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Quarta-feira, Abril 29, 2026
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Procurador-Geral apresenta informe evasivo e pouco esclarecedor sobre Justiça em Moçambique

O Procurador-Geral da República, Augusto Paulino, apresentou esta quarta-feira (16), na Assembleia da República, o Informe Anual sobre o Estado Geral da Justiça, referente a 2013. Como era esperado, o documento não trouxe algo de novo e passou ao lado dos diversos casos de injustiça, corrupção, insegurança e perseguição política que preocupam os moçambicanos.

Por exemplo, sobre os raptos, um tipo de crime que ganhou espaço nos principais centros urbanos graças à inércia das autoridades, Augusto Paulino só citou números e em nenhum momento falou de medidas (adicionais) que foram tomadas para estancar este fenómeno.

Paulino reconhece que o ano passado foi caracterizado por crimes e sequestros, com destaque para os raptos, cujos protagonistas recorrem à intimidação, ameaça, extorsão, violência física e psicológica e cárcere privado para que os familiares das vítimas mobilizem recursos para o pagamento de resgate, sendo que os valores, uma vez na posse dos criminosos, são usados para adquirir imóveis e viaturas, entre outros bens.

“Em diferentes ocasiões, nas cidades de Maputo, Matola, Beira e Nampula, pelo menos seis menores com 2,3, 8, 12, 15 e 17 anos de idade foram raptados e mantidos em cativeiro por períodos não inferiores a 3 dias. Num deles os raptores tiraram a vida a um menor e nos restantes as vítimas libertas após o pagamento de elevadas somas de dinheiro”, disse.

Durante o ano de 2013 foram registados em todo o país 38.457 crimes, sendo 24.805 contra propriedade e 8.407 contra pessoas, sendo que a cidade de Maputo lidera com 8.815 casos, seguido pelas províncias de Maputo e Nampula, com 8.210 e 4600 casos, respectivamente.

Ilícitos nas autárquicas de 20 de Novembro

Em relação às ilícitos registados durante as quartas eleições autárquicas, realizadas no dia 20 de Novembro do ano passado, o PGR fez saber que instaurados 97 processos-crime contra um total de 150 arguidos, tendo sido julgados 42 e condenados 38 ao pagamento de de multas ou a penas que variam de três dias a um ano de prisão. Trinta e um arguidos foram absolvidos por insuficiência de provas.

Segundo Augusto Paulino, nas autárquicas de 20 de Novembro último “foram cometidas diversas infracções criminais, com destaque para a promoção dolosa de inscrição, dupla inscrição, destruição de material eleitoral, perturbação da assembleia de voto, propaganda eleitoral depois de encerrada a campanha eleitoral, presença de não eleitores e propaganda eleitoral nas mesas de voto”.

Entretanto, o guardião da legalidade no país foi infeliz ao não especificar ou tipificar as tais infracções criminais registadas durante as quartas eleições autárquicas, ficando, assim, por saber se fazem parte deste conjunto os casos veiculados pela imprensa, dentre os quais a detenção de delegados de lista dos partidos da oposição, o enchimento de urnas, a morte de cidadãos inocentes e o uso desproporcional da força por parte da Força de Intervenção Rápida.

Corrupção

Relativamente à corrupção, à qual Augusto Paulino promete combater desde o seu primeiro mandato, a luta está longe de ser vencida. Aliás, este fenómeno tende a ganhar terreno na sociedade moçambicana. Em 2013 foram tramitados 876 processos, sendo 600 de corrupção e 276 de peculato e desvio de fundos ou bens do Estado. Destes, foram julgados 138 processos. Por outro lado, foram responsabilizados 128 gestores, os quais tiveram de repor os valores não justificados.

Como que a reconhecer que ainda há muito por fazer para estancar este mal, Augusto Paulino referiu que “estamos conscientes que a batalha da luta contra a corrupção está longe de ser ganha. No entanto, continuamos convictos de que com o envolvimento de todos os órgãos do Estado, de toda a máquina Judiciária e a participação de todo o povo, reduziremos o fenómeno à sua insignificância”.

Renamo diz que “desfrelimizar” as Forças de Defesa e Segurança é a única saída para a paz

O porta-voz do presidente da Renamo, António Muchanga, decidiu responder ao coro de críticas que têm sido feitas por certos sectores de opinião, por aquele partido defender nos últimos dias a nomeação de quadros da Renamo para cargos de chefia a nível das Forças de Defesa e Segurança.

Muchanga diz não é verdade que a Renamo não esteja interessada nas eleições. 

Segundo o porta-voz de Dhlakama o que a Renamo está neste momento a exigir já havia sido proposto há muito tempo, mas a Renamo estava à espera que assunto fosse debatido no quando nas conversações/negociações se entrasse no capítulo da Defesa e Segurança. 

Muchanga lembra que as instituições da Defesa e Segurança representam efectivamente o Estado, e o Estado é de todos. 

“Nós precisamos de estar dentro do exército à escala nacional, regional, provincial, distrital e local. Nós poupámos esta questão porque esperávamos que ia ser discutida quando discutíssemos as questões de Defesa e Segurança onde deveríamos revisitar os Acordos de Roma Geral de Paz e recordar a Guebuza o acordo que ele negociou uma questão previa que ele não fez”.

A Renamo, segundo o porta-voz da Afonso Dhlakama, está cansada de descriminação e marginalização. Quer estar na Polícia e nas Forças de Defesa e Segurança desde o topo até à base. 

“Só dessa maneira é que teremos tranquilidade no país. A paz não pode ser feita sacrificando a Renamo. Pacientámos 21 anos, a sermos marginalizados e descriminados”, disse António Muchanga.

Sobre o recenseamento do líder da Renamo que começa a ficar seriamente comprometido em função dos prazos, o porta voz de Afonso Dhlakama diz que ainda há tempo para o líder do maior partido de oposição em Moçambique, Afonso Dhlakama se recensear, bastando para tal, que haja vontade do Governo.

“Hoje (terça-feira) estamos no dia 16 de Abril. Ainda há tempo para o presidente se recensear. Acredito que o recenseamento pode não terminar no dia 29 de Abril porque a maior parte da população também ainda não foi recenseada. Na província da Zambézia ainda não atingiu 40 porcento, Em Nampula, ainda não atingiu. Mesmo aqui na cidade (Maputo), há zonas em que tentam empolar os dados. É preciso dar oportunidade para as pessoas se recensearem. Podemos prorrogar por mais um mês. Isso não vai prejudicar”, disse Muchanga em entrevista exclusiva ao Canalmoz.

