ª jornada.
Contudo, segundo a LMF, os fundamentos apresentados pela direcção Marlin são descabidos e inúteis na medida em que “ao abrigo do número 25 do comunicado oficial número 1/2013 da Federação Moçambicana de Futebol (FMF), um jogador só pode tomar parte em competições oficiais ou particulares desde que se encontre inscrito e licenciado pela FMF”.
Ademais, refere a LMF, num dos argumentos usados para não acolher a denúncia do Vilankulo FC, que “ao abrigo do número 27 daquele comunicado da FMF, a prova de licenciamento de um jogador consiste na emissão e entrega ao jogador do cartão licença seja biométrico, seja normal, para as provas do Moçambola e das restantes”.
E só mesmo a justificar a superfluidade da denúncia daquela colectividade, pois uma posição contrária seria um manifesto e desonesto atropelo às regras do futebol moçambicano, a LMF vai ainda mais longe ao afirmar que ela “rege-se por regulamentos próprios que não podem contrariar os regulamentos e comunicados oficiais da FMF”.
Ainda assim, a LMF decidiu punir o Matchedje com uma multa de dois mil e quinhentos meticais em virtude de, tal como denuncia o Vilankulo FC, o atleta Gervásio de Jesus ter envergado uma camisola que não observa a regra de enumeração dos jogadores, em conformidade com o regulamento de competições daquele organismo gestor do Moçambola.
Deixou de ser especulação. Francisco Conde Júnior, ou Chiquinho Conde, é oficialmente treinador do Clube dos Desportos da Maxaquene. O seu vínculo contratual é de dois anos.
Segundo apurou o @Verdade, o referido compromisso entre Chiquinho Conde e a direcção do clube tricolor, válido por duas épocas, foi assinado no último sábado (14). E não obstante o “timing”, o novo “comandante” da embarcação tricolor já tem um plano de trabalho: realizar um estágio pré-competitivo na África do Sul em Janeiro, dois meses antes do arranque do Moçambola-2014.
Para se sagrar campeão nacional na próxima edição do Campeonato Nacional de Futebol, como aliás definiu como objectivo principal da sua ida ao Maxaquene, Conde vai trabalhar com Vitor Mayamba, como seu adjunto, Manuel Valói como treinador de guarda-redes e com o antigo internacional moçambicano, Betinho, na equipa técnica.
Três alunas morreram e igual número contraiu ferimentos graves em consequência do desabamento da parede da Escola Primária Completa de Mutomote, erguida à basse de material precário, nesta quinta-feira (19), na cidade de Nampula.
O incidente foi causado pela chuva que caiu na urbe, tendo igualmente destruído mais de duas dezenas de casas em diversos bairros. As vítimas mortais respondiam pelos nomes de Rosa Inácio, Judite Ibraimo e Fátima Augusto, de 14, 12 e 13 anos de idade, respectivamente, e frequentavam a 7ª classe.
As outras crianças feridas, da mesma classe, chamam-se Lídia Acácio, Isaquiel Alberto e Isaquiel Augusto, todas de 14 anos de idade. Elas encontram-se internadas no Hospital Central de Nampula sobre cuidados médicos intensivos.
A direcção do estabelecimento do ensino explicou que na altura em que a desgraça aconteceu, as vítimas encontravam-se nas vitrinas a consultar as listas de afectação nas escolas onde no próximo ano irão prosseguir os seus estudos.
“Estamos no fim do ano lectivo e nesta época enviamos as listas dos alunos que transitaram para 8ª classe às escolas que leccionam esse nível”, afirmou Atuhur António, director da EPC de Mutomote, para quem há possibilidade de mais de 10 salas de aula desabarem nos próximos tempos dado o seu estado avançado de degradação, mas não existem meios para evitar o perigo.
O director dos Serviços da Educação, Juventude e Tecnologia na cidade de Nampula, Bruge Rupia, reconheceu que a escola em causa funciona em condições precárias e com infra-estruturas degradadas. Porém, garantiu que o governo local vai assumir as despesas em relação às vítimas.
As duas bancadas parlamentares da oposição na Assembleia da República são unânimes em afirmar que o discurso de Guebuza não traz resposta aos principais problemas que o País vive neste momento, para além de repetir o que o Governo disse ao parlamento.
