Cerca de 800 extremistas judeus invadiram a Esplanada das Mesquitas, situada na Cidade Velha de Jerusalém, para assinalar o Dia da Bandeira ou o Dia de Jerusalém. Sob forte protecção policial, os invasores entoaram cânticos provocatórios, aumentando a tensão na região.
Fontes locais confirmaram à agência palestiniana Wafa que um dos rabinos entrou no recinto da Mesquita de Al Aqsa envergando o ‘tefilin’, um par de pequenas caixas com pergaminhos da Torá utilizadas pelos judeus durante as orações. O rabino estava acompanhado pelo ex-deputado ultraconservador Moshe Feiglin.
Alguns colonos realizaram rituais talmúdicos em um dos principais portões que conduzem ao complexo. Este local é o terceiro mais sagrado para o Islão, depois de Meca e Medina, e também o mais sagrado para os judeus. Segundo o ‘status quo’ de 1967, acordado entre Israel e países árabes liderados pela Jordânia, o culto no recinto está reservado aos muçulmanos, sendo que os judeus só podem entrar como visitantes e rezar no Muro das Lamentações nas proximidades.
Para garantir a segurança durante o Dia da Bandeira, mais de 3.000 polícias foram mobilizados em Jerusalém Oriental e foram instalados postos de controlo militar nas principais estradas. A polícia israelita garantiu que a marcha seguiria o “percurso tradicional”, que inclui a passagem pela Porta de Damasco, principal entrada do bairro muçulmano da Cidade Velha, onde muitos palestinianos optam por fechar as lojas para evitar confrontos.
A marcha anual tem sido frequentemente marcada por ataques a residentes palestinianos e jornalistas. Esta edição é particularmente tensa devido à guerra que Israel está a travar na Faixa de Gaza há quase oito meses contra o grupo extremista palestiniano Hamas.
É esperado que políticos de extrema-direita, como o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, participem na marcha. “Iremos ao Monte do Templo, temos de os atingir onde é mais importante para eles”, disse Ben Gvir na terça-feira.
O Dia de Jerusalém começou a ser celebrado em 1969 por membros de ideologia nacionalista e messiânica, que percorreram o trajecto feito pelas tropas israelitas em 1967, quando ocuparam a Cidade Velha e Jerusalém Oriental após a Guerra dos Seis Dias.
