Muchanga insistiu várias vezes dizendo que “haverá eleições, bastando haver vontade, o impasse que prevalece pode-se resolver em pouco tempo”. 

“Se o governo aceitar aqueles princípios, convidarmos os observadores internacionais. Chegam ao país e resolvemos aquela questão. Os observadores internacionais não só vão supervisionar o Acordo Geral de Paz. Nas fases subsequentes que são aquelas que se seguem ao cessar-fogo contamos com apoio deles, também”. 

Muchanga acrescentou: “Não podemos ser comandados por prazos. Podem ser alterados porque foram feitos por homens. Há condições para eleições, basta haver vontade”.

António Muchanga também mandou recados aos analistas mais achegados ao regime. Disse que os comentadores que pensam que a Renamo não está interessada na realização de eleições “são preguiçosos mentais”. “Os analistas devem ser especialistas. As previsões de um analista dificilmente falham. Eles falharam em tudo. Se fossem médicos teriam matado muita gente. Se fossem professores era um resultado desastroso. Se fossem montadores de viaturas, as mesmas teriam matado muita gente”, ironizou o porta-voz do presidente da Renamo. 

Segundo o porta-voz do líder da Renamo, as pessoas devem recordar-se quando é que a Renamo escreveu a sua primeira carta de pedido de audiência. Já nessa altura a Renamo tinha em vista a resolução destes problemas. “Foi antes das eleições autárquicas”. 

Armadores de pesca acusam governo de privilegiar operadores estrangeiros

Os armadores de pesca semi-industrial que operam no Banco de Sofala, acusam o Governo Moçambicano, de entregar 92 por cento das quotas pesqueiras a estrangeiros, ficando apenas oito por cento para os operadores nacionais, o que vem a contrariar os discursos governamentais, de que recursos naturais devem servir em primeiro lugar os cidadãos nacionais.

Segundo Mamade Sulemane, presidente da Associação dos Armadores de Pesca de Moçambique (ASSAPEMO), estes manifestam-se contra um diploma ministerial que, em oposição aos objectivos da sua adopção, está a prejudicar os pescadores moçambicanos.

Mamade Sulemane diz que a situação é dramática nas pescas, em particular em Sofala, sustentando que depois de uma crise muito grande, em 2009/2011, com o preço de combustível a subir muito, as empresas ficaram completamente descapitalizadas e os anos subsequentes foram uma sucessão de situações mais graves ainda, criadas pelo próprio Ministério das Pescas, com a obrigatoriedade do VMS (sistema de controlo das embarcações por satélite), válido apenas para operadores nacionais licenciados”.

Portanto, a atitude do Governo, veio a contrariar o seu próprio discurso que diz que os recursos naturais devem servir em primeiro lugar os cidadãos nacionais. “O que está a acontecer é que foi introduzido o diploma ministerial nº 273 que se diz que é para reduzir o esforço de pesca no Banco de Sofala, que, ao invés de retirar ou diminuir os barcos com grande cavalagem e introduzir um sistema de fiscalização para impedir a pesca ilegal, veio pelo contrário prejudicar os operadores nacionais que operam com embarcações de menor cavalagem e estão sujeitos à fiscalização por meio do VMS”, dizem os armador em síntese.

De acordo com os pescadores, isto veio a aumentar os custos de produção ao nível da pesca pelos semi-industriais que operam naquela região do Pais.

Também se deveu à tomada do Cais Manarte pelo Porto de Pescas, na Beira. Envolveu custos adicionais. Introduziu mais rígida e firme cobrança das licenças, numa situação em que vários empresários tinham taxas atrasadas, pelo que simplesmente lhes foram retiradas as licenças de pesca.

“Numa primeira fase passaram avisos de corte de licenças pesqueiras a operadores com taxas artesanais, que na altura eram de 25 mil meticais, mas surpreendentemente ficou-se a saber que as taxas passaram para 82 mil para aquisição de licença pesqueira em Sofala, o que não é rentável a qualquer um pescador”.

“Este cenário levou à situação actual em que o Governo fala de boas cifras de pesca mas de facto estas nem atingem metade do que se pescava em anos passados; se calhar nem um terço do nível de produção do que acontece actualmente”.

“Só para dar um exemplo, nessa altura a empresa Recanto de Chiloane pescou 470 toneladas de camarão mas no ano passado, 2013, apenas conseguiu 240 toneladas. Numa situação de descapitalização, tem que haver um apoio do governo às empresas pesqueiras, mas o que se verifica é precisamente o contrário”, queixam-se os armadores semi-industriais.

“Quando estávamos à espera que o Governo apoiasse mais os empresários nacionais estes não tiveram apoio nenhum nas crises que aconteceram. Enquanto isso os operadores estrangeiros beneficiaram de largos apoios da União Europeia e de países. Isso simplesmente prejudicou ainda mais os nacionais com a criação do famoso diploma nº273, de 2010, que praticamente retirou quase todas as licenças de congeladores aos moçambicanos”, desabafaram os pescadores ao ministro das pescas.

EDM cresce sete por cento

A Electricidade de Moçambique, E.P. registou um crescimento de sete por cento no consumo de energia eléctrica no país, no ano passado, conforme revelou o presidente do Conselho de Administração da empresa, à margem da Reunião de Balanço das Actividades de 2013, ocorrida há dias em Maputo.

No encontro anual, que reuniu todos os gestores da empresa, administradores, assessores do Conselho de Administração, directores centrais, directores de produção e de transporte, directores de áreas de serviço ao cliente e alguns quadros, foram abordados vários aspectos relativos à qualidade da energia fornecida aos clientes, novas fontes de produção e recursos humanos.

O crescimento da empresa foi acompanhado pelo aumento do número de clientes, que passou de 1,140 milhões, em Dezembro de 2012, para cerca de 1,260 milhões, em 2013, o que permitiu o incremento da taxa de acesso à energia eléctrica de 24 para 26 por cento.

“A nossa meta, nesta vertente, era atingir 25 por cento, mas acabámos por ultrapassá-la em um por cento”, referiu Augusto Fernando, presidente do Conselho de Administração da EDM.