Arnaldo Chalaua, porta-voz da bancada parlamentar da Renamo, considera que o informe de Guebuza é “medíocre e a projecção para o ano é de que seja pior que este”. Chalaua entende ainda que Armando Guebuza não encontrou palavras para dizer aos moçambicanos qual é o estado da nação.”
Para Chalaua, o PR “não está a conseguir controlar a criminalidade e os raptos e não está, igualmente, a saber dizer “se estamos em guerra ou não”, por estas e outras questões, considera o deputado que “se tivesse dito que o estado da nação é bom, os moçambicanos o vaiariam.”
MDM
O deputado e porta-voz da bancada parlamentar do MDM, José de Sousa, diz que Armando Guebuza “não avança soluções imediatas para estancar os problemas”.
Sobre a tensão político-militar, o deputado considera que “o presidente da República veio a esta casa manifestar que a resposta à tensão político-militar vai ser o uso da força”, uma vez que no seu discurso o PR fala de sofisticação das forças de defesa e segurança.
“Esperávamos que o presidente dissesse que a curto prazo vai procurar um encontro com o presidente da Renamo”, disse o deputado, para logo acrescentar que o PR veio repetir tudo que o Governo disse ao parlamento, mas sem medidas concretas para colmatar os problemas do quotidiano dos moçambicanos.
Informe esclarecedor
O porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo, Edmundo Galiza Matos Júnior, faz “avaliação positiva” e considera o informe do PR “profundamente esclarecedor”. Para a bancada da Frelimo, a ideia avançada por Guebuza, de que a paridade é um “falso argumento”, é positiva. E acusa “a bancada da Renamo de falta de responsabilidade perante os moçambicanos” por terem abandonado sala.
O presidente da Autoridade Tributária de Moçambique (AT), Rosário Fernandes, disse que o País perdeu 82 milhões de meticais devido ao contrabando de bebidas e cigarros nas fronteiras nacionais.
Rosário Fernandes, que falava esta quarta-feira na Matola, na cerimónia de assinatura de acordo de segurança entre a AT e OPSEC, uma empresa britânica especializada no fabrico de selos de segurança em produtos importados, disse que o acordo vai estancar a onda de contrabando nas fronteiras moçambicanas.
“De 2008 até 30 de Novembro passado foram apreendidas grandes quantidades de bebidas alcoólicas e de tabaco contrabandeados nas três regiões do País, correspondes a 82 milhões de meticais”, disse Fernandes.
Por seu turno, o representante da OPSEC, Timothy Davies, diz haver necessidade de colocar selos em produtos de modo a garantir a segurança. “O contrato é importante para a firma e para o País, pois visa garantir a segurança dos produtos e contribuir para as receitas do Estado, uma vez que não é fácil controlar os produtos”, disse.
Um cidadão identificado por Dinho Fabião, de 24 anos de idade, foi encontrado morto na última segunda-feira na fossa da primeira Esquadra da PRM na cidade de Maputo. O malogrado estava detido numa das celas da referida esquadra localizada no centro comercial da capital.
Segundo o chefe da Secção no Serviço de Salvação Público, Joel Sauane, o corpo de Dinho Fabião foi achado por volta das 17 horas da segunda-feira já sem vida no interior da fossa.
O chefe da Secção no Serviço de Salvação Público, Joel Sauane, diz que a informação que colheu junto da Polícia indica que o finado teria se evadido das celas da esquadra e na fuga caiu na fossa e não resistiu ao efeito das águas negras e excrementos humanos.
“Quando a Polícia se apercebeu já era tarde. Solicitou o Corpo de Serviço de Salvação Pública para remover o corpo”, disse.
O Serviço de Salvação Pública reporta também que seis pessoas morreram por afogamento durante a semana passada, na baía de Maputo.
“Uma nação que continua a caminhar decidida e imparavelmente para a prosperidade e o bem-estar” é a avaliação que o chefe de Estado, Armando Guebuza, faz do estado geral da nação. Se no ano passado Guebuza disse que a nação estava “no caminho certo rumo à prosperidade”, este ano a caminhada tornou-se “decidida e imparável”, numa altura em que é consensual, na opinião pública, que o estado da nação piorou em várias frentes.
