A construção de um gasoduto em Moçambique é a opção mais viável para que o mercado doméstico receba o gás do Rovuma, norte do país, refere o “Estudo do Pipeline Palma-Maputo”, aprovado esta semana pelo Conselho de Ministros e a que a Lusa teve acesso.

O estudo, elaborado pelo Ministério dos Recursos Minerais e Energia (Mireme), defende que um gasoduto “é a opção que satisfaz o desafio de desenvolvimento de infraestruturas de distribuição de gás pela extensão do país”, sendo que as reservas sub-oceânicas do Rovuma, no extremo norte, estão a cerca de dois mil quilómetros da capital, Maputo, no extremo sul.

O custo da infraestrutura está avaliado em cinco mil milhões de dólares (cerca de 4,2 mil milhões de euros), indica a avaliação.

A opção serviria a fase de média aelevada procura de gás natural liquefeito (GNL, na sigla inglesa) no mercado moçambicano e da África Austral, acarretandoinvestimentos elevados, mas com custos operacionais baixos.

Por outro lado, geraria um número elevado de empregos durante a construção, mas criaria poucos postos de trabalho na fase de operação.

Nas conclusões da avaliação, o Mireme propõe que o processo de planificação do gasoduto que vai ligar o distrito de Palma, província de Cabo Delgado, norte do país, e Maputo, sul, decorra entre 2024 e 2035, e a operacionalização do projeto se efetive entre 2035-2040 – sendo que o processamento de gás arranca em 2022 só em alto mar e dois anos depois em terra.

“Deverá ser considerado o desenvolvimento faseado das infraestruturas de transporte de gás por forma a mitigar o risco de investimento e permitir o desenvolvimento do mercado de gás natural em Moçambique e na região [da África Austral]”, lê-se no documento.

O estudo avalia outras duas opções de transporte de gás natural liquefeito: uma através de camiões e outra por navios.

O transporte por camiões é viável em todas as fases, mas só se mostra eficaz para conduzir GNL “nas regiões onde se localizam-se os ‘hubs'” nos portos de Nacala, norte, Beira, centro, e Maputo.

A opção pelo transporte terrestre iria movimentar 45 camiões no início da operação e um máximo de 580 camiões no pico.

O Mireme alerta, contudo, que “esta opção não responde ao desafio do gás ao longo do país”.

A opção de transporte por navios é adequada para as primeiras fases de desenvolvimento do GNL, representa alto risco ambiental e é caracterizado por investimentos e custos operacionais médios.

O estudo considera que a via marítima “responde ao desafio de distribuição do gás natural à extensão do país através dos ‘hubs’ de Nacala, para a zona norte, Beira, para centro, e Maputo, para a zona sul e seria uma solução transitória”.

Cada navio (Unidade de Receção, Armazenamento e Regaseificação de LNG) teria um custo de 180 milhões de dólares (mais de 151 milhões de euros).

A análise do Mireme apresenta um estudo de mercado com três cenários: baixa demanda, média demanda e alta demanda.

O “Estudo do Pipeline Palma-Maputo” é justificado com a necessidade de estabelecimento das “principais opções estratégicas para o desenvolvimento de infraestruturas que promovam a adição de valor nas áreas próximas de exploração e distribuição de gás natural na extensão do país”.

Por outro lado, a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) “está a desenvolver um estudo de mercado e de infraestruturas de gás, com vista a identificar projetos âncora” que possam ser financiados pela banca nos principais corredores de desenvolvimento da região.