A electrificação dos distritos constituiu igualmente um dos pontos de destaque no desempenho da empresa no ano passado: “Em 2012, fechámos o ano com 109 distritos electrificados e em 2013 com um total de 120 distritos, faltando apenas oito por electrificar no presente ano”, explicou Augusto de Sousa Fernando, acrescentando que existem projectos em curso na perspectiva de que, até Dezembro deste ano, todos os distritos estejam ligados à rede nacional de energia.

Entretanto, a empresa continua a enfrentar uma grande limitação na sua capacidade de fornecimento de energia, vendo-se obrigada a adquirir energia fora do país para suprir as necessidades de consumo, o que representa um custo muito grande.

“Em 2012, gastámos cerca de 75 milhões de dólares na importação de energia, contra 81 milhões em 2013, valores que incluem taxas de trânsito de energia para África do Sul, entre outros aspectos”, disse o presidente do Conselho de Administração.

Em contrapartida, nesse mesmo período registou-se uma redução em 21 por cento na exportação de energia, devido ao aumento do consumo interno.

Preocupa ainda a empresa, segundo referiu Augusto Fernando, o nível das perdas de energia: “Podemos dizer que tivemos um grande avanço neste aspecto, porque, em 2012, tivemos perdas totais de 24 por cento e, em 2013, baixámos um por cento, o que é um ganho muito grande”, realçou.

Augusto Fernando declarou ainda: “Em termos de ponta de consumo, passámos, em 2012, de 706 megawatts para 761, um crescimento em oito por cento, que não podia ir além devido a alguns constrangimentos nos sistemas”.

No que respeita ao projecto Credelec Online, a EDM regista uma taxa de 84 por cento de clientes ligados a este sistema, cobrindo já toda a região sul do país, com perspectiva de estender o sistema para o Norte até Junho próximo.

“Estamos a operar com uma rede que está praticamente no limite das suas capacidades e precisamos de fazer trabalhos de manutenção, para garantir o fornecimento adequado de energia, numa altura em que não dispomos de donativos ou fundos concessionais”, indicou, lamentando ainda as atribuições de terrenos em espaços reservados à EDM, o que dificulta o desenvolvimento de projectos de melhoria da rede.

Cidade de Tete com graves problemas de urbanização

Os munícipes da cidade de Tete que vivem nos bairros do interior quase que estão proibidos de adquirir viaturas, porque não existem estradas que lhes permitam chegar a casa, devido a problemas graves de urbanização.

Ter uma viatura e viver num bairro como “Samora Machel”, Chindgozi ou “Sansão Muthemba” tornou-se uma autêntica dor de cabeça. Não é possível chegar à sua residência com uma viatura. Os munícipes são obrigados a arranjar um local para poderem guardar as suas viaturas. Normalmente esses locais cobram. Mas tudo acontece devido à falta de urbanização dos bairros, aquando da distribuição dos talhões. Praticamente não existem estradas. Existem pequenas picadas pelas quais só é possível movimentar-se a pé, de mota ou de bicicleta. A situação mais preocupante acontece quando uma família tem alguém doente, que precisa duma ambulância para transportar o doente para o hospital.

Os doentes são carregados nas mãos até à estrada. “Aqui passamos muito mal, quando alguém cai doente, temos que transportar o doente nas mãos, até ao local onde está estacionada a viatura, porque aqui não pode chegar. O município assistiu a estas construções desordenadas e nada fez”, conta Cristina António.

A par deste problema de urbanização está o mau serviço de recolha de lixo. O lixo é lançado nas picadas que servem de passagem e, quando chove, instala-se o caos.

Vereador da área de urbanização no Conselho Municipal de Tete reconhece os problemas

O vereador para a área de urbanização no Conselho Municipal de Tete, Bruno Bene, reconheceu o drama que os munícipes dos bairros do interior vivem, tendo afirmado que a actual distribuição de talhões obedece a regras que pretendem evitar a actual situação nos bairros que foram parcelados sem urbanização. “Estamos a atribuir hoje, no Conselho Municipal, terrenos num sistema informatizado. Estamos a fazer tudo para que isso não se repita nos novos bairros com expansão ainda em curso”, esclareceu Bruno Bene.

MDM acusa a Polícia de estar a dificultar o processo de recolha de assinaturas

O Movimento Democrático de Moçambique fez uma denúncia ao Conselho Constitucional informando que a Polícia da República de Moçambique está a dificultar, em todo o país, o processo de recolha de assinaturas que vão apoiar a candidatura de Daviz Simango às eleições presidenciais de 15 de Outubro próximo.

Segundo a denúncia a que o Canalmoz teve acesso, a Polícia está a deter e intimidar os membros e simpatizantes daquela formação política que recolhem assinaturas ou que assinam em apoio à candidatura do MDM.

Um dos requisitos constitucionais para apresentação de uma candidatura presidencial ao Conselho Constitucional são dez mil assinaturas. Este processo termina em 21 de Julho, conforme deliberação do CC. O MDM mostra-se preocupado com a acção da Polícia, que em alguns distritos e cidades questiona a legalidade do processo.

A denúncia aponta que, na passada segunda-feira, um delegado do MDM de nome de José de Araújo foi detido por dois agentes da Polícia, à paisana, em Marrambone, em Inhambane. Na ocasião, esses agentes apreenderam duas listas de assinaturas, incluindo os respectivos cartões de eleitor dos cidadãos subscritores. Mais tarde, José de Araújo foi solto, mas as autoridades não devolveram as fichas de apoio e vinte cartões de eleitor.

Dias antes, segundo o ofício entregue ao Conselho Constitucional, três membros do MDM foram detidos quando levavam cartões de eleitor de apoiantes à candidatura de Simango, para reconhecimento na sede do distrito de Namuno. Os cidadãos detidos são Augusto Afonso Zengunde, Edi Amido e Arlindo dos Santos Mecosse.

Raptado dono da “Engen” na Macia

Um cidadão nacional de origem indiana, de nome Davda Umedkumar Mohanlal, de 58 anos de idade, foi raptado por indivíduos desconhecidos na noite do último sábado, na vila da Macia, distrito do Bilene, província de Gaza.

Segundo fontes próximas da vítima e da Polícia na Macia, que solicitaram o anonimato, o rapto do empresário Davda Umedkumar Mohanlal, até agora sócio-gerente da estação de serviço da “Engen” na Macia, ocorreu por volta das 22:00 horas, na porta da sua residência no bairro de cimento daquela vila, quando este regressava do seu local de trabalho.