“Homem sábio que toca corações”
Como sempre Guebuza foi “coreanamente” aplaudido pelos deputados da Frelimo em jeito de demonstração de amor e admiração ao “guia incontestável”, enquanto a Renamo voltou a cumprir com a tradição: abandonar a sala quando Guebuza começar a falar. A demorada salva de palmas dos deputados da Frelimo foi antecedida de um elogioso discurso da presidente da Assembleia da República, Verónica Macamo, que apresentou Armando Guebuza como um “homem sábio” e que “toca corações”. E com os corações “tocados” os deputados da bancada da Frelimo interomperam 13 vezes o discurso só “grande líder”, só para aplaudir a “clarividência e sapinciê” que emenavam do discurso do Chefe de Estado.
A Imprensa só recebeu discursos às 17 horas
Mas antes do discurso em termos de conteúdo, é preciso olhar para o roteiro da produção do mesmo. É que até à hora em que Armando Guebuza chegou ao parlamento o discurso ainda estava a ser corrigido, segundo nos contou um assessor da presidência da República. Quando Guebuza chegou ao parlamento o discurso ainda não estava pronto. Havia uma versão que foi reprovada quando já ia ser entregue ao chefe de Estado. Esta mesma versão estava a circular entre os assessores mas acabou não sendo a lida pelo chefe de Estado. O discurso lido pelo chefe de Estado era único exemplar. Devido à existência de várias versões houve demora na disponibilização do discurso à Imprensa. Guebuza terminou de discursar um pouco depois das 11 horas e a presidência só disponibilizou o discurso por volta das 17 horas.
Em termos de conteúdo, Guebuza abordou quase que todas as questões candentes do País, desde a pobreza, a aquisição de meios militares, a guerra e os raptos. A corrupção não mereceu muito destaque.
A “guerra é nos vídeo games”
Sobre o espectro de guerra civil que o País atravessa, Armando Guebuza prefere culpar a Renamo por tudo quanto está a acontecer. O seu Governo não tem, curiosamente, qualquer culpa. Para Guebuza, o Governo está comprometido com a consolidação de um clima de Paz e tranquilidade traduzido pela “irreticente disponibilidade para o diálogo profícuo”.
Sobre as negociações que só produzem impasses, Guebuza acusou a Renamo de criar um conjunto de pré-condições a que apelidou de “incompreensíveis”.
Em relação à guerra em si que já vitimou mais de uma centena de pessoas, Guebuza prefere falar de “vídeo games e filmes”. Para Guebuza, “a guerra deve ser assunto de ficção científica, de vídeo games e de produções literárias e cinematográficas”, mas curiosa e tristemente Guebuza também dá ordens a militares, na sua qualidade de comandante em chefe, para atacarem não em ficção, filmes ou vídeo games mas na realidade.
Armamento de guerra “é para dissuasão”
Sobre a compra de material bélico (camiões, armas, navios, migs), Guebuza fez uma avaliação na óptica de investimento. “Estes investimentos têm também em vista pôr cobro às violações das nossas fronteiras terrestres, marítimas e aérea e de dissuadir quaisquer pessoas ou entidades que queiram fazer do nosso território um lugar para a prática de ilícitos criminais ou colocar em risco a segurança do Estado moçambicano”.
Em relação à pobreza, Guebuza não falou muito. Apenas disse acreditar que a mesma será coroada de “êxitos” num futuro muito breve. Mas o Chefe de Estado falou da redistribuição da riqueza, debate cada vez mais aceso, por se entender que as riquezas geradas pelo País estão a beneficiar a um grupo restrito de pessoas ligadas a Armando Guebuza. Sobre essa questão, Guebuza voltou a usar a velha fórmula: pedir calma. Diz o chefe de Estado que ainda é muito cedo e que os rendimentos provenientes dos recursos minerais não podem ser distribuidos na mesma proporção que a mediatização das descobertas.
Raptos
Guebuza também falou dos raptos que assolam o País e que já se saldaram em execuções. Sobre a matéria, Guebuza disse o seguinte: “os raptos como as situações de extorsão têm merecido o devido tratamento e acompanhamento das instituições judiciárias, tendo em vista a responsabilização criminal dos autores”.
Facebook é sinónimo de distribuição de riqueza
Depois de ter vindo a público mostrar a sua aversão às redes sociais por causa das críticas que choviam à sua governação, Guebuza decidiu “descriminalizar” o Facebook e outras plataformas. Se há bem pouco tempo apelidou o Facebook de “indústria de sonhos inalcançáveis”, ontem Guebuza congratulou os moçambicanos que usam o Facebook.
