O Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGD) de Moçambique alertou que a assistência humanitária na província norte de Cabo Delgado se encontra sob crescente pressão devido à combinação de ataques terroristas e fenómenos climáticos que afectam as mesmas comunidades.
Em declarações durante um debate na Rádio Moçambique, o delegado do INGD em Cabo Delgado, Marques Naba, salientou a necessidade de ajustar a resposta humanitária a “um cenário complexo e simultâneo”. Naba enfatizou que as comunidades enfrentam dois desafios: a época chuvosa e o conflito armado, um cenário que constitui um desafio significativo para todos os intervenientes humanitários.
Durante a presente época chuvosa, 4.570 habitações foram afectadas, das quais 1.316 foram completamente destruídas, resultando em 3.629 agregados familiares e 9.671 indivíduos directamente impactados. Quanto ao impacto do terrorismo islâmico, Naba afirmou que actualmente existem mais de 434.000 pessoas deslocadas em Cabo Delgado, embora 678.000 pessoas que haviam sido deslocadas anteriormente consigam agora regressar às suas áreas de origem.
O delegado do INGD destacou igualmente que o apoio deve ser direccionado não apenas às pessoas deslocadas, mas também às comunidades de acolhimento, de modo a evitar tensões sociais.
Devido à redução da assistência externa, o INGD deixou de acolher deslocados em tendas. “Estamos a investir em materiais de construção e a criar aldeias com serviços básicos, como escolas, mercados e unidades de saúde”, afirmou Naba.
Ele reforçou que o governo, e não as ONGs, é responsável pela coordenação humanitária em Moçambique, enfatizando que “é o governo que lidera as operações humanitárias em Moçambique” e que “os parceiros complementam os planos definidos pelo governo”.