Segundo as mesmas fontes, os raptores faziam-se transportar numa viatura “Toyota” de cor cinzenta. Embora não tenham sido divulgados mais pormenores sobre o assunto, sabe-se, com base nas nossas fontes, que, até à tarde de terça-feira, a vítima ainda continuava em poder dos sequestradores, em parte incerta, e que os raptores ainda não fizeram publicamente nenhuma exigência.

Polícia não fala

A Reportagem do Canalmoz contactou o porta-voz da Polícia em Gaza, Jeremias Langa, para obter mais detalhes e conhecer a reacção policial, mas este não confirmou nem desmentiu, preferindo responder: “Não tenho nada a comentar”.

Crenças na tradição obstam combate à malária em Moçambique

O recurso à medicina tradicional para tratar a malária tem sido recorrente em Moçambique, mormente nas zonas rurais, em detrimento da medica convencional, o que contribuído para o retrocesso no combate desta patologia, defendeu esta terça-feira (15), em Maputo, a pesquisadora e docente do Instituto Universitário de Lisboa, em Portugal, Ana Siqueira.

Segundo a lusitana, a prática em alusão, induzida por hábitos e crenças tradicionais, impede em grande medida a realização de testes que podiam permitir o diagnóstico rápido da doença e o respectivo começo da terapia nas unidades sanitárias.

No distrito de Chókwè, na província de Gaza, por exemplo, as comunidades acreditam que a malária resulta dos alimentos que consomem, do cansaço em consequência de trabalhos pesados, do feitiço, dentre outros males, de acordo com a estudiosa.

No seu estudo, Ana Siqueira constatou, também, que a dificuldade em localizar os provedores dos serviços de saúde, a falta de interacção entre os agentes da saúde e os curandeiros para desmistificar os hábitos culturais da população em relação a malária e a falta de meios em muitos hospitais para as análises contribuem para o descrédito do sector da saúde.

A pesquisadora, que dissertava num colóquio sobre “a introdução dos testes de diagnósticos rápidos da malária em Moçambique, entre os maus espíritos e uma autoridade biomédica incerta”, realçou que é preciso intensificar a educação das comunidades para eliminar a interpretação de sintomas da doença com base em explicações culturais, nomeadamente o feitiço, hábitos e costumes regionais e familiar, pese embora haja aumento na procura dos cuidados de saúde convencionais.

Para Ana Siqueira, apesar de algumas vantagens, a introdução de tecnologias biomédicas deixa a população desconfiada relativamente à cura ou diagnóstico da malária, o que faz com que não seja satisfeita pelos provedores de saúde e como alternativa opta pelo tratamento tradicional para a curar a enfermidade.

Perante o descredito do serviço público de saúde, as pessoas encontram nas orações, nos pastores e curandeiros o caminho para a sua purificação com vista a ficarem livres dos supostos maus espíritos. Elas acreditam que eliminar o feitiço que lhes impede de usufruir da cura.

Em Moçambique, as políticas sanitárias ainda são deficitárias, prevalecem fragilidades no sistema de transporte de medicamentos, na logística e há escassez de anti-maláricos, indicou Siqueira, para quem se deve melhorar a monitoria na implementação dos cuidados de saúde, no diagnóstico e no tratamento da malária com vista a responder às expectativas da população.

Tolerância de Ponto para trabalhadores Cristãos em Moçambique na sexta-feira (18) Santa

Por ocasião da Sexta-Feira Santa, e após concertação com os parceiros sociais (Empregadores e Sindicatos), a Ministra do Trabalho, Maria Helena Taipo, concede Tolerância de Ponto, para todo o dia 18 de Abril de 2014, para permitir que os trabalhadores e funcionários públicos que professam a religião cristã participem nas actividades inerentes à efeméride, junto às suas famílias e congregações.

Segundo um comunicado do Ministério do Trabalho, a referida tolerância de ponto não abrangerá aqueles trabalhadores cuja natureza da sua actividade não permite interrupção no interesse público, conforme o estipulado pelo nº 4, do artigo 205 da Lei do Trabalho em vigor.

Gangue invade maior Hospital Central para resgatar comparsa

Na madrugada desta terça-feira (15), uma quadrilha munida de armas de fogo invadiu o Hospital Central de Maputo (HCM), a maior Unidade Sanitário em Moçambique, com intuito de resgatar o seu cúmplice considerado pela Polícia detentor informações relevantes que podiam levar à neutralização de outros elementos que têm estado a protagonizar assaltos na capital moçambicana.

A corporação esclareceu que o paciente estava sob custódia das autoridades e sob cuidados médicos intensivos no departamento de cirurgia em virtude de ter sido baleado numa troca de tiros com a própria Polícia, na semana passada, no bairro do Aeroporto, em Maputo.

Pedro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), explicou que para lograrem os seus actos, os meliantes que pretendiam resgatar o comparsa fizeram-se passar por médicos daquela unidade sanitária. Todavia, quando o esquema foi desbaratado eles travaram uma discussão com alguns agentes da Lei e Ordem que na altura estavam em serviço.

Durante a controvérsia, alguns agentes da PRM que guarneciam o suposto criminoso em tratamento médico no HCM foram dominados pelos bandidos. Estes arrastaram o comparsa até algures no recinto do mesmo hospital, onde o abandonaram, já sem vida, devido à perseguição da Polícia e puseram em fuga.

Enquanto isso, na semana de 05 a 11 de Abril em curso, a PRM deteve uma namibiana identificada pelo nome Ande Hoke, de 44 anos de idade, surpreendida a transportar 53 cápsulas de cocaína no seu organismo. A visada desembarcou em Maputo de um voo da Kenya Airways. No Aeroporto Internacional de Nampula, um cidadã chamada Ana foi detida com 15.45 quilogramas de pedras preciosas quando pretendia levar para o estrangeiro.

Mais 40 vítimas mortais de acidentes de viação semana passada em Moçambique

À semelhança do que aconteceu entre 01 e 07 de Março passado, em que os acidentes de viação mataram 45 pessoas, de 05 a 11 de Abril corrente, a sinistralidade rodoviária voltou a ceifar a vida de 44 pessoas, feriu gravemente 41 e outras 62 contraíram traumas ligeiras, em diferentes estradas do território moçambicano.

Pedro Cossa, porta-voz do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), a desgraça resultou de 46 acidentes de viação causados pelo excesso de velocidade, manobras perigosas, ultrapassagens irregulares.