Lembre-se que o Facebook contribuiu bastante para os resultados eleitorais recentes. Só que para o chefe de Estado o Facebook é fruto da “distribuição da riqueza” da parte do seu Governo: “registámos o crescimento em catadupa dos nossos compatriotas que aderem, diariamente, às redes sociais, facto facilitado pelas nossas políticas de redistribuição dos rendimentos,”.
Ou seja, em última instância graças à distribuição da riqueza (?) do Governo os moçambicanos têm o Facebook, ou computadores, telemóveis e internet para acederem à rede social mais usada no mundo.
O académico e ex-director do Instituto de Estudos Económicos e Sociais, Carlos Nuno Castel-Branco, juntou-se à corrente de opiniões que defende que os três pré-candidatos da Frelimo avançados pela Comissão Política não representam alternativa para tirar o País do “caos” em que se encontra, por representarem exactamente a continuação do actual regime liderado por Armando Guebuza.
Numa opinião publicada na sua página do Facebook, Castel-Branco exorta aos membros do Comité Central que não estão de acordo com os três nomes avançados para que “tenham a coragem e a dignidade de se pronunciarem abertamente, de escolherem e apoiarem alternativas reais e de votarem com a vossa consciência”, porque na opinião daquele reputado académico “o futuro do Partido e do País, pelo menos a curto e médio prazo, depende da decência, coerência, coragem e pensamento para além do umbigo”.
Eis a seguir a opinião do Prof. Castel-Branco na íntegra.
Sobre as propostas da Comissão Política da Frelimo para candidatos a candidatos presidenciais pela Frelimo:
Desde que foram anunciados os nomes dos pré-candidatos da Frelimo (candidatos a candidato da Frelimo para as eleições presidenciais) o debate no facebook não tem cessado. Por um lado concordo que as três figuras não parecem representar alternativas ao figurino actual. Se há uma opinião próxima de consenso, é que este G3 não serve. Por outro, concordo que embora a Frelimo, como qualquer outro partido, seja soberana para fazer as suas escolhas, o seu peso político na sociedade faz com que essas escolhas tenham um impacto que vai muito para além do partido e afecta, ou pode afectar, a vida de milhões de pessoas. Portanto, é normal que as pessoas se preocupem.
No entanto, gostava de chamar a atenção para 5 aspectos. Primeiro, estas não parecem ser escolhas da Frelimo. Da Comissão Política são, mas a Frelimo não se limita à sua Comissão Política. A disciplina partidária pode impor estas escolhas ao resto do Partido, do mesmo modo que insatisfação com o estado da Nação pode levar o resto do partido a querer alternativas que melhor o credibilizem e permitam trazer ar fresco e ideias novas para a governação do País.
Segundo, o comportamento e actuação das pessoas também depende do contexto e, portanto, não é imutável. Será tão importante discutir e influenciar a escolha das agendas e métodos de governação como será influenciar a escolha das pessoas.
Terceiro, se Guebuza continuar na liderança do Partido e o Partido concretizar a sua intenção de controlar as acções dos seus membros titulares de cargos públicos, as possibilidades de mudança serão muito poucas. Portanto, além de discutir quem o substitui como candidato a presidente da República, é preciso garantir que o Presidente da República de facto o seja, e não apenas um pau mandado de Guebuza ou do Partido.
Quarto, qual é a agenda de governação? Mais guerra, mais crime, mais corrupção, mais polícias, soldados, juristas, parlamentares, governantes e funcionários com excesso de zelo? Mais relatórios falsos, arrogância e placas a comemorar a passagem do filho mais querido e da primeira-dama por um certo sítio? Aliança mais forte entre o Estado e o grande negócio corporativo à custa do povo? Mais desprezo pelos que trabalham, andam a pé, usam serviços públicos cada vez mais decadentes e incapazes de servir o público e não têm emprego? Se for esta a agenda, para quê mudar? Discutir a agenda é mais importante do que discutir a pessoa A ou B.