O chefe da corporação lamentou o facto de ter havido 36 atropelamentos, o que na sua opinião indica que há necessidade os automobilistas e peões redobrarem a atenção quando se fazem à estrada. A Polícia de Trânsito (PT) fiscalizou 22.611 veículos, dos quais apreendeu 54 por diversas irregularidades, emitiu 4.218 multas por violação do Código da Estrada e deteve 51 indivíduos por condução ilegal.

Renamo exige paridade nas Forças Armadas

As negociações entre o Governo e a Renamo, voltaram a encalhar, na segunda-feira, 14 de Abril, ao nāo terem, mais uma vez, alcançado entendimento em torno das principais tarefas da missão de observação do cessar-fogo. Tudo isto porque o Governo exige que uma das tarefas da missão dos observadores, para além de fiscalizar o cessar-fogo, seja a de acompanhar o desarmamento e reintegração dos homens da Renamo, considerando que os “observadores não podem vir aqui para brincar”.

A Renamo diz que aceita entregar os seus homens e o respectivo armamento, mas propõe o estabelecimento de bases fundamentais de confiança, através da aceitação e respeito de alguns princípios que constam numa proposta que colocou em cima da mesa, ainda nesta segunda-feira, em resposta ao pedido formulado pelo Governo para saber como pensa a Renamo no que diz respeito a este processo. Uma das referidas propostas é a composição equilibrada das Forças Armadas, em que militares das fileiras da Renamo ocupem posições de destaque.

O Governo já deixou claro, face às exigências da Renamo, que não vai “entregar nada de bandeja”, argumentando que tem mandato do povo para conduzir os destinos do país.

O chefe da delegação do Governo e ministro da Agricultura, José Pacheco, disse aos jornalistas, no final da 54a ronda, que encravaram “na definição da missão dos observadores internacionais ao fim das hostilidades militares”.

O Governo colocou em cima da mesa a questão do desarmamento da Renamo, e este partido trouxe a sua proposta, em resposta ao pedido do Executivo sobre qual seria o procedimento.

Segundo Pacheco, a Renamo disse, nas negociações, que não pretende ser desmilitarizada sem que sejam constituídas as Forças de Defesa e Segurança numa base de paridade.

“Aqui, voltámos de novo a ouvir a questão da paridade”, declarou o chefe da delegação governamental.

O Governo, ainda segundo José Pacheco, entende que a Constituição da República e demais legislação estabelecem que o Estado, ou a Administração Pública, não se organiza num fundamento partidário, enquanto a Renamo – no Ponto Três que está em debate nestas negociações – propõe a despartidarização do aparelho de Estado.

O Governo, na pessoa do chefe da sua delegação, acusa a Renamo de ter vontade de querer continuar a criar desordem e insegurança. Apesar de manifestar abertura para continuarem a se “consciencializarem e a dialogar”, o Executivo diz que não vai ceder de bandeja, pois considera que fez muitas concessões.

“Nós não podemos entregar de bandeja. O povo confiou-nos os destinos do pais”, afirmou.

José Pacheco lembrou que o Governo fez todas as concessões para que se tivesse uma legislação eleitoral de consenso, de modo a dar conforto à Renamo, aceitou a presença de observadores nacionais e internacionais para a cessação das hostilidades, a desmilitarização e integração dos homens da Renamo, para além de ter adoptado os termos de referência.

Renamo quer que a Defesa e Segurança sejam do Estado

Por seu turno, o chefe da delegação da Renamo, o deputado da Assembleia da República Saimone Macuiana, disse que, na sequência do pedido sistemático do Governo para que o país não tivesse militares ou guardas da Renamo armados, a Renamo apresentou a proposta.
Segundo Macuiana, a Renamo propõe que, ao nível das FADM, seja respeitado o princípio de equilíbrio e de paridade.

As exigências da Renamo

Esclarece que, nestes termos, pretende que, tendo em conta que nos últimos vinte anos o chefe do Estado-Maior General da FADM foi proveniente das extintas FAM/FPLM (Forças Armadas de Moçambique / Forças Populares de Libertação de Mocambique), seria sensato que, a partir de agora em diante, este fosse proveniente da Renamo, e o seu adjunto fosse proveniente das ex-FPLM. Quanto aos outros departamentos do Estado-Maior General, metade seria dirigida pelos brigadeiros oriundos da Renamo, e a outra metade pelos provenientes das ex-FPLM.
A Renamo propõe que a mesma lógica e o mesmo princípio deviam ser extensivos aos outros ramos das FADM, nomeadamente o Exército, a Marinha, a Força Aérea, assim como também aos diferentes escalões: os comandos regionais norte, centro e sul, os batalhões, as companhias, os pelotões e as secções. Por outro lado, ainda segundo Saimone Macuiana, ao nível da Polícia, o princípio seria o mesmo, tendo em conta que, nos últimos vinte anos, o comandante-geral proveio das ex-FPLM. Daqui em diante, seria levada em consideração a nomeação de um comandante-geral oriundo da Renamo, enquanto o seu adjunto seria oriundo das ex-FPLM. O mesmo seria aplicado ao nível dos departamentos centrais, comandos provinciais, comandos distritais, e em todos os outros níveis.
“Ressalvamos que, ao nível da FIR, o efectivo deve ser de 50% proveniente da Renamo e 50% do Governo, e o mesmo em relação à Força de Protecção de Altas Entidades do Estado.
A Renamo diz, na sua proposta, que também pretende equilíbrio e paridade nas escolas superiores e nas escolas práticas tanto das Forças Armadas como da Polícia.
Em relação ao SISE (Serviços de Informação e Segurança do Estado), a Renamo entende que, devido à sua complexidade, deve obedecer às regras aceites internacionalmente, de forma republicana, dando informações úteis ao chefe do Estado, e nunca deverá ser usado para interesses partidários ou de qualquer grupelho. Por isso deixou ao critério para decisão ao mais alto nível sobre como deve funcionar esta entidade.

“Nós, a Renamo, dissemos que, uma vez aceites e respeitados pelo Governo esses princípios, como base fundamental de confiança, a Renamo e o seu presidente aceitam plenamente e sem problemas a entrega de todas suas armas e homens”, declarou Saimone Macuiana, afirmando que deixam “ao critério do Governo, ao mais alto nível, a análise da proposta, que é negociável”.

Ainda sobre as FADM, a Renamo diz que não tem novos homens para integrar, mas sim os mesmos que estavam lá desde 1992 e que agora foram reformados compulsivamente, outros foram transformados em assessores e em adjuntos, enquanto outros estão simplesmente a aguardar pela idade da reforma.

Lembrou que, dos 1 200 oficiais e generais promovidos nas FADM após o Acordo Geral de Paz, apenas 15 são provenientes da Renamo.

“Que fique claro que o que criou esta situação que vivemos hoje é o Governo ter excluído ou passado à reforma compulsiva os oficiais oriundos da Renamo”, concluiu Macuiana, sublinhando: “Os homens que queremos integrar no Exército ou nas FADM estão lá, apenas queremos que tenham melhor enquadramento, promoções e funções executivas como os outros, oriundos das FPLM”.

As partes voltam a encontrar-se na quarta-feira, para mais uma ronda negocial.

Funcionário superior do BM suicida-se após apanhar em flagrante a esposa com amante

Vive-se um ambiente de incredulidade na delegação do Banco de Moçambique na cidade de Tete. Um funcionário superior daquela instituição, de nome Aníbal Ismael, afecto à auditoria interna, suicidou-se, após ter encontrado a esposa em flagrante a manter relações amorosas com o seu amante.

O quadro dirigente do Banco de Moçambique não suportou a traição e decidiu pôr fim à sua própria vida. O flagrante deu-se num dos hotéis da cidade de Tete, e Aníbal Ismael foi suicidar-se também num hotel.

Segundo fontes próximas de Aníbal Ismael, há muito que ele vinha desconfiando da esposa. Então decidiu empreender uma investigação pessoal e acabou por apanhar a esposa em flagrante.

Depois de ter encontrado a esposa num dos quartos dum hotel da cidade, o Aníbal Ismael deslocou-se a casa e tomou uma dose de veneno “Ratex”. Em seguida, entrou na sua própria viatura, foi a uma estância hoteleira e alugou um quarto, tendo pago algumas horas. Quando os trabalhadores do hotel foram ao quarto, encontraram o funcionário do Banco de Moçambique sem vida e com uma corda ao lado, que se supõe não ter sido utilizada, visto que o corpo não apresentava marcas.

PRM admite a existência da ocorrência

O CanalMoz contactou a Polícia da República de Moçambique em Tete, para obter esclarecimentos, mas não conseguimos informação substancial. “É possível que tenha dado entrada essa ocorrência, ou mesmo ao nível da PIC, mas nessa semana não analisámos as ocorrências, por causa da visita do vice-comandante geral, Jaime Basílio”, declarou José Núbias, porta-voz da PRM em Tete.

Conselho Municipal acusado de apadrinhar oficinas ilegais que funcionam nos passeios

Os proprietários das oficinas sedeadas na cidade de Maputo acusam o Conselho Municipal de Maputo de estar a apadrinhar a proliferação de oficinas piratas nos passeios, quintais e em baixo de árvores, prejudicando as oficinas legalmente constituídas e que pagam impostos. Entretanto, o presidente do Conselho Municipal, David Simango, declina tecer qualquer comentário quando questionado sobre o assunto.

Azarias Machava, proprietário da “Oficina Sleep Auto”, na Avenida Armando Tivane, diz que a sua oficina é legal, com licença para reparação e venda de peças de segunda mão.

“As oficinas piratas criam barreiras. Nós tratámos dos documentos e pagamos impostos. Gastamos muito dinheiro. As oficinais não oficializadas estão a funcionar sem que ninguém diga algo”, lamenta.

Machava disse que as oficinas legais estão a somar prejuízos. As oficinas piratas fazem trabalhos de empresas, não cobram recibos e ainda cobram dinheiro e não pagam nada ao Estado. Fazem concorrência desleal.

“A tramitação dos documentos custa milhões. Há empresas que não aceitam fazer trabalho sem a documentação que temos. Se as empresas cobrassem o recibo com IVA, todas essas oficinas tinham que ir tratar dos documentos. O Conselho Municipal tem conhecimento disso, mas actua quando entende”, disse.

Um sócio-gerente duma oficina legal, que falou na condição de anonimato disse que a sua oficina existe há vinte e seis anos. “Tentamos seguir as coisas a cem por cento e há quem não gosta disso. Se dermos o nome aqui nesta entrevista, há quem amanhã virá amarrar-nos e fechar a nossa oficina, porque falámos”, afirmou.

Acrescentou que, apesar de a sua oficina ter um padrão de clientes, o efeito das oficinas piratas fazem-se sentir: “Temos o nosso padrão de clientes, mas, no futuro, poderemos sentir isto na pele. Mesmo os clientes do nosso padrão estão a fugir de nós, por isso estamos prejudicados. Eles não pagam impostos”, tendo acrescentado que o país está desorganizado.

O que dizem os utentes

Alguns utentes da Avenida 25 de Setembro, na zona da Baixa, ouvidos pelo Canalmoz, dizem que os peões já não usam parte dos passeios desta avenida, por estes terem sido transformados em oficinas. Uma das grandes oficinas piratas está no prolongamento da Avenida 25 de Setembro, em direcção à Malanga.

Fernando Chissico, disse, por exemplo, que é impossível usar o passeio em frente das empresas “Europeças” e “M. Motovac”, na Avenida 25 de Setembro. Todo o passeio está ocupado. Mudam os óleos e filtros. Lava-se os motores e, às escondidas, metem os óleos nos colectores. As oficinas legais estão na iminência de fecharem as portas devido aos ilegais.

“O turismo é uma das melhores riquezas que o país possui. A matéria-prima do turismo é local. Os turistas, quando andam na cidade de Maputo, querem ver mariscos e outras coisas boas, mas deparam com peças de carros à venda, ou carros a serem reparadas nos passeios”, disse Chissico.

Ângelo Afonso, outro utente desta avenida, disse, por seu turno, que “temos situações de perigo iminente. Os carros são suspensos com pedras e podem cair sobre qualquer pessoa que estiver a passar. A polícia municipal sempre passa por estes locais, mas nada faz”.

Disse que, além desta situação, os óleos que são usados nestes trabalhos estragam o alcatrão. “Há uma concorrência desleal a outros fornecedores de peças. O Conselho Municipal é que autoriza. A Avenida 25 de Setembro deixou de fazer parte da beleza”, afirmou.