Mas, em minha opinião, o ponto mais importante é o seguinte: nós não podemos, eternamente, limitar as grandes opções do nosso País à Frelimo e às suas decisões. Temos que criar alternativas que façam sentido, que tenham substância e que de facto ofereçam alternativas – de visão, de ideias, de programas, de estilos e métodos de governação. Não podem ser só emblemas/bandeiras/faces alternativas em quem votar, mas a substância tem que ser clara e de facto alternativa e progressista. Estamos a perder tempo analisando, reanalisando, sobreanalisando, desesperando e chorando sobre as decisões que a CP da Frelimo, soberanamente, tomou. O que devemos estar a fazer é organizar as alternativas na sociedade (ou no Partido, para quem for membro do partido). Ninguém é obrigado a gostar e aceitar as decisões da CP da Frelimo, do mesmo modo que a CP da Frelimo não é obrigada a mudar as suas decisões e processos porque uma parte da sociedade (ou do Partido) não gosta deles (desde que não Seja uma clara, consciente e identificável maioria).
Para quem não tiver gostado da lista de 3 pré-candidatos, a forma mais prática de evitar que qualquer um deles se torne PR é gerar alternativas melhores, com substância, progressistas, que captem a imaginação do povo, e que possam ganhar ou, pelo menos, ficar tão perto que ponham pressão efectiva e competente na governação de quem tiver ganho, assim obrigando a melhorar a governação. Para os membros do Comité Central da Frelimo que não gostem de nenhum destes três – e espero que haja muitos – tenham a coragem e a dignidade de se pronunciarem abertamente, de escolherem e apoiarem alternativas reais e de votarem com a vossa consciência. O futuro do Partido e do País, pelo menos a curto e médio prazo, depende da vossa decência, coerência, coragem e pensamento para além do vosso umbigo.
É possível mudar, se começarem agora a trabalhar a sério. A vitória organiza-se e prepara-se. Há uma outra frase, menos conhecida, mas igualmente importante, que diz o seguinte: planificação conjunta, actuação dispersa.
Nenhum partido foi, é ou será o destino eterno de uma sociedade inteira. Os melhores partidos são parte do destino da sociedade, mas não são o seu destino. Não sejamos nós a reproduzir Guebuzite ou Frelimite em Moçambique. Moçambique é de todos os seus cidadãos, e não apenas dos que por qualquer razão detêm o poder político e económico agora. A mudança está nas nossas cabeças, corações e mãos, e não apenas nas palavras dos que não querem mudar nada.
O segredo da felicidade é a liberdade, e o segredo da liberdade é a coragem e dignidade.
“Tudo é considerado impossível, até acontecer” (Nelson Mandela).
Faleceu ao princípio da noite de ontem na sua residência, no bairro de Matacuane, na Beira, o músico José Meque Matola, mais conhecido por Madala. Nascido em Fevereiro de 1963, Madala popularizou-se na arena nacional com o tema Xiripo, que venceu a edição de 1987 do Ngoma Moçambique.
Nos últimos meses o músico já não gozava de boa saúde, tendo acabado mesmo por perder a vida. A confirmação do seu desaparecimento físico foi nos dada pelo também músico e seu amigo de longa data Jah Bee, que disse ter recebido uma mensagem de um familiar que lhe foi enviada pelo telemóvel do próprio finado.
Em 1984 conquistou também o primeiro lugar do concurso radiofónico Senzo como a melhor voz da Beira. O seu primeiro álbum, em cassete, com o título Palmira, saiu em 1997.
Em 1998 voltou a ganhar o Ngoma Moçambique da Rádio Moçambique através do tema Chimurombo. Neste mesmo ano foi lançado o seu segundo álbum, já em CD, intitulado Ponessa Musiwango, que lhe valeu um disco de prata. Três anos depois lançou o terceiro disco, Mangamba, também em CD.
Segundo os registos disponíveis, o gosto pela música parte da família, pois o seu pai tocava acordeão e interpretava músicas na igreja.Madala começou a tocar com um grupo de amigos quando tinha apenas 12 anos. Foi com o mesmo grupo que começou a tocar em bailes e casamentos.
No início da sua carreira tocou em bandas como Tambores de Sofala, The Kings, que ele próprio criou, e Tambores de Mambone, agrupamento que tocava músicas de raiz, em particular mandoa.
Madala tocou igualmente em vários eventos de diferentes instituições como, mais recentemente, as galas de beneficência da Televisão de Moçambique.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi retirado às pressas do jantar anual com jornalistas correspondentes da Casa Branca, na noite deste sábado,...