Afonso também falou de buracos que deviam ser tapados quando ainda são pequenos. “Os passeios devem ser limpos. Mas o que acontece? Há latas de refrescos e garrafas de cerveja em todo lado. O município tem viaturas de grande valor, mas não consegue deixar a cidade num grande valor”, disse Afonso.

Contaminação de lençóis freáticos

O ambientalista Lino Manuel, do “Centro Terra Viva”, uma organização não-governamental de defesa do meio ambiente, disse ao Canalmoz que os óleos de motor usado nestas oficinas contêm metais pesados que, uma vez depositados no ambiente, por diversas formas acabam no prato e no sangue das pessoas.

“Os óleos de motores contêm na sua composição, de entre outras substâncias químicas, metais pesados. Se forem descartados sem o devido tratamento em locais não pavimentados, podem contaminar lençóis freáticos e acabar na boca das pessoas que se abastecem de águas subterrâneas”, alertou.

Acrescentou que, em áreas pavimentadas, podem ainda, pelo escoamento superficial das águas pluviais, entrar nos colectores e precipitarem-se directamente no mar.

Indicou que, mesmo nos casos em os efluentes contaminados pelos óleos passam pela Estação de Tratamento de Águas Residuais, os metais pesados mantêm-se e chegam ao mar, uma vez que a única infraestrutura do género, construída na cidade de Maputo, não tem a capacidade de neutralização destas substâncias químicas.

David Simango não comenta o assunto

O presidente do Conselho Municipal, David Simango, declinou tecer qualquer comentário, quando questionado sobre o assunto. O Canalmoz interpelou o Simango na Praça dos Heróis, nas celebrações do 7 de Abril, Dia da Mulher Moçambicana. “Estou aqui nas comemorações do Dia da Mulher. Não quero falar de outros assuntos”, declarou Simango, sem indicar o local e a data em que trata de “outros assuntos”.

População de Maputomane percorre 20 km para encontrar Centro de Saúde

A população do povoado de Maputomane, no posto administrativo de Cumbana, no distrito de Jangamo, percorre cerca de 20 quilómetros para obter cuidados de saúde, facto que leva muitos residentes daquela região a recorrerem à “medicina tradional”. Outros ficam mesmo em casa, com medo de a doença piorar no caminho.

O líder comunitário em Maputomane, Francisco Armindo Tsambo, disse à nossa reportagem que esta situação já foi reportada várias vezes às autoridades governamentais, mas estas nada fizeram até ao momento.

“Quando alguém fica doente, deve percorrer uma ditância de vinte quilómetros para encontrar o Centro de Saúde de Nhacodja”, disse Francisco Tsambo, tendo acrescentado que “como os carros não pernoitam em Maputomane à noite, quando alguém fica doente, recorre a raízes tradicionais para se curar”.

Mulheres têm o parto nas suas residências

Segundo o mesmo líder comunitário, várias mulheres continuam a ter o parto nas suas residências, com ajuda de senhoras mais velhas, porque as mulheres grávidas não conseguem percorrer longas distâncias. “Aqui nenhuma mulher dá parto no Centro de Saúde, porque a distância é muito longa e pode correr o risco de perder o bebé.”

Directora distrital de saúde reconhece o problema

A nossa reportagem contactou a directora distrital da Saúde do distrito de Jangamo, Maria Rafael, que disse que o distrito se debate com sérios problemas da rede sanitária, que não chega para abranger todo o distrito.

Empresário com ligações ao partido Frelimo detido em conexão com raptos em Moçambique

Manish Cantilal, jovem empresário com estreitas ligações ao partido Frelimo, foi detido sábado (12), indiciado de ser um dos mandantes de uma série de raptos de concidadãos de origem asiática com interesses empresariais na capital moçambicana.

Segundo fonte oficial da Polícia, citada pelo jornal Notícias, o indiciado é apontado como tendo ordenado o sequestro de quatro pessoas, aos quais exigiu avultadas somas de dinheiro para a sua libertação.

A detenção de Cantilal seguiu-se à emissão do mandado de captura emitido pela juíza de instrução do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, a pedido do Serviço de Informação e Segurança do Estado (SISE) que há algum tempo vinha investigando o comerciante. Findas as investigações e encontradas matérias comprovativas do seu envolvimento em quatro raptos, o SISE solicitou ao tribunal que emitisse o mandado de captura, o que ocorreu no sábado.

Não foram avançados mais detalhes sobre a detenção do empresário Manish Cantilal, proprietário de uma loja, localizada na Avenida Filipe Samuel Magaia, no bairro Central, na cidade de Maputo. A referida loja é conhecida pela venda de discos piratas.

De acordo com o matutino Notícias, nos últimos tempos Manish levava uma vida faustosa, terá inclusive celebrado o seu casamento, recentemente, no mais luxuoso complexo hoteleiro de Maputo, num evento que contou com a presença do então eleito edil da cidade da Matola, Calisto Cossa.

Menor de idade estuprada em Maputo

Mais uma adolescente, de 16 anos de idade, foi abusada sexualmente por dois indivíduos, na madrugada desta segunda-feira (14), no bairro do Aeroporto “B”, na capital moçambicana. A Polícia da República de Moçambique (PRM), ainda não tem detalhes sobre o crime, porém, deteve um dos supostos estupradores, na 10a esquadra.

Orlando Modumane, porta-voz da PRM na cidade de Maputo, disse que o caso ainda está em investigação com vista a esclarecer, de entre outras questões, de onde vinha a vítima e qual era o seu destino, pois, pela sua idade, à hora em que o crime foi cometido ela devia estar em casa ou noutro lugar seguro.

Não existem igualmente pistas sobre o paradeiro do segundo violador, o qual faz parte de um grupo de pessoas que ainda não foram, pelo menos publicamente, punidos pelos seus actos infames, que têm causado diversos traumas nas suas vítimas. Segundo Modumane, para lograrem seus intentos, os meliantes teriam arrastado a menina para as proximidades do muro de uma escola, onde consumaram o acto.

Enquanto isso, na semana de 07 a 13 de Abril corrente, a PRM deteve 50 supostos malfeitores que se abrigavam nos edifícios abandonados, tendo encontrado em sua posse um televisor tipo plasma de 32 polegadas, várias carteiras com documentos pessoais e armas brancas. A Polícia diz ter constatado que alguns elementos do bando já foram detidos por cometimento de vários crimes.

LAM desmente acidente em Joanesburgo

A imprensa nacional e internacional noticiou e com destaque, durante a semana, sobre um acidente envolvendo um avião das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), que terá embatido, durante a aterragem, numa pista do Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo, na passada segunda-feira, sem provocar vítimas.

A imprensa fala de um avião Bombardier Q400, que cumpria o voo TM311 no percurso Beira-Joanesburgo, quando, no processo de aterragem, no principal aeroporto da África do Sul, embateu com a cauda, o que terá provocado o encerramento da pista durante algumas horas.

Entretanto, a Agência portuguesa de notícias “Lusa” contactou, antes de publicar a notícia, a empresa Linhas Aéreas de Moçambique para o contraditório, mas a empresa não confirmou nem desmentiu, tendo prometido dar esclarecimentos “mais tarde”, dando a entender que havia informação relacionada.

Só que já neste domingo, no lugar de dar esclarecimentos, conforme prometido, a LAM veio a público, através de um comunicado desmentir completamente a informação. “Preocupada com a reposição da verdade, vem por meio desta informar aos seus estimados clientes, amigos e público em geral, que a informação veiculada pela imprensa electrónica, dando conta de uma aeronave sua, ter sofrido um acidente causando quebra da cauda, destruição de antena e infra-estruturas aeroportuárias no aeroporto de OR Tambo de Joanesburgo, no dia 7 de Abril, é FALSA. A LAM informa ainda não constituir verdade a informação segundo a qual o aeroporto OR Tambo de Joanesburgo teria sido interditado e/ou encerrado em resultado do acidente ora referido” lê-se no comunicado da LAM.

Mas o Diário de Notícias, jornal português editado em Lisboa noticiou na sua edição de sábado que o comandante do voo, “um instrutor de origem turca, mas de nacionalidade canadiana”, terá estado envolvido, no dia anterior ao embate, num “incidente semelhante” com o mesmo avião, no Aeroporto Internacional da Beira, no centro de Moçambique. LAM diz que não houve acidente.

Tribunal Administrativo detecta desvio de 21 viaturas no Ministério dos Transportes e Comunicações

O relatório do Tribunal Administrativo sobre a Conta Geral do Estado referente ao exercício económico de 2012 detectou, de entre várias irregularidades, o desvio de 21 viaturas adquiridas com fundos do Orçamento do Estado, no âmbito do projecto “Aquisição de veículos multi-uso para o transporte rural”, concebido para implantar e desenvolver o sistema de transporte específico para a zona rural.

No entanto as referidas viaturas não foram usadas para o fim previsto. Num claro exemplo de má gestão da coisa pública e da prática de prioridades esquisitas, as viaturas foram maioritariamente distribuídas ao nível do Governo central, designadamente para a residência do ministro.

Trata-se de 14 viaturas da marca Nissan Hardbody, duas da marca Eicher, duas são Hyundai, duas são Toyota Hilux e uma é da marca Nissan Pathfinder, avaliadas em 21 986 938,21MT. As restantes viaturas, segundo o relatório e parecer do TA, na página VI-35, foram distribuídas para os gabinetes do ministro e vice-ministro, para a Inspecção-Geral do Ministério, a direcção de Economia e Investimento, o departamento de Relações Internacionais, a Unidade Gestora e Executora das Aquisições, o Fundo dos Transportes e Comunicações, o departamento jurídico do ministério, o gabinete do secretário permanente e a repartição de administração e património do ministério.

Receberam também viaturas a direcção nacional dos Transportes e Logística, a direcção nacional dos Transportes de Superfície e o departamento dos Recursos Humanos do ministério. Foram ainda incluídas as direcções provinciais dos Transportes e Comunicações de Tete, Niassa, Cabo Delgado e Sofala.

Segundo o TA, a atitude configura violação das normas sobre a “elaboração e execução dos orçamentos, bem como da assunção, autorização ou pagamento de despesas públicas ou compromissos”, em conformidade com o disposto na alínea b) do n.º 3 do artigo 93 da lei n.º 26/2009, de 29 de Setembro, atinente ao regime relativo à “organização, funcionamento e processo da 3.ª Secção do Tribunal Administrativo.”

Professores ignoram reunião obrigatória da FRELIMO

Os professores de diferentes escolas e funcionários do sector da Educação na Beira não compareceram, na passada sexta feira, a uma reunião de carácter obrigatório, organizada pelo partido Frelimo, e que teria a presença de Alberto Chipande, que é chefe da brigada central para a província de Sofala e membro da Comissão Política.

A reunião seria realizada na sede do partido Frelimo no bairro de Inhamízua, na cidade de Beira. Para garantir a presença dos professores, esse partido ordenou que não houvesse aulas naquele dia. Mas, em vez de ir ouvir Chipande a fazer a sua campanha, os professores preferiram ficar em casa com os seus familiares ou dedicar-se a outras actividades do seu interesse.

Ainda não se sabe ao certo a razão da tomada daquela atitude por parte dos professores, mas é conhecida a impopularidade da Frelimo e dos seus dirigentes na cidade da Beira.

A reportagem do CanalMoz deslocou-se a várias escolas e constatou que, de facto, não havia aulas, estando os estudantes no pátio. Dirigimo-nos à escolas secundárias da Manga e “João XXIII”, que se localizam próximo da sede de partido Frelimo no mesmo bairro. Não encontrámos qualquer professor. Os estudantes informaram-nos que os professores tinham um encontro com Chipande em Inhamízua.

O CanalMoz dirigiu-se à sede do partido Frelimo e verificou que não havia lá ninguém. A sala de reuniões encontrava-se ornamentada e colorida com bandeiras daquele partido e do seu candidato, estando tudo pronto para uma jornada de campanha ilegal. Mas não havia convidados. Apenas funcionários da secretaria do partido Frelimo.

Perguntámos a uma das funcionárias da secretaria a razão de a sala estar deserta, quando havia sido marcada uma reunião. A funcionária, que pediu para não ser identificada, disse ao nosso jornal que o encontro ficou adiado por falta de comparência dos professores e de alguns agentes económicos da cidade, que haviam sido convocados para a reunião.

Frelimo não reage

A nossa equipa de reportagem tentou sem sucesso contactar o primeiro secretário provincial do partido Frelimo, Henriques Bongece, para colher dele mais informações sobre aquela situação. Bongece aconselhou-nos a deixar o número do jornal e disse que a secretária do seu partido entraria em contacto para esclarecimentos. Até ao fecho desta edição não houve nenhum contacto.